{"id":469,"date":"2016-08-24T15:07:03","date_gmt":"2016-08-24T15:07:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/neabi\/?p=469"},"modified":"2016-09-28T16:27:22","modified_gmt":"2016-09-28T16:27:22","slug":"africanidade-e-contemporaneidade-do-portugues-de-comunidades-afro-brasileiras-no-rio-grande-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/neabi\/index.php\/2016\/08\/24\/africanidade-e-contemporaneidade-do-portugues-de-comunidades-afro-brasileiras-no-rio-grande-do-sul\/","title":{"rendered":"Africanidade e contemporaneidade do portugu\u00eas de comunidades afro-brasileiras no Rio Grande do Sul"},"content":{"rendered":"<p><strong>T\u00edtulo: <\/strong>Africanidade e contemporaneidade do portugu\u00eas de comunidades afro-brasileiras no Rio Grande do Sul<\/p>\n<p><strong>Autor:<\/strong>\u00a0Antonio Carlos Santana de Souza<\/p>\n<p><strong>Orientador:\u00a0<\/strong>Cleo Vilson Altenhofen<\/p>\n<p><strong>N\u00edvel:<\/strong>\u00a0Doutorado<\/p>\n<p><strong>Data:<\/strong>\u00a02015<\/p>\n<p><strong>Institui\u00e7\u00e3o:<\/strong> Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Instituto de Letras. Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Letras.<\/p>\n<p><strong>Assunto:\u00a0<\/strong>Afro-brasilidades. Afrodescendente. Contato lingu\u00edstico. L\u00edngua portuguesa. Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p><strong>Resumo: <\/strong>A presente Tese perscruta a influ\u00eancia do contato lingu\u00edstico entre afrodescendentes, nomeadamente quilombolas, e comunidades de fala presentes em seu entorno em diferentes \u00e1reas s\u00f3cio-geogr\u00e1ficas do Rio Grande do Sul (RS). Seu objetivo central \u00e9 realizar uma macroan\u00e1lise pluridimensional da varia\u00e7\u00e3o do portugu\u00eas nessas comunidades afro-brasileiras, dando especial aten\u00e7\u00e3o aos fen\u00f4menos que remontam, de um lado, a uma origem africana ou que, de outro lado, sinalizam uma mudan\u00e7a na dire\u00e7\u00e3o do portugu\u00eas contempor\u00e2neo. Este estudo busca contribuir, neste sentido, para integrar os estudos de l\u00ednguas africanas e de seu contato com a l\u00edngua portuguesa no Brasil, ampliando o conhecimento da l\u00edngua falada por afro-brasileiros (PESSOA DE CASTRO, 1990; VOGT; FRY, 1996; CARENO, 1997; PETTER, 2001 e 2002; PETTER; FIORIN, 2009; LUCCHESI, 2009). O RS conta, atualmente, com 155 comunidades afro-brasileiras que englobam 3831 fam\u00edlias. As comunidades selecionadas para esta Tese foram: RS01 Morro Alto (Os\u00f3rio) &#8211; Regi\u00e3o do Litoral\/Lagunas; RS02 Fam\u00edlia Fidelix (Porto Alegre) \u2013 Regi\u00e3o Metropolitana; RS03 Ma\u00e7ambique (Cangu\u00e7u) &#8211; Regi\u00e3o das Antigas Charqueadas; RS04 Palmas (Bag\u00e9) \u2013 Regi\u00e3o dos Pampas; RS05 Cerro Formigueiro (Formigueiro) \u2013 Regi\u00e3o da Depress\u00e3o Central; RS06 S\u00e3o Roque (Arroio do Meio) \u2013 Serrana\/Imigra\u00e7\u00e3o e RS07 Comunidade Quilombola Correa (Giru\u00e1) \u2013 Regi\u00e3o das Miss\u00f5es. As localidades selecionadas diferenciam-se por uma s\u00e9rie de fatores, seja de ordem s\u00f3cio-hist\u00f3rica, pol\u00edtica ou geogr\u00e1fico, que podem influenciar a l\u00edngua (portuguesa) falada nessas comunidades. Trata-se, em termos dialetol\u00f3gicos, de espa\u00e7os descont\u00ednuos que lembram ilhas lingu\u00edsticas, ocupadas por determinada popula\u00e7\u00e3o caracterizada por tra\u00e7os como origem \u00e9tnica e l\u00edngua particular, em que \u00e9 poss\u00edvel identificar a comunidade afro-brasileira como um grupo minorit\u00e1rio diferente de outros. Para investigar a variedade do portugu\u00eas falado nessas comunidades, nos baseamos na perspectiva te\u00f3rica da dialetologia pluridimensional, conforme Thun (1998), Radtke e Thun (1996), a qual inclui nas pesquisas lingu\u00edsticas diferentes dimens\u00f5es espaciais e sociais em comunidades de fala distintas. Segundo Thun (1998), a \u201cdialetologia pluridimensional\u201d pode ser compreendida como a ci\u00eancia geral da varia\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica e das rela\u00e7\u00f5es entre variantes e variedades de um lado e de falantes de outro. \u00c0 dimens\u00e3o diat\u00f3pica ou areal da geolingu\u00edstica tradicional se incorporam outras dimens\u00f5es, tais como a idade (dimens\u00e3o diageracional) e o sexo (dimens\u00e3o diassexual) etc. Atrav\u00e9s desse modelo de macroan\u00e1lise da varia\u00e7\u00e3o e dos contatos lingu\u00edsticos, foi poss\u00edvel identificar no comportamento lingu\u00edstico vari\u00e1vel das sete comunidades afro-brasileiras alguns fatores determinantes da varia\u00e7\u00e3o e mudan\u00e7a do portugu\u00eas, apontados pelos dados dos diferentes pontos de pesquisa (dimens\u00e3o diat\u00f3pica), grupos et\u00e1rios GII e GI (dimens\u00e3o diageracional) e falantes homens e mulheres (dimens\u00e3o diassexual). A cartografia dos dados levantados por meio de um Question\u00e1rio Fon\u00e9tico-fonol\u00f3gico &#8211; QFF (22 mapas) e de um Question\u00e1rio Sem\u00e2ntico-lexical &#8211; QSL (54 mapas) permitiu observar e comprovar empiricamente algumas tend\u00eancias, entre as quais se destacam as seguintes: a) o comportamento lingu\u00edstico dos membros dessas comunidades com respeito \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o ou perda das marcas de africanidade no portugu\u00eas varia entre 1) uma variedade mais conservadora, mais presente entre os falantes mais velhos, 2) uma adequa\u00e7\u00e3o ao portugu\u00eas regional ou geral falado no entorno dessas comunidades e, por fim, 3) uma reintegra\u00e7\u00e3o de marcas de africanidade em virtude de uma consci\u00eancia \u00e9tnica e identit\u00e1ria crescente que pode ser associada \u00e0 pr\u00f3pria constitui\u00e7\u00e3o e reconhecimento dessas comunidades quilombolas; b) na dimens\u00e3o diageracional, observou-se, portanto, uma mudan\u00e7a em curso geral, em toda a rede de pontos da pesquisa, na dire\u00e7\u00e3o tanto da perda quanto da reintegra\u00e7\u00e3o de marcas de africanidade nesses contextos; c) na dimens\u00e3o diassexual, as mulheres parecem apresentar uma tend\u00eancia maior de ades\u00e3o \u00e0s inova\u00e7\u00f5es ou \u00e0s variantes do portugu\u00eas do entorno, j\u00e1 os homens se mostram como os mais conservadores; d) no plano diat\u00f3pico, o conjunto dos pontos de pesquisa se distingue entre uma ades\u00e3o maior ou menor a determinadas variantes [+\/- afro], sendo que se pode visualizar as seguintes tend\u00eancias nos mapas: 1) o comportamento lingu\u00edstico dos afro-brasileiros nos pontos RS01 e RS02 parece refletir uma consci\u00eancia \u00e9tnica e identit\u00e1ria maior, provavelmente como reflexo de a\u00e7\u00f5es do movimento negro. Estes pontos do litoral e metropolitano s\u00e3o os que mais conhecem formas [+afro]. 2) RS02, RS03 e RS05 como pontos mais pr\u00f3ximos de grandes centros urbanos (Porto Alegre, Pelotas e Santa Maria) compartilham, ao mesmo tempo, influ\u00eancias que sugerem uma aproxima\u00e7\u00e3o ao portugu\u00eas brasileiro mais geral. Essa tend\u00eancia, no entanto, carece de uma descri\u00e7\u00e3o mais clara. 3) RS05 (de Depress\u00e3o Central) e RS07 (das Miss\u00f5es) s\u00e3o os pontos que apresentam mais perdas de marcas [+afro] no portugu\u00eas. S\u00e3o, ao mesmo tempo, os pontos mais distantes do litoral. 4) RS06 e RS07 s\u00e3o os pontos que, ao menos na varia\u00e7\u00e3o fon\u00e9tica, apresentam mais influ\u00eancias do portugu\u00eas de contato com l\u00ednguas de imigra\u00e7\u00e3o (alem\u00e3 e italiana). RS07 se destaca, ali\u00e1s, pela resist\u00eancia a formas inovadoras do portugu\u00eas brasileiro. 5) os pontos mais ao norte \u2013 RS01, RS06, RS07 e, em parte, RS05 apresentam variantes que sugerem a influ\u00eancia do portugu\u00eas paulista, sobretudo na fon\u00e9tica, provavelmente reflexo do contato lingu\u00edstico que se deu por meio das rotas de tropeiros, no s\u00e9c. XIX. 6) RS04, ao contr\u00e1rio, reflete fortemente o portugu\u00eas fronteiri\u00e7o, j\u00e1 entre falantes da GII, o que pode sugerir uma perda, j\u00e1 bem cedo, de marcas [+afro] em favor do portugu\u00eas dominante no entorno, falado pelos luso-brasileiros. Esta tend\u00eancia \u00e9 compartilhada, em parte, pelo ponto RS03, que no entanto apresenta um comportamento mais vari\u00e1vel (n\u00e3o t\u00e3o est\u00e1vel como na Regi\u00e3o dos Pampas) que oscila entre uma influ\u00eancia anterior regional e uma influ\u00eancia recente mais geral do portugu\u00eas brasileiro. Em suma, os comportamentos lingu\u00edsticos dos membros das comunidades afro-brasileiras pesquisadas, no Rio Grande do Sul, convergem de modo geral para uma orienta\u00e7\u00e3o centr\u00edfuga, que se contrap\u00f5e \u00e0 no\u00e7\u00e3o de isolamento que tradicionalmente se associa a esse tipo de contexto, visto que a perda de marcas de africanidade e ado\u00e7\u00e3o de marcas da variedade do portugu\u00eas brasileiro e regional do entorno \u00e9 uma constante.<\/p>\n<p><strong>Tipo:\u00a0<\/strong>Tese<\/p>\n<p><strong>URL<\/strong>: <a href=\"http:\/\/hdl.handle.net\/10183\/122568\" target=\"blank\">http:\/\/hdl.handle.net\/10183\/122568<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>T\u00edtulo: Africanidade e contemporaneidade do portugu\u00eas de comunidades afro-brasileiras no Rio Grande do Sul Autor:\u00a0Antonio Carlos Santana de Souza Orientador:\u00a0Cleo Vilson Altenhofen N\u00edvel:\u00a0Doutorado Data:\u00a02015 Institui\u00e7\u00e3o: Universidade Federal do Rio Grande&#8230;  <a class=\"excerpt-read-more\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/neabi\/index.php\/2016\/08\/24\/africanidade-e-contemporaneidade-do-portugues-de-comunidades-afro-brasileiras-no-rio-grande-do-sul\/\" title=\"Read Africanidade e contemporaneidade do portugu\u00eas de comunidades afro-brasileiras no Rio Grande do Sul\">Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[13],"tags":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v16.1.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/neabi\/index.php\/2016\/08\/24\/africanidade-e-contemporaneidade-do-portugues-de-comunidades-afro-brasileiras-no-rio-grande-do-sul\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Africanidade e contemporaneidade do portugu\u00eas de comunidades afro-brasileiras no Rio Grande do Sul - NEABI UFRGS\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"T\u00edtulo: Africanidade e contemporaneidade do portugu\u00eas de comunidades afro-brasileiras no Rio Grande do Sul Autor:\u00a0Antonio Carlos Santana de Souza Orientador:\u00a0Cleo Vilson Altenhofen N\u00edvel:\u00a0Doutorado Data:\u00a02015 Institui\u00e7\u00e3o: Universidade Federal do Rio Grande... 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