Coleção Heloisa Annes

Veja os itens desta coleção

A coleção Heloisa Annes é rica em objetos e técnicas que contam diversas histórias, ilustram técnicas e nos faz viajar no tempo.

Heloisa da Conceição Annes nasceu na cidade de Erechim, Rio Grande do Sul, no dia 25 de dezembro de 1927. Filha de Lucila Aguilar Chagas (1896-1994), que será diversas vezes mencionada na descrição dos objetos como autora de diversas peças, e Antão Abade Chagas. 

Aos 5 anos de idade veio com os pais para a cidade de Porto Alegre onde cresceu, estudou, casou-se em 1948 com Sérgio Paulo Annes e teve seis filhos.

Nas palavras de Heloisa:

“Meus pais se casaram na cidade de Passo Fundo (RS) em 1917 e, em 1930 vieram morar em Porto Alegre. Para aumentar a renda familiar, minha mãe tecia toalhas de tricô redondo que vendia para freguesas conhecidas. Para si não teceu nenhuma, pois nossa mesa era retangular.Minha mãe gostava de repartir seus conhecimentos e as técnicas que dominava com maestria.

Todos os nossos pulôveres de lã foram tecidos por ela e quando os filhos começaram a casar, fez de crochê elaboradas toalhas de banquete.Certamente meu interesse pelos têxteis começou na infância vendo minha mãe, Lucila, sempre ocupada com seus tricôs, crochês e costuras. 

Quando eu tinha cinco anos minha mãe me ensinou a tricotar cachecol que eu presenteava minhas tias, feitos com restos de lã colorida.”

E assim, muito jovem Heloisa teve contato com os têxteis.

Com o passar do tempo, foi guardando muitas peças produzidas por sua mãe, por sua irmã Ana Helena e de sua produção. O que hoje chamamos de “coleção” não foi organizada com objetivo de um dia se destinar a um museu, mas sim, constitui-se de peças e objetos que foram guardados como lembranças e pelo reconhecimento da importância que dessas peças como representativas de técnicas, da história e do próprio fazer.

Heloisa ressalta:

“A peça que mais preso na coleção é um pequeno guardanapo de 23cm de diâmetro feito com tricô redondo com linha fina. Ela também me ensinou esta técnica. 

Na coleção há luvas, das quais quatro foram tecidas por minha mãe: sendo três de crochê e uma de tricô redondo. Esta última ela usou em seu casamento (23 de fevereiro de 1917), mas infelizmente, só tenho uma das peças.”

Um dos pares de luvas de Heloisa se refere é infantil e foi usado por ela quando criança.  

Além disso, Heloisa complementa:

“Lencinhos (muitas vezes levemente perfumados) faziam parte da indumentária feminina antigamente, e vários fazem parte da coleção. O mais precioso e incomum tem bordado no centro, um amor-oerfeito  e iniciais ‘P’ e ‘C’, ambos bordados com fios de cabelo humano. A renda ao redor é formada por nhanduti de diversos tamanhos e de muito elaborado desenho.”

O lenço a que se refere acima diz respeito a objetos que ela foi “recolhendo” e recebendo como doação de amigas e pessoas que sabiam da valorização que Heloisa dava aos têxteis.

Dentre essas pessoas, podemos destacar objetos que pertenceram à Berenice Couto e Silva e Olinda Almeida que foi professora de técnicas artesanais, cujos itens na coleção se destacam por ilustrar o ensino de diversas técnicas, entre elas, delicadas rendas de agulha.

O apreço pelos têxteis fez com que ela se envolvesse em atividades ligadas ao tema, pois ela tem uma extensa biografia ligada à produção artística e artesanal.  A partir de 1982 iniciou diversos cursos, entre eles: tapeçaria em tear; técnicas de arraiolos, smirna, quilin e tapeçaria de recorte.

Em 13 de abril de 1983 se associou ao Centro Gaúcho da Tapeçaria Contemporânea. Associação esta que foi criada em 1980 perdurando até 2000. Durante sua permanência no CGTC, Heloisa não só participou das movimentações artísticas, como também contribuiu na área administrativa do Centro integrando 11 diretorias e como Presidente por 4 vezes. 

 

Por Vera Felippi e Heloisa Annes.

Porto Alegre, dezembro, 2021.