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ENQUADRAMENTO DOS SOLOS EM CLASSES DE CAPACIDADE DE USO

 

 

A determinação da classe de capacidade de uso consiste em avaliar o grau de limitação a partir da comparação com condições ideais. Na medida em que as condições avaliadas se afastam do ideal, demonstrando a existência de elevado grau de limitação, as terras são classificadas em classes de uso da terra com maiores restrição ao uso.

 

O agrupamento dos solos em classes e subclasses de capacidade de uso está baseado na avaliação do seguinte:

 

O critério para a classificação de um solo segundo sua capacidade de uso depende do efeito combinado dessas características em relação ao manejo e produtividade do solo.

 

Existem dois processos que podem ser usados para o enquadramento das terras em classes, o método paramétrico e o método sintético (Young, 1976, citado em Lepsch et al. 1991).

 

Quando se usa o método sintético, analisa-se como um todo o conjunto de informações sobre as limitações da terra ao uso e determina-se a classe de capacidade de uso por comparação com a situação ideal e avaliando-se a necessidade de práticas conservacionistas e a possibilidade de uso. Nesse método, deve-se caracterizar bem as diversas classes quando classificando-se terras de uma região, de forma que o processo possa ser entendido e mais facilmente repetido. A principal limitação desse método é sua subjetividade, pois os critérios usados para o enquadramento em classes não são comparáveis entre avaliadores ou entre regiões.

 

No processo paramétrico utilizam-se pesos ou parâmetros quantitativos ou qualitativos para o enquadramento em classes de capacidade de uso, por exemplo, determinando-se qual o grau de limitação ou qual o valor medido de uma característica que é o máximo admissível para que a terra seja enquadrada numa determinada classe. Este processo baseia-se em tabelas ou chaves, que embora requeiram um processo subjetivo de elaboração, servem para permitir a uniformização e possibilidade de repetição do processo de classificação das terras. Segundo Lepsch et al. (1991), a desvantagem do uso desse método é que dificulta a consideração das interações entre fatores, dado que cada critério diagnóstico é avaliado isoladamente. As tabelas X e __ exemplificam a utilização do enquadramento em classes de capacidade de uso usando o método paramétrico. Nas tabela 1 a 3 há exemplos de indicação da classe de capacidade de uso a ser atribuída considerando-se individualmente cada fator limitante, sendo que deve-se atribuir a classe mais restritiva, dado que o fator mais limitante é o que determina o limite de capacidade de uso.

 

Tabela 1. Critérios sugeridos para a alocação de terras no Sistema de Classificação da Capacidade de Uso no Texas e Oklahoma (Adaptada de McRae e Burnham (1981).

Clase
Característica I II III IV V VI VII
Regime de umidade e temperatura do solo Údico e mésico ou mais quente Údico intermediário para ustico Ústico Ústico intemediário para ustico - Ústico intemediário para tórrico Tórrico
Umidade do solo: condutividade após drenagem (cm/h) >2 >2 0,125-2,0 até 0,125 - - -
Efeito do sal nos cultivos - ligeira moderada Séria em terras cultivadas - Séria em terras cultivadas Satisfatório crescimento virtualmente impossível
Concentração de sal (%)
Condutividade do extrato saturado (umho/cm) - 4-8 8-10 10-15 - 10-15 >15
Perda de solo estimada para cultivo morro abaixo, 9% declive e 22,1m de comprimento (ton/há) 0-8 8-31 31-78 78-144 - 144-222 >222
Profundidade do solo (cm) >90 50-90 25-50 até 25

 

Tabela 2 - Exemplo de tabela com fatores determinantes das classes de capacidade de uso

 

Tabela 3. Fatores determinantes das classes de capacidade de uso (Adaptado de Estado do RS, 1983) pg 48 DO MANUAL DE CONSERVAÇÃO DO SOLO E AGUA RS

 

O uso do Sistema USDA é muito subjetivo, pois os critérios utilizados para o estabelecimento de limites entre classes de capacidade de uso geralmente não são especificados, sendo o enquadramento em classes normalmente uma representação formal da melhor experiência e julgamento disponível (McRae e Burnham, 1981).

 

Dada a interação entre as diversas características da terra avaliadas, os limites de uma classe particular devem ser diferentes para fim de enquadramento nas classes de capacidade de uso.

 

Várias adaptações do sistema foram feitas em diversos países. Em alguns deles, foram estabelecidos parâmetros quantitativos para o enquadramento em classes. Dadas as condições naturais diferenciadas e critérios de avaliação distintos utilizados, os valores utilizados foram muito distintos, como pode-se ver no exemplo da Tabela 4, que relaciona a declividade do solo com o enquadramento nas classes de capacidade de uso sugerida por diferentes autores em diversos países.

 

Tabela 4. Fatores limitantes para declividade (%) entre diferentes classes de capacidade de uso (Adaptada de McRae e Burnham (1981)

 

Mesmo quando organizados e descritos, os critérios de julgamento continuam sendo subjetivos, sendo a sua vantagem a possibilidade de consistência entre avaliações realizadas.

 

BIBLIOGRAFIA DE REFERÊNCIA

 

KLINGEBIEL, A. A.; MONTGOMERY, P. H. Land capability classification. USDA Handbook 210, Washington, 1961.