Busto de Thompson Flôres

CARACTERÍSTICAS INTRÍNSECAS


Objeto: Busto de Carlos Thompson Flores

Categoria: Escultura

Subcategoria: Escultura de Vulto

Tipo de Escultura de Vulto: Busto sobre Pedestal

Forma: Tridimensional 

Pedestal: Formato em Paralelepípedo.

Autoria e Produção: Fernando Corona
Local de Execução: Fundição EBERLE; Caxias do Sul.
Datação: 1957.

Material:

Busto: Inorgânico – Liga metálica:  possivelmente Bronze 
Pedestal: Inorgânico – Possivelmente Granito preto

Informação Técnica: Possivelmente foto-escultura – técnica escultórica contemporânea que consiste na passagem de imagens fotográficas para dimensões tridimensionais. 

Processo Técnico: Muito provavelmente fundição de bronze com a técnica de “cera perdida”.

Descrição: O Busto identifica um tipo de representação em vulto da parte superior do corpo humano, cabeça, pescoço, peito e costas, os braços não estão incluídos. Busto sobre pedestal em tamanho natural, posição da cabeça lateralizada para a esquerda, olhar direcionado e altivo. 

Busto

Altura: 65 cm

Largura: 38 cm

Profundidade: 35 cm

Pedestal

Altura: 145 cm

Largura: 38 cm 

Profundidade: 38 cm

Carlos Thompson Flores: Origem e Formação

Carlos Thompson Flores nasceu em Porto Alegre, em 4 de junho de 1843. Era filho do Dr. Luiz da Silva Flores, médico reconhecido por sua competência e dedicação, e de Maria da Glória Thompson, descendente do capitão de fragata da esquadra inglesa Jayme Thompson. Cursou os estudos preparatórios na capital gaúcha e bacharelou-se em Direito pela Faculdade de Direito de São Paulo, colando grau em 27 de novembro de 1865.

Carreira Pública e Política

Ao retornar ao Rio Grande do Sul, Thompson Flores ocupou diversos cargos públicos: Promotor, Juiz de Direito, Deputado Provincial (1871–1876), Presidente da Assembleia Legislativa e Presidente da Província do Rio Grande do Sul, entre 1878 e 1885, durante a gestão liberal. Com a Proclamação da República, assumiu o cargo de Desembargador do Superior Tribunal de Justiça do Estado, exercendo também funções como Vice-presidente da Corte, Procurador-Geral do Estado e Deputado Constituinte de 1891.

Paralelamente à atuação política e jurídica, contribuiu com o jornal A Reforma, sendo ativo participante da imprensa partidária de sua época. Foi casado com D. Luísa Elvira Fernandes dos Reis, filha do Marechal de Campo Salustiano Jerônimo dos Reis, o Barão de Camaquã.

Liderança na Criação da Faculdade de Direito

Embora a fundação da Faculdade de Direito tenha contado com o apoio político de Júlio de Castilhos e Borges de Medeiros, além da atuação do Desembargador James Franco, coube a Thompson Flores a coordenação direta do projeto. Em 10 de fevereiro de 1900, na sala do Atheneu Rio Grandense, anunciou a fundação da instituição. Em 24 de fevereiro, na primeira sessão da Congregação, foi eleito por unanimidade como o primeiro Diretor da Faculdade que foi instalada oficialmente em 3 de maio do mesmo ano, nas dependências da Escola Normal do Estado. Na edição de 4 de maio de 1900, o jornal A Federação noticiou:  “[…] com a máxima imponência e solenidade, realizou-se ontem o ato da inauguração oficial da Faculdade Livre de Direito, recentemente fundada nesta Capital”.

Como diretor da Faculdade, designou o Desembargador Epaminondas Brasileiro Ferreira como Vice-diretor, nomeou o Dr. James Darcy como Secretário e o Dr. Manoel Pacheco Prates como Tesoureiro. Também constituiu a Comissão de Patrimônio, composta pelos Drs. Possidônio Maneio da Cunha Júnior, José Joaquim de Andrade Neves Neto e Normélio Rosa.

Contribuição ao Ensino Jurídico

Com mais de quarenta anos dedicados à magistratura, Carlos Thompson Flores destacou-se pelo profundo conhecimento jurídico, pela sólida formação humanística e pela retidão de caráter. Foi reconhecido por sua inteligência viva, raciocínio ágil e memória excepcional. Sua atuação como educador revelou-se tanto na produção doutrinária quanto no magistério direto, em que transmitia não apenas o saber técnico, mas também valores éticos e experiências de vida.

Sua preocupação com a educação já era manifesta em sua atuação parlamentar, evidenciado no discurso proferido na Assembleia Legislativa Provincial em 13 de março de 1873, no qual defendeu enfaticamente a importância da instrução pública como instrumento de progresso social e político.

Morte e Legado

De acordo com Rodrigues Till, Carlos Thompson Flores faleceu repentinamente em 10 de novembro de 1904, poucos dias antes da formatura da primeira turma de bacharéis da Faculdade. Seu falecimento causou grande comoção pública. O Presidente do Estado, Borges de Medeiros, o Intendente José Montaury, o Presidente da Assembleia Legislativa, Carlos Barbosa, e diversas autoridades participaram dos atos fúnebres, demonstrando o prestígio que o Desembargador desfrutava.

À época de sua morte, Thompson Flores acumulava os cargos de Desembargador do Superior Tribunal de Justiça, Procurador-Geral do Estado, Catedrático de Legislação Comparada de Direito Privado e Diretor da Faculdade de Direito de Porto Alegre. Sua atuação firme, ética e visionária permanece como um legado para o Direito e a educação no Rio Grande do Sul.

Em 11 de dezembro de 1904, colaram grau os primeiros formandos da Faculdade. O jornal Correio do Povo destacou o acontecimento como uma conquista histórica para o ensino superior no Rio Grande do Sul (RODRIGUES TILL, 2000).

 

Pesquisa: Sinara Almeida de Oliveira

Galeria

Localização: Terceiro pavimento, no patamar central das escadarias. Cercado por Vitrais que representam a Ciência, a Doutrina e a Justiça.

 

Av. João Pessoa, 80 – 90040.000

Centro Histórico – Porto Alegre/RS

Telefone: (51) 3308.3317 (Portaria)

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