Será que as mutações encontradas em cepas do SARS-CoV-2 associadas a visons são perigosas?

Preparamos um extrato de notícia publicada na Nature News em 13 de novembro de 2020. Leia a notícia na íntegra aqui.

Autoridades de saúde na Dinamarca divulgaram dados genéticos e experimentais sobre um agrupamento de mutações do SARS-CoV-2 circulando em visons e pessoas que trabalham nos criadores desses animais. A divulgação ocorreu dias depois de anunciarem que as mutações poderiam comprometer a eficácia das vacinas contra a COVID-19.

As notícias das mutações levaram a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, a anunciar em 4 de novembro planos para acabar com a criação de visons no futuro próximo – e abater cerca de 17 milhões de animais – provocando um debate acirrado sobre se tal ação era legal. Mas os cientistas tiveram o cuidado de não dar o alarme até verem os dados.

A disseminação descontrolada no vison aumenta a oportunidade de o vírus evoluir e desenvolver mutações que podem ser preocupantes. Foram encontradas cerca de 300 variantes do SARS-CoV-2 em pessoas que podem ser rastreadas até visons, o que significa que contêm mutações que se acredita terem surgido primeiro em visons.

Nas amostras virais de visons e pessoas, os pesquisadores identificaram várias mutações no gene que codifica a proteína spike do coronavírus, que ele usa para entrar nas células. Isso preocupa os pesquisadores porque as mudanças nessa região podem afetar a capacidade do sistema imunológico de detectar a infecção. Muitas vacinas também treinam o sistema imunológico para bloquear essa proteína.

De particular preocupação é uma variante viral que contém uma combinação única de mutações chamada ‘Cluster-5’, que foi encontrada em 5 fazendas e 12 pessoas no norte da Dinamarca. Experimentos preliminares com células sugerem que os anticorpos de algumas pessoas que se recuperaram do COVID-19 acharam mais difícil reconhecer a variante do Cluster-5 do que os vírus que não carregavam as mutações do Cluster-5. Isso sugere que a variante poderia ser menos responsiva a tratamentos com anticorpos ou vacinas.

Uma mutação associada ao vison se espalhou mais amplamente nas pessoas. A mutação, Y453F, também codifica uma alteração de aminoácido na proteína spike e foi encontrada em cerca de 300 sequências de pessoas na Dinamarca, bem como sequências de visons e pessoas na Holanda. Um estudo experimental sugere que as variantes do vírus com a mutação Y453F escaparam da detecção por um anticorpo monoclonal comercial.

FONTE: COVID mink analysis shows mutations are not dangerous — yet. Smriti Mallapaty. Nature News 13 novembro 2020. https://doi.org/10.1038/d41586-020-03218-z.