
Esta é a página do Laboratório de Microfósseis Calcários, do Departamento de Paleontologia e Estratigrafia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Aqui você encontrará informações sobre as nossas linhas de pesquisas, um pouco da história da micropaleontologia no Brasil, as parcerias institucionais com pesquisadores do Brasil e do exterior e um banco de dados sobre foraminíferos e ostracodes. Além disso, você poderá conhecer o grupo que desenvolve pesquisas com microfósseis calcários (ostracodes, foraminíferos e nanofósseis calcários).
OSTRACODES
Os ostracodes são microcrustáceos que habitam praticamente todos os tipos de ambientes aquáticos e com grande amplitude no registro fóssil (Ordoviciano–Recente). O corpo dos ostracodes é organizado em uma carapaça bivalve quitino-calcítica, articulada dorsalmente e sem linhas de crescimento. Essa carapaça – muito mais do que uma estrutura de proteção – abriga entre as duas lamelas que a constituem (lamelas externa e interna) glândulas e órgãos sensoriais. Uma charneira dorsal confere certo grau de abertura entre as valvas que compõem a carapaça (valvas esquerda e direita). O fechamento, por meio de músculos adutores, permite a reclusão completa dos apêndices, cujo número varia de 5-8 pares, dependendo do grupo. Os ostracodes adultos medem, em sua maioria, entre 0,4 e 1 mm de comprimento. Seu crescimento se dá através de mudas ou ecdises, caracterizando até oito estágios ontogenéticos. Para cada estágio uma nova carapaça é secretada. A carapaça calcificada dos ostracodes confere excelente potencial de preservação fossilífera aos ostracodes, podendo ser encontrado em grande abundância nas rochas sedimentares. Os ostracodes são valiosas fontes de dados paleoecológicos e paleoclimáticos, além de possuírem enorme potencial bioestratigráfico em virtude da curta amplitude de algumas espécies. Os estudos com os ostracodes no Brasil englobam tanto a ostracofauna vivente quanto a fóssil, abrangendo vários períodos geológicos, em (paleo)ambientes marinhos ou continentais.
FORAMINÍFEROS
Foraminíferos são protistas rizópodes que secretam uma carapaça calcária ou quitinosa ou a constroem a partir da aglutinação de fragmentos minerais ou biogênicos. A carapaça é segmentada em uma série de câmaras que vão sendo construídas ao longo da vida do microrganismo. Uma abertura – de onde o nome foraminífero – permite a saída do protoplasma em forma de pseudópodes, que o protista utiliza principalmente para a captação de alimento. Vivem em ambiente marinho ou mixoalino e apresentam hábito de vida bentônico ou planctônico. As formas bentônicas podem ser epifaunais ou infaunais, são abundantes na plataforma e talude continentais, e excelentes indicadores paleoambientais. As formas planctônicas vivem na coluna d’água, e devido a sua abundância, dispersão e alta taxa de evolução, apresentam incomparável aplicabilidade bioestratigráfica. As carapaças abundantes e bem calcificadas dos foraminíferos são muito utilizadas pelos geocientistas para análises geoquímicas de isótopos estáveis (p. ex. O e C) e elementos-traço (p. ex. Mg, Sr e Cd).
