No meio da controvérsia sobre obrigatoriedade de vacinas, mapeamento aponta falhas na vacinação contra sarampo no mundo.

Vejam o que diz essa matéria da revista Nature. Preparamos um extrato para vocês. Leiam a matéria original aqui.

A melhoria do acesso às vacinas infantis foi um dos maiores avanços na saúde pública nas últimas décadas, como evidenciado pela erradicação da varíola em 1980 e a declaração deste ano da África como livre da poliomielite. Mas para o sarampo, o caminho para a eliminação e erradicação tem sido acidentado, apesar da existência de uma vacina segura e econômica. Os casos e mortes por sarampo persistem, especialmente em países de baixa e média renda, onde muitos fatores – de conflito à hesitação vacinal e falta de financiamento – continuam a representar desafios para a imunização.

Um grupo denominado Colaboradores de Cobertura de Vacinas de Carga Local de Doenças fornece evidências de que as metas de vacinação contra o sarampo estão ameaçadas, devido às grandes iniquidades na cobertura, juntamente com a desaceleração, estagnação e regressão da cobertura das vacinas de primeira dose de rotina contra o sarampo entre 2010 e 2019.

Foi usada uma abordagem de mapeamento que facilita a estimativa de métricas de saúde da população em áreas geográficas precisas – normalmente comunidades que vivem em áreas de 5 quilômetros quadrados. Essa abordagem ganhou destaque após o lançamento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas em 2015, que clamam por melhorias em uma série de fatores, da saúde à educação, sem deixar “ninguém para trás”.

Os autores do estudo fizeram uso de 354 pesquisas domiciliares que medem a cobertura de vacinação contra o sarampo e outros indicadores de saúde, alguns dos quais incluíram informações precisas sobre a localização dos entrevistados. As pesquisas, conduzidas entre 2000 e 2019, representaram cerca de 1,7 milhão de crianças. Os autores combinaram os dados dessas pesquisas com informações existentes sobre outras variáveis ​​que podem ajudar a prever a cobertura vacinal, como fatores locais ambientais, socioeconômicos e relacionados à saúde. O grupo usou uma abordagem de modelagem estatística complexa e eficiente para prever e mapear a cobertura da vacina contra o sarampo e as incertezas associadas em 101 países.

Os mapas resultantes estão disponíveis publicamente (consulte go.nature.com/36phfks). Esses mapas revelam melhorias substanciais na cobertura global da vacina contra o sarampo de 2000 a 2010, mas também mostram que um progresso mais lento foi feito entre 2010 e 2019.

Além disso, os mapas revelam iniquidades notáveis ​​na cobertura vacinal, tanto dentro como entre países, ao longo do período de estudo. Isso foi particularmente verdadeiro na África e na Ásia. Uma porcentagem maior de crianças que vivem em áreas rurais não foi vacinada em comparação com as de áreas urbanas, mas o número total de crianças não vacinadas foi maior nas áreas urbanas. Para o sarampo, a meta necessária para atingir a imunidade coletiva é 95% ou mais das crianças recebendo duas doses da vacina.

O trabalho é oportuno e crucial, especialmente em face das interrupções nos serviços de vacinação em função da atual pandemia de COVID-19. As áreas que tinham cobertura insuficiente de vacinas antes da pandemia provavelmente ficarão pior depois dela; portanto, os mapas atuais podem ser usados ​​para orientar o planejamento do programa de vacinação nos próximos anos.

É IMPORTANTE MANTERMOS O CALENDÁRIO DE VACINAÇÃO EM DIA. VACINAS FORAM UMA DAS PRINCIPAIS CONQUISTAS DOS SERES HUMANOS CONTRA DOENÇAS INFECCIOSAS. NÃO PODEMOS RETORNAR À ERA PRÉ-VACINA!

APROVEITAMOS PARA INFORMAR QUE O MICROBIOLOGANDO ENTRARÁ EM PERÍODO DE RECESSO A PARTIR DO DIA 21 DE DEZEMBRO. RETORNAREMOS COM POSTS DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA A PARTIR DE 25 DE JANEIRO DE 2021.

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Fonte: Precise mapping reveals gaps in global measles vaccination coverage. C. Edson Utazi & Andrew J. Tatem. Nature NEWS AND VIEWS  16 DECEMBER 2020. https://doi.org/10.1038/d41586-020-03391-1