Defesas de tese e dissertações de pesquisadores do NECCSO

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Ao fim do primeiro semestre de 2019, os pesquisadores do NECCSO, Lázaro Evangelista, Rafael Nakatsui e Patricia Machado defenderam suas respectivas dissertações de mestrado e tese de doutorado, todos orientados pela Profª. Drª. Rosa Maria Hessel Silveira.

No dia 31 de julho, Patrícia Machado defendeu sua tese de doutorado intitulada “Conecto-me; logo, existo”: narrativa e prática de leitura de jovens leitores inseridos na Cultura Digital. A pesquisa tem o objetivo de analisar e discutir  práticas de leitura de jovens leitores dos anos finais do ensino fundamental inseridos na cultura digital, problematizando os modos como tem se ampliado a cena literária contemporânea, atentando para os significados de uma leitura articulada, ou não, a sons, imagens e movimentos, presentes nas vivências de conectividade. Sob inspiração dos Estudos Culturais em Educação, Patrícia articulou estudos sobre literatura, leitura juvenil, juventude, além de estudos sobre comunicação e informação a partir das tecnologias digitais, considerando as transformações culturais na contemporaneidade. Conceitos como identidade, representação, leitura e conexão foram centrais para a análise dos dados. A pesquisa foi realizada em duas escolas públicas do município de Porto Alegre – RS, focalizando especificamente alunos/as de 6º e 9º anos do Ensino Fundamental, com o total de 69 participantes. De caráter qualitativo, mas com aportes de dados quantitativos, Patrícia utilizou como metodologia para coleta de dados a aplicação de questionários, formação de grupos focais, produção de vídeos como youtubers e grupo de WhatsApp que permitiram diversas análises culturais. As análises incidiram sobre diferentes narrativas referentes às práticas de leitura em artefatos impresso e digital, práticas de acesso e compartilhamento de informações e impressões ligadas a literatura e a leitura, em especial associadas a outras manifestações culturais, como filmes, seriados televisivos, games, música, HQs. Os dados demonstraram a ocorrência de um tipo de leitura direcionada a textos ficcionais como best-sellers, trilogias, séries fantásticas, preferencialmente no suporte impresso. Além da utilização de suportes digitais móveis na prática de leitura fragmentada, instantânea e não linear, relativa a mensagens nas redes sociais, conectadas a filmes, games e todo um universo produzido pelas corporações culturais contemporâneas e propagado pela indústria cultural. Observou-se uma forte vinculação cotidiana desses jovens aos artefatos digitais móveis, através de acessos às redes sociais – propiciando relacionamentos, sociabilidade, busca de informações e práticas de lazer. Assim, a apropriação de conteúdos das redes digitais parece produtiva para a atribuição de significado à existência desses jovens, participando na formação dos seus gostos e interesses de leitura, bem como na sua constituição identitária. A banca avaliadora foi composta pelos professores Dr. Rildo José Cosson Mota (Pesquisador Associado CEALE), Drª. Luciene Juliano Simões (UFRGS), Dr. Edgar Roberto Kirchof (ULBRA) e Drª. Cristianne Maria Famer Rocha (UFRGS).

Patricia, ao centro, acompanhada de sua banca de avaliação da tese de doutorado.

Em 29 de julho, Rafael Nakatsui defendeu sua dissertação de mestrado intitulada Tensões entre a “zoeira” e o “politicamente correto”: entrelaçamentos de política e estética na cultura digital jovem. Na forma do ensaio, Rafael buscou investigar como um tipo específico de humor transgressivo – a “zoeira” – passou a compor a relação que os jovens estabelecem com a política, levando as disputas no campo da cultura – especialmente aquelas atribuídas ao “politicamente correto” – ao centro do debate público. Partindo da noção de riso como afetamento e anestesiamento do sensível, a pesquisa tem como objeto as subjetividades e sensibilidades produzidas no contexto ambivalente da internet. Em seu estudo, Rafael analisa as novas dinâmicas nos embates políticos nas redes sociais a fim de compreender como os tensionamentos entre diferentes percepções e sensibilidades, que disputam por limites divergentes para o risível, dizível e tolerável, passaram a permear a socialização política e a retórica na cultura digital jovem. Desta forma, o autor chama a atenção para os entrelaçamentos de estética e política presentes na produção cultural em memes e jogos, focando no papel do riso, do humor e do lúdico na construção do sujeito político no contexto das redes digitais. A banca avaliadora foi composta pelos professores Dr. Alfredo Veiga-Neto (PPGEDU – UFRGS), Drª. Inês Hennigen (PPGPSI – UFRGS) e Dr. André Azevedo da Fonseca (CECA – UEL).

Rafael Nakatsui acompanhado de sua banca de avaliação da dissertação.

No dia 22 de julho, Lázaro Evangelista defendeu sua dissertação de mestrado intitulada Religião de matriz africana/afro-brasileira: lócus de resistência, acolhimento e educação. No formato de pesquisa qualitativa, de inspirações etnográficas, o pesquisador, membro do NECCSO, buscou investigar de que modos o Povo de Santo, das religiões afro-brasileiras e de matriz africana, tem conseguido, através de suas cosmovisões e Pedagogias Culturais, manter suas identidades e garantias do direito de “ser e estar” na sociedade brasileira, com seus saberes e religiosidades. No estudo, Lázaro Evangelista articula conceitos de Pedagogias Culturais, fortalecimento identitário, Pedagogia de Acolhimento e estratégias de Resistências adotadas por adeptos das religiões afro-brasileiras, bem como evidencia processos que têm garantido suas sobrevivências físicas e epistemológicas numa sociedade onde se intensifica a intolerância religiosa. Adicionalmente, o estudo reabre o debate sobre temáticas já conhecidas, como: o racismo, a intolerância religiosa, o legado africano no Brasil e as Religiões Afro-brasileiras como loci mantenedores destes saberes e pedagogias que, porém, se atualizam na medida em que a sociedade se modifica. A banca avaliadora foi composta pelas professoras Drª. Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva (UFSCar), Drª. Lodenir Becker Karnopp (PPGEDU – UFRGS) e Drª. Bruna Rocha Silveira.

Defesa de dissertação de Lázaro Evangelista.

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