{"id":947,"date":"2021-11-16T11:26:10","date_gmt":"2021-11-16T14:26:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/neparc\/?page_id=947"},"modified":"2023-06-13T14:39:15","modified_gmt":"2023-06-13T17:39:15","slug":"erer-ensino-das-relacoes-etnico-raciais-em-psicologia","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/neparc\/erer-ensino-das-relacoes-etnico-raciais-em-psicologia\/","title":{"rendered":"Psicologia Social II"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Sobre o Extraordin\u00e1rio do Futebol<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"168\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/neparc\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/futebol-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1862\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><strong>Jo\u00e3o Gabriel Sartor da Silveira<br><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Domingo, 05 de mar\u00e7o de 2023<br>Porto Alegre, 16h<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><br>Nesse dia de garoa fina e intermitente acontecia na quadra de cimento da Reden\u00e7\u00e3o um<br>jogo t\u00edpico e ao mesmo tempo singular de futebol, que eu joguei, vivi, suei e presenciei.<br>O jogo estava acirrado e contava com todos os tipos de pessoa, um menino com um<br>crucifixo no pesco\u00e7o (a m\u00e3e era crente e ficou cuidando dele de longe, sentada em um<br>banco), um grupo de tr\u00eas meninos, dois com camisas do Inter e um com a camisa do<br>Gr\u00eamio, que jogaram descal\u00e7os no concreto \u00e1spero, dois adolescentes amigos que se<br>xingavam por qualquer m\u00ednimo detalhe fora do esperado que acontecesse no jogo, um<br>outro menino menor, bem arrumado e muito r\u00e1pido e finalmente, a cereja do bolo, um<br>morador de rua que pediu licen\u00e7a pra jogar conosco.<br>Esse foi o fato que tornou um jogo de futebol t\u00edpico na Reden\u00e7\u00e3o em singular. O amigo<br>estava claramente b\u00eabado e com as roupas sujas e um pouco rasgadas, mas isso pouco<br>importava para mim, para o menino do crucifixo, para os colorados e para o gremista,<br>para os adolescentes ou para o menino bem arrumado. Ele jogou conosco, primeiro foi o<br>goleiro do time que eu jogava contra e depois de n\u00e3o se dar muito bem na posi\u00e7\u00e3o, foi<br>para a zaga, s\u00f3 que n\u00e3o estava muito \u00e1gil para fazer a marca\u00e7\u00e3o e depois ficou de piv\u00f4 e<br>pifava os jogadores para marcar os gols. Durante o jogo ele tentava driblar e quase caia,<br>trope\u00e7ava sozinho, se divertia, gritava e ria muito.<br>Nessa altura eu j\u00e1 estava cansado e fui para o gol para descansar e eu via como as crian\u00e7as<br>n\u00e3o faziam distin\u00e7\u00e3o nenhuma em rela\u00e7\u00e3o a ele ou a algum outro menino (mas ficavam<br>muito brabas se algu\u00e9m errasse um passe ou n\u00e3o tocasse pra elas) e como um adolescente<br>inclusive o abra\u00e7ou depois de um gol. N\u00e3o posso negar, tudo isso foi muito m\u00e1gico para<br>mim.<br>N\u00f3s vimos nosso amigo chegando t\u00edmido na quadra, comentando o jogo e dando risada<br>dos lances errados, at\u00e9 que ele consegue criar coragem e pede para jogar. E exatamente<br>esse momento \u00e9 o extraordin\u00e1rio, \u00e9 o momento de tor\u00e7\u00e3o, onde n\u00e3o \u00e9 mais ali, para mim<br>ou para os outros meninos que jogavam, um morador de rua, b\u00eabado e com as roupas<br>sujas, vemos mais um jogador, que corria e driblava (mesmo muito atrapalhado) e que<br>brincava a vida enquanto houvesse nela alguma oportunidade.<br>Sem d\u00favida alguma n\u00e3o preciso aqui me estender sobre a dureza da vida nas ruas, ou<br>como catar latinhas para sobreviver \u00e9 penoso, insalubre e injusto, nem mesmo preciso<br>falar do fantasma da fome que assola, ou da praga do alcoolismo que \u00e9 verdadeiramente<br>um escape voraz e mortal para a cruel realidade.<br>Nada disso se torna necess\u00e1rio para que qualquer um que leia esse relato entenda a<br>pot\u00eancia desse momento de divers\u00e3o, de risada, de jogo e de brincadeira, mas tamb\u00e9m a<br>pot\u00eancia do futebol como cultura nacional , como esporte que leva alegria, choro e<br>emo\u00e7\u00e3o para tanta gente, como imagina\u00e7\u00e3o de uma crian\u00e7a que sonha em ser jogadora e<br>dar uma vida mais digna para si, para seus pais e para sua comunidade e como brincadeira,<br>que permite afastar, por um tempinho que seja, as vicissitudes e a dureza da vida cotidiana<br>civilizada e, basicamente, neur\u00f3tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\" style=\"font-size:52px\"><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#fd5609\" class=\"has-inline-color\"> <\/mark> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sobre o Extraordin\u00e1rio do Futebol Jo\u00e3o Gabriel Sartor da Silveira Domingo, 05 de mar\u00e7o de 2023Porto Alegre, 16h Nesse dia 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