Espaço de divulgação de monografias, dissertações, teses, relatórios e projetos de pesquisa e extensão realizados na UFRGS nas temáticas negra e indígena.
Práticas fitotécnicas de uma comunidade indígena Mbyá Guarani, Varzinha, Rio Grande do Sul : da roça ao artesanato
Título: Práticas fitotécnicas de uma comunidade indígena Mbyá Guarani, Varzinha, Rio Grande do Sul : da roça ao artesanato
Autor: Agda Regina Yatsuda Ikuta
Orientador: Ingrid Bergman Inchausti de Barros
Nível: Doutorado
Data: 2002
Instituição: Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Faculdade de Agronomia. Programa de Pós-Graduação em Fitotecnia.
Assunto: Agricultura de subsistência. Comunidade indígena. Ecologia. Agricultura. Ecologia humana. Índio. Rio Grande do Sul. Prática cultural. Sistema de cultivo.
Resumo: Os Mbyá-Guarani são tidos como horticultores com grande conhecimento tradicional de flora e fauna. Estes se auto definem como habitantes de matas, e acreditam que os campos teriam sido deixados para os “brancos”. Este trabalho teve como objetivo caracterizar a situação atual dos Mbyá no Rio Grande do Sul, enfocando a sua relação com a agricultura e a natureza. Procurou-se levantar as espécies vegetais mais importantes, seu uso e manejo, avaliando o papel destes na sua auto-suficiência. O trabalho foi realizado através de pesquisa exploratória, com observação participante e entrevistas informais. O estudo de caso foi realizado na terra indígena da Varzinha, área de Mata Atlântica no litoral norte do Estado, Brazil. Um aspecto verificado já nos primeiros contatos, foi a concepção singular de agricultura para os Mbyá. Para estes a agricultura não está relacionada simplesmente com a subsistência alimentar. Esta é a expressão da sua prc cultura e entremeada com esferas religiosas, sociais e politicas. Algumas plantas tradicionais como o avati (Zea mays) e o pindo (Syagrus romanzoffiana) são exemplos desta relação mitico-religiosa. Outras espécies, porém, são cultivadas ou coletadas para. consumo. Nas visitas realizadas nas comunidades Mbyá do Estado, foram relacionadas aproximadamente 40 espécies para fins de alimentação, artesanato e de uso medicinal. A área indigena da Varzinha é uma área devoluta do processo de colonização e caracteriza-se por ser extremamente acidentada com condições edafo-climáticas pouco apropriadas para agricultura. A mata é desprovida de espécies tradicionais, como também limitada para a caça e pesca. Os dados indicam que a agricultura de coivara e a atividade de extrativismo na reserva indigena da Varzinha não tem sido sustentável. Verificou-se que as principais fontes de recursos que permitem a subsistência dos Mbyá são provenientes do extrativismo da samambaia ornamental Rumohra adiantiformis, confecção e comercialização de artesanatos, e pela prestação de serviços em propriedades agricolas da região.
Tipo: Tese
