NECCULT

EQUIPE NECCULT REALIZA ENTREVISTAS NO RIO DE JANEIRO

Na última semana, entre os dias 23 e 26 de maio, a equipe NECCULT esteve na cidade do Rio de Janeiro, para uma série de eventos e para a realização de entrevistas ligadas ao projeto “A Moeda do Intercâmbio Cultural: repensando modelos de desenvolvimento indígena”, realizado pela Queen Mary University of London e pelo NECCULT, junto ao Conselho de Pesquisa em Artes e Humanidades do Reino Unido. A pesquisa propõe novas formas de explorar, articular e estimular o intercâmbio cultural entre povos indígenas brasileiros contemporâneos e sociedades não-indígenas, considerando formas de desenvolvimento econômico e social mais equitativas.

A proposta foi elaborada graças à iniciativa da Associação Indígena Kuikuro do Alto Xingu (AIKAX) de criar um programa regular de residência para artistas e pesquisadores na aldeia de Ipatse, no Alto Xingu. Nesse sentido, uma rede de parceiros apoiará a Associação para medir impacto e demonstrar maneiras pelas quais a cultura indígena pode estimular o desenvolvimento econômico e o bem estar das comunidades de uma forma sustentável, preservando suas práticas e línguas. Ao realizar um experimento controlado de intercâmbio cultural, o projeto de pesquisa tem como objetivo construir novas conexões entre a cultura indígena e as indústrias culturais no Brasil, trazendo ainda conhecimento sobre os impactos econômicos e sociais da atividade cultural indígena.

Na terça-feira, a equipe participou do Seminário Xingu: Arte, Tecnologia, Preservação, realizado pelo Lab Criativo, no Museu do Amanhã. O evento trouxe a experiência do intercâmbio entre a organização People’s Palace Projects do Reino Unido e a Associação Indígena Kuikuro do Alto Xingu. Tratando sobre temas de tecnologia para recriar e preservar o patrimônio e a produção artística indígena brasileira, o evento levantou ainda questões sobre o papel da cultura das comunidades nos debates contemporâneos sobre desenvolvimento, tanto econômico quanto social, como resistência e sustentabilidade. Participaram da mesa Adam Lowe, da Factum Foundation, o cineasta Takumã Kuikuro e o artista visual e designer Gringo Cardia, com mediação do professor Paul Heritage, da Queen Mary University of London.

Na quarta-feira, foram realizadas três entrevistas como parte do projeto. Na primeira delas, com o cineasta Tukumã Kuikuro, foi destacada a produção artística das comunidades indígenas brasileiras, considerando a iniciativa do projeto, que ao estimular o intercâmbio cultural entre as comunidades indígenas e os não-indígenas busca construir uma rede que pensa o desenvolvimento de maneira mais sustentável. Takumã é membro da comunidade indígena Kuikuro, do Alto Xingu, e tem destaque internacional por filmes como As Hiper-Mulheres e Karioka.

Ainda na quarta-feira, a equipe NECCULT entrevistou Gringo Cardia, no contexto do projeto sobre intercâmbio cultural e desenvolvimento indígenas, tratando da pesquisa colaborativa iniciada, tendo a aldeia como local de treinamento e intercâmbio com artistas não indígenas. Gringo Cardia é artista visual, designer, cenógrafo, arquiteto, diretor artístico, diretor de vídeos, teatro, ópera e moda, atuando em diversas organizações como Afroreggae, Cufa e Spectaculu.

Durante a tarde, foi realizada a entrevista com Mércio Pereira Gomes, sobre os modelos de desenvolvimento indígena. Mércio é antropólogo, tendo atuado como administrador público no governo do Rio de Janeiro e na Fundação Nacional do Índio, onde foi presidente, entre 2003 e 2007, e como professor em diversas instituições de ensino superior. Atualmente, Mércio leciona na Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Ainda na quarta-feira, a equipe visitou a Spectaculu Escola de Arte e Tecnologia, que atua no Cais do Porto do Rio de Janeiro, oferecendo capacitação profissional para jovens de 17 a 21 anos, moradores de regiões de vulnerabilidade social. A instituição busca inserir os jovens no mundo dos espetáculos, com cursos que como Adereços de Cena, Beleza, Contrarregragem & Camarim, Costura e Figurino, Fotografia, Iluminação Cênica, Montagem de Cenários e Tratamento de Imagem, também estimulando o desenvolvimento da consciência crítica. A Spectaculu foi fundada em 1999 por Gringo Cardia e Marisa Orth, e conta com a colaboração de artistas como Vik Muniz e a consultora Malu Barretto.

Na quinta-feira, o NECCULT visitou as instalações da Redes da Maré, iniciativa que, desde 1997, desenvolve ações, pesquisas, reflexões e projetos nas temáticas de educação, arte e cultura, mobilização social, segurança pública, desenvolvimento local, comunicação, combate à violência e geração de trabalho e renda. O projeto foi formado por um grupo de moradores e ex-moradores das 16 favelas que formam a Maré, participantes de movimentos sociais e comunitários organizados para reivindicar direitos básicos. Nesse sentido, a estratégia fundamental da Redes da Maré é que os próprios moradores sejam estimulados a formular e implementar os projetos propostos, valorizando diferentes experiências de viver a cidade em uma troca constante de experiências.

Na quinta-feira, o NECCULT apresentou e debateu a importância do estudo da economia criativa no espaço do Lab Criativo, iniciativa curada por Batman Zavareze e Paul Heritage e produzida pelo Festival Multiplicidade e pelo People’s Palace Projects (Queen Mary University of London), em parceria com o Creative Works London. O projeto conta ainda com o suporte da Oi Futuro e da Redes da Maré, e a colaboração da Agência de Redes para Juventude, do Olabi, da Unirio, da UFRJ e da Casa Rio.

Na tarde de quinta-feira, a entrevista com Ilana Strozenberg teve como plano de fundo o projeto, considerando sua formação em Ciências Sociais com foco em Antropologia, Literatura e Comunicação. Atualmente, atua como professora na Escola de Comunicação da UFRJ e no Programa Avançado de Cultura Contemporânea da mesma universidade, pesquisando temas relativos às diferenças culturais no contexto urbano brasileiro contemporâneo.

Na sexta-feira, a equipe esteve na Agência de Redes para Juventude, para entrevista com o diretor teatral e documentarista Marcus Faustini, coordenador da iniciativa. A proposta, implementada em seis comunidades pacificadas do Rio de Janeiro por meio de estúdios de criação de arte e pensamento, destinados a jovens, tem como objetivo desenvolver projetos de intervenção no território. Aliada à Petrobras, a Redes para a Juventude agrega aprendizagem, potencial criativo, abrindo um espaço para que os jovens expressem sua realidade e aspirações, transformando-se em transmissores de cidadania e protagonistas.

Ainda pela manhã, ocorreu a entrevista com o geógrafo e educador Jailson de Souza e Silva, um dos fundadores do Observatório de Favelas, sediado na Maré no Rio de Janeiro. A organização promove pesquisa, consultoria e ação pública para a produção de conhecimento e de proposições políticas sobre as favelas e os fenômenos urbanos. Um dos focos da iniciativa é a ressignificação das favelas, considerando também políticas públicas voltadas à superação das desigualdades sociais. Criado em 2001, o Observatório tem atuação nacional na elaboração de conceitos, metodologias, projetos, programas e práticas para a formulação e avaliação de políticas públicas.