Rússia renova promessa de cooperação securitária com o Afeganistão após ataque em Cabul
Milhares de membros da minoria hazara Shia estavam protestando sobre uma nova linha de energia em Cabul quando duas explosões gêmeas interromperam as manifestações em 23 de julho deste ano. Rússia e Brasil condenaram o ocorrido, que matou pelo menos 80 pessoas e feriu mais de 230.
“O Brasil condena o ataque em Cabul e expressa solidariedade com as famílias das vítimas, ao povo e ao governo do Afeganistão”, disse um comunicado do Ministério das Relações Exteriores brasileiro.
O grupo Daesh (ligado ao Estado Islâmico) assumiu a responsabilidade pelas mortes. Enquanto isso, a Rússia condenou o ataque e renovou suas promessas de assistência securitária para Cabul. O presidente russo, Vladimir Putin reiterou sua “disponibilidade para uma cooperação mais ativa com as autoridades do Afeganistão e seu povo na luta contra todas as formas de terrorismo”.
A preocupação de Putin é quanto à possibilidade de o Afeganistão se transformar em um novo ponto de risco em meio ao final das missões de combate da OTAN e à retirada gradual das tropas dos EUA do local. Deste modo, a Rússia se mantém em negociações com o governo de Ashraf Ghani para fornecer helicópteros de combate às forças terroristas afegãs. Ainda no sábado (23), Ghani declarou dia de luto nacional e prometeu vingança pelo ocorrido no país.
No início deste mês, uma delegação de senadores norte-americanos em visita a Cabul advertiu que a missão militar internacional no Afeganistão irá falhar se os níveis de tropas forem reduzidos ainda mais, com repercussões potencialmente perigosas para o resto do mundo. O país encontra-se em um estado de turbulência política e social, com a continuação da já longa insurgência do Taliban e a expansão da atividade de outros grupos terroristas. Como consequência deste preocupante quadro, segundo um relatório da Anistia Internacional de maio deste ano, o número de deslocados internos afegãos já chega a 1,2 milhões de pessoas.
De acordo com as Nações Unidas, o Estado Islâmico tem presença em 25 das províncias do Afeganistão, e a Rússia acredita que o grupo tem mais de 3.000 combatentes dentro do país. O país vem treinando ativamente as forças afegãs desde o início da missão da OTAN, e é provável que expanda o alcance de suas missões de cooperação securitária em um futuro próximo.

