{"id":1468,"date":"2021-03-02T09:56:18","date_gmt":"2021-03-02T12:56:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/nebrics\/?p=1468"},"modified":"2026-03-09T15:42:18","modified_gmt":"2026-03-09T18:42:18","slug":"a-cooperacao-sul-sul-e-o-desenvolvimento-sustentavel-no-brics-nebrics-entrevista-karin-vazquez","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/nebrics-mais\/2021\/03\/02\/a-cooperacao-sul-sul-e-o-desenvolvimento-sustentavel-no-brics-nebrics-entrevista-karin-vazquez\/","title":{"rendered":"A Coopera\u00e7\u00e3o Sul-Sul e o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel no BRICS &#8211; NEBRICS entrevista Karin Vazquez"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile\" style=\"grid-template-columns:25% auto\"><figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"574\" height=\"766\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/nebrics\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/2021-01-Imagem-Karin-Costa-Vazquez.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1469\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/nebrics-mais\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/2021-01-Imagem-Karin-Costa-Vazquez.jpeg 574w, https:\/\/www.ufrgs.br\/nebrics-mais\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/2021-01-Imagem-Karin-Costa-Vazquez-225x300.jpeg 225w, https:\/\/www.ufrgs.br\/nebrics-mais\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/2021-01-Imagem-Karin-Costa-Vazquez-450x600.jpeg 450w\" sizes=\"auto, (max-width: 574px) 100vw, 574px\" \/><\/figure><div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p class=\"has-text-align-center has-medium-font-size wp-block-paragraph\">Entrevistada: Karin Costa Vazquez<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\" class=\"has-text-color has-background has-very-dark-gray-color has-very-light-gray-background-color wp-block-paragraph\">Karin Costa Vazquez \u00e9 Professora Associada e Reitora Assistente da O.P. Jindal Global University na \u00cdndia, onde tamb\u00e9m lidera o primeiro Centro de Estudos da \u00c1frica, Am\u00e9rica Latina e Caribe em uma universidade privada indiana. Ela tamb\u00e9m \u00e9 Professora visitante na Far Eastern Federal University na R\u00fassia e pesquisadora do Center for BRICS Studies da Fudan University na China. Antes da academia, ela ocupou cargos em assessoria pol\u00edtica e gest\u00e3o e planejamento estrat\u00e9gicos em bancos multilaterais de desenvolvimento, ag\u00eancias da ONU e governos. Autora de livros e artigos acad\u00eamicos, Karin contribui regularmente para alguns dos principais ve\u00edculos da m\u00eddia nacional e internacional.<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-text-color has-background has-luminous-vivid-orange-background-color has-luminous-vivid-orange-color\"\/>\n\n\n\n<p style=\"font-size:17px\" class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong>Entrevistadores:<\/strong>   <\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:17px\" class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Betina Thomaz Sauter* &#8211;  Renato Ungaretti**<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:14px\" class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">*Mestre em Estudos Estrat\u00e9gicos Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PPGEEI\/UFRGS). \u00c1rea de pesquisa: Pol\u00edtica Externa da \u00cdndia, Coopera\u00e7\u00e3o Sul-Sul, Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da \u00c1sia.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:14px\" class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">** Mestrando no Programa de P\u00f3s Gradua\u00e7\u00e3o em Estudos Estrat\u00e9gicos Internacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PPGEEI\/UFRGS). \u00c1reas de pesquisa: Economia Pol\u00edtica Internacional, Rela\u00e7\u00f5es China-Am\u00e9rica Latina, Rela\u00e7\u00f5es China-Brasil.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-text-color has-background has-luminous-vivid-orange-background-color has-luminous-vivid-orange-color\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-background has-very-light-gray-background-color wp-block-paragraph\"><strong>1-) <strong>Professora Karin, a sua trajet\u00f3ria pessoal a levou a possuir experi\u00eancia de pesquisa voltada para as \u00e1reas de coopera\u00e7\u00e3o internacional para o desenvolvimento, financiamento do desenvolvimento e desenvolvimento sustent\u00e1vel. Como surgiu o seu interesse pela \u00e1rea da economia pol\u00edtica internacional e, em especial, pela tem\u00e1tica do BRICS e da Coopera\u00e7\u00e3o Sul-Sul?<\/strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Logo no in\u00edcio da minha carreira. Na Consultoria Jur\u00eddica do Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, eu analisei os aspectos legais e formais de v\u00e1rios acordos-quadro de coopera\u00e7\u00e3o entre o Brasil e demais pa\u00edses em desenvolvimento, antes desses acordos serem enviados ao Congresso Nacional para ratifica\u00e7\u00e3o. Anos depois, na Divis\u00e3o de Temas Sociais, eu participei de negocia\u00e7\u00f5es sobre g\u00eanero, juventude, envelhecimento no \u00e2mbito do MERCOSUL e da Am\u00e9rica Latina, e apoiei o desenvolvimento de projetos de coopera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica liderados pela Ag\u00eancia Brasileira de Coopera\u00e7\u00e3o em parceria com Minist\u00e9rios e demais \u00f3rg\u00e3os do governo federal brasileiro e governos na Am\u00e9rica Latina, \u00c1sia e \u00c1frica. A experi\u00eancia com a gest\u00e3o de projetos veio complementar a experi\u00eancia com an\u00e1lise t\u00e9cnica e pol\u00edtica, quando liderei um programa de 10 milh\u00f5es de d\u00f3lares do governo brit\u00e2nico em apoio \u00e0 transi\u00e7\u00e3o do Brasil para uma economia de alto crescimento e baixa emiss\u00e3o de carbono. Muitas dessas experi\u00eancias eram trianguladas com outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e da \u00c1frica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2010, eu me mudei para os EUA para ter uma imers\u00e3o no debate sobre coopera\u00e7\u00e3o internacional para o desenvolvimento e na formula\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias e projetos de desenvolvimento desde uma perspectiva global. Foi quando comecei a trabalhar com organismos internacionais: primeiro na sede do Banco Mundial, em Washington D.C. e, depois, na sede do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas (PNUD), em Nova York. Ao longo desses anos, o Brasil foi protagonista na coopera\u00e7\u00e3o internacional para o desenvolvimento, tanto no compartilhamento pol\u00edticas para o enfrentamento de desafios como redu\u00e7\u00e3o da pobreza, educa\u00e7\u00e3o etc., quanto no debate global. Muitos desses organismos, contudo, ou come\u00e7avam a dar os primeiros passos nessa agenda, ou j\u00e1 atuavam nela, mas de maneira pouco articulada. Boa parte do meu trabalho, n\u00e3o s\u00f3 no Banco Mundial e no PNUD, como tamb\u00e9m em outros organismos internacionais, como o UNFCCC, o Banco Interamericano de Desenvolvimento e o Banco Isl\u00e2mico de Desenvolvimento, portanto, consistia em formular estrat\u00e9gias e pol\u00edticas que melhor estruturassem as diferentes modalidades e instrumentos de coopera\u00e7\u00e3o dentro dessas organiza\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de desenvolver parcerias com as economias emergentes dos BRICS e demais pa\u00edses em desenvolvimento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foram mais de seis anos at\u00e9 eu fazer a transi\u00e7\u00e3o para, como eu chamo, a minha \u2018terceira carreira:\u2019 a academia. Foi uma transi\u00e7\u00e3o natural, de certa forma, porque j\u00e1 tinha bastante experi\u00eancia com pesquisa junto aos organismos internacionais e tamb\u00e9m porque, ao longo da minha trajet\u00f3ria profissional, eu participei de muitos di\u00e1logos de alto n\u00edvel e fiz muitos contatos na academia e nos think-tanks, em especial dos pa\u00edses BRICS. E tem sido uma experi\u00eancia incr\u00edvel olhar esses mesmos temas da coopera\u00e7\u00e3o internacional para o desenvolvimento, financiamento do desenvolvimento e desenvolvimento sustent\u00e1vel, agora, pela \u00f3tica da academia e, ao mesmo tempo, com toda a minha bagagem da pr\u00e1tica. E tamb\u00e9m com muito mais empatia e maior entendimento dos desafios de desenvolvimento (e poss\u00edveis solu\u00e7\u00f5es para eles) ap\u00f3s morar na \u00cdndia, na China e trabalhar em mais de 15 pa\u00edses ao redor do mundo: desde o M\u00e9xico, passando pela R\u00fassia, Qu\u00eania e Ar\u00e1bia Saudita, at\u00e9 a Indon\u00e9sia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso eu digo que a minha experi\u00eancia com pesquisa, na academia, \u00e9 resultado e, em boa medida, moldada pela minha experi\u00eancia pr\u00e1tica com os mesmos objetos de estudo. Da mesma maneira que o meu interesse por pesquisa e an\u00e1lise tamb\u00e9m tiveram papel primordial para que processos de tomada de decis\u00e3o em organismos internacionais fosse mais informada. Essas experi\u00eancias s\u00e3o \u00fanicas e deram ainda mais relev\u00e2ncia e impacto ao meu trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-background has-very-light-gray-background-color wp-block-paragraph\"><strong>2-) <strong><strong>No momento atual, voc\u00ea \u00e9 Professora Associada e Reitora Assistente da O.P. Jindal Global University na \u00cdndia, bem como Diretora Executiva do Centro de Estudos da \u00c1frica, Am\u00e9rica Latina e Caribe. Al\u00e9m disso, \u00e9 pesquisadora do Center for BRICS Studies da Fudan University na China. Levando em considera\u00e7\u00e3o ambas as experi\u00eancias e o fato adicional de ser brasileira, como voc\u00ea v\u00ea a concep\u00e7\u00e3o do conceito de Coopera\u00e7\u00e3o Sul-Sul na \u00c1sia e na Am\u00e9rica Latina? No que essa concep\u00e7\u00e3o se difere e se assemelha nas duas regi\u00f5es?<\/strong><\/strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Coopera\u00e7\u00e3o Sul-Sul \u00e9 uma modalidade da coopera\u00e7\u00e3o internacional para o desenvolvimento constru\u00edda entre os pa\u00edses do chamado \u201cSul global\u201d e, em grande medida, motivada pelas identidade compartilhadas entre esses pa\u00edses, pelos contextos sociais e econ\u00f4micos semelhantes, e pelo entendimento de que haveria um esgotamento das rela\u00e7\u00f5es de hierarquia entre o Norte \u201crico\u201d e o Sul \u201cem desenvolvimento.\u201d Apesar de ser orientada por princ\u00edpios comuns como n\u00e3o-interven\u00e7\u00e3o, aus\u00eancia de condicionalidades, horizontalidade, solidariedade e ganhos m\u00fatuos, n\u00e3o existe uma \u00fanica defini\u00e7\u00e3o para \u201cCoopera\u00e7\u00e3o Sul-Sul.\u201d Isso, em larga medida, reflete as v\u00e1rias maneiras como ela \u00e9 entendida e praticada ao redor do mundo.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ONU define a Coopera\u00e7\u00e3o Sul-Sul como \u201cum processo pelo qual dois ou mais pa\u00edses em desenvolvimento buscam seus objetivos de desenvolvimento de capacidades individuais e\/ou compartilhados atrav\u00e9s do interc\u00e2mbio de conhecimentos, habilidades, recursos e expertise t\u00e9cnica, e atrav\u00e9s de a\u00e7\u00f5es coletivas regionais e inter-regionais, incluindo parcerias que envolvem governos, organiza\u00e7\u00f5es regionais, sociedade civil, academia e o setor privado, para seu benef\u00edcio individual e\/ou m\u00fatuo dentro e entre regi\u00f5es.\u201d Quando vamos para regi\u00f5es e pa\u00edses espec\u00edficos do planeta, temos uma dimens\u00e3o melhor da diversidade que a Coopera\u00e7\u00e3o Sul-Sul representa. Para quem tiver interesse em entender os detalhes, deixo a recomenda\u00e7\u00e3o do livro \u201c<a href=\"https:\/\/www.cn.undp.org\/content\/china\/en\/home\/library\/south-south-cooperation\/mix-and-match--how-countries-deliver-development-cooperation-and.html\"><em>Mix and Match: how countries are delivering development cooperation and lessons for China<\/em><\/a><em>,<\/em> \u201c que co-organizei com duas pesquisadores chinesas, fruto de uma coopera\u00e7\u00e3o entre o PNUD e o <em>Chinese Academy of International Trade and Economic Cooperation<\/em>, think-tank afiliado ao Minist\u00e9rio do Com\u00e9rcio da China.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Resumidamente, a meu ver, a principal diferen\u00e7a de como a Coopera\u00e7\u00e3o Sul-Sul \u00e9 concebida na \u00c1sia e na Am\u00e9rica Latina \u00e9 como cada regi\u00e3o lida com a os eventuais ganhos econ\u00f4micos, comerciais e financeiros resultantes da coopera\u00e7\u00e3o. Enquanto na Am\u00e9rica Latina a coopera\u00e7\u00e3o \u00e9 prioritariamente calcada na ideia de solidariedade e, portanto, n\u00e3o deve diretamente perseguir vantagens pecuni\u00e1rias; na \u00c1sia, a coopera\u00e7\u00e3o \u00e9 entendida como um \u201cpacto de desenvolvimento\u201d em que investimento e com\u00e9rcio, al\u00e9m de coopera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, s\u00e3o igualmente importantes para a realiza\u00e7\u00e3o de ganhos m\u00fatuos. Essa no\u00e7\u00e3o est\u00e1 relacionada com as experi\u00eancias de desenvolvimento de cada um desses pa\u00edses e a maneira pela qual eles entendem o que \u00e9 desenvolvimento e como podem promov\u00ea-lo. O Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) e o Banco Asi\u00e1tico de Investimento em Infraestrutura (AIIB), ao meu ver, traduzem bem a perspectiva asi\u00e1tica da Coopera\u00e7\u00e3o Sul-Sul, que v\u00ea no financiamento de infraestrutura o motor para atra\u00e7\u00e3o de investimentos, gera\u00e7\u00e3o de fluxos de com\u00e9rcio, e crescimento econ\u00f4mico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-background has-very-light-gray-background-color wp-block-paragraph\"><strong>3-) <strong><strong><strong>O NDB tem como prerrogativa ter \u2154 de seus projetos em infraestrutura sustent\u00e1vel. No Center for BRICS Studies da Fudan University na China, voc\u00ea lidera uma pesquisa que est\u00e1 avaliando a sustentabilidade de projetos financiados pelo Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) e sua contribui\u00e7\u00e3o para os Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel. Como o banco tem abordado o tema da sustentabilidade? Com base em observa\u00e7\u00f5es preliminares, sendo que s\u00e3o projetos em fase inicial de implementa\u00e7\u00e3o, o qu\u00e3o sustent\u00e1vel tem sido esses projetos? Quais os principais desafios para o NDB neste \u00e2mbito?<\/strong><\/strong><\/strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Estrat\u00e9gia Geral NDB 2017-2021 define \u201cinfraestrutura sustent\u00e1vel\u201d como &#8220;infraestrutura que incorpora crit\u00e9rios econ\u00f4micos, ambientais e sociais em seu projeto, constru\u00e7\u00e3o e opera\u00e7\u00e3o.&#8221; Mais recentemente, a ideia de &#8220;transforma\u00e7\u00e3o,&#8221; ou seja, a no\u00e7\u00e3o de que a sociedade, a economia e o meio ambiente podem se beneficiar de impactos positivos adicionais dos projetos, passou a integrar a abordagem do NDB para infraestrutura sustent\u00e1vel. Essa ideia \u00e9 uma evolu\u00e7\u00e3o do entendimento de bancos multilaterais de desenvolvimento estabelecidos h\u00e1 mais tempo de que, para ser sustent\u00e1vel, projetos de infraestrutura deveriam evitar, compensar ou diminuir eventuais impactos negativos por meio do uso de salvaguardas. Essas ideias est\u00e3o no relat\u00f3rio <a href=\"https:\/\/www.ssc-globalthinkers.org\/sites\/default\/files\/2018-09\/Building-Infrastructure-21st-Century.pdf\"><em>Building Infrastructure for 21st Century Sustainable Development: Lessons and Opportunities for the BRICS-led New Development Bank<\/em><\/a>, que coordenei e que foi apresentado ao NDB como uma contribui\u00e7\u00e3o da academia e da sociedade civil para a estrat\u00e9gia do banco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O NDB, no entanto, ainda n\u00e3o operacionalizou a ideia de infraestrutura sustent\u00e1vel. O banco est\u00e1 buscando investimentos sustent\u00e1veis em infraestrutura, como projetos que combinem salvaguardas (segundo o Marco Ambiental e Social do banco) com incentivos positivos que possam gerar transforma\u00e7\u00f5es ambientais, sociais e econ\u00f4micas. No entanto, o NDB ainda n\u00e3o divulgou nenhum indicador ou benchmark relacionado \u00e0 sustentabilidade e n\u00e3o tem claros para o p\u00fablico nem quais s\u00e3o os crit\u00e9rios para sele\u00e7\u00e3o dos projetos, nem como pretende gerar impacto de desenvolvimento positivo no m\u00e9dio e longo prazo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-background has-very-light-gray-background-color wp-block-paragraph\"><strong>4-) <strong><strong><strong><strong>No webin\u00e1rio \u201cChina e Coopera\u00e7\u00e3o Sul-Sul\u201d organizado pela LabChina (UFRJ), voc\u00ea comentou que a crise econ\u00f4mica, social e humanit\u00e1ria desencadeada pelo covid-19 no mundo tem refor\u00e7ado a necessidade de modelos que apontem para uma economia mais sustent\u00e1vel e inclusiva. Como voc\u00ea v\u00ea essa vis\u00e3o de \u201cdesenvolvimento verde\u201d posta em pr\u00e1tica pelo Sul Global? Nesse sentido, qual seria o papel do BRICS e do NDB no \u00e2mbito multilateral no momento de reconstru\u00e7\u00e3o da economia global p\u00f3s-pandemia?<\/strong><\/strong><\/strong><\/strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como grandes pa\u00edses emergentes, os BRICS j\u00e1 enfrentaram desafios de desenvolvimento que podem ser compartilhados entre si e com outros pa\u00edses que enfrentam quest\u00f5es semelhantes. Exemplo claro disso \u00e9 o interc\u00e2mbio de conhecimento entre equipes m\u00e9dicas e a doa\u00e7\u00e3o de rem\u00e9dios e equipamentos m\u00e9dicos para o tratamento da COVID-19 da China para o Brasil. No caso dos novos bancos de desenvolvimento, tanto o AIIB quanto o NDB foram bastante \u00e1geis na concess\u00e3o de pacotes de ajuda emergencial para o enfrentamento da pandemia: at\u00e9 o final de 2020, o AIIB havia aprovado um total de 13 projetos no valor de mais de US $ 5,5 bilh\u00f5es para 11 de seus 82 membros. O NDB aprovou 4 bilh\u00f5es de d\u00f3lares para o Brasil, a China, a \u00cdndia e a \u00c1frica do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas, at\u00e9 agora, nem o AIIB nem o NDB responderam com medidas de longo prazo, em especial para a transi\u00e7\u00e3o para uma economia mais sustent\u00e1vel e inclusiva. E, como organismos internacionais que respondem \u00e0s demandas dos pa\u00edses membros, a falta dessa resposta est\u00e1 relacionada ao pr\u00f3prio fato de muitos desses pa\u00edses n\u00e3o terem, ainda, conseguido por essa vis\u00e3o em marcha no plano dom\u00e9stico. Ao meu ver, o AIIB e o NDB podem ir al\u00e9m do papel tradicional de financiadores e apontar novas tend\u00eancias e formas com que os pa\u00edses membros podem se antecipar ou se adaptar a elas. O NDB e o AIIB tamb\u00e9m podem criar instrumentos que incentivem os tomadores de empr\u00e9stimo a submeter projetos mais em linha com a ideia de desenvolvimento sustent\u00e1vel como, por exemplo, a concess\u00e3o de prazos mais largos de matura\u00e7\u00e3o e taxas de juros mais baixas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-background has-very-light-gray-background-color wp-block-paragraph\"><strong>5-) <strong><strong><strong><strong><strong>Na \u00faltima C\u00fapula do BRICS, virtualmente sediada pela R\u00fassia em 2020, os pa\u00edses do agrupamento convergiram na ado\u00e7\u00e3o da Estrat\u00e9gia de Parceria Econ\u00f4mica do BRICS para o per\u00edodo de 2021-2025, que prev\u00ea o aprofundamento da coopera\u00e7\u00e3o em \u00e1reas como com\u00e9rcio, investimento, desenvolvimento sustent\u00e1vel e economia digital. Diante disso, quais as suas expectativas em rela\u00e7\u00e3o a essa parceria? Ser\u00e1 poss\u00edvel superar a \u201cbilateraliza\u00e7\u00e3o\u201d das rela\u00e7\u00f5es intra-BRICS e refor\u00e7ar a proje\u00e7\u00e3o multilateral do agrupamento?<\/strong><\/strong><\/strong><\/strong><\/strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nessa segunda d\u00e9cada de exist\u00eancia, os BRICS atuam cada vez menos em \u201cconcerto\u201d e cada vez mais por acordos bilaterais entre os cinco membros. Esse fen\u00f4meno, que no artigo \u201c<a href=\"https:\/\/www.globalpolicyjournal.com\/blog\/11\/03\/2020\/brics-multilateralism-la-carte\"><em>BRICS Multilateralism \u00e0 la carte<\/em><\/a>\u201d para a revista Global Policy eu chamo de &#8216;bilateraliza\u00e7\u00e3o&#8217; das rela\u00e7\u00f5es intra-BRICS, tem a vantagem de dar mais flexibilidade ao agrupamento na medida em que permite aos pa\u00edses limitar a coopera\u00e7\u00e3o quando os interesses divergem e se beneficiar da a\u00e7\u00e3o coletiva por meio dos BRICS quando os interesses convergem. O fortalecimento das rela\u00e7\u00f5es entre o Brasil e a \u00cdndia a partir do in\u00edcio de 2020, o aumento da coopera\u00e7\u00e3o entre a R\u00fassia e a China em energia, e at\u00e9 mesmo o acirramento das rela\u00e7\u00f5es sino-brasileiras d\u00e3o sinais dessa bilateraliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas apesar da flexibilidade, a bilateralizacao dos BRICS tamb\u00e9m dificulta a constru\u00e7\u00e3o de respostas conjuntas a desafios globais como sa\u00fade, com\u00e9rcio, seguran\u00e7a, e desenvolvimento sustent\u00e1vel. Em 2019, por exemplo, a declara\u00e7\u00e3o dos l\u00edderes dos BRICS se limitou a declara\u00e7\u00f5es vagas de apoio \u00e0 agenda de desenvolvimento 2030 e ao Acordo de Paris, sem nenhum compromisso mais concreto para a implementa\u00e7\u00e3o dos ODS. No ano passado, os BRICS n\u00e3o ofereceram uma resposta robusta ao enfrentamento da pandemia, apesar da R\u00fassia ter sido o primeiro pa\u00eds a registrar a vacina contra o COVID-19 e da China ter assumido o compromisso de tornar a sua vacina um bem p\u00fablico global. Eu acredito que o BRICS ainda tem papel relevante na governan\u00e7a global, mas precisar\u00e1 se articular melhor para mostrar impacto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevistada: Karin Costa Vazquez Karin Costa Vazquez \u00e9 Professora Associada e Reitora Assistente da O.P.<\/p>\n","protected":false},"author":14,"featured_media":1478,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ub_ctt_via":"","footnotes":""},"categories":[4],"tags":[29,34,42,61],"ppma_author":[103],"class_list":["post-1468","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevista","tag-brics","tag-desenvolvimento-sustentavel","tag-entrevista","tag-ndb"],"featured_image_src":"https:\/\/www.ufrgs.br\/nebrics-mais\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/2021-01-Imagem-green-economy-1.jpg","author_info":{"display_name":"NEBRICS","author_link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/nebrics-mais\/author\/nebrics\/"},"authors":[{"term_id":103,"user_id":14,"is_guest":0,"slug":"nebrics","display_name":"NEBRICS","avatar_url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/00c3d17ea2d53753dcd41fca28854bf18e792bb1619ff61fe946551b11292075?s=96&d=mm&r=g","first_name":"N\u00facleo de Estudos do Brics","last_name":"","user_url":"","job_title":"","description":""}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/nebrics-mais\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1468","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/nebrics-mais\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/nebrics-mais\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/nebrics-mais\/wp-json\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/nebrics-mais\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1468"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/nebrics-mais\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1468\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2331,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/nebrics-mais\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1468\/revisions\/2331"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/nebrics-mais\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1478"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/nebrics-mais\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1468"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/nebrics-mais\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1468"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/nebrics-mais\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1468"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/nebrics-mais\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=1468"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}