G20 não projeta cessar fogo na guerra comercial entre China e EUA

G20 não projeta cessar fogo na guerra comercial entre China e EUA
Trump e Xi se encontrarão em Buenos Aires em plena guerra comercial entre os dois países

Às vésperas do encontro de cúpula do G20, a se realizar em Buenos Aires, na Argentina, entre os dias 30 de novembro e 1º de dezembro, os presidentes Xi Jinping e Donald Trump se encontrarão em plena vigência de tarifas comerciais impostas de parte a parte e cujos efeitos são estimados em USD250 bilhões do lado americano (importações estadunidenses sobretaxadas) e USD110 bilhões do lado chinês (importações chinesas sobretaxadas).

Segundo o embaixador brasileiro Rubens Barbosa, no encontro deverão ser tratados temas de finanças internacionais, do Acordo de Paris sobre o clima, de aumento de capital do Fundo Monetário Internacional (FMI) e mesmo de temas comerciais. Contudo, opina o colunista do Jornal da USP, as tensões comerciais entre os dois países deverão se refletir, ao final evento, num documento marcado pela ausência de qualquer posição sobre comércio e protecionismo.

Desde 2017, a administração estadunidense tem imposto tarifas comerciais à China, que varia de 10% a 25%. Do total sobretaxado, cerca de USD50 bilhões em importações estão oneradas desde início deste ano. Outros USD200 bilhões passaram a ser onerados desde setembro. As importações oriundas da China somaram, em 2017, USD506 bilhões. O acumulado de 2018 até setembro, segundo o bureau estatístico estadunidense, contabiliza compras de USD395 bilhões, o que sugere que o impacto das imposições tarifárias ainda não se fez sentir. Contudo, identifica-se um espaço de sobretaxação de aproximadamente outros USD250 bilhões.

Por sua vez, os chineses impuseram tarifas a um montante de USD110 bilhões, de um total importado de USD130 bilhões, em 2017. No acumulado de 2018 até setembro, também segundo o bureau estatístico estadunidense, as importações chinesas de seu principal sócio comercial alcançaram USD93 bilhões, refletindo certa estabilidade em relação ao registrado no mesmo período de 2017.

Os recentes discursos do Vice Presidente Mike Pence no Instituto Hudson e no encontro de cúpula da APEC colocam os termos da posição estadunidense na disputa comercial, remetendo qualquer acordo a um futuro não muito próximo. Trata-se de um processo longo, estreitamente relacionado com a proposta de Trump de “tornar a América grande novamente”, do qual é esperada a recuperação dos níveis de emprego e do setor industrial, e que poderá recolocar as relações econômicas entre os Estados Unidos e a China (comércio, investimento, finanças etc.), com reflexos para todos os países. Ao final, Buenos Aires está se configurando no palco de mais um capítulo de um processo que pode representar um marco de encerramento de uma era de cooperação, em que as duas economias lograram uma espécie de simbiose econômica, com o consequente início de uma era de competição, em face de propósitos de desenvolvimento divergentes.


Fonte:

Jornal da USP

BBC

United States Census Bureau

Remarks by Vice President Pence on the Administration’s Policy Toward China – The Hudson Institute

Remarks by Vice President Pence at the 2018 APEC CEO Summit

There Is No Grand Bargain With China

Fonte da Imagem:

Xinhuanet

Autor

Alberto Nogueira

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