Será que a abordagem rápida usada para combater o SARS-CoV-2 pode mudar o futuro da ciência das vacinas?

Preparamos um extrato da matéria publicada na revista Science News. Veja o original aqui.

Quando os cientistas começaram a buscar uma vacina para o coronavírus SARS-CoV-2 no início de 2020, eles tiveram o cuidado de não prometer sucesso rápido. O mais rápido que qualquer vacina já havia sido desenvolvida, desde a amostragem viral até a aprovação, foi de quatro anos, para caxumba na década de 1960.

Mas, no início de dezembro, os desenvolvedores de várias vacinas anunciaram excelentes resultados em grandes ensaios promissores. Essa velocidade desafia todo o paradigma do que é possível no desenvolvimento de vacinas. É tentador esperar que outras vacinas possam agora ser feitas em uma escala de tempo comparável.

O mundo foi capaz de desenvolver vacinas COVID-19 tão rapidamente devido a anos de pesquisas anteriores sobre vírus relacionados e maneiras mais rápidas de fabricar vacinas, além de financiamento enorme que permitiu às empresas realizar vários testes em paralelo e reguladores agindo mais rapidamente do que o normal. Alguns desses fatores podem se traduzir em outros esforços de vacinas, especialmente plataformas de fabricação mais rápidas.

A parte mais lenta do desenvolvimento da vacina não é encontrar tratamentos candidatos, mas testá-los. Isso geralmente leva anos, com empresas realizando testes de eficácia e segurança em animais e, em seguida, em humanos. O teste humano requer três fases que envolvem um número crescente de pessoas e custos proporcionalmente crescentes. As vacinas COVID-19 passaram pelos mesmos testes, mas os bilhões investidos no processo possibilitaram que as empresas corressem riscos financeiros realizando alguns testes concomitantes. Isso significava que as empresas podiam apostar no início de testes em grande escala e fabricação de candidatas que poderiam não funcionar.

A pandemia COVID-19 deve apresentar algumas mudanças permanentes no desenvolvimento de vacinas. Para começar, pode estabelecer o uso de vacinas de mRNA – que não haviam sido previamente aprovadas para uso geral em pessoas – como uma abordagem rápida para outras doenças. As vacinas de mRNA candidatas podem ser sintetizadas quimicamente em poucos dias, em contraste com a biotecnologia mais complicada envolvida na produção de proteínas nas células.

Ainda assim, outras vacinas provavelmente só podem ser desenvolvidas em uma velocidade comparável quando os níveis de infecção são altos – tornando possível realizar testes massivos com relativa rapidez – e com enormes quantias de financiamento. E outros vírus podem ser mais difíceis de atacar do que o SARS-CoV-2 acabou sendo.

É por isso que precisamos saber mais sobre todas as famílias de vírus. Existem pelo menos 24 outras famílias de vírus que podem infectar humanos. Em vez de esperar para gastar recursos na luta contra o próximo vírus que surgir, o dinheiro seria melhor gasto agora configurando sistemas para monitorar todos esses vírus e gerar dados sobre infecções em cada uma dessas famílias.

Em outras palavras, nenhuma quantia de dinheiro ajudará sem uma plataforma sólida de ciência básica. O extraordinário sucesso das vacinas COVID-19 é um bom exemplo do que a ciência pode fazer muito rapidamente, mas não aconteceu da noite para o dia.

DESEJAMOS UM BOM FINAL DE ANO A TODOS.

O MICROBIOLOGANDO ENTRARÁ EM PERÍODO DE RECESSO A PARTIR DO DIA 21 DE DEZEMBRO. RETORNAREMOS COM POSTS DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA A PARTIR DE 25 DE JANEIRO DE 2021. DURANTE O RECESSO, MANTEREMOS O SERVIÇO DE RESPOSTA A COMENTÁRIOS, DANDO PRIORIDADE ÀS PERGUNTAS DE MAIOR URGÊNCIA DEVIDO AO GRANDE NÚMERO DE COMENTÁRIOS QUE ESTAMOS RECEBENDO. AGRADECEMOS A COMPREENSÃO E O INTERESSE DE TODOS QUE TÊM ACOMPANHADO O NOSSO TRABALHO.

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Fonte: The lightning-fast quest for COVID vaccines — and what it means for other diseases. Philip Ball. Science News 18 dezembro 2020. https://doi.org/10.1038/d41586-020-03626-1

16 respostas para “Será que a abordagem rápida usada para combater o SARS-CoV-2 pode mudar o futuro da ciência das vacinas?”

    1. Olá Neusa,
      Significa que estás infectada. Faça isolamento por 10 dias a partir do início dos sintomas ou, se fores assintomática, a partir da coleta do cotonete. Se os sintomas não tiverem melhorado após 10 dias (principalmente, se ainda tiveres febre), precisas manter o isolamento. Espero ter ajudado.

    2. Meu marido testou positivo dia 31/12,estava com sintomas a 4 dias, neste dia amanheci tb com alguns sintomas, o médico pediu o teste PCR, pois achou impossivel eu n ter me contaminado, o teste deu negativo, há possibilidade de ainda me contaminar?

      1. Olá Claudina,
        Mesmo no dia ideal de fazer o teste (3 dias após o início dos sintomas), 20% dos pacientes com COVID testam negativo no PCR. Então, há chance grande de teres tido um exame falso-negativo. Faça isolamento. Espero ter ajudado.

  1. Olá.

    No dia 20/11 eu e meu namorado (assim como a família dele) tivemos contato com uma pessoa infectada (que não sabia que estava). Na semana seguinte, várias pessoas testaram positivo, inclusive meu namorado. Eu testei negativo por meio do RT-PCR, e outras duas pessoas também. Passados mais uns dias, fiz um teste rápido, e testei negativo novamente.
    Meu namorado testou positivo no dia 27/11 via PCR e teste rápido (que deu “positivo fraco”). Ele teve sintomas leves (coriza, fadiga, tosse). Passados os 14 dias de isolamento, ele fez um teste rápido e deu IGM e IGG positivos. Semana passada (18/12) fez outro teste rápido e também deu IGM e IGG positivos. Hoje fez sorologia e deu IGM 2.5 COI e IGG 7.1 COI. Ele ainda transmite? E por que está demorando tanto para negativar o IGM, tendo em vista que já se passou 1 mês do contágio? Há alguma justificativa para a resposta tardia à infecção ou a expulsão do vírus pelo corpo? É possível que o vírus esteja com resistência, ou que ele esteja expelindo partículas “mortas” do vírus, por isso o IGM ainda reagente?
    Ele voltou a trabalhar após os 14 dias. O médico disse para ele que ele poderia voltar às atividades após este período. Porém, estou com receio vê-lo por ainda estar com IGM reagente.

    1. Olá Juliana,
      Na prática, essa queda da IgM não tem se verificado em todos os pacientes. E temos dados suficientes para inferir que em pacientes leves, após 10 dias de sintomas, não tendo mais febre e com melhora dos outros sintomas, não há mais transmissão. Espero ter ajudado.

    1. Olá Kellen,
      Significa que possuis anticorpos contra o vírus. Não sabemos como isso se traduz em imunidade. Portanto, siga as medidas de distanciamento e proteção. Espero ter ajudado.

  2. Parabéns pelo site! Estou encantada com as informações que encontrei aqui!
    Eu tive covid há exatos 32 dias, com pcr positivo e agora igg 44,00. Posso pegar de novo neste exato momento, ou existe alguma proteção pôs covid? eu estou muito preocupada, porque passei o Natal com meu irmão e ele testou positivo no dia 26/12. Perguntei para a medica que atendeu ele, e ela disse que “achava” que por enquanto eu não pego, mas que era incerto.
    Obrigada!

    1. Olá Helena,
      Teoricamente, há uma proteção, mas não é possível quantificá-la na prática. Há casos de pacientes que se reinfectaram com menos de 80 dias após a primeira infecção. Portanto, siga as medidas de proteção e distanciamento. Espero ter ajudado.

  3. Li esse comentário no Microbiologando e seria interessante saber se nesse grupo de 9 pessoas qual foi o infectado: dos 6 ivermectina? Os outros testaram negativo: grupo de 6 ou grupo de 3?
    (trecho apagado pelo moderador)

    1. Olá Alcinei,
      Independentemente de quem foi infectado, esses casos isolados dizem muito pouca coisa frente ao panorama geral de ensaios clínicos. Não há evidências consistentes de que ela funcione. É preciso a comprovação por estudos sem vieses, e isso é apenas atingido com ensaios clínicos controlados e randomizados. Espero ter ajudado.

  4. Olá! Boa noite.
    Em abril/2020 tive os sintomas da covid e testei positivo (PCR). Estou pensando em fazer a sorologia (igg) para verificar se ainda estou com anticorpos. Acha válido? Ou será que por já ter tido há bastante tempo, é possível que não tenha mais anticorpos?
    Muito obrigada!

    1. Olá Bárbara,
      Acho que podes economizar o teu dinheiro. Os testes sorológicos têm pouco valor para responder a qualquer das perguntas relevantes para quem já sabe que foi infectado. Os testes sorológicos medem anticorpos contra o vírus, mas apenas uma parcela deles importa, os anticorpos neutralizantes, que não são medidos. E mesmo se fossem, não sabemos os níveis de anticorpos neutralizantes necessários para prevenir uma nova infecção, ou para prevenir os sintomas, por exemplo. Por isso e por outras razões, desrecomendamos os testes sorológicos em geral. Espero ter ajudado.

  5. Boa noite,
    Realizei o exame do PCR no 5º dias após sintomas de cansaço e diarréia. O resultado foi :
    NÃO DETECTADO: Negativo na amostra analisada.
    DETECTADO O RNA DO SARS-CoV-2: Positivo na amostra analisada.
    Estou sem entender, estou contaminada?

    1. Oi, Ester. O Microbiologando está retornando agora após um recesso. Esperamos que a demora na resposta não tenha te prejudicado. Os laudos apresentam o resultado obtido com a amostra do paciente e as interpretações. Portanto, devem vir três frases: a interpretação do que quer dizer NAO DETECTADO, a interpretação do que quer dizer DETECTADO e o resultado do paciente. Veja se não há mais nada escrito no teu laudo. Parece que você só colocou no teu comentário as interpretações.

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