Prof. Luiz Englert



 

 

(Dados biográficos extraídos de jornais, revistas e discursos)



Na cidade de São Leopoldo, na antiga Feitoria Velha dos tempos da colonização, nasceu LUIZ ENGLERT, aos 29 de agosto de 1861, filho de Adolpho Englert, natural da Alemanha, e de Dona Maria Luiza Daudt Englert, natural de São Leopoldo. Bem moço ainda, sua espontânea vocação para o estudo das ciências levou-o a se trasladar para a Europa, numa época em as distâncias do mundo eram enormes, matriculando-se na Universidade Catholica de Louvain, na Bélgica, onde conquistou o diploma de engenheiro civil e de minas. Esta Universidade chama-se "Universitas Catholia Louvaniensis" desde 9 de dezembro de 1425. Em 1971 foi separada em duas: uma que ensina em francês e outra que ensina em flemish.

Regressando ao Brasil, no ano de 1884, no fim do segundo Império, dedicou-se ao duro trabalho de pioneiro, na construção dos primeiros quilômetros de nossa hoje extensa rede ferroviaria.

Homem de cultura e de sentimentos liberais, moço idealista e amante do progresso, uniu-se aos propagandistas da República, encontrando-o o 15 de Novembro de 1889 entre os precursores da novel República.

Foi um dos constituintes rio-grandeses de 1891, eleito pela Liga Católica com Alfredo Clemente Pinto, assinando o celebre manifesto que derrubou Deodoro quando este fechava o Congresso Nacional. Mais tarde, como tenente-coronel da Guarda Nacional, tomou parte na Revolução de 1893.

Durante várias legislaturas exerceu o mandato de deputado estadual, até 1920, eleito sempre pelo Partido Republicano. Amigo do Dr. Júlio de Castilhos, era considerado por este como representante da "Colônia Alemã" e muitas vezes chamado para dirimir litígios e conflitos entre exaltados próceres políticos com seu espiríto de pacificador.

Não foi, porém, seu trabalho como engenheiro, nem sua ação política, os aspectos de sua personalidade que mais o destacaram.

Seu destino real, todas as forças de sua admirável inteligência, encontraram o caminho para a plena manifestação de sua personalidade quando, a 20 de março de 1909, foi nomeado Professor para a Escola de Engenharia.

A Escola de Engenharia, naquela época, era uma instituição de ensino recentemente criada e mantida pelo amor à cultura e patriotismo dos poucos engenheiros com que contava o Rio Grande do Sul.

Desde aquela data exerceu a cátedra de Botânica, Geologia e Petrografia, tendo mais tarde assumido também as aulas de Química e Geologia. No então Instituto Júlio de Castilhos ensinou as cadeiras de Mineralogia e Geologia, desde 21 de Setembro de 1910, e mais tarde a cadeira de Alemão. Foi, também professor de algumas dessas disciplinas no Instituto Borges de Medeiros, Escola de Agronomia, Instituto Montaury e Ginásio Anchieta.

Em junho de 1926 passou a lecionar no Instituto de Química Industrial para onde foi transferido, naquela data, o Gabinete de Mineralogia e Geologia, sendo seu chefe. Organizou diversas excursões científicas pelo Estado e pelo Brasil, publicando a conclusão de suas pesquisas em revistas científicas, especialmente na revista "Egatea" da então Universidade Técnica do Rio Grande do Sul.

Exerceu várias comissões para as quais fora nomeado como membro que era do Conselho Universitário e do qual se tornou membro vitalício, pela secção de Engenharia Civil, em 10 de março de 1922.

Como professor sempre se destacou pelo amor à investigação científica e grande pendores para o magistério.

Na vida comunitária participou ativamente de todas as iniciativas que visavam o bem comum. Como católico, vêmo-lo como destacado e influente membro da Comunidade de São José, integrando diversas diretorias e batalhando pelo entendimento entre brasileiros e alemães, mormente durante as duras provocações resultantes da Primeira Guerra Mundial.

Durante 23 anos fez parte da Mesa Administrativa da Secular Irmandade de Santa Casa de Misericórdia, exercendo os cargos de Mordomo do Hospital, dos prédios, da Capela e Vice-Provedor, falecendo no exercício interino da Provedoria.

Também fez parte ativa de diversas sociedades locais, como a Germania, Sociedade Ginástica Turner-Bund, "Blitz', tendo doado o terreno onde construiu sua sede o "Ruderverein Germania", hoje "Guaíba - Porto Alegre".

Aos 70 anos, ainda no pleno exercício de suas atividades universitárias, falecia o emérito PROFESSOR LUIZ ENGLERT, no dia 9 de dezembro de 1931. Decorridos 10 anos de sua morte era perpetuada, em 09/12/1939, sua memória pela Escola de Engenharia e cidade de Porto Alegre, na expressiva herma que se ergue em pleno centro universitário, na Avenida Professor Luiz Englert, e que leva gravada em bronze a homenagem ao:

ENGENHEIRO CIVIL, MINERALOGISTA

SÁBIO RIO-GRANDENSE, E PROFESSOR

DA UNIVERSIDADE TÉCNICA DO RIO

GRANDE DO SUL"



A "expressiva herma", a esta altura, encontra-se depredada, com a placa de bronze roubada e o busto recolhido pela Prefeitura. O Setor correspondente está buscando verbas para a recuperação do monumento, mas o monumento do Dr. Francisco Brochado, bem perto, restaurado e novamente depredado, é um triste sinal do tipo "eu sou você amanhã!".(Posição em maio 2005).




  Alguns artigos do Prof. Englert:

ENGLERT, Luiz. Villa-Velha. Egatea, Escola de Engenharia, Porto Alegre, v. 1, n. 2, pg 94-95, setembro/outubro 1914.

ENGLERT, Luiz. Mesosaurus Braziliensis. Egatea, Escola de Engenharia, Porto Alegre, v. 1, n. 1, pg 154-155, novembro/dezembro 1914.

ENGLERT, Luiz. Notas sobre algumas rochas riograndenses. Egatea, Escola de Engenharia, Porto Alegre, v. 1, n. 6, pg 292-294, maio/junho 1915.

ENGLERT, Luiz. Bosquejos Mineralógicos e Geológicos. (basaltos) Egatea, Escola de Engenharia, Porto Alegre, v. 10, n. 2, pg 84-89, março a abril de 1925.

ENGLERT, Luiz. Bosquejos Mineralógicos e Geológicos. (biotita granito de POA). Egatea, Escola de Engenharia, Porto Alegre, v. 10, n. 4, pg 320 - 325, julho a agosto de 1925.

ENGLERT, Luiz. Bosquejos Mineralógicos e Geológicos. (granitos de POA). Egatea, Escola de Engenharia, Porto Alegre, v. 10, n. 5, pg 401 - 406, setembro e outubro de 1925.

ENGLERT, Luiz. Bosquejos Mineralógicos e Geológicos. (granitos e outros de POA). Egatea, Escola de Engenharia, Porto Alegre, v. 11, n. 1, pg 48-50, 1926.

ENGLERT, Luiz. Bosquejos Mineralógicos e Geológicos. (granitos e outros de POA (final)). Egatea, Escola de Engenharia, Porto Alegre, v. 11, n. 2, pg 106-108, 1926.

ENGLERT, Luiz. Bosquejos Mineralógicos e Geológicos. (obsidiana). Egatea, Escola de Engenharia, Porto Alegre, v. 11, n. 3, pg 183-186, 1926.

ENGLERT, Luiz. Bosquejos Mineralógicos e Geológicos. (resposta a perguntas diversas). Egatea, Escola de Engenharia, Porto Alegre, v. 11, n. 4, pg 273-275, 1926.

ENGLERT, Luiz. Bosquejos Mineralógicos e Geológicos. (turfa da Coxilha das Lombas). Egatea, Escola de Engenharia, Porto Alegre, v. 11, n. 6, pg 431-433, 1926.

ENGLERT, Luiz. Bosquejos Mineralógicos e Geológicos. (arenito Botucatu). Egatea, Escola de Engenharia, Porto Alegre, v. 12, n. 2, pg 86-90, março e abril de 1927.

ENGLERT, Luiz. Bosquejos Mineralógicos e Geológicos. (arenito Botucatu e seu emprego). Egatea, Escola de Engenharia, Porto Alegre, v. 12, n. 6, pg 435-439, novembro e dezembro de 1927.

ENGLERT, Luiz. Minérios de cobre do Rio Grande do Sul Egatea, Escola de Engenharia, Porto Alegre, v. 13, n. 3, pg 198-202, maio e junho de 1928.

ENGLERT, Luiz. Minérios de cobre do Rio Grande do Sul (continuação) Egatea, Escola de Engenharia, Porto Alegre, v. 13, n. 4, pg 280-284, julho e agosto de 1928.

ENGLERT, Luiz. Minérios de cobre do Rio Grande do Sul (continuação) Egatea, Escola de Engenharia, Porto Alegre, v. 13, n. 6, pg 445-449, novembro a dezembro de 1928.

ENGLERT, Luiz. Minérios de cobre do Rio Grande do Sul (continuação).Egatea, Escola de Engenharia, Porto Alegre, v. 14, n. 4-5, pg 210-213, julho a Outubro de 1929.

ENGLERT, Luiz. Minérios de cobre do Rio Grande do Sul (continuação).Egatea, Escola de Engenharia, Porto Alegre, v. 15, n. 01 - 02, pg 34-39, Janeiro a Abril de 1930.

ENGLERT, Luiz. Minérios de cobre do Rio Grande do Sul (continuação).Egatea, Escola de Engenharia, Porto Alegre, v. 15, n. 03, pg 136-139, Maio e Junho de 1930.

ENGLERT, Luiz. Minérios de cobre do Rio Grande do Sul (conclusão).Egatea, Escola de Engenharia, Porto Alegre, v. 15, n. 05, pg 312-315, setembro e Outubro de 1930.

ENGLERT, Luiz. Elementos da Constituição Geologica do Estado. Egatea, Escola de Engenharia, Porto Alegre, v. 16, n. 5-6, pg 168-174, setembro a dezembro de 1931.

E o necrológio:
Professor Luiz Englert. Egatea, Escola de Engenharia, Porto Alegre, v. 16, n. 5-6, pg 165-167, setembro a dezembro de 1931.

Extratos deste necrológio:

"A Universidade Technica do Rio Grande do Sul teve a lamentar no dia 9 do corrente a morte de um dos seus mais antigos, dedicados e competentes professores, o Dr. Luiz Englert.
Vinha ele soffrendo há mais de um anno, sem no entanto abandonar o seu posto de professor que exerceu até 10 dias antes de fallecer, pois muita era a dedicação e o amor que tinha à sua cathedra, aos seus alumnos e a esta Universidade á qual serviu com carinho e devotamento durante quasi 23 annos.
O seu desapparecimento, que repercutiu dolorosamente entre seus amigos, collegas e discipulos, constitue para esta Instituição uma perda irreparável, pois o velho mestre, com a sua profunda cultura, sua grande capacidade de trabalho e o seu particular interesse pelas cousas ligadas à constituição physica do nosso Estado muito fez em prol do ensino e do desenvolvimento das sciencias naturaes, não só pontificando da sua cathedra, a que nunca faltava, como escrevendo excellentes trabalhos para esta Revista e organisando o gabinete de mineralogia e geologia do qual foi chefe desde 1920.
..... Tal foi o seu amor e devotamento pela Universidade Technica do Rio Grande do Sul que, por acto de sua ultima vontade, doou a ella todos os seus livros scientíficos e uma boa colleção de mineraes que possuia, recommendando á sua familia a respectiva entrega.
Por occasião do seu passamento esta Universidade se fez representar por todos os seus altos funccionarios e alumnos nas cerimonias funebres, enviou-lhes coroas e hasteou a bandeira em funeral durante 7 dias. O Conselho Universitário tambem se fez representar por uma commissão.
Por ordem do Sr. Vice-Presidente em exercício desta Universidade foi publicada a seguinte ordem do dia por occasião de sua morte:

DIA 9 DE DEZEMBRO DE 1931

ORDEM 1ª

De ordem do Sr. Director do Departamento Commercial, Industrial e Financeiro no exercicio da Presidência, baixo a seguinte ordem do dia: Possuida de verdadeira e profunda tristeza dou conhecimento á Universidade Technica do Rio Grande do Sul, a todos os seus Departamentos e Institutos, do fallecimento, hoje, ás 3 horas da manhã, do provecto e acatado professor Luiz Englert, que, desde mais de 22 anos vem, com dedicação, proficiencia e zelo inecediveis, ministrando aos alumnos dos differentes cursos desta Universidade o ensino de Mineralogia e Geologia, materias em que a sua cultura se tornou conhecida dentro e fóra do Estado. Pelas suas qualidades pessoaes e pelo exemplo manteve sempre no mais alto gráu a consideração e o respeito que soube grangear dos seus discipulos e companheiros de trabalho.
Nesses 22 annos de actividade professoral a sua assiduidade foi sempre notavel a ponto de, mesmo em vesperas de seu infeliz trespasse, continuar a preoccupar-se com as cousas da Universidade, pela qual nutria um carinho extremado, tanto que o seu pensamento, mesmo nos ultimos instantes, não se desprendia da Instituição.
Na sua longa, proveitosa e patriotica actividade soube sempre antepor o bem social e a grandeza da patria aos seus proprios interesses, pondo assim em alto relevo a nobre função de professor que elle sobremodo honrava.
Mandando encerrar os seus assentamentos, determino que em homenagem á sua memoria, seja hasteada em funeral, durante sete dias, a bandeira da Universidade e as dos Institutos de Chimica Industrial, Borges de Medeiros e Julio de Castilhos, bem como suspender, por tres dias, todos os trabalhos escolares naquelle primeiro Instituto.

Assignado: Ricardo Cauduro.