Xi Jinping visita Panamá após estabelecimento de relações diplomáticas entre os dois países

Xi e Varela se encontram em frente ao Canal do Panamá, durante a visita oficial do presidente chinês ao país.

O presidente chinês Xi Jinping realizou visita ao Panamá nos dias 3 e 4 de dezembro. Trata-se da primeira visita oficial do país asiático após o Panamá ter rompido relações diplomáticas com Taiwan e estabelecido com a China, em junho de 2017. Desde então, a República Dominicana e El Salvador seguiram os passos dos panamenhos, restando 17 países com relações diplomáticas com a Taipei, dos quais 9 deles estão na América Central e no Caribe.

Na ocasião, os países assinaram acordos em diversas áreas para a implementação de ações conjuntas em educação, turismo e construção civil, entre outras. No campo financeiro, os países estão desenvolvendo negociações para a realização de uma emissão de USD500 milhões em “panda bônus” (bônus emitidos em Renminbi por não chineses). No campo comercial, está sendo negociado um acordo de livre comércio entre as partes. Ambas chancelarias anunciaram também a adesão do Panamá ao “Belt and Road Iniciative”, o que faz dele o primeiro país latino-americano a aderir formalmente ao projeto chinês.

Os dirigentes ressaltaram a importância estratégica do Panamá no contexto do comércio mundial e declararam que o Panamá como um portão de entrada da China para a América Latina. Essa expressão reflete um componente relevante no contexto das relações internacionais chinesas na região: para além da importância do Panamá no sistema logístico internacional, em virtude de seu canal de navegação interoceânico, as novas relações com a China representam uma presença mais destacada do país asiático numa região de tradicional influência estadunidense. E isso ocorre num momento bastante sensível, seja das relações bilaterais China-EUA, seja das relações entre este e os países centro-americanos. No caso das relações entre as duas grandes potências, o comércio e, em menor medida, os investimentos, têm sido o objeto de tensões e ações protecionistas envolvendo centenas de bilhões de dólares.

Já o momento de chegada dos chineses, por sua vez, amplia o contraste entre as linhas de relação entre estes e os estadunidenses para com a região centro-americana. Isto porque, enquanto que os chineses aportam com um farto instrumental econômico e financeiro de fomento e promoção de comércio, investimento e cooperação, a principal pauta dos EUA com a região é relativa à imigração ilegal de centro-americanos, o que tem se configurado em relevante fonte de tensões.

Os EUA deram demonstrações de sensibilidade com o recente estabelecimento de relações diplomáticas do Panamá, da República Dominicana e de El Salvador com a República Popular da China, havendo Washington chamado os seus representantes diplomáticos nos três países para consulta. Tal fato levou o próprio presidente panamenho a realizar um pronunciamento no qual pede respeito em relação às decisões soberanas de seu país. As conquistas diplomáticas chinesas na região representam exemplo de uma cada vez mais ativa inserção internacional da China. Talvez exemplifiquem também a ampliação do espectro de tensionamentos com os Estados Unidos.


Fonte:

South China Morning Post1

South China Morning Post2

South China Morning Post3

South China Morning Post4

Reuters

Ministerio de Relaciones Exteriores de Panamá

PRC Minstry of Foreign Affairs Press Conference

Fonte da imagem:

 Ministerio de Relaciones Exteriores de Panamá

Autor

Alberto Nogueira

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