{"id":1964,"date":"2023-11-03T16:16:40","date_gmt":"2023-11-03T19:16:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/nebrics\/?p=1964"},"modified":"2026-03-09T14:47:38","modified_gmt":"2026-03-09T17:47:38","slug":"a-centralidade-da-energia-na-expansao-do-brics","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/nebrics-mais\/2023\/11\/03\/a-centralidade-da-energia-na-expansao-do-brics\/","title":{"rendered":"A Centralidade da Energia na Expans\u00e3o do BRICS"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\"><em>Carlos Renato Ungaretti<\/em>*<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\"><em>Maur\u00edcio Levien<\/em>**<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\" style=\"font-size:20px\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ingresso de seis novos membros no BRICS, formalizado na mais recente C\u00fapula realizada na \u00c1frica do Sul, despertou aten\u00e7\u00e3o entre analistas de rela\u00e7\u00f5es internacionais e da m\u00eddia global. As amplas <a href=\"https:\/\/thediplomat.com\/2023\/10\/no-one-knows-what-brics-expansion-means\/\">repercuss\u00f5es<\/a> buscaram identificar as motiva\u00e7\u00f5es deste processo de expans\u00e3o e o crit\u00e9rio de escolha dos seis novos membros &#8211; Ar\u00e1bia Saudita, Argentina, Emirados \u00c1rabes Unidos, Egito, Eti\u00f3pia e Ir\u00e3 -, privilegiados dentro de um universo de <a href=\"https:\/\/www.voanews.com\/a\/more-countries-want-to-join-brics-says-south-africa-\/7190526.html\">40 pa\u00edses<\/a> que solicitaram formalmente o desejo de aderir ao BRICS. Argumenta-se, neste breve ensaio, que a quest\u00e3o energ\u00e9tica constitui componente central para explicar a entrada destes seis pa\u00edses no BRICS, guardando implica\u00e7\u00f5es importantes para o futuro da geopol\u00edtica energ\u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\" style=\"font-size:20px\"><strong>O protagonismo do novo BRICS na produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma das implica\u00e7\u00f5es geopol\u00edticas mais interessantes da expans\u00e3o do BRICS diz respeito ao crescimento da import\u00e2ncia do grupo no \u00e2mbito energ\u00e9tico. De acordo com o <a href=\"https:\/\/www.csis.org\/analysis\/six-new-brics-implications-energy-trade\">Center for Strategic and International Studies<\/a> (CSIS), a adi\u00e7\u00e3o dos novos membros aumentar\u00e1 a influ\u00eancia do grupo sobre os mercados globais e as rela\u00e7\u00f5es comerciais relacionadas com o petr\u00f3leo bruto e o g\u00e1s natural, sobretudo. Com o acr\u00e9scimo da Ar\u00e1bia Saudita, dos Emirados \u00c1rabes Unidos (EAU) e do Ir\u00e3, o BRICS alargado incluir\u00e1 tr\u00eas dos maiores exportadores de petr\u00f3leo do mundo e dois dos maiores importadores, China e \u00cdndia. Baseando-se em estat\u00edsticas de 2022 do<a href=\"https:\/\/www.visualcapitalist.com\/visualizing-the-brics-expansion-in-4-charts\/\"> Energy Institute Statistical Review of World Energy<\/a>, a amplia\u00e7\u00e3o do grupo impactar\u00e1 no crescimento da participa\u00e7\u00e3o do BRICS na produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo global de 20,4% para 43,1% (Tabela 1).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tabela 1 \u2013 Participa\u00e7\u00e3o do BRICS na produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo global<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"605\" height=\"359\" src=\"https:\/\/lh7-us.googleusercontent.com\/aD3UHZXBxSkRLK66BpHBhNrPytT62vETfrxDZWPvtrNzpgjbAX-6UKqEEwdp48EOKxtU5YARkUlvy2I_XJOzCYCptYFBeD1tqKgyCfPj4fRY2pluObSWA8nUG5Pqmgg6brlwe_5gN8-7skTBUlVXEWM\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fonte: Energy Institute Statistical Review of World Energy<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A gest\u00e3o do mercado petrol\u00edfero continuar\u00e1 a ser de compet\u00eancia da Organiza\u00e7\u00e3o dos Pa\u00edses Exportadores de Petr\u00f3leo e dos produtores aliados (OPEP+). Contudo, a longo prazo, a maior influ\u00eancia do BRICS nesse \u00e2mbito pode levar a mudan\u00e7as estruturais no mercado energ\u00e9tico. Duas facetas impactam nessa perspectiva: as san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas ocidentais e a utiliza\u00e7\u00e3o de moedas pr\u00f3prias para liquida\u00e7\u00e3o de transa\u00e7\u00f5es bilaterais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em rela\u00e7\u00e3o ao primeiro, destaca-se que uma reclama\u00e7\u00e3o constante dos estados da OPEP+ refere-se \u00e0s restri\u00e7\u00f5es nos fluxos de investimento e de exporta\u00e7\u00e3o que as san\u00e7\u00f5es energ\u00e9ticas ocidentais ao Ir\u00e3 e \u00e0 Venezuela causam. Mais recentemente, os embargos ao petr\u00f3leo russo geraram novas apreens\u00f5es. A cria\u00e7\u00e3o de um<a href=\"https:\/\/home.treasury.gov\/news\/featured-stories\/the-price-cap-on-russian-oil-a-progress-report#:~:text=In%20December%202022%2C%20the%20Coalition,in%20the%20spring%20of%202022\"> novo mecanismo de san\u00e7\u00f5es<\/a>, que visa as receitas e n\u00e3o os volumes de exporta\u00e7\u00e3o, reverberou em outros exportadores pelo mundo. Tais pa\u00edses temem ser atingidos futuramente e est\u00e3o cautelosos com as interven\u00e7\u00f5es do G7 que remodelaram os fluxos globais de energia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os limites de pre\u00e7os (<em>price caps<\/em>) tinham dois objetivos: primeiro, inviabilizar a principal receita para o or\u00e7amento russo; segundo, manter o fluxo de com\u00e9rcio energ\u00e9tico est\u00e1vel, evitando uma redu\u00e7\u00e3o massiva na oferta, o que acarretaria aumentos significativos nos pre\u00e7os. Tal m\u00e9todo de san\u00e7\u00e3o, implementado em dezembro de 2022, foi inicialmente bem-sucedido,<a href=\"https:\/\/www.ft.com\/content\/cad37c16-9cbd-473c-aa2f-102c21393d2e\"> resultando em uma queda consider\u00e1vel nos pre\u00e7os do petr\u00f3leo russo<\/a> (at\u00e9 US$40 por barril).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A R\u00fassia foi obrigada a oferecer descontos \u00e0 medida que se organizava para redirecionar milh\u00f5es de barris, outrora destinados \u00e0 Europa, para novos clientes na \u00c1sia, ao mesmo tempo que continuava fortemente dependente dos servi\u00e7os de transporte mar\u00edtimo ocidentais. Segundo acad\u00eamicos da<a href=\"https:\/\/kse.ua\/about-the-school\/news\/july-issue-of-the-russian-oil-tracker\/\"> Escola de Economia de Kiev<\/a>, as san\u00e7\u00f5es custaram aproximadamente US$100 bilh\u00f5es em receitas de exporta\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo desde fevereiro de 2022.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contudo, a R\u00fassia vem delimitando estrat\u00e9gias para responder a essas demandas. A opera\u00e7\u00e3o de uma<a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/business\/2023\/aug\/19\/the-dark-fleet-of-tankers-shipping-russian-oil-in-the-shadows\"> \u201cfrota obscura\u201d de navios-petroleiros<\/a>, capazes de operar sem seguros e outros servi\u00e7os ocidentais, \u00e9 um exemplo desse movimento. Outro ponto focal da estrat\u00e9gia russa de superar os impactos das san\u00e7\u00f5es \u00e9 o<a href=\"https:\/\/www.wsj.com\/business\/energy-oil\/saudi-arabia-and-russia-win-big-in-gamble-on-oil-cuts-9a1834c6\"> acordo de corte de produ\u00e7\u00e3o<\/a> realizado por parte dos produtores da OPEP+, com \u00eanfase na Ar\u00e1bia Saudita e na R\u00fassia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Devido a problem\u00e1tica derivada da aplica\u00e7\u00e3o de san\u00e7\u00f5es, os produtores e consumidores da OPEP+ e do BRICS t\u00eam um interesse comum na cria\u00e7\u00e3o de mecanismos para comercializar fora do alcance financeiro do G7. Contudo, a implementa\u00e7\u00e3o efetiva de alternativas consiste em um processo gradativo e de longo prazo. Uma alternativa poss\u00edvel para o curto prazo \u00e9 a liquida\u00e7\u00e3o de acordos bilaterais e transa\u00e7\u00f5es comerciais de pa\u00edses do BRICS em outras moedas, como o yuan chin\u00eas ou a r\u00fapia indiana. Tais iniciativas s\u00e3o sintom\u00e1ticas da inten\u00e7\u00e3o de diversos pa\u00edses de explorar formas de contornar o sistema financeiro vigente e o alcance do d\u00f3lar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como exemplo, pode-se citar o esfor\u00e7o da China de aumentar exponencialmente a utiliza\u00e7\u00e3o do yuan para comprar mercadorias russas. Desde a eclos\u00e3o da guerra na Ucr\u00e2nia e da imposi\u00e7\u00e3o das san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas,<a href=\"https:\/\/www.reuters.com\/markets\/currencies\/vast-china-russia-resources-trade-shifts-yuan-dollars-ukraine-fallout-2023-05-11\/\"> grande parte das importa\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo e carv\u00e3o chinesas da R\u00fassia tem sido liquidadas em yuan ao inv\u00e9s de d\u00f3lares<\/a>. As importa\u00e7\u00f5es chinesas de <em>commodities<\/em> russas totalizaram US$88,3 bilh\u00f5es em 2022, um aumento de 52% em rela\u00e7\u00e3o a 2021. Ademais, no primeiro trimestre de 2023, a R\u00fassia ultrapassou a Ar\u00e1bia Saudita como o principal fornecedor da China, demonstrando o potencial de tal arranjo cooperativo no longo prazo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A \u00cdndia tamb\u00e9m<a href=\"https:\/\/www.reuters.com\/business\/energy\/india-refiners-start-yuan-payments-russian-oil-imports-sources-2023-07-03\/\"> j\u00e1 est\u00e1 pagando algumas das suas importa\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo da R\u00fassia em moedas<\/a> alternativas, como o yuan e a r\u00fapia. Em abril de 2023, por exemplo, <a href=\"https:\/\/www.reuters.com\/business\/energy\/india-makes-first-crude-oil-payment-uae-indian-rupees-2023-08-14\/\">Nova Delhi realizou pela primeira vez um pagamento de petr\u00f3leo bruto aos Emirados \u00c1rabes Unidos em r\u00fapias indianas<\/a>. Vale destacar tamb\u00e9m que a \u00cdndia, que \u00e9 o terceiro maior importador de petr\u00f3leo do mundo,<a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/interactive\/2023\/06\/22\/business\/india-russia-oil.html\"> tornou-se o principal comprador de petr\u00f3leo russo transportado por via mar\u00edtima<\/a> ap\u00f3s o estabelecimento das san\u00e7\u00f5es ocidentais, contribuindo para o esfor\u00e7o de Moscou de compensar a perda do mercado europeu. A <em>Indian Oil Corp<\/em>, a maior compradora de petr\u00f3leo bruto russo do pa\u00eds, e outras duas refinarias privadas est\u00e3o utilizando o yuan para liquidar seus pagamentos. Outro fator impactante nessas transa\u00e7\u00f5es \u00e9 o valor, que desde meados de julho est\u00e1 em uma m\u00e9dia de<a href=\"https:\/\/www.reuters.com\/business\/energy\/russian-oil-sold-india-30-above-western-price-cap-traders-2023-09-28\/\"> US$80 por barril, cerca de US$20 acima do limite de pre\u00e7o ocidental<\/a>, demonstrando como a coopera\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica entre os pa\u00edses BRICS pode ser uma v\u00e1lvula de escape \u00e0s influ\u00eancias internacionais. Al\u00e9m desses exemplos, vale frisar a<a href=\"https:\/\/www.wsj.com\/articles\/saudi-arabia-considers-accepting-yuan-instead-of-dollars-for-chinese-oil-sales-11647351541\"> considera\u00e7\u00e3o de autoridades da Ar\u00e1bia Saudita sobre a possibilidade de utilizar a moeda chinesa<\/a> no com\u00e9rcio bilateral relacionado \u00e0 energia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vale ressaltar ainda, a import\u00e2ncia dos demais pa\u00edses convidados a serem membros do BRICS. Al\u00e9m das duas maiores popula\u00e7\u00f5es adicionadas, Egito (112,7 milh\u00f5es) e Eti\u00f3pia (126,5 milh\u00f5es) tamb\u00e9m possuem for\u00e7a no \u00e2mbito energ\u00e9tico. Gra\u00e7as \u00e0s grandes descobertas feitas ao longo dos \u00faltimos 20 anos, o Egito \u00e9 atualmente o 13\u00ba maior produtor mundial de g\u00e1s natural. A Eti\u00f3pia, por sua vez, ocupa uma posi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica geopoliticamente, sendo inclusive um participante significativo na iniciativa chinesa da Nova Rota da Seda. O pa\u00eds \u00e9 situado na foz do Mar Vermelho, que d\u00e1 acesso ao Canal de Suez, uma das rotas comerciais mais importantes para o petr\u00f3leo do Oriente M\u00e9dio e para outras mercadorias.Salienta-se, por fim, o enorme potencial de produ\u00e7\u00e3o de g\u00e1s natural da Argentina, derivado das reservas de hidrocarbonetos de <a href=\"https:\/\/www.bloomberglinea.com.br\/2023\/02\/13\/vaca-muerta-o-megacampo-de-gas-argentino-que-o-bndes-deve-financiar-para-escoar\/\"><em>Vaca Muerta<\/em><\/a>, um dos maiores dep\u00f3sitos de g\u00e1s de xisto liquefeito do mundo. Os recursos <em>offshore<\/em> do Pr\u00e9-sal tamb\u00e9m colocam o Brasil entre os <a href=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/economia\/producao-de-petroleo-em-alta-consolida-brasil-entre-grandes-exportadores-e-turbina-balanca-comercial\/\">dez maiores exportadores<\/a> globais de petr\u00f3leo &#8211; em 2022, as exporta\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo do pa\u00eds somaram US$42,5 bilh\u00f5es &#8211; um valor recorde &#8211; e representaram cerca de 13% de tudo que o Brasil negociou para o exterior. Atualmente, o Brasil \u00e9 o <a href=\"https:\/\/exame.com\/mundo\/os-15-maiores-produtores-de-petroleo-do-mundo-brasil-esta-na-9a-posicao\/\">nono maior produtor de petr\u00f3leo<\/a> do mundo, com cerca de 3 milh\u00f5es de barris\/dia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\" style=\"font-size:20px\"><strong>As energias renov\u00e1veis e a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m de se situar numa posi\u00e7\u00e3o de protagonismo nos mercados globais de petr\u00f3leo e g\u00e1s, o BRICS+ tamb\u00e9m apresenta recursos e dota\u00e7\u00f5es energ\u00e9ticas que o colocam em um papel de maior influ\u00eancia sobre as din\u00e2micas atuais de transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica. Com o ingresso de novos membros, o agrupamento passa a cultivar grande for\u00e7a na transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, reunindo parceiros importantes na produ\u00e7\u00e3o de energias renov\u00e1veis e minerais cr\u00edticos, sobretudo (Chiappini, 2023).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Seguidos pela China, cujos investimentos em energias renov\u00e1veis e transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica somaram<a href=\"https:\/\/www.scientificamerican.com\/article\/china-invests-546-billion-in-clean-energy-far-surpassing-the-u-s\/\"> US$546 bilh\u00f5es<\/a> apenas em 2022 \u2013 ou cerca de metade do US$1,1 trilh\u00e3o verificado globalmente \u2013, outros pa\u00edses do BRICS+ tamb\u00e9m tem ampliado seus investimentos em renov\u00e1veis e gradualmente incorporado as energias e\u00f3lica e solar em seus sistemas de energia. Ambas as fontes responderam por 76% do crescimento da<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mercado\/2023\/05\/brasil-amplia-uso-de-energias-eolica-e-solar-e-reduz-indice-de-combustiveis-fosseis-diz-estudo.shtml\"> demanda por energia<\/a> no Brasil desde 2011, bem como 90% dos acr\u00e9scimos de capacidade de gera\u00e7\u00e3o na<a href=\"https:\/\/ember-climate.org\/insights\/research\/india-data-story-2023\/\"> \u00cdndia<\/a> em 2022. A<a href=\"https:\/\/cammesaweb.cammesa.com\/2023\/01\/13\/variables-relevantes-del-mem-resumen-anual-2022\/?doing_wp_cron=1696273367.4851820468902587890625\"> Argentina<\/a>, embora conte com uma matriz de gera\u00e7\u00e3o predominante f\u00f3ssil, ampliou a participa\u00e7\u00e3o das energias renov\u00e1veis, excluindo hidrel\u00e9tricas de grande porte, de 2% para 14%, entre 2015 e 2022.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; De acordo com dados da Ag\u00eancia Internacional de Energias Renov\u00e1veis (<a href=\"https:\/\/mc-cd8320d4-36a1-40ac-83cc-3389-cdn-endpoint.azureedge.net\/-\/media\/Files\/IRENA\/Agency\/Publication\/2023\/Mar\/IRENA_RE_Capacity_Statistics_2023.pdf?rev=d2949151ee6a4625b65c82881403c2a7\">International Renewable Energy Agency<\/a> &#8211; IRENA), os pa\u00edses do BRICS+ respondem por cerca de metade da capacidade de energia renov\u00e1vel instalada globalmente. A representa\u00e7\u00e3o para energia hidrel\u00e9trica \u00e9 de 48%, bem como de 49% e 47% para as energias e\u00f3lica e solar, respectivamente. A China, sozinha, corresponde a 30% da capacidade hidrel\u00e9trica e 41% da capacidade e\u00f3lica, bem como 37% da pot\u00eancia solar instalada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Considerando esta representa\u00e7\u00e3o e a proje\u00e7\u00e3o de um cen\u00e1rio de continuidade da expans\u00e3o das fontes renov\u00e1veis, dado o simult\u00e2neo imperativo de garantir seguran\u00e7a energ\u00e9tica e mitigar efeitos da crise clim\u00e1tica, estima-se que mais de 80% da gera\u00e7\u00e3o de energia no BRICS+ derive de fontes renov\u00e1veis at\u00e9 2050. Isto corresponderia a<a href=\"https:\/\/www.rystadenergy.com\/news\/brics-expansion-to-widen-the-renewable-energy-gap\"> 11 terawatts (TW) energia<\/a>, mais do que o dobro dos 4,5 TW projetados para os pa\u00edses do G7 combinados \u2013 Canad\u00e1, Fran\u00e7a, Alemanha, It\u00e1lia, Jap\u00e3o, Reino Unido e Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o obstante, \u00e9 importante recordar que a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e a expans\u00e3o das fontes renov\u00e1veis dependem fundamentalmente de minerais, essenciais para produ\u00e7\u00e3o de tecnologias e equipamentos de energia limpa. A<a href=\"https:\/\/www.iea.org\/reports\/the-role-of-critical-minerals-in-clean-energy-transitions\/executive-summary\"> Ag\u00eancia Internacional de Energia<\/a> (International Energy Agency &#8211; IEA) recorda que um sistema de energia sustentado por tecnologias de baixo carbono \u2013 pain\u00e9is fotovoltaicos, turbinas e\u00f3licas, ve\u00edculos el\u00e9tricos, sistemas de transmiss\u00e3o e armazenamento de energia, entre outros \u2013 demanda mais minerais para sua constru\u00e7\u00e3o do que assemelhados baseados em fontes f\u00f3sseis. O processo de manufatura de um ve\u00edculo el\u00e9trico, por exemplo, requer seis vezes mais recursos minerais do que um carro convencional, enquanto uma central e\u00f3lica requer nove vezes mais minerais do que uma usina t\u00e9rmica abastecida por g\u00e1s natural.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os tipos de recursos minerais utilizados variam de acordo com a tecnologia: l\u00edtio, n\u00edquel, cobalto, mangan\u00eas e grafite s\u00e3o cruciais para o desempenho e a longevidade de baterias, enquanto elementos de terras raras s\u00e3o indispens\u00e1veis para produ\u00e7\u00e3o de \u00edm\u00e3s permanentes utilizados em turbinas e\u00f3licas e motores el\u00e9tricos. As redes el\u00e9tricas necessitam de enormes quantidades de alum\u00ednio, enquanto o cobre se notabiliza por ser a pedra angular de todas tecnologias associadas \u00e0 eletricidade. Em um cen\u00e1rio compat\u00edvel com o cumprimento dos objetivos do Acordo de Paris, a demanda por esses minerais deve aumentar significativamente ao longo das pr\u00f3ximas duas d\u00e9cadas, superando os 40% para cobre e elementos de terras raras, 60-70% para n\u00edquel e cobalto e quase 90% para o l\u00edtio (IEA, 2022).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Deste modo, na geopol\u00edtica das energias renov\u00e1veis e da transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, a disputa por recursos minerais e pelo dom\u00ednio sobre tecnologias de baixo carbono se mostram como componentes centrais (Scholten, 2018). Observou-se nos \u00faltimos anos o lan\u00e7amento de iniciativas por parte dos Estados Unidos, com a Lei de Redu\u00e7\u00e3o da Infla\u00e7\u00e3o (<a href=\"https:\/\/www.whitehouse.gov\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Inflation-Reduction-Act-Guidebook.pdf.\">Inflation Reduction Act<\/a> &#8211; IRA), e da Uni\u00e3o Europeia, com o<a href=\"https:\/\/commission.europa.eu\/strategy-and-policy\/priorities-2019-2024\/european-green-deal\/repowereu-affordable-secure-and-sustainable-energy-europe_pt\"> REPowerEU<\/a> e<a href=\"https:\/\/commission.europa.eu\/strategy-and-policy\/priorities-2019-2024\/stronger-europe-world\/global-gateway_en\"> Global Gateway<\/a>, que visam alavancar a produ\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica de tecnologias energ\u00e9ticas e promover a seguran\u00e7a das cadeias produtivas, atualmente dominadas pela China. O pa\u00eds asi\u00e1tico responde por 60% da produ\u00e7\u00e3o global de<a href=\"https:\/\/www.scmp.com\/business\/china-business\/article\/3205675\/who-powers-worlds-evs-china-has-6-top-10-ev-battery-makers-60-cent-market-share-led-catl-and-warren\"> baterias e ve\u00edculos el\u00e9tricos<\/a>, contabilizando ainda a maior parcela do<a href=\"https:\/\/www.eiu.com\/n\/complexities-of-battery-supply-chain-may-slow-ev-adoption\/#:~:text=Asia%20dominates%20mineral%20processing,and%2042%25%20of%20copper%20processing\"> processamento<\/a> de minerais cr\u00edticos: cerca de 65% do l\u00edtio global, 70% do cobalto, 100% do grafite e 42% do cobre.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com a entrada da Argentina, o BRICS+ agora re\u00fane tr\u00eas dos cinco maiores produtores de l\u00edtio, mineral utilizado para produ\u00e7\u00e3o de baterias aplicadas em dispositivos eletr\u00f4nicos e ve\u00edculos el\u00e9tricos. O pa\u00eds sul-americano, cujo territ\u00f3rio integra a regi\u00e3o conhecida como \u201c<a href=\"https:\/\/www.wilsoncenter.org\/publication\/latin-americas-lithium-critical-minerals-and-global-energy-transition\">tri\u00e2ngulo do l\u00edtio<\/a>\u201d, possivelmente se tornar\u00e1 o segundo maior produtor global de l\u00edtio at\u00e9 2030, superando o Chile. O Brasil, embora n\u00e3o desfrute de reservas t\u00e3o vultosas, \u00e9 atualmente o<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/mme\/pt-br\/assuntos\/noticias\/brasil-exporta-a-primeira-remessa-de-litio-verde\"> quinto maior produtor<\/a> mundial de l\u00edtio e possui a s\u00e9tima maior reserva do mineral. Recentemente, o<a href=\"https:\/\/www.piie.com\/blogs\/realtime-economics\/indias-lithium-discovery-could-boost-green-energy-creates-problems-region\"> Servi\u00e7o Geol\u00f3gico da \u00cdndia<\/a> anunciou a descoberta de uma enorme quantidade de l\u00edtio na \u00e1rea montanhosa de Salal-Haimana, com estimativas que projetam a exist\u00eancia de 5,9 milh\u00f5es de toneladas de l\u00edtio, o que colocaria o pa\u00eds como o sexto maior detentor de recursos do mineral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.forbes.com\/sites\/arielcohen\/2023\/09\/13\/chinas-fake-victory-from-brics-energy-expansion-global-energy\/?sh=7da841b0543b\">Egito e Eti\u00f3pia<\/a>, por sua vez, cultivam imenso potencial de gera\u00e7\u00e3o de energia solar e possuem importantes dep\u00f3sitos de minerais cr\u00edticos e terras raras. O<a href=\"https:\/\/www.csis.org\/analysis\/six-new-brics-implications-energy-trade\"> Ir\u00e3<\/a>, que busca no BRICS uma alternativa ao isolamento internacional, tamb\u00e9m \u00e9 dotado de volumes significativos de minerais cr\u00edticos, incluindo a maior reserva de zinco do mundo e o segundo maior dep\u00f3sito de cobre, situado na mina de Sarcheshmeh.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O BRICS ampliado ter\u00e1 72% das reservas de terras raras, bem como 75% do mangan\u00eas, 50% do grafite, 28% do n\u00edquel e 10% do cobre, excluindo as reservas iranianas. Da mesma forma que a Parceria de Seguran\u00e7a Mineral (<a href=\"https:\/\/www.state.gov\/minerals-security-partnership\/\">Mineral Security Partnership<\/a> \u2013 MSP), iniciativa liderada pelos Estados Unidos, o BRICS+ provavelmente buscar\u00e1 elevar os investimentos p\u00fablicos e privados ao longo das cadeias de valor dos minerais cr\u00edticos entre pa\u00edses aliados, bem como refor\u00e7ar os mecanismos de coordena\u00e7\u00e3o e coopera\u00e7\u00e3o (Baskaran e Cahill, 2023).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste sentido, pa\u00edses como o Ir\u00e3 podem se beneficiar de investimentos dos pa\u00edses do BRICS para expandir seu potencial de produ\u00e7\u00e3o em minerais cr\u00edticos, o que j\u00e1 vem ocorrendo na<a href=\"https:\/\/www.observachina.org\/articles\/a-china-e-o-triangulo-do-litio\"> Argentina<\/a> por meio de investimentos chineses em projetos de l\u00edtio. Outros novos membros do BRICS, como a Ar\u00e1bia Saudita, tamb\u00e9m se mostram como potenciais investidores, conforme sugere o investimento de US$2,6 bilh\u00f5es do<a href=\"https:\/\/www.bloomberglinea.com.br\/negocios\/o-que-o-negocio-bilionario-entre-vale-e-sauditas-representa-para-os-dois-lados\/\"> fundo soberano saudita<\/a>, conhecido como PIF (<em>Public Investment Fund<\/em>), e da <em>Manara Minerals<\/em>, mineradora estatal do reino, alocado para compra de 10% da empresa criada pela<a href=\"https:\/\/www.vale.com\/w\/vale-announces-strategic-partnership-with-manara-minerals-and-engine-no-1-to-accelerate-growth-of-energy-transition-metals-business\"> Vale<\/a> para abrigar os seus ativos de n\u00edquel e cobre.Ao lado da Ar\u00e1bia Saudita, os Emirados \u00c1rabes Unidos tamb\u00e9m buscam diversificar seus investimentos para al\u00e9m do setor de petr\u00f3leo. A Acelen, controlada pelo bra\u00e7o de investimento Mubadala, anunciou recentemente investimentos de R$12 bilh\u00f5es em uma planta de<a href=\"https:\/\/epbr.com.br\/acelen-anuncia-projeto-de-r-12-bi-para-biorrefino-na-bahia\/\"> biorrefino<\/a> na Bahia, voltada para produ\u00e7\u00e3o de diesel verde e combust\u00edvel sustent\u00e1vel de avia\u00e7\u00e3o (SAF, em ingl\u00eas). O Novo Banco de Desenvolvimento (NDB, em ingl\u00eas), ou Banco do BRICS, ainda pode se beneficiar dos fundos bilion\u00e1rios de ambos os pa\u00edses \u00e1rabes, impulsionando a capacidade de financiamento do Banco em projetos de infraestrutura sustent\u00e1vel (Chiappini, 2023).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\" style=\"font-size:20px\"><strong>Considera\u00e7\u00f5es Finais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante do gradual processo de transi\u00e7\u00e3o para sistemas de energia menos intensivos em emiss\u00f5es, e que ainda guardar\u00e1 por um tempo a centralidade dos combust\u00edveis f\u00f3sseis, o novo BRICS, expandido e renovado, se situa numa posi\u00e7\u00e3o crescentemente estrat\u00e9gica. Ao mesmo tempo que passa a integrar uma parcela significativa da produ\u00e7\u00e3o e das exporta\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo e g\u00e1s, o BRICS+ re\u00fane parceiros centrais na produ\u00e7\u00e3o de energias renov\u00e1veis, minerais cr\u00edticos e tecnologias de baixo carbono. Embora permeado por discuss\u00f5es acerca das motiva\u00e7\u00f5es que suscitaram na escolha dos novos membros, a quest\u00e3o energ\u00e9tica aparece como fator explicativo fundamental por diversas raz\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O BRICS+ pode se tornar um espa\u00e7o privilegiado de concerta\u00e7\u00e3o e coopera\u00e7\u00e3o destes atores e incrementa a capacidade do grupo de oferecer solu\u00e7\u00f5es conjuntas para a instabilidade do mercado global de energia, decorrentes especialmente da guerra na Ucr\u00e2nia, e dos dilemas associados em torno do imperativo de descarboniza\u00e7\u00e3o dos sistemas de energia. H\u00e1 interesses comuns na cria\u00e7\u00e3o de mecanismos para comercializa\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo de forma alternativa ao sistema financeiro vigente, especialmente via transa\u00e7\u00f5es denominadas em moedas locais, com implica\u00e7\u00f5es de longo prazo que podem inclusive ultrapassar o setor de energia e refor\u00e7ar altera\u00e7\u00f5es sist\u00eamicas mais profundas. Em paralelo, o BRICS+ passa a controlar importantes reservas de minerais cr\u00edticos e terras raras, com potencialidades atreladas \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de arranjos de coopera\u00e7\u00e3o e investimento ao longo de uma mir\u00edade de ind\u00fastrias verdes, incluindo equipamentos de energia e\u00f3lica e solar, baterias, ve\u00edculos el\u00e9tricos, entre outros.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em um contexto internacional de recrudescimento de tens\u00f5es geopol\u00edticas e de agravamento das rivalidades regionais, iniciativas de coopera\u00e7\u00e3o entre os pa\u00edses do bloco poder\u00e3o garantir maior previsibilidade e complementaridade para o com\u00e9rcio energ\u00e9tico global e intra-BRICS, em particular. Ademais, contribuem para enfraquecer a posi\u00e7\u00e3o dominante do eixo euro-estadunidense no tocante a esse \u00e2mbito estrat\u00e9gico, ao passo que conferindo alternativas e reduzindo vulnerabilidades de pa\u00edses como R\u00fassia e Ir\u00e3, por exemplo. Por fim, o BRICS+ tende a exercer influ\u00eancia central na trajet\u00f3ria global de transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, cujos contornos para as pr\u00f3ximas d\u00e9cadas sugerem tanto a coexist\u00eancia entre fontes f\u00f3sseis e renov\u00e1veis quanto o fr\u00e1gil equil\u00edbrio entre os imperativos de competi\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica, seguran\u00e7a energ\u00e9tica e sustentabilidade ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\" style=\"font-size:20px\"><strong>Sobre os Autores<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile\"><figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"400\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/nebrics\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/perfil-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1969 size-full\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/nebrics-mais\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/perfil-1.jpg 400w, https:\/\/www.ufrgs.br\/nebrics-mais\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/perfil-1-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/nebrics-mais\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/perfil-1-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/figure><div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">*Mestre em Estudos Estrat\u00e9gicos Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PPGEEI-UFRGS), especialista em Estrat\u00e9gia e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais Contempor\u00e2neas (PPGEEI-UFRGS) e Bacharel em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais (ESPM) e Hist\u00f3ria (UFRGS). Pesquisador Assistente no Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea). Pesquisador na linha de Economia Pol\u00edtica Internacional, com \u00eanfase nos temas de transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e rela\u00e7\u00f5es China-Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile\"><figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1018\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/nebrics\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/WhatsApp-Image-2023-10-02-at-18.58.08-1024x1018.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1947 size-full\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/nebrics-mais\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/WhatsApp-Image-2023-10-02-at-18.58.08-1024x1018.jpeg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/nebrics-mais\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/WhatsApp-Image-2023-10-02-at-18.58.08-300x298.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/nebrics-mais\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/WhatsApp-Image-2023-10-02-at-18.58.08-150x150.jpeg 150w, https:\/\/www.ufrgs.br\/nebrics-mais\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/WhatsApp-Image-2023-10-02-at-18.58.08-768x764.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/nebrics-mais\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/WhatsApp-Image-2023-10-02-at-18.58.08.jpeg 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure><div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">**Doutorando em Estudos Estrat\u00e9gicos Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grade do Sul (UFRGS). Mestre em Estudos Estrat\u00e9gicos Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Bacharel em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS). Possu\u00ed Especializa\u00e7\u00e3o em Estrat\u00e9gia e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais Contempor\u00e2neas, pela UFRGS, e em Geopol\u00edtica e Defesa, pelo Centro de Estudos Internacionais sobre o Governo (CEGOV). Tem foco na \u00e1rea de Ci\u00eancia Pol\u00edtica, com \u00eanfase em Pol\u00edtica Internacional e Seguran\u00e7a Internacional.<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\" style=\"font-size:20px\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Baskaran, G.; Cahill, B. Six New BRICS: Implications for Energy Trade. <strong>Center for Strategic and International Studies<\/strong>, 25 aug. 2023. Dispon\u00edvel em:<a href=\"https:\/\/www.csis.org\/analysis\/six-new-brics-implications-energy-trade\"> https:\/\/www.csis.org\/analysis\/six-new-brics-implications-energy-trade<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cook, C. &amp; Sheppard, D. Russia dodges G7 price cap sanctions on most of its oil exports. Financial Times, 24 sept. 2023. Dispon\u00edvel em:<a href=\"https:\/\/www.ft.com\/content\/cad37c16-9cbd-473c-aa2f-102c21393d2e\"> https:\/\/www.ft.com\/content\/cad37c16-9cbd-473c-aa2f-102c21393d2e<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Chiappini, G. O Brics+ e a corrida pela transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica. <strong>Ag\u00eancia Epbr<\/strong>, 28 ago. 2023 Dispon\u00edvel em:<a href=\"https:\/\/epbr.com.br\/o-brics-e-a-corrida-pela-transicao-energetica\/\"> https:\/\/epbr.com.br\/o-brics-e-a-corrida-pela-transicao-energetica\/<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Donodov, B. et all. Russian oil tracker. <strong>Kyiv School of Economics<\/strong>, 17 aug. 2023. Dispon\u00edvel em:<a href=\"https:\/\/kse.ua\/about-the-school\/news\/july-issue-of-the-russian-oil-tracker\/\"> https:\/\/kse.ua\/about-the-school\/news\/july-issue-of-the-russian-oil-tracker\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Gamio, L. et all. How India Profits from Its Neutrality in the Ukraine War. <strong>The New York Times<\/strong>, 22 june, 2023. Dispon\u00edvel em:<a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/interactive\/2023\/06\/22\/business\/india-russia-oil.html\"> https:\/\/www.nytimes.com\/interactive\/2023\/06\/22\/business\/india-russia-oil.html<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hirtenstein, Anna. Saudi Arabia and Russia Win Big in Gamble on Oil Cuts. <strong>The Wall Street Journal<\/strong>, 28 sept., 2023. Dispon\u00edvel em:<a href=\"https:\/\/www.wsj.com\/business\/energy-oil\/saudi-arabia-and-russia-win-big-in-gamble-on-oil-cuts-9a1834c6\"> https:\/\/www.wsj.com\/business\/energy-oil\/saudi-arabia-and-russia-win-big-in-gamble-on-oil-cuts-9a1834c6<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">International Energy Agency \u2013 IEA. <strong>The Role of Critical Minerals in Clean Energy Transitions<\/strong>. Paris: IEA, 2022. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.iea.org\/reports\/the-role-of-critical-minerals-in-clean-energy-transitions\">https:\/\/www.iea.org\/reports\/the-role-of-critical-minerals-in-clean-energy-transitions<\/a>.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Rosenberg, E. &amp; Van Nostrand, E. The Price Cap on Russian Oil: A Progress Report. <strong>U.S. Department of the Treasury<\/strong>, 18 may, 2023. Dispon\u00edvel em:<a href=\"https:\/\/home.treasury.gov\/news\/featured-stories\/the-price-cap-on-russian-oil-a-progress-report#:~:text=In%20December%202022%2C%20the%20Coalition,in%20the%20spring%20of%202022\"> https:\/\/home.treasury.gov\/news\/featured-stories\/the-price-cap-on-russian-oil-a-progress-report#:~:text=In%20December%202022%2C%20the%20Coalition,in%20the%20spring%20of%202022<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Roth, Andrews. The \u2018dark fleet\u2019 of tankers shipping Russian oil in the shadows. <strong>The Guardian<\/strong>, 19 aug. 2023. Dispon\u00edvel em:<a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/business\/2023\/aug\/19\/the-dark-fleet-of-tankers-shipping-russian-oil-in-the-shadows\"> https:\/\/www.theguardian.com\/business\/2023\/aug\/19\/the-dark-fleet-of-tankers-shipping-russian-oil-in-the-shadows<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Said, S. &amp; Kalin, S. Saudi Arabia Considers Accepting Yuan Instead of Dollars for Chinese Oil Sales. <strong>The Wall Street Journal<\/strong>, 15 mar., 2022. Dispon\u00edvel em:<a href=\"https:\/\/www.wsj.com\/articles\/saudi-arabia-considers-accepting-yuan-instead-of-dollars-for-chinese-oil-sales-11647351541\"> https:\/\/www.wsj.com\/articles\/saudi-arabia-considers-accepting-yuan-instead-of-dollars-for-chinese-oil-sales-11647351541<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Silva, Eri. Argentina&#8217;s lithium incentives push industry prospects above neighbors. <strong>S&amp;P Global Market Intelligence<\/strong>, 26 jan, 2023. Dispon\u00edvel em:<a href=\"https:\/\/www.spglobal.com\/marketintelligence\/en\/news-insights\/latest-news-headlines\/argentina-s-lithium-incentives-push-industry-prospects-above-neighbors-73972022\"> https:\/\/www.spglobal.com\/marketintelligence\/en\/news-insights\/latest-news-headlines\/argentina-s-lithium-incentives-push-industry-prospects-above-neighbors-73972022<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Scholten, D. (org). <strong>The Geopolitics of Renewables<\/strong>. Cham: Springer International Publishing, 2018.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Renato Ungaretti* Maur\u00edcio Levien** Introdu\u00e7\u00e3o O ingresso de seis novos membros no BRICS, formalizado<\/p>\n","protected":false},"author":14,"featured_media":1967,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ub_ctt_via":"","footnotes":""},"categories":[2,12],"tags":[],"ppma_author":[103],"class_list":["post-1964","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-analise-nebrics","category-artigos-de-opiniao"],"featured_image_src":"https:\/\/www.ufrgs.br\/nebrics-mais\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/xi-jinping-cupula-dos-lideres-brics-china-brasil-russia-africa-do-sul-india-transicao-energetica-combustiveis-fosseis-energias-renovaveis-scaled-1.jpg","author_info":{"display_name":"NEBRICS","author_link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/nebrics-mais\/author\/nebrics\/"},"authors":[{"term_id":103,"user_id":14,"is_guest":0,"slug":"nebrics","display_name":"NEBRICS","avatar_url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/00c3d17ea2d53753dcd41fca28854bf18e792bb1619ff61fe946551b11292075?s=96&d=mm&r=g","first_name":"N\u00facleo de Estudos do Brics","last_name":"","user_url":"","job_title":"","description":""}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/nebrics-mais\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1964","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/nebrics-mais\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/nebrics-mais\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/nebrics-mais\/wp-json\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/nebrics-mais\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1964"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/nebrics-mais\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1964\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2462,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/nebrics-mais\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1964\/revisions\/2462"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/nebrics-mais\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1967"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/nebrics-mais\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1964"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/nebrics-mais\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1964"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/nebrics-mais\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1964"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/nebrics-mais\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=1964"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}