Você já sabe dos Projetos OpenData para a Covid-19? Conheça o caso do Brasil e do México.

Contribuição de Cristopher Yerena, mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Microbiologia Agrícola e do Ambiente, UFRGS. O projeto pode ser visitado no blog https://cristoyerenahs.wixsite.com/cristopheryerenahmex/personal-covid-blog.

O conceito de Dados Abertos pode se definir como um pensamento ou filosofía na Era Digital, na qual diversos Organismos Internacionaís e Governos Nacionaís colocam de maneira livre dados de utilidade pública sem restrições autorais, patentes ou mecanismos de proteção. Teoricamente, qualquer pessoa tem a possibilidade de reproduzir e analisar dados de maneira independente.

Na atualidade, devido à Pandemia do SARS-COV-2, vários Organismos Internacionais têm colocado de maneira livre diversas bases de dados, como: Organização Mundial da Saúde, o Centro de Ciência e Engenharia de Sistemas da Universidade Johns Hopkins (CSSE), Ministérios da Saúde de vários países, assim como alguns Repositórios na web.

No momento de estudar a dinâmica ou comportamento do fenômeno dentro dos dados estatísticos, várias organizações apresentam os resultados em Dashboards. Estas representações gráficas ajudam o público alvo a compreender os dados de maneira visualmente fácil. Estas podem ser visitadas em qualquer momento nos portais da web.

Para este post, dois Projetos OpenData COVID foram estudados: o publicado pelo Ministério da Saúde do Brasil e o da Dirección General de Epidemiologia (DGE) do México. Ambos podem ser baixados, utilizados e analisados de maneira livre.

Para o caso do Brasil, a base de dados OpenData publicada pelo SUS foi analisada. O critério da classificação foram os pacientes positivos para COVID-19, cuja Classificação final do caso foi SÍNDROME RESPIRATÓRIA AGUDA GRAVE (SRAG por COVID-19),segundo o Dicionário de Dados da mesma Base. Os campos utilizados foram alguns dos Fatores de Risco e as Idades registradas.

Os períodos de estudo foram: a semana do 04 de Novembro até o dia 11 de Novembro de 2020 e a semana do 11 de Novembro até o dia 18 de Novembro de 2020. O objetivo de apresentar as duas semanas é mostrar as diferenças e semelhanças em quantidades de positivos, negativos, situação desconhecida e porcentagens das prevalências de doenças para a população cadastrada na presente na base de dados.

Tabela 1. Taxas de prevalência para diversas doenças de pessoas cadastradas na Base de Dados brasileira com resultado positivo para COVID-19. Estudo da semana de 04 de Novembro até o dia 11 de Novembro de 2020.

Tabela 2. Taxas de prevalência para diversas doenças de pessoas cadastradas na Base de Dados brasileira com resultado positivo para COVID-19. Estudo da semana de 11 de Novembro até o dia 18 de Novembro de 2020.

Figura 1: Distribuição de frequências para o Brasil com as Idades cadastradas na Base de Dados dos Pacientes com resultado positivo para a COVID-19. Semana de 04 de Novembro até o dia 11 de Novembro de 2020.

Figura 2: Distribuição de frequências para o Brasil com as Idades cadastradas na Base de Dados dos Pacientes com resultado positivo para a COVID-19. Semana de 11 de novembro até o dia 18 de novembro de 2020.

Para o caso do México, a base de dados OpenData publicada pela DGE foi analisada. O critério da classificação foram os pacientes positivos para COVID-19, cujo Resultado pelo Laboratório foi Positivo segundo o Dicionário de Dados da mesma Base. Os campos utilizados foram os Fatores de Risco e as Idades registradas. O período para o estudo foi do dia 13 de Janeiro até o dia 21 de Novembro de 2020. Os dados presentes na Base de dados são acumulados de 9 meses.

Tabela 3. Taxas de prevalência para diversas doenças de pessoas cadastradas na Base de Dados mexicana com resultado positivo para COVID-19.

Figura 3: Distribuição de frequências para o México com as Idades cadastradas na Base de Dados dos Pacientes com resultado positivo para a COVID-19.

As populações do México e Brasil apresentam taxas altas para Diabetes mellitus (sem especificações do tipo) e Problemas Relacionados ao Coração. Para o caso do Brasil, a tendência para a Diabetes mellitus tem uma média de 24% e para Problemas Cardiovasculares (incluindo Hipertensão) de 32%.

Para o caso do México, a tendência para a Diabetes mellitus apresenta uma média de 15% e a Hipertensão 18%, mas o fator Cardiovascular é contabilizado de maneira separada da Hipertensão, com 1.85%. Fatores como a Obesidade e Pneumonia são elevados em comparação aos dados do Brasil.

Para o Brasil, a idade com maior incidência é 66 anos, com média de 10.000 casos novos nas duas semanas. Para o caso do México, a idade com a maior incidência é 30 anos com 23.282 casos acumulados.

Uma vez estudadas as duas Bases de Dados, foi observada diferença metodológica de apresentação de dados pelos Sistemas de Saúde: No México o cadastramento e atualização da Base de Dados é diário, enquanto no Brasil é semanal. Em relação ao registro das doenças, as Bases de Dados apresentam campos semelhantes, mas a classificação das doenças nem sempre é igual. Por exemplo, no México, doenças cardíacas e hipertensão são classificadas em separado, enquanto no Brasil a hipertensão é classificada junto com as demais doenças cardíacas. Isso dificulta a comparação das informações contidas nas Bases de Dados.

Finalmente, a distribuição de frequências de faixas etárias nos ajuda a conhecer como é a dinâmica de infecção nas diferentes idades dos pacientes positivos, informação que pode auxiliar na aplicação de políticas públicas para cada grupo.

Em conclusão, os Projetos Open Data são dados que ajudam na democratização do conhecimento e no reconhecimento pelo cidadão de padrões controversos de fenômenos como a COVID-19.

Autor: Micro Cristopher Yerena.

FONTE:

Yerena, Cristopher. Personal Blog: Statistics Covid Blog, c2020. Disponível em: https://cristoyerenahs.wixsite.com/cristopheryerenahmex/personal-covid-blog. Acesso em: 20 de Novembro. de 2020.

OpenDataSUS: SRAG 2020 – Banco de Dados de Síndrome Respiratória Aguda Grave – incluindo dados da COVID-19. Disponível em: https://opendatasus.saude.gov.br/dataset/bd-srag-2020. Acesso em: 19 de Novembro. de 2020.

Datos Abiertos Dirección General de Epidemiología: Dirección General de Epidemiología. Disponível em: https://www.gob.mx/salud/documentos/datos-abiertos-152127. Acesso em: 19 de Novembro. de 2020.