OMS aprova primeira vacina para malária

Bruno Lopes Breda – Estudante de Medicina, UFRGS.

                Boas notícias não param de surgir, e não apenas com relação à pandemia de COVID-19! No dia 6 de outubro, a Organização Mundial da Saúde decidiu aprovar para uso a primeira vacina para malária do mundo. A doença, causada pelo protozoário Plasmodium falciparum, é uma das mais antigas que se tem conhecimento, e atinge principalmente as populações residentes em países da África.

                São dois marcos a serem comemorados: o primeiro, biológico; o segundo, social. O marco biológico reside no fato de que essa é a primeira vacina feita para uma doença causada por um parasito. Até o último dia 6, não existia nenhuma vacina aprovada no mundo que fosse direcionada a uma doença causada por agentes que não sejam vírus, como é o caso da COVID, ou bactérias, como o exemplo da tuberculose. Já o marco social está no fato de a malária ser uma doença que atinge principalmente países em desenvolvimento, os quais costumam sofrer muito mais com doenças infecciosas. Essa vacina salvará milhões de vidas, e a grande maioria dessas vidas não se encontra nos países de maior poder econômico!

                Para os mais afeiçoados a números, vamos falar um pouco sobre a eficácia da vacina, tema tão abordado no último ano e meio devido à empreitada mundial que tivemos para o desenvolvimento de vacinas para a COVID-19. A vacina para malária obteve nos testes clínicos uma eficácia de 50% contra o desenvolvimento da malária severa no primeiro ano após a aplicação, o que significa que, caso um indivíduo vacinado entre em contato com o agente da doença, ele reduz pela metade a chance de contrair malária. Ilustrando a discussão com um tema mais conhecido para o leitor, essa vacina tem eficácia similar à CoronaVac, produzida no Brasil pelo Butantan, e todos podemos ver quantas vidas uma eficácia de 50% salva com o passar do tempo.

                Após tanto tempo em meio à penumbra da incerteza de uma pandemia, começamos a ver não apenas uma, mas diversas “luzes no fim do túnel”, tanto para a COVID-19 quanto para outras doenças que assolam a humanidade. Graças à ciência, caminhamos cada vez mais para o desenvolvimento de imunizantes que sejam eficazes nas mais diversas doenças. Que possamos, cada vez mais, comemorar!