Entre 2020 e 2021 aconteceram as defesas de dissertação dos três últimos orientandos da Profª. Drª. Maria Lúcia Castagna Worttman no PPGEDU/UFRGS: Dimitrius Gonçalves Machado, Cláudia Schneider Marques e Vinícius Barbosa Cannavô.
No dia 13 de março de 2020, Dimitrius defendeu a dissertação intitulada A categorização do indisciplinado na Escola atual: uma análise a partir do transbordamento da literatura de autoajuda na Educação. A banca ocorreu ainda no formato presencial, um dia antes do encerramento das atividades na UFRGS em função da pandemia do coronavírus. A pesquisa de Dimitrius teve como objetivo analisar e compreender como vem acontecendo o transbordamento da literatura de autoajuda na educação e, a partir disso, como o estudante é categorizado como um indivíduo indisciplinado na escola. Com uma ênfase na descrição do percurso metodológico e um olhar atento às condições de possibilidade, problematizou-se as relações que produzem essa categorização junto a conceitos como regime de verdade, governamento, competências, racionalidade neoliberal e, sobretudo, as discussões de disciplina e seguridade. O pesquisador utilizou livros do autor e psiquiatra Augusto Cury, um dos autores mais vendidos nas últimas décadas, publicado em vários países e referência na temática de autoajuda, sendo inclusive recomendado em cursos da área da Educação. A análise pôde mostrar duas categorizações do indivíduo disciplinado na contemporaneidade: o indisciplinado patológico e o indisciplinado incompetente. O primeiro estaria atrelado aos modos de entender os indivíduos anormais a partir de patologias psíquicas e sociais; e o segundo com maior ênfase na incapacidade de competências que o façam participar do sistema e do empresariamento de si mesmo. A banca avaliadora foi composta pelo professor Dr. Alfredo José da Veiga-Neto (UFRGS) e professoras Drª Clarice Salete Traversini (UFRGS) e Drª Iara Tatiana Bonin (ULBRA).

Dimitrius (ao centro), com os professores Alfredo Veiga-Neto e Maria Lúcia Wortmann (à esq.) e Iara Bonin e Clarice Traversini (à dir.).
Já em 15 de dezembro de 2020, Cláudia Marques defendeu a dissertação intitulada Fala que eu te escuto: O Canal Mamilos de podcast ensinando sobre maternidade. Com o objetivo de analisar os modos de representação da maternidade na mídia, nos debates e comentários ao longo de seis episódios do podcast Mamilos, foi traçada uma produtiva discussão acerca da cultura de convergência nas mídias e do modo como qual aprendemos a ser quem somos por meio de artefatos midiáticos. Ao colocar como central o conceito de pedagogias culturais, a pesquisadora elabora dois eixos temáticos para a análise: maternidade e perfeição e maternidade e trabalho. No eixo maternidade e perfeição é construído o modo como as representações de maternidade idealizada estão atreladas à expectativas e temores antes e depois da gestação. No eixo maternidade e trabalho podemos melhor compreender como é produzida essa maternidade representada por meio de uma sobrecarga de trabalho atribuída às mulheres-mães, o que engloba trabalho doméstico, cuidados com a família e carreira profissional. A banca avaliadora foi composta pelas professoras Drª Cristianne Maria Famer Rocha (UFRGS) e Drª Fabiana Amorim Marcello (UFRGS) e professor Dr. Edgar Roberto Kirchof (ULBRA).

Cláudia (no alto à esq.) e sua orientadora, prof. Maria Lúcia Wortmann (ao centro, abaixo) com a banca avaliadora: professores Cristianne Famer, Edgar Kirchof, Fabiana Marcello.
Em 29 de janeiro de 2021, Vinícius Barbosa Cannavô defendeu sua dissertação de mestrado intitulada Pedagogias do Rap e a narrativa insurgente: uma análise a partir das composições musicais do rapper Djonga. O autor discorreu sobre o gênero rap como um artefato cultural produzido na contemporaneidade, que articula saberes legítimos, rompendo com a estigmatização das expressões das camadas populares. Sua pesquisa analisou o acionamento do conceito de pedagogia cultural a partir das representações que circulam nas músicas, que ensinam modos de ser e estar no mundo presente. Assim, se faz necessário pensar a educação para além dos muros da escola, pois há uma série de saberes que estão engendrados em espaços informais de educação e em artefatos culturais. O material empírico que constituiu o escopo analítico da pesquisa foram as composições musicais do rapper Djonga, nas quais foram selecionadas 13 delas, produzidas entre os anos de 2017 e 2020. A partir das análises e reverberações surgiu um eixo analítico intitulado “fogo nos racistas” e quatro direcionamentos argumentativos, que são eles: pertencimento e afirmação da identidade; afirmação da autoridade e da identidade; crítica radical das contradições de uma estrutura social (racista, machista etc.); destruição do sistema vigente e das verdades estabelecidas. Em relação à materialidade analisada, o rap se apresentou como um dispositivo pedagógico informal que incide nas mais variadas esferas da sociedade e em seus respectivos atores sociais, moldando, regulando e construindo sujeitos, neste caso, a partir da insurgência. Por fim, a dissertação concluiu que as movimentações insurgentes que operam nas letras do rapper Djonga se caracterizam como uma pedagogia no tempo presente, onde corpos se moldam e se movem em direção à transgressão e subversão da norma e do regime vigente a partir da música. A banca avaliadora foi composta pelas professoras Drª Rosa Maria Hessel Silveira (UFRGS), Dra. Cristianne Maria Famer Rocha (UFRGS) e a Dra. Viviane Castro Camozzato (UERGS).

Vinícius (à esq.) e sua orientadora, prof. Maria Lúcia Wortmann (ao centro) com a banca avaliadora: professoras Cristianne Famer, Rosa Maria Hessel Silveira e Viviane Camozzato.
O NECCSO parabeniza a profª Maria Lúcia Castagna Wortmann pelo relevante trabalho de formação de inúmeros pesquisadores, mestres e doutores no Programa de Pós- Graduação em Educação da UFRGS e agradece as suas profundas contribuições para o desenvolvimento do campo dos Estudos Culturais em Educação no Brasil.
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