ARTE ENTRE OS SÉCULOS XIV e XVIII


François BOUCHER
(1703–1770)


François BOUCHER (1703–1770)
Outono Pastoral, 1749
Óleo sobre tela, 260 x 199 cm
Wallace Collection, London, Inglaterra

François BOUCHER (1703–1770)
The Collation, 1734-1736
Lã e seda, 330 x 259 cm
The Metropolitan Museum of Art, New York, Estados Unidos

François BOUCHER (1703–1770)
Retrato da Marquesa de Pompadour, 1756
Óleo sobre tela, 201 x 157 cm
Alte Pinakothek, München, Alemanha

François Boucher, nome importante do Rococó, nasceu em Paris, no ano de 1703. Seu pai era um artista desconhecido que, notando o talento de seu filho, manda-o estudar aos dezessete anos com François Lemoyne (1688–1737). Como seu aprendiz, Boucher fica apenas três meses e depois trabalha no ateliê-fábrica de Jean-François Cars (1661–1730), onde aprende técnicas de desenho e gravura. Trabalhou junto a Antoine Watteau (1684–1721), gravando 125 imagens para a Ouvre de Watteau patrocinado por Jean de Julienne (1686-1766). Com esse trabalho de gravador, Boucher tem contato com Watteau que irá influenciar muito em sua obra. “Em diversos sentidos Boucher é o maior discípulo de Watteau: delicado, vivo, alegre, desde cedo encantado em sua visão da vida, permanece, contudo, natural” (LEVEY, 1998, pg. 161).

Em 1723, Boucher ganha o Prêmio de Roma, sendo premiado com uma viagem para Roma, paga pela Academia Francesa, que acontecerá apenas em 1728. Na Itália, onde Boucher passa quatro anos, ele estuda artistas como Rubens (1577–1640), Caravaggio (1571–1610), Rembrant (1606–1669), Giovanni Benedetto Castiglione (1609–1664) e Tiepolo (1696–1770). Porém, uma grande características das obras de Boucher que seguirá em toda sua carreira será a Itália arcádica, “rememorada na tranquilidade da distância, com templos em ruínas e montanhas azuis” (LEVEY, 1998, pg. 164).

De volta a Paris, Boucher começa a trabalhar intensamente. Primeiramente, consegue entrar na Academia Real de Pintura e Escultura de Paris devido a seu quadro intitulado Rinaldo e Armida, que é baseado num poema romântico da primeira cruzada, em que Rinaldo é prisioneiro de Armida, mas este acaba se apaixonando pela feiticeira.

Boucher começa a ficar mais famoso e recebe propostas de trabalhos como decorador de quarto da Rainha da França, Maria Leczinska (1703–1768), e desenha cenários e figurinos de Ópera, especialmente para o seu amigo Charles-Simon Favart (1710–1792). Também desenha tapeçarias para a fábrica de Beauvais, como La pêche chimuise,que fora exposta no Salão de Paris em 1742. Michael Levey comenta: “La pêche chimuise possui extraordinária convicção artistica e mostra quanto era poderosa sua imaginação. No entanto, ele era apenas mais um dos pintores do período que se especializava em temas decorativos” (LEVEY, 1998, pg. 164). Outra obra de Boucher para a fábrica de tapeçarias é The Collation, sendo esta apenas uma de oito tapeçarias chamadas de Fêtes Italiennes (Cenas italianas), feitas entre 1734 e 1736 para um nobre.

Em 1740, Boucher faz um de seus quadros mais famosos, Triunfo de Vênus, que fora exposto no Salão de Paris do mesmo ano. A cena do quadro é encantadora, exuberante e descontraída, com seres aquáticos a se divertirem. Outra obra de Boucher que foi exposta no Salão, porém em 1742, foi Diana descansando após o banho, na qual “a deusa é simplismente uma garota de encantadora beleza, numa pose provocante, que brinca com algumas pérolas” (LEVEY, 1998, 166). Esta obra foi a primeira pintura de Boucher a ser exposta no Museu do Louvre, em 1852.

O que definiu o trabalho de Boucher e que o ajudou imensamente a alcançar fama, foi a adoração de Madame de Pompadour (1721–1764) pelos seus trabalhos e o fato de ela tê-lo acolhido e protegido, o que ocorreu por volta de 1745, pois é nesta época que começa a surgir diversos retratos de Pompadour feitos pelo artista. Muitos dos quadros pintados nesta época por Boucher são destinados a Pompadour, tendo como exemplo: O sono interrupto (1750), A toalete de Vênus (1751) e Nascer do Sol (1753), além dos vários retratos que pintou da amante de Luís XV (1710–1774). Há diversos retratos de Madame Pompadour pintadas por Boucher, encontrados atualmente em museus como: Museu Victoria and Albert (Londres) que data de 1758, Museu Fogg Art (Cambrigde), datando também de 1758, Wallace Collection (Londres), de 1759; porém, um dos mais comentados e conhecidos quadros é o que se encontra na Alte Pinakothek em Munique na Alemanha. Sobre este retrato, Levey comenta: “[…] Ela está num interior esplêndido […], há uma ênfase acentuada de buscas intelectuais, ainda que livros, penas e papéis se misturem com pares de rosas propositadamente caídos.[…] não é nenhuma beleza sem intelecto (LEVEY, 1998, pg. 167).

Outra obra que mostra uma característica dos quadros de Boucher é a Menina reclinada, de 1752, na qual ele “pintava a carnação feminina com uma sensualidade deliciosamente saudável” (CHIELVERS, 2007). A mulher representada neste quadro seria Louisa O’Murphy, outra amante de Luis XV. Outro quadro que tem os mesmos elementos é L’Odalisque Brune, de 1745, na qual Boucher retrata sua mulher, fato que teria levado Diderot a acusá-lo de “prostituir a própria mulher”.

Em 1755, François Boucher vira diretor da Tapeçaria Real de Gobelins, criando tapeçarias pra diversos palácios, como Versailles. Uma das obras que criou na época como diretor de Gobelins é a tapeçaria Cupido e Psyche, desenvolvida junto com Maurice Jacques (1712–1784). Esta tapeçaria é parte de um conjunto de quatro peças, que ficava no quarto da Duquesa de Bourbon (1750-1822). Cada peça representa uma cena de amor entre deuses.

Um ano muito importante para a carreira de Boucher foi 1765, quando se tornaria o primeiro pintor do rei da França e Diretor da Academia Real de Paris. Nessa época, Boucher já estava sendo atacado por críticas, já que o estilo predominante na arte estava mudando. O seu principal crítico seria Diderot, “por sua artificialidade e suas cores estereotipadas; em vez de utilizar modelos novos, baseava-se em seu próprio repertório, e objetava que a natureza era ‘demasiada verde e mal-iluminada’” (CHIELVERS, 2007). Mesmo com as críticas finais, Boucher representou muito bem todo o espírito rococó com suas pinturas mitológicas, suas cores delicadas e mulheres seminuas. François Boucher morreu no ano de 1770 em Paris.

Verbete elaborado por Carolina Bouvie Grippa
Aluna do Bacharelado em História da Arte da UFRGS

Referências

CHIELVERS, Ian [editor]. Dicionário Oxford de Arte. 3ª edição. São Paulo: Martins Fontes, 2007.

François Boucher.
Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Fran%C3%A7ois_Boucher
Acesso em: 12 de novembro de 2010.

LEVEY, Michael. Pintura e Escultura na França 1700-1789. São Paulo: Cosac & Naify, 1998.

Museu do Louvre.
Disponível em: http://www.louvre.fr/llv/commun/home.jsp.
Acesso em: 12 de novembro de 2010.

STEIN, Perrin. François Boucher (1703-1770).
Disponível em: http://www.metmuseum.org/TOAH/HD/bouc/hd_bouc.htm#slideshow9.
Acesso em: 12 de novembro de 2010.