Depois de vacinar 95 por cento dos adultos, a cidade de Serrana – SP, está voltando ao normal.

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Em Serrana, as escolas estão sendo reabertas e há planos para um grande concerto ao ar livre. Os profissionais de saúde têm tempo para refeições sentadas, em vez de correr para pegar comida de rua durante um momento livre. Essas cenas que se aproximam da normalidade contrastam fortemente com o que está acontecendo no resto do país, onde os hospitais estão lotados, as empresas praticamente fechadas e 2.000 pessoas morrem todos os dias de COVID-19.

Serrana, uma cidade de 45.600 habitantes no estado de São Paulo, pode começar a fazer esses planos porque um experimento chamado Projeto S, que vacinou quase todos os adultos, parece estar reduzindo drasticamente as hospitalizações e mortes por COVID-19. Os casos sintomáticos caíram 80 por cento e as internações hospitalares caíram 86 por cento.

A incidência de mortes relacionadas ao COVID-19 por 100.000 habitantes também caiu 95 por cento na cidade, disseram os líderes da equipe responsável pelo Projeto S, embora os dados brutos por trás dos números ainda não tenham sido divulgados. Em abril, o município registrou apenas seis óbitos COVID-19, segundo a Secretaria de Saúde de Serrana.

O projeto, no qual mais de 95% dos adultos da cidade receberam a vacina CoronaVac de fabricação chinesa, é um experimento em tempo real para medir a eficácia da vacina, incluindo quão bem ela protege contra variantes do coronavírus. Em testes clínicos, a vacina CoronaVac teve uma eficácia de pouco mais de 50 por cento, levantando preocupações sobre como funcionaria no mundo real.

“Este projeto é importante porque mostra que mesmo uma vacina com eficácia relativamente baixa pode ter alta eficiência e diminuir significativamente as taxas de mortalidade em ambientes da vida real”, diz a neurocientista Mellanie Fontes-Dutra, coordenadora da Rede de Análise COVID-19 no Brasil.

Os resultados também mostram que a vacina é eficaz contra uma versão mais contagiosa do vírus chamada P.1, dominante em Serrana na época do início do estudo, disse Ricardo Palácios, diretor de ensaios clínicos do Instituto Butantan e diretor do Projeto S.

Os números ainda são preliminares e os pesquisadores terão que olhar os dados brutos do experimento para garantir que a vacina funcione em larga escala, diz Fontes-Dutra. “Mas esses números preliminares mostram que temos uma vacina eficaz. E a coisa mais importante a fazer é expandir a cobertura de vacinação o máximo que pudermos para ter o maior número possível de pessoas imunizadas”.

À medida que mais pessoas são vacinadas, elas formam uma espécie de escudo imunológico que protege os indivíduos para os quais a vacina pode não funcionar tão bem ou aqueles que ainda são suscetíveis à infecção, como os imunossuprimidos pelo HIV, diz Fontes-Dutra.

A cidade está começando a testar a força desse escudo conforme os residentes voltam à igreja, as famílias dão festas para seus filhos e as escolas reabrem. Os casos também caíram entre os menores de 18 anos, que ainda não foram vacinados, sugerindo que a campanha está tendo um efeito protetor de transbordamento.

FONTE: After vaccinating 95 percent of adults, a Brazilian city is returning to normal. Meghie Rodrigues. Science News, 02 de junho de 2021.