{"id":262,"date":"2017-08-22T19:46:00","date_gmt":"2017-08-22T22:46:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/neccult\/?post_type=noticia&#038;p=262"},"modified":"2023-05-16T11:06:51","modified_gmt":"2023-05-16T14:06:51","slug":"como-se-da-o-apoio-publico-a-cultura-no-brasil","status":"publish","type":"noticia","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/neccult\/noticia\/como-se-da-o-apoio-publico-a-cultura-no-brasil\/","title":{"rendered":"COMO SE D\u00c1 O APOIO P\u00daBLICO \u00c0 CULTURA NO BRASIL?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde a d\u00e9cada de 1990, a partir das reformas de enxugamento do Estado, a Lei de Incentivo \u00e0 Cultura (LIC), mais conhecida como Lei Rouanet, tem sido predominante no fomento cultural p\u00fablico do pa\u00eds. Com a LIC, o Estado abdica da arrecada\u00e7\u00e3o de uma parcela do imposto de renda para que os contribuintes privados se engajem em mecenato, no financiamento direto aos agentes executores de atividades e bens culturais. Nessa modalidade, a capta\u00e7\u00e3o de recursos para o fomento \u00e0 cultura fica sob delibera\u00e7\u00e3o do mercado. O funcionamento dessa ren\u00fancia fiscal inicia-se com a sele\u00e7\u00e3o, por parte do Minist\u00e9rio da Cultura, da Comiss\u00e3o Nacional de Incentivo \u00e0 Cultura, composta por representantes da sociedade civil. A ela cabe a sele\u00e7\u00e3o de projetos em que identifiquem valor cultural, para que esses possam ir a p\u00fablico captar recursos pass\u00edveis de dedu\u00e7\u00e3o no imposto de renda. Quando o valor \u00e9 aprovado para o proponente e a sua carta de concess\u00e3o, emitida, a busca de incentivadores privados (especialmente no meio empresarial) pode ser iniciada. O valor investido pode ser abatido em at\u00e9 4% do imposto de renda de pessoas jur\u00eddicas e em 6% da tributa\u00e7\u00e3o de pessoas f\u00edsicas. Com esse mecanismo, a sociedade civil ganha protagonismo no processo, poupando custos administrativos e criando novos canais para a facilita\u00e7\u00e3o e amplia\u00e7\u00e3o do investimento privado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contudo, esse mesmo benef\u00edcio reside em uma l\u00f3gica de sociedade como mercado, abstendo-se da fun\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica p\u00fablica como espa\u00e7o de arb\u00edtrio social. Dessa forma, em \u00faltima an\u00e1lise, termina cabendo ao empresariado a decis\u00e3o final sobre as atividades culturais subsidiadas pelo Estado. Nesse sentido, mesmo embebida da l\u00f3gica do mercado, a Lei Rouanet tem se mostrado ineficaz na dinamiza\u00e7\u00e3o e pluraliza\u00e7\u00e3o da Economia da Cultura, com pouco mais de 50% dos projetos aprovados captando apenas 20% do valor total concedido. Ademais, a concentra\u00e7\u00e3o regional tamb\u00e9m deve ser enfatizada: no acumulado dos mais de vinte anos de Lei, 80% dos recursos foram captados por projetos na regi\u00e3o Sudeste, em especial, do eixo Rio-S\u00e3o Paulo, de forma desproporcional, mesmo considerando os padr\u00f5es demogr\u00e1ficos. O poder de veto do empresariado sobre os projetos culturais efetivamente pode estar no seio dessas distor\u00e7\u00f5es. Nem mesmo o fortalecimento e pluraliza\u00e7\u00e3o das atividades do MinC nas \u00faltimas d\u00e9cadas reduziu o protagonismo da Lei Rouanet no sistema nacional de fomento. Em 2015, o MinC investiu R$ 320 milh\u00f5es em projetos, enquanto abdicou de R$ 1,8 bilh\u00e3o por meio da Lei Rouanet.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse sentido, vale ressaltar que a efetiva\u00e7\u00e3o do fomento p\u00fablico cultural passa pelo poder adquirido pelos grandes incentivadores privados. Em 2015, as 10 empresas que mais financiaram pela Rouanet empregaram 20% do total subsidiado pelas mais de 3 mil incentivadoras, refletindo uma assimetria de que derivam perniciosas barganhas. Dessa forma, pode-se afirmar que as contradi\u00e7\u00f5es do sistema de fomento surgem do distanciamento das pol\u00edticas da diversidade e da pluralidade, que s\u00e3o inerentes \u00e0 cultura, subvertendo-as ao c\u00e1lculo publicit\u00e1rio de um n\u00famero reduzido de mecenas. Ainda assim, o subs\u00eddio \u00e0 cultura n\u00e3o est\u00e1 nem pr\u00f3ximo de isen\u00e7\u00f5es fiscais como para as igrejas, para o setor automotivo ou para as Olimp\u00edadas. Desta maneira, a aten\u00e7\u00e3o recebida pelo tema abre uma importante janela de oportunidade para a reflex\u00e3o sobre formas de aprimorar os recursos p\u00fablicos investidos na \u00e1rea no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No site do OBEC, tamb\u00e9m est\u00e3o dispon\u00edveis informa\u00e7\u00f5es sobre o nosso projeto de pesquisa, &#8220;<a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/obec\/#pagina-projetos+pesquisa\">Fomento \u00e0 Cultura Brasileira: Pol\u00edticas e Indicadores<\/a>&#8220;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com base na mat\u00e9ria \u201cFinanciamento em Debate\u201d, de autoria de Leandro Valiati e Lucas de Oliveira Paes, publicada no Jornal da UFRGS, em agosto de 2016.<\/p>\n","protected":false},"featured_media":254,"template":"","meta":{"_acf_changed":false,"inline_featured_image":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}}},"categories":[],"class_list":["post-262","noticia","type-noticia","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/neccult\/wp-json\/wp\/v2\/noticia\/262","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/neccult\/wp-json\/wp\/v2\/noticia"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/neccult\/wp-json\/wp\/v2\/types\/noticia"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/neccult\/wp-json\/wp\/v2\/media\/254"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/neccult\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=262"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/neccult\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=262"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}