No dia 08 de novembro, ocorreu a quinta conferência do Diálogos em Economia Criativa, na Reitoria da UFRGS. “Economia Criativa, Empreendedorismo e Novas Tecnologias Sociais” foi o tema discutido por Marcos André Carvalho (diretor da Incubadora Rio Criativo), Paul Heritage (diretor artístico do People’s Palace Project e professor da Queen Mary University of London) e Leonardo Brant (sócio-fundador da Brant Associados e diretor-associado da produtora Deusdará Filmes).
No início, o coordenador do OBEC, professor Leandro Valiati, apresentou os convidados e deu início ao debate sobre modelos de desenvolvimento setorial em Economia Criativa e novas tecnologias sociais de produção.
Marcos André Carvalho trouxe a experiência da primeira incubadora voltada para empreendimentos de economia criativa no Brasil, a Rio Criativo. Em sua fala, destacou a necessidade de diversificação em uma economia dependente do petróleo, como a da cidade do Rio de Janeiro. Nesse sentido, vem se fazendo necessária a discussão sobre um modelo de economia criativa brasileira, que esteja adequada à nossa diversidade cultural. Carvalho destacou a tropicalização da economia criativa, entendendo a cultura como o “fermento do bolo” da economia e não a cereja. Na Rio Criativo, foram definidos 20 setores para a política de economia criativa das empresas incubadas, no intuito de fomentar um encontro plural e multidisciplinar. As ações da incubadora se dão, então, pela capacitação de empreendedores de no estado do Rio de Janeiro para participar de editais, formalizar seus negócios, consolidar empreendimentos e promover produtos e serviços culturais.
Paul Heritage apresentou a situação do Reino Unido na área de Indústrias Criativas, um dos únicos setores que cresceu durante a crise econômica. Também foi dado destaque ao People’s Palace Projects, iniciativa de intercâmbio de conhecimento entre Brasil e Reino Unido, concebida por Heritage desde 1991. O conferencista idealizou projetos nas prisões brasileiras e britânicas, como na Papuda, sobre direitos humanos e AIDS. Como produtor, levou companhias brasileiras para o Reino Unido, como o Grupo Galpão (com apresentação no Shakespeare’s Globe), AfroReggae e Nós do Morro. Sua experiência conta ainda com a produção de trabalhos em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro (no complexo da Maré e no Morro do Vidigal), na Bahia e no Mato Grosso (Xingu). Entendendo a cultura como um valor não fixo, Heritage enfatizou a busca por um amplo intercâmbio entre a cultura brasileira e a britânica.
Leonardo Brant expôs sobre a Empreendedores Criativos, plataforma de pesquisa e desenvolvimento de negócios da indústria criativa no Brasil, iniciada pela Brant Associados. A experiência de Brant como pesquisador cultural independente, fora da academia, em suas pesquisas, consultorias, estudos de viabilidade de investimentos e políticas de financiamentos para empresas, proporcionou um foco maior no mercado cultural. Dessa forma, buscou métodos específicos para pensar o desenvolvimento de empreendimentos voltados para a Economia Criativa e para a geração de negócios criativos. Sua metodologia tem o intuito de transformar realidades locais a partir de empreendimentos criativos. Também foi destaque em sua fala a relação do Estado com o financiamento cultural no Brasil e a necessidade de desmistificação do investimento público à cultura.
