{"id":4659,"date":"2020-05-14T04:48:51","date_gmt":"2020-05-14T04:48:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/nerint\/?page_id=4659"},"modified":"2023-03-14T18:00:47","modified_gmt":"2023-03-14T18:00:47","slug":"pandemias","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/nerint\/pandemias\/","title":{"rendered":"Dossi\u00ea Especial"},"content":{"rendered":"\n<p><em>18 de maio de 2020<\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"505\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/nerint\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Yellow-Suits-1024x505.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4683\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/nerint\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Yellow-Suits-1024x505.jpeg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/nerint\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Yellow-Suits-300x148.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/nerint\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Yellow-Suits-768x379.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/nerint\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Yellow-Suits-1536x758.jpeg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/nerint\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Yellow-Suits-2048x1010.jpeg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h6 style=\"text-align: left;\"><em>Yellow Suits, por Damiola Odusote \u00a9 United Nations Ebola Exhibition, 2015.<\/em><\/h6>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\"><strong>Pandemias<\/strong> e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais: <br>contribui\u00e7\u00e3o para uma an\u00e1lise estrat\u00e9gica<\/h2>\n\n\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow\">\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow\">\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow\">\n<h5>&nbsp;<\/h5>\n<h4 style=\"text-align: right;\">Paulo Fagundes Visentini*<\/h4>\n<h5 style=\"text-align: left;\"><br>A origem da atual pandemia est\u00e1 envolta em teorias da conspira\u00e7\u00e3o, mas o que se sabe \u00e9 que ela atingiu em cheio o sistema mundial baseado na globaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, refor\u00e7ando os antagonismos nacionais e sociais. Analisar a situa\u00e7\u00e3o durante a imprevis\u00edvel evolu\u00e7\u00e3o da mesma \u00e9 arriscado, mas o custo de n\u00e3o tentar \u00e9 ainda maior, dada a confus\u00e3o e manipula\u00e7\u00e3o reinantes. Embora as dimens\u00f5es da propaga\u00e7\u00e3o do v\u00edrus sejam in\u00e9ditas, pois o mundo est\u00e1 muito mais urbanizado e conectado do que em pandemias anteriores, \u00e9 necess\u00e1rio proceder a uma an\u00e1lise comparativa.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: left;\">Nesse sentido, Pesquisadores P\u00f3s-Graduandos do N\u00facleo Brasileiro de Estrat\u00e9gia e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais (NERINT\/UFRGS) prepararam uma s\u00edntese das \u00faltimas cinco epidemias e pandemias que impactaram as rela\u00e7\u00f5es internacionais. O objetivo n\u00e3o \u00e9 discutir os aspectos m\u00e9dico-sanit\u00e1rios, mas os impactos pol\u00edticos, econ\u00f4micos e sociais internacionais de cada caso, como forma de trazer luz para o quadro absolutamente in\u00e9dito que vivemos, onde parece n\u00e3o haver mais certezas. Estrat\u00e9gias e narrativas dominantes simplesmente perderam sentido, deixando um v\u00e1cuo que \u00e9 preenchido por a\u00e7\u00f5es reativas de curto prazo. Mas ser\u00e1 que a <em>hard politics <\/em>est\u00e1 paralisada, ou a crise cria condi\u00e7\u00f5es para que determinados projetos sejam implementados sem oposi\u00e7\u00e3o?<br><br><\/h5>\n<\/div><\/div>\n<\/div><\/div>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><em>A crise j\u00e1 crescia antes da pandemia<\/em><\/h3>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: left;\"><br>O analista deve ter sempre em foco o contexto no qual o objeto ou processo estudado se encontra, particularmente a situa\u00e7\u00e3o precedente, para avaliar o prov\u00e1vel impacto. Desde 2009 ocorre uma rea\u00e7\u00e3o norte-americana e brit\u00e2nica como resposta \u00e0 crise do capitalismo globalista, primeiro com Obama e, depois, com Trump. Ela consistiu em mais neoliberalismo para dentro e novas formas de conflitos para fora. Donald Trump n\u00e3o inventou a agenda, apenas assumiu-a sem a ret\u00f3rica politicamente correta dos Democratas, que tamb\u00e9m defendem <em>America First. <\/em>H\u00e1 quase dois anos o crescimento econ\u00f4mico mundial vinha desacelerando, fen\u00f4meno que se acentuou na passagem do ano, amea\u00e7ando a recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da administra\u00e7\u00e3o Trump, em plena disputa eleitoral pela reelei\u00e7\u00e3o.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: left;\">No contexto pr\u00e9-pandemia houve o <em>Brexit, <\/em>a tentativa de Revolu\u00e7\u00e3o Colorida em Hong Kong e a taxa\u00e7\u00e3o de produtos chineses (al\u00e9m de press\u00f5es contra a tecnologia 5G) e franco-alem\u00e3es pelos EUA. Tamb\u00e9m ocorriam protestos massivos na Col\u00f4mbia, Equador, Chile, L\u00edbano e Iraque, que podem ser contidos ou explodir de forma ainda mais intensa ap\u00f3s o fim da quarentena. Ocorreram, ainda, embargos contra Ir\u00e3 e Venezuela, press\u00e3o armamentista e petrol\u00edfera contra a R\u00fassia (com o colapso dos pre\u00e7os antes da pandemia) e o esvaziamento do sistema multilateral pol\u00edtico e econ\u00f4mico. Os alegados ganhos norte-americanos, al\u00e9m de enfraquecerem as bases internacionais em que a pr\u00f3pria lideran\u00e7a de Washington se apoia, se esvaziaram com a recess\u00e3o econ\u00f4mica causada pelo r\u00e1pido avan\u00e7o da pandemia nos Estados Unidos.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: left;\">Durante a d\u00e9cada anterior as sociedades se fragmentaram pol\u00edtica e socialmente e se desorientaram ideologicamente nas redes tecnol\u00f3gicas chamadas \u201csociais\u201d. O r\u00e1pido avan\u00e7o do trabalho por aplicativo e a subcontrata\u00e7\u00e3o de aut\u00f4nomos (\u201cempreendedores\u201d) fragmentaram o mundo do trabalho a tal ponto que o volume da ajuda financeira necess\u00e1ria aos precarizados surpreendeu os pr\u00f3prios governos. O contato virtual entre as pessoas, atrav\u00e9s de redes controladas e indutoras, diluiu qualquer forma de atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica coletiva. Tudo se tornou virtual e a contesta\u00e7\u00e3o se tornou eletr\u00f4nica e in\u00f3cua, confundindo fantasia e realidade. O <em>1984<\/em> de Orwell se fundiu com o <em>Admir\u00e1vel Mundo Novo<\/em> de Huxley em um cen\u00e1rio assustador.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: left;\">Em artigo recente, Noam Chomsky denunciou o que acredita ser a forma\u00e7\u00e3o de uma Internacional Reacion\u00e1ria, que teria como resposta a emerg\u00eancia de uma Internacional Progressista [<a href=\"https:\/\/www.democracynow.org\/2020\/4\/10\/noam_chomsky_trump_us_coronavirus_response\">1<\/a>]. Essa seria baseada em personalidades progressistas, como Bernie Sanders, Estados que ajudam materialmente (China) ou com m\u00e9dicos (Cuba) e a sociedade civil, impulsionada por iniciativas solid\u00e1rias (que s\u00e3o exce\u00e7\u00f5es). Tudo em oposi\u00e7\u00e3o a l\u00edderes como Trump e o indiano Modi, entre outros. O problema \u00e9 que as pessoas acreditam que basta postar mensagens de ades\u00e3o e apoio a uma iniciativa nobre para que ela se torne realidade.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: left;\">Chomsky \u00e9 conhecido por sua vis\u00e3o cr\u00edtica e \u00e9tica, mas tamb\u00e9m por crer na efic\u00e1cia de uma esp\u00e9cie de vontade moral, um <em>pensamento m\u00e1gico<\/em> sem an\u00e1lise mais acurada da realidade e suas contradi\u00e7\u00f5es. Hoje, como durante a Grande Depress\u00e3o dos anos 1930, muita gente pensa que a crise ter\u00e1 uma resposta progressista como rea\u00e7\u00e3o l\u00f3gica \u00e0 gravidade e \u00e0 brutalidade da situa\u00e7\u00e3o que vivemos. Todavia, o que est\u00e1 ruim pode ainda piorar. Naquela \u00e9poca, o desemprego massivo e a mobiliza\u00e7\u00e3o resultante tiveram como resposta o fascismo, o nacionalismo genocida e a guerra mundial.<br><br><\/h5>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><em>O impacto social e o mundo do trabalho<\/em><\/h3>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: left;\"><br>O que assusta \u00e9 o impacto que o meteoro Covid-19 teve sobre a sociedade e a manipula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da pandemia por autoridades, do n\u00edvel internacional e nacional ao municipal. A classe m\u00e9dia (segmento \u201cesclarecido\u201d) entrou em p\u00e2nico irracional, recolhida em quarentena total e ignorando amplos setores da sociedade com empregos informais, largados \u00e0 pr\u00f3pria sorte. Um verdadeiro \u201csalve-se quem puder\u201d. O encerramento da popula\u00e7\u00e3o, em pa\u00edses pobres, sem qualquer pol\u00edtica p\u00fablica, atingiu um n\u00edvel patol\u00f3gico na \u00cdndia. Modi avisou 1,4 bilh\u00f5es de pessoas que em quatro horas haveria recolhimento total, criando p\u00e2nico e viol\u00eancia contra uma popula\u00e7\u00e3o desorientada. Charlat\u00f5es postam \u201can\u00e1lises\u201d recicladas, espalhando boatos. Parlamentares em reuni\u00f5es por videoconfer\u00eancia, \u00e0s vezes \u00e0 noite, aprovam reformas que ter\u00e3o impacto social negativo duradouro. Sindicatos esvaziados s\u00e3o obrigados a aceitar formas de flexibilizar ainda mais o trabalho para evitar desemprego total, enquanto algumas grandes empresas s\u00e3o socorridas.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: left;\">Na confus\u00e3o reinante, at\u00e9 mesmo pessoas s\u00e9rias defendem o <em>Home Office <\/em>antissocial e anti-trabalhista, em que o empregado paga os custos e as pessoas perdem a dimens\u00e3o coletiva do trabalho. E as lutas pol\u00edticas seguem seu curso e at\u00e9 aceleram, com a popula\u00e7\u00e3o desmobilizada em casa, em um cen\u00e1rio surrealista. A desinforma\u00e7\u00e3o \u00e9 tal que, ap\u00f3s ler tr\u00eas mat\u00e9rias sobre a Gripe Espanhola, tive que recorrer a um livro antigo impresso, porque uma mencionava 8 milh\u00f5es de mortos e outra 100 milh\u00f5es! Foi a pandemia que mais se assemelhou \u00e0 atual em propaga\u00e7\u00e3o e dimens\u00e3o geogr\u00e1fica. O v\u00edrus A\/H1N1 surgiu em 1918 em um campo de treinamento militar no meio-oeste americano e chegou \u00e0 Europa com os soldados e, em sucessivas ondas, varreu o mundo at\u00e9 1920, atingindo a \u00c1frica, a \u00cdndia e a China. A alta taxa de letalidade se deveu ao extremo debilitamento da popula\u00e7\u00e3o causado pela Primeira Guerra Mundial, que n\u00e3o foi interrompida. As informa\u00e7\u00f5es eram censuradas na imprensa das na\u00e7\u00f5es beligerantes, tendo morrido mais soldados norte-americanos pela pandemia do que em combate. O enfrentamento da doen\u00e7a teve medidas muito semelhantes \u00e0s atuais, mas o v\u00edrus refluiu e s\u00f3 foi identificado no in\u00edcio dos anos 1930.<br><br><\/h5>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><em>Modelos nacionais postos \u00e0 prova<\/em><\/h3>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: left;\"><br>A pandemia evidenciou a exist\u00eancia de dois grupos de Estados: um est\u00e1 sendo eficiente no manejo da crise (Coreia do Sul, China, Alemanha) e outro ineficiente (o caso norte-americano \u00e9 paradigm\u00e1tico, para n\u00e3o falar dos perif\u00e9ricos). Simplesmente h\u00e1 governo e estrutura de <em>sa\u00fade p\u00fablica<\/em> nos primeiros, enquanto o modelo de <em>sa\u00fade<\/em> <em>privada <\/em>produziu uma trag\u00e9dia desnecess\u00e1ria nos Estados Unidos, onde a maioria n\u00e3o pode pagar. No Brasil o debilitado SUS se mostrou mais abrangente do que a medicina privada, que atende a um n\u00famero limitado de pacientes. E muitos deles v\u00e3o ser obrigados a deixar os planos de sa\u00fade privada por redu\u00e7\u00e3o de renda ou desemprego. Na Europa tamb\u00e9m \u00e9 vis\u00edvel a diferen\u00e7a entre o modelo (ainda majoritariamente) p\u00fablico em pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia em contraposi\u00e7\u00e3o ao ingl\u00eas, sucateado e cada vez mais privado.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: left;\">Em lugar de nos fixarmos nos n\u00fameros absolutos, dever\u00edamos considerar a proporcionalidade <em>per capita <\/em>e as condi\u00e7\u00f5es sociais das v\u00edtimas. Da\u00ed surgiria um mapa muito diferente. Mas o interessante \u00e9 que a diferen\u00e7a entre <em>Estado e mercado<\/em> \u00e9 ocultada por acusa\u00e7\u00f5es sobre a responsabilidade pelo surgimento ou dissemina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus. A press\u00e3o psicol\u00f3gica induzida e o dom\u00ednio das redes talvez obscure\u00e7am um ju\u00edzo mais embasado sobre a necessidade da manuten\u00e7\u00e3o de redes p\u00fablicas de sa\u00fade e de governos que, efetivamente, tenham meios de implementar pol\u00edticas p\u00fablicas, por oposi\u00e7\u00e3o ao Estado m\u00ednimo ou fragmentado em rivalidades pol\u00edticas. Em um quadro de crescente xenofobia, a China e o imigrante s\u00e3o apontados como inimigos \u2013 e j\u00e1 n\u00e3o se fala mais em refugiados.<br><br><\/h5>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><em>Perspectivas<\/em><\/h3>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: left;\"><br>O quase desaparecimento das viagens de trabalho e de turismo, que eram massivas, a redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica do com\u00e9rcio, a paralisia da produ\u00e7\u00e3o e a queda do consumo tornam incerto o cen\u00e1rio econ\u00f4mico futuro da globaliza\u00e7\u00e3o. Muitos analistas acreditam que a pandemia abriu espa\u00e7o para pol\u00edticas keynesianas econ\u00f4mica e socialmente progressistas. Todavia, isso depende da dimens\u00e3o pol\u00edtica, que \u00e9 quase ignorada. Durante a Grande Depress\u00e3o os Estados Unidos e a Alemanha adotaram pol\u00edticas de tipo keynesiano, mas com meios e objetivos diametralmente opostos.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: left;\">A ajuda emergencial aos desempregados \u00e9 sustent\u00e1vel por um per\u00edodo prolongado e compar\u00e1vel ao socorro \u00e0s grandes corpora\u00e7\u00f5es privadas em vias de fal\u00eancia? A estatiza\u00e7\u00e3o de companhias a\u00e9reas pode ser uma forma de cobrir preju\u00edzos privados com recursos p\u00fablicos, para depois reprivatizarem. Afinal, a maioria dos governos segue pol\u00edticas liberais e n\u00e3o visam utilizar o Estado como base de um modelo de desenvolvimento, e sim como ferramenta de gest\u00e3o da crise, com a exce\u00e7\u00e3o da China e outros poucos pa\u00edses. A pr\u00f3pria sociedade, em grande medida, absorveu uma vis\u00e3o individualista, consumista e neoliberal. Mas que rumo tomar\u00e1 sua frustra\u00e7\u00e3o futura, quando se der conta de que o mundo n\u00e3o voltar\u00e1 a ser o mesmo ap\u00f3s a pandemia?<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: left;\">Por outro lado, a crise econ\u00f4mica est\u00e1 implicando em uma gigantesca transfer\u00eancia de patrim\u00f4nio social e nacional. H\u00e1 segmentos que sair\u00e3o da crise enriquecidos e outros arruinados, pois o impacto da crise \u00e9 desigual. Muitos pa\u00edses estar\u00e3o \u00e0 beira do colapso e outros em melhor posi\u00e7\u00e3o de impor suas agendas, mesmo que relativamente enfraquecidos. A alta do d\u00f3lar no Brasil e em v\u00e1rios pa\u00edses em boa medida est\u00e1 relacionada \u00e0 sa\u00edda de capitais e investimentos externos, que est\u00e3o sendo repatriados. O desemprego massivo e as novas regras trabalhistas, supostamente emergenciais para \u201csalvar empregos\u201d, podem conduzir o modelo neoliberal a uma esp\u00e9cie de apoteose, em que uma sociedade amedrontada aceitar\u00e1 a situa\u00e7\u00e3o sem reclamar, pois a \u00fanica crise identificada \u00e9 a sanit\u00e1ria.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: left;\">Imagens de ruas desertas de pessoas, mas, \u00e0s vezes, com animais silvestres passeando curiosos, levantam uma contradi\u00e7\u00e3o que, ao mesmo tempo, assusta e encanta. A crise gerada pela pandemia demonstra que o modelo social vigente est\u00e1 esgotado e n\u00e3o possui capacidade de mudar (mas pode seguir por in\u00e9rcia). Todavia, a sociedade est\u00e1 confusa e amedrontada, o que \u00e9 politicamente perigoso. N\u00e3o h\u00e1 uma internacional dos conservadores, porque eles est\u00e3o divididos e tem interesses materiais conflitantes. Por outro lado, em 150 anos os \u201cprogressistas\u201d nunca estiveram t\u00e3o fragmentados e confusos. Esse \u00e9 o impasse que est\u00e1 elevando a tens\u00e3o do mundo, sendo o v\u00edrus apenas um elemento catalizador.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: left;\">H\u00e1 espa\u00e7o para governos, por raz\u00f5es de sobreviv\u00eancia, alterarem o rumo de sua estrat\u00e9gia de desenvolvimento, bem como certa margem de manobra, pois a quest\u00e3o nacional est\u00e1 retornando com for\u00e7a, mas pode tomar diferentes dire\u00e7\u00f5es. A mega-urbaniza\u00e7\u00e3o demonstrou ser contraproducente e a utiliza\u00e7\u00e3o hedonista e irrespons\u00e1vel da natureza, como forma de obter lucro f\u00e1cil, se encontra sob cr\u00edtica redobrada. O espa\u00e7o para uma pol\u00edtica de est\u00edmulo a obras p\u00fablicas est\u00e1 aberto, mas, como em 1929, importantes interesses financeiros se op\u00f5em.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: left;\">Por fim, a crise pode gerar situa\u00e7\u00f5es de tens\u00e3o internacional provocadas por necessidades pol\u00edticas internas e, como nos anos 1930, desembocar em conflitos armados. A \u00cdndia, por exemplo, com seu crescimento demogr\u00e1fico pr\u00e9-moderno acelerado e governo err\u00e1tico, parece ser um elemento de instabilidade, com o agravante de ser uma pot\u00eancia nuclear. Outros n\u00e3o tem a mesma capacidade e posi\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica. \u00c9 bem prov\u00e1vel que a China n\u00e3o aceite um rebaixamento na hierarquia do poder mundial, e que um d\u00f3lar valorizado propicie aos EUA capacidade financeira de investimento externo sem uma base material compat\u00edvel. O capital seria utilizado para adquirir patrim\u00f4nio j\u00e1 existente, n\u00e3o gerando nova atividade produtiva como os investimentos asi\u00e1ticos em infraestrutura e gera\u00e7\u00e3o de energia, produzindo perigosas disputas na periferia. S\u00e3o quest\u00f5es para reflex\u00e3o, em um momento em que o mundo parece carecer de lideran\u00e7as qualificadas, de reflex\u00e3o pol\u00edtica e de estrat\u00e9gias (re)construtivas.<\/h5>\n<h3 style=\"text-align: center;\">***<\/h3>\n\n\n\n<h5 style=\"text-align: left;\">Confira abaixo um dossi\u00ea especial elaborado por <a href=\"http:\/\/ufrgs.br\/nerint\/equipe\"><strong>Pesquisadores de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o do NERINT\/UFRGS<\/strong><\/a>, Mestrandos e Doutorandos dos Programas de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancia Pol\u00edtica e Estudos Estrat\u00e9gicos Internacionais, sobre cada uma das \u00faltimas cinco epidemias e pandemias que impactaram as rela\u00e7\u00f5es internacionais. Com a colabora\u00e7\u00e3o de <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/0781128786057662\"><strong>Guilherme Thudium<\/strong><\/a>, <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/5869488184055007\"><strong>Luana Margarete Geiger<\/strong><\/a>, <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/5081194319205796\"><strong>Marina Felisberti<\/strong><\/a>, <strong><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/3729585715394228\">Gabriela Ruchel<\/a><\/strong> e <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/5393574895994789\"><strong>Eduardo Secchi<\/strong><\/a>.<br \/><br \/><\/h5>\n<span class=\"collapseomatic \" id=\"id6ae7df0b89ec5\"  tabindex=\"0\" title=\"&lt;strong&gt;HIV&lt;\/strong&gt;\"    ><strong>HIV<\/strong><\/span><div id=\"target-id6ae7df0b89ec5\" class=\"collapseomatic_content \"><br \/><\/p>\n<h5>A S\u00edndrome da Imunodefici\u00eancia adquirida, popularmente conhecida como AIDS, \u00e9 provocada pelo v\u00edrus HIV. A principal forma de cont\u00e1gio \u00e9 por contato sexual sem preven\u00e7\u00e3o e por contato sangu\u00edneo [<a href=\"http:\/\/www.aids.gov.br\/pt-br\/publico-geral\/o-que-e-hiv\">2<\/a>]. A explica\u00e7\u00e3o mais difundida sobre a contamina\u00e7\u00e3o de humanos vem a partir de uma cepa oriunda dos chimpanz\u00e9s e gorilas do vale do rio Congo e de Camar\u00f5es, no Centro\/Leste da \u00c1frica. O contato ocorreu ap\u00f3s a contamina\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea, provavelmente por contato com lacera\u00e7\u00f5es ocorridas na ca\u00e7a e no processamento da carne destes animais. A alta exposi\u00e7\u00e3o teria gerado contamina\u00e7\u00e3o e muta\u00e7\u00e3o do v\u00edrus que passou a infectar e se transmitir a partir de humanos [<a href=\"https:\/\/www.npr.org\/2012\/02\/27\/147491878\/tinderbox-how-the-west-fueled-the-aids-epidemic\">3<\/a>].<\/h5>\n<h5>A estrutura colonial e explorat\u00f3ria implementada pelas pot\u00eancias imperialistas europeias no continente foi fator decisivo para a propaga\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a. O regime colonial expulsou milh\u00f5es de suas lavouras tradicionais para a implementa\u00e7\u00e3o de modelos de explora\u00e7\u00e3o capitalista da agricultura no continente. Estes indiv\u00edduos, espoliados das suas terras, migraram para as cidades e para as florestas nativas. A inseguran\u00e7a alimentar foi crescente e os deslocados internos passaram a se alimentar de animais selvagens, incluindo os s\u00edmios que carregavam o v\u00edrus [<a href=\"https:\/\/www.npr.org\/2012\/02\/27\/147491878\/tinderbox-how-the-west-fueled-the-aids-epidemic\">3<\/a>].<\/h5>\n<h5>O consumo de carne selvagem \u00e9 um dos fatores determinantes do cont\u00e1gio interesp\u00e9cies de diversas doen\u00e7as ao longo da hist\u00f3ria. Caso do HIV, do SARS (2002-2003), do MERS (2012) e do COVID-19 (2020). Ademais, a baixa fiscaliza\u00e7\u00e3o deste tipo de com\u00e9rcio, muito comum em \u00e1reas pobres e com seguran\u00e7a alimentar prec\u00e1ria, facilita muta\u00e7\u00f5es e a dissemina\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as. A explora\u00e7\u00e3o colonial, ainda, gerou aparatos estatais d\u00e9beis e muito fragilizados no continente africano e em outras partes do globo. N\u00edveis de renda baixos, servi\u00e7os p\u00fablicos inexistentes, falta de m\u00e3o-de-obra qualificada e de infraestrutura, dentre outros, marcaram todos os pa\u00edses do continente, alguns at\u00e9 a atualidade. A estrutura atual de Divis\u00e3o Internacional do Trabalho, tida por muitos como um modelo neocolonial, agrava ainda mais este cen\u00e1rio. A pobreza \u00e9 um fator determinante e estruturante da dissemina\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as e pandemias globalmente [<a href=\"https:\/\/www.npr.org\/2012\/02\/27\/147491878\/tinderbox-how-the-west-fueled-the-aids-epidemic\">3<\/a>].<\/h5>\n<h5>A contamina\u00e7\u00e3o iniciada em regi\u00f5es afastadas e rurais foi crescendo lentamente ao longo do s\u00e9culo XX. A crescente urbaniza\u00e7\u00e3o do continente, no entanto, potencializou o cont\u00e1gio. A concentra\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica aumentou o contato entre as pessoas, levando a uma contamina\u00e7\u00e3o exponencial.\u00a0 O processo de descoloniza\u00e7\u00e3o constituiu fronteiras n\u00e3o compat\u00edveis com as estruturas econ\u00f4micas e sociais. A migra\u00e7\u00e3o sazonal e laboral no continente, que outrora era feita dentro das fronteiras imperiais, passou a ser feita entre os pa\u00edses. Centenas de milhares de indiv\u00edduos cruzavam as fronteiras anualmente em busca de trabalho, fugindo de conflitos, ou em busca de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida [<a href=\"https:\/\/www.npr.org\/2012\/02\/27\/147491878\/tinderbox-how-the-west-fueled-the-aids-epidemic\">3<\/a>].<\/h5>\n<h5>As crescentes crises no Congo e o crescimento econ\u00f4mico da \u00c1frica Austral geraram fortes processos de migra\u00e7\u00e3o para esta regi\u00e3o. N\u00e3o \u00e0 toa \u00e9 a regi\u00e3o com as taxas mais altas de contamina\u00e7\u00e3o no globo. Fen\u00f4meno inverso \u00e9 visto no norte da \u00c1frica que, isolado pelo deserto do Saara em rela\u00e7\u00e3o ao resto do continente, possui as menores taxas m\u00e9dias de contamina\u00e7\u00e3o. O modelo colonial foi ent\u00e3o que favoreceu o cont\u00e1gio interesp\u00e9cies e a dissemina\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a no continente e, posteriormente, no mundo [<a href=\"https:\/\/www.npr.org\/2012\/02\/27\/147491878\/tinderbox-how-the-west-fueled-the-aids-epidemic\">3<\/a>].<\/h5>\n<h5>O v\u00edrus chegou ao Hemisf\u00e9rio Ocidental pelo Haiti, provavelmente por trabalhadores que foram para a Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, na d\u00e9cada de 60. O v\u00edrus chegou \u00e0 Nova York no in\u00edcio dos anos 70 e logo se espalhou pelo pa\u00eds, atingindo a costa Oeste ainda na metade da d\u00e9cada. A prostitui\u00e7\u00e3o de pessoas de baixa renda, pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua e a contamina\u00e7\u00e3o de seringas para o consumo de drogas potencializaram a dissemina\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a. A d\u00e9cada de 70 foi marcada pela epidemia do consumo de drogas injet\u00e1veis, em especial a hero\u00edna, e iniciou a explos\u00e3o de pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua, agravada na d\u00e9cada seguinte com os cortes de benef\u00edcios sociais nos governos republicanos [<a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1073\/pnas.0705329104\">4<\/a>].<\/h5>\n<h5>A doen\u00e7a passou a ser noticiada ap\u00f3s casos de homens homossexuais com problemas respirat\u00f3rios passarem a ser notificados em conjunto. Da\u00ed surgiu o preconceito da doen\u00e7a como end\u00eamica \u00e0 este grupo, muito embora a maioria dos casos tenham sido, e ainda sejam, em pessoas heterossexuais [<a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1073\/pnas.0705329104\">4<\/a>]. O in\u00edcio da pandemia, que dura at\u00e9 os dias de hoje, \u00e9 datado retroativamente a 1981, primeiro caso identificado nos Estados Unidos.\u00a0 Em 1985 foi realizada a 1a Confer\u00eancia Internacional sobre HIV\/AIDS, em Atlanta, Estados Unidos, e em 1988 foi criado o Dia Internacional da AIDS, para dar visibilidade ao problema [<a href=\"https:\/\/www.cdc.gov\/mmwr\/preview\/mmwrhtml\/mm5021a2.htm\">5<\/a>].<\/h5>\n<h5>Estima-se que a doen\u00e7a tenha matado cerca de 32 milh\u00f5es de pessoas desde a d\u00e9cada de 80. Em 2018 morreram cerca de 770 mil pessoas ao redor do globo da doen\u00e7a e foram infectadas mais de 1,7 milh\u00f5es de pessoas. A resili\u00eancia no combate se deve aos parcos recursos implementados nos locais de maior foco, como a \u00c1frica Subsaariana e a \u00cdndia [<a href=\"https:\/\/www.who.int\/news-room\/fact-sheets\/detail\/hiv-aids\">6<\/a>]. A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade possui um programa espec\u00edfico dedicado \u00e0 erradica\u00e7\u00e3o da AIDS que conta com a participa\u00e7\u00e3o de todos os pa\u00edses da organiza\u00e7\u00e3o. Diversas iniciativas foram tomadas ao longo dos anos para combater a pandemia [<a href=\"https:\/\/www.who.int\/news-room\/spotlight\/why-the-hiv-epidemic-is-not-over\">7<\/a>].<\/h5>\n<h5>No s\u00e9culo XXI houve tr\u00eas grandes iniciativas no combate ao v\u00edrus. A primeira foi a iniciativa \u201c3 por 5\u201d, lan\u00e7ada em 2003. Esta buscava distribuir regularmente rem\u00e9dios antirretrovirais (ART) para 3 milh\u00f5es de pessoas at\u00e9 2005. A segunda foi a iniciativa \u201c90-90-90\u201d at\u00e9 2020, lan\u00e7ada em 2014. Buscava que 90% das pessoas infectadas tivessem o diagn\u00f3stico; 90% dos diagnosticados recebessem medica\u00e7\u00e3o; e 90% dos medicados tivessem a carga viral suprimida. Por fim, em 2015 foi lan\u00e7ado um conjunto de orienta\u00e7\u00f5es para refor\u00e7ar o programa 90-90-90 visando \u00e0 erradica\u00e7\u00e3o da AIDS at\u00e9 2030 [<a href=\"https:\/\/www.kff.org\/global-health-policy\/fact-sheet\/the-global-hivaids-epidemic\/\">8<\/a>].<\/h5>\n<h5>Todas as iniciativas acima careceram de recursos suficientes para atingir seus objetivos. Os n\u00fameros atuais demonstram que dificilmente a meta 2030 ser\u00e1 alcan\u00e7ada. A OMS tem levantado uma s\u00e9rie de preocupa\u00e7\u00f5es acerca do n\u00e3o engajamento dos pa\u00edses com mais recursos no combate a pandemia de HIV. Com a eclos\u00e3o da pandemia do COVID-19, em 2020, os trabalhos acerca da erradica\u00e7\u00e3o da AIDS ser\u00e3o ainda mais impactados [<a href=\"https:\/\/www.who.int\/news-room\/spotlight\/why-the-hiv-epidemic-is-not-over\">7<\/a>].<br \/><br \/><\/h5>\n<\/div><br \/><\/p>\n<span class=\"collapseomatic \" id=\"id6ae7df0b8a007\"  tabindex=\"0\" title=\"&lt;strong&gt;SARS&lt;\/strong&gt;\"    ><strong>SARS<\/strong><\/span><div id=\"target-id6ae7df0b8a007\" class=\"collapseomatic_content \"><br \/><\/p>\n<h5>A S\u00edndrome Respirat\u00f3ria Aguda Grave (SARS) \u00e9 causada por um v\u00edrus da fam\u00edlia <em>Coronaviridae<\/em> que, na data de sua origem, em novembro de 2002, foi considerado distinto dos demais tipos de coronav\u00edrus previamente identificados em humanos ou animais. A origem da infec\u00e7\u00e3o est\u00e1 atrelada \u00e0 prov\u00edncia de Guangdong, no sul da China. Muitos dos primeiros infectados detinham conex\u00f5es com o com\u00e9rcio de animais vivos nos chamados \u201cmercados molhados\u201d de Guangdong, o que tornou a transmiss\u00e3o interesp\u00e9cie, de animais para humanos, a explica\u00e7\u00e3o mais prov\u00e1vel para a emerg\u00eancia do v\u00edrus. Eventualmente, esse coronav\u00edrus teria se adaptado, possibilitando a transmiss\u00e3o entre humanos. Embora a transmiss\u00e3o interesp\u00e9cies tenha sido recorrente na hist\u00f3ria humana, os recentes desdobramentos permitiram que a SARS-CoV se adaptasse \u00e0 transmiss\u00e3o entre humanos e, subsequentemente, se propagasse globalmente.<\/h5>\n<h5>Em 16 de novembro de 2002 foi reportado o primeiro caso de pneumonia at\u00edpica, em Guangdong. Em 12 de mar\u00e7o de 2003 a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) emitiu alerta global para uma forma severa de pneumonia, de origens ainda desconhecidas, em pacientes na China, Vietn\u00e3 e Hong Kong. O v\u00edrus causador da SARS foi sequenciado pela primeira vez em abril de 2003 pelos Centros de Controle e Preven\u00e7\u00e3o de Doen\u00e7as (CDC), revelando que n\u00e3o existiam grandes homologias com os outros v\u00edrus j\u00e1 conhecidos at\u00e9 ent\u00e3o, e foi classificado como SARS-CoV (atualmente referido como SARS-CoV-1).<\/h5>\n<h5>Ap\u00f3s alcan\u00e7ar Hong Kong, ao final de fevereiro de 2003, a epidemia se espalhou para onze pa\u00edses em tr\u00eas continentes ao longo de uma semana. O per\u00edodo de incuba\u00e7\u00e3o do v\u00edrus, de dois at\u00e9 dez dias, permitiu que viajantes infectados \u2013 por\u00e9m ainda assintom\u00e1ticos \u2013 transportassem o v\u00edrus. Em algumas semanas, a SARS-CoV-1 havia infectado mais de 8 mil pessoas em 25 pa\u00edses e 5 continentes. Ao final do surto, em 5 de julho de 2003, 774 pessoas haviam morrido em fun\u00e7\u00e3o de complica\u00e7\u00f5es causadas pelo v\u00edrus \u2013 um n\u00famero relativamente pequeno, quando comparado com as fatalidades resultantes das pandemias anteriores de peste e gripe. Apesar da baixa taxa relativa de infec\u00e7\u00e3o, a velocidade do cont\u00e1gio, potencializada pelas viagens internacionais a\u00e9reas, a cobertura imediata por parte da m\u00eddia e a globaliza\u00e7\u00e3o das atividades econ\u00f4micas contribu\u00edram para a obten\u00e7\u00e3o de impactos mais pronunciados.<\/h5>\n<h5>De forma semelhante aos desdobramentos contempor\u00e2neos decorrentes do COVID-19 (SARS-CoV-2), o SARS-CoV-1 catalisou o sentimento anti-chin\u00eas j\u00e1 no in\u00edcio dos anos 2000. Frente ao processo de ascens\u00e3o da China a posi\u00e7\u00e3o de pot\u00eancia econ\u00f4mica e militar, a epidemia alimentou intoler\u00e2ncias latentes e epis\u00f3dios de xenofobia expuseram tens\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f4micas subalternas [<a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2020\/01\/30\/world\/asia\/coronavirus-chinese-racism.html\">9<\/a>]. Como a primeira doen\u00e7a infecciosa severa a emergir no s\u00e9culo XXI, a SARS-CoV-1 trouxe \u00e0 tona o debate acerca de amea\u00e7as \u00e0 seguran\u00e7a da sa\u00fade em n\u00edvel global, da funcionalidade dos sistemas de sa\u00fade, da estabilidade e crescimento econ\u00f4micos, e, principalmente, da necessidade de mobiliza\u00e7\u00f5es coletivas e colabora\u00e7\u00f5es globais no controle e conten\u00e7\u00e3o de epidemias [<a href=\"https:\/\/apps.who.int\/iris\/bitstream\/handle\/10665\/259836\/WHA56-2003-REC1-eng.pdf?sequence=1&amp;isAllowed=y\">10<\/a>]. Epidemias como o SARS-CoV-1 tendem a aumentar press\u00f5es por maior compartilhamento de dados, al\u00e9m de atrair aten\u00e7\u00e3o para discuss\u00f5es acerca de iniciativas que promovam maior universaliza\u00e7\u00e3o nos sistemas informacionais de sa\u00fade, a fim de lidar com as situa\u00e7\u00f5es de forma coletiva no \u00e2mbito de uma \u201cgovernan\u00e7a global\u201d. Na pr\u00e1tica, contudo, as a\u00e7\u00f5es de conten\u00e7\u00e3o tendem a se dar no n\u00edvel nacional.<\/h5>\n<h5>Entre novembro de 2002 e julho de 2003, o n\u00famero total de casos de infec\u00e7\u00e3o foi de 8.096, tendo o pico sido atingido entre finais de mar\u00e7o e princ\u00edpios de abril de 2003. A taxa de mortalidade do SARS-CoV-1 foi de 9,6% (significativamente superior ao da COVID-19, que se aproxima dos 3%), resultando em 774 fatalidades. Embora 29 pa\u00edses tenham reportado casos da doen\u00e7a, o maior surto epid\u00eamico ocorreu na China, com mais de 5.300 casos; em Hong Kong, que registrou mais de 1.700 casos; em Taiwan, com mais de 300; no Canad\u00e1 e em Cingapura, ambos com mais de 200 casos cada. Nos demais 21 pa\u00edses infectados, menos de 10 casos foram reportados [<a href=\"https:\/\/www.who.int\/csr\/sars\/country\/table2004_04_21\/en\/\">11<\/a>].<\/h5>\n<h5>O fim da epidemia de SARS-CoV-1 foi declarado em 2004, quando n\u00e3o havia mais casos detectados de infec\u00e7\u00e3o. Subsequentemente, v\u00edrus semelhantes ao SARS-CoV-1, encontrados em morcegos, demonstraram a habilidade de infectar c\u00e9lulas humanas sem adapta\u00e7\u00e3o pr\u00e9via, indicando a possibilidade de reemerg\u00eancia desse ou demais v\u00edrus semelhantes no futuro [14]. Mais de 80% das pesquisas recentes acerca da virologia e da gen\u00e9tica dessa infec\u00e7\u00e3o indicou os morcegos como principal poss\u00edvel intermedi\u00e1rio natural tanto do SARS-CoV-1 quanto do MERS-CoV. As civetas, mam\u00edferos semelhantes aos gatos, aparecem como prov\u00e1veis hospedeiros intermedi\u00e1rios do SARS-CoV-1, antes da transmiss\u00e3o humana. Embora o contato direto entre humanos e o hospedeiro intermedi\u00e1rio apare\u00e7a como a rota mais prov\u00e1vel, o mecanismo de transmiss\u00e3o de coronav\u00edrus como o SARS-CoV-1 e o MERS-CoV ainda n\u00e3o foi totalmente compreendido.<\/h5>\n<h5>O SARS-CoV-1 \u00e9 transmitido atrav\u00e9s de secre\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias, como got\u00edculas de saliva, via contato direto de pessoa para pessoa. Na aus\u00eancia de uma vacina, o m\u00e9todo encontrado para controlar a doen\u00e7a foi quebrar a corrente de transmiss\u00e3o de pessoas infectadas para pessoas saud\u00e1veis. A partir da detec\u00e7\u00e3o de casos, o isolamento ou a quarentena eram colocados em pr\u00e1tica, al\u00e9m do registro de contatos recentes da pessoa infectada. A epidemia foi rapidamente controlada e, em termos de impacto, n\u00e3o acompanhou as estimativas previstas.<br \/><br \/><\/h5>\n<\/div><br \/><\/p>\n<span class=\"collapseomatic \" id=\"id6ae7df0b8a087\"  tabindex=\"0\" title=\"&lt;strong&gt;H1N1&lt;\/strong&gt;\"    ><strong>H1N1<\/strong><\/span><div id=\"target-id6ae7df0b8a087\" class=\"collapseomatic_content \"><br \/><\/p>\n<h5>A gripe su\u00edna de 2009, como ficou inicialmente conhecida, foi a primeira pandemia do s\u00e9culo XXI e o primeiro grande ensaio de uma doen\u00e7a altamente contagiosa facilitada pelos n\u00edveis sem precedentes de interconex\u00e3o e globaliza\u00e7\u00e3o experimentados at\u00e9 ent\u00e3o. Ainda que mais letal, o coronav\u00edrus (SARS-CoV-1) originado em 2002 na China ficou muito aqu\u00e9m em n\u00fameros brutos de infec\u00e7\u00f5es e fatalidades quando comparado \u00e0 gripe su\u00edna de 2009, de modo que n\u00e3o foi caracterizado como uma pandemia pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS).<\/h5>\n<h5>A pandemia de 2009 foi causada por uma nova cepa do v\u00edrus influenza A subtipo H1N1, o mesmo respons\u00e1vel pela Gripe Espanhola de 1918-1919. Todavia, a gripe de 2009 \u00e9 vista hoje como significativamente menos severa quando comparada \u00e0 outras pandemias do passado, como a Gripe Espanhola de um s\u00e9culo atr\u00e1s [<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.2190\/HS.43.1.h\">12<\/a>]. Estudos dos Centros de Controle e Preven\u00e7\u00e3o de Doen\u00e7as (CDC), ag\u00eancias do Departamento de Sa\u00fade e Servi\u00e7os Humanos dos Estados Unidos, estimam que entre 150 e 575 mil pessoas morreram da pandemia A\/H1N1 de 2009 em todo o mundo [<a href=\"https:\/\/www.cdc.gov\/flu\/pandemic-resources\/2009-h1n1-pandemic.html\">13<\/a>] \u2013 comparativamente, essa \u00e9 a mesma estimativa oferecida pela OMS para mortes causadas pela gripe comum anualmente.<\/h5>\n<h5>O surto (<em>outbreak<\/em>) de 2009 foi identificado no m\u00eas de fevereiro na Am\u00e9rica do Norte, muito embora, assim como o novo coronav\u00edrus (SARS-CoV-2) identificado em 2019, a sua origem exata ainda seja desconhecida. Investiga\u00e7\u00f5es recentes apontam, inclusive, que o v\u00edrus possa ter surgido no ano anterior, em 2008. N\u00e3o obstante, o estado de Veracruz, no M\u00e9xico, foi identificado como o primeiro foco da doen\u00e7a, que rapidamente se espalhou para a capital, Cidade do M\u00e9xico, e para os Estados Unidos. Todos os continentes eventualmente foram afetados.<\/h5>\n<h5>Esfor\u00e7os iniciais buscaram utilizar a express\u00e3o \u201cgripe mexicana\u201d para designar o v\u00edrus, rapidamente rejeitados pela OMS \u2013 que desde a sua funda\u00e7\u00e3o, em 1948, busca desassociar epidemias e pandemias dos pa\u00edses que supostamente as deram origem. A t\u00edtulo exemplificativo, estudos posteriores a 1918-1919 identificaram uma fazenda em Kansas City, nos Estados Unidos, como a origem mais prov\u00e1vel da primeira pandemia do v\u00edrus influenza A\/H1N1. Para manter a moral das tropas elevada, contudo, os pa\u00edses diretamente envolvidos na Primeira Guerra Mundial n\u00e3o estavam notificando propriamente as suas baixas. As cadeias de comunica\u00e7\u00e3o do conflito facilitaram a propaga\u00e7\u00e3o do v\u00edrus, e foram pa\u00edses neutros como a Espanha que passaram a noticiar mais amplamente os seus efeitos, especialmente ap\u00f3s o Rei Afonso XIII contrair a doen\u00e7a \u2013 dando origem \u00e0 express\u00e3o Gripe Espanhola.<\/h5>\n<h5>O v\u00edrus A\/H1N1 de 2009 n\u00e3o parou economias e colocou Estados inteiros em quarentena, como ocorre com a pandemia de COVID-19 \u2013 doen\u00e7a causada pelo novo coronav\u00edrus (SARS-CoV-2). Isso se deve a dois fatores fundamentais: a COVID-19 \u00e9 mais letal e mais contagiosa que a gripe A de dez anos atr\u00e1s; e ainda n\u00e3o existem tratamentos efetivos seguros que tenham sido cientificamente comprovados. J\u00e1 no primeiro semestre de 2009, dois antivirais foram rapidamente identificados e utilizados no combate \u00e0 pandemia [<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1038\/news.2009.416\">14<\/a>].<\/h5>\n<h5>A OMS foi duramente criticada pela sua resposta \u00e0 pandemia, inclusive por alega\u00e7\u00f5es de que teria exagerado a gravidade da doen\u00e7a para beneficiar empresas de vacinas. Um comit\u00ea de especialistas independentes contratados pela pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o identificou fundamentos para essas alega\u00e7\u00f5es, por\u00e9m alertou que a organiza\u00e7\u00e3o, assim como a ordem internacional como um todo, ainda n\u00e3o estava preparada para lidar com uma pandemia de contornos mais graves [<a href=\"https:\/\/apps.who.int\/gb\/ebwha\/pdf_files\/WHA64\/A64_10-en.pdf\">15<\/a>].<\/h5>\n<h5>Interessante observar que, ao contr\u00e1rio do que foi identificado tanto nos casos de gripe comum como de COVID-19, estima-se que 80% das mortes causadas pela pandemia A\/H1N1 de 2009 ocorreram em pessoas com menos de 65 anos de idade, seguindo um padr\u00e3o identificado em pandemias do passado, onde a propor\u00e7\u00e3o de mortes entre os jovens tende a aumentar [<a href=\"https:\/\/www.cebm.net\/covid-19\/covid-19-deaths-compared-with-swine-flu\/\">16<\/a>]. Durante a Gripe Espanhola de 1918-1919, as principais estrat\u00e9gias de preven\u00e7\u00e3o foram direcionadas \u00e0s pessoas mais jovens na tentativa de minimizar a perda da expectativa de vida desse grupo de idade, especialmente os homens que compunham os ex\u00e9rcitos envolvidos na guerra.<\/h5>\n<h5>Portanto, ainda que comparativamente n\u00e3o mais letal que uma gripe comum, a pandemia A\/H1N1 de 2009 apresentou uma estrutura et\u00e1ria mais fidedigna \u00e0s pandemias do passado, como a de 1918, ao contr\u00e1rio do padr\u00e3o apresentado pelo novo coronav\u00edrus (SARS-CoV-2) identificado uma d\u00e9cada depois, cujas mortes de pessoas com menos de 65 anos de idade representam menos de 10% do total at\u00e9 ent\u00e3o. Essa estat\u00edstica trouxe d\u00favida para a pr\u00f3pria caracteriza\u00e7\u00e3o da COVID-19 como pandemia, que s\u00f3 foi oficializada pela OMS no dia 11 de mar\u00e7o de 2020. Da mesma forma, ao comparar a pandemia atual a um v\u00edrus de gripe comum, essa representa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m contribuiu para a resposta tardia de alguns pa\u00edses.<br \/><br \/><\/h5>\n<\/div><br \/><\/p>\n<span class=\"collapseomatic \" id=\"id6ae7df0b8a0f6\"  tabindex=\"0\" title=\"&lt;strong&gt;MERS&lt;\/strong&gt;\"    ><strong>MERS<\/strong><\/span><div id=\"target-id6ae7df0b8a0f6\" class=\"collapseomatic_content \"><br \/><\/p>\n<h5>A S\u00edndrome Respirat\u00f3ria do Oriente M\u00e9dio (<em>Middle East Respiratory Syndrome<\/em> &#8211; MERS-CoV), diagnosticada pela primeira vez em 2012 na Pen\u00ednsula Ar\u00e1bica, \u00e9 derivada de um coronav\u00edrus que se desenvolveu na popula\u00e7\u00e3o humana por contato, direto ou indireto, com camelos dromed\u00e1rios infectados. Segundo o relat\u00f3rio anual mais recente divulgado pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), entre 2012 e 2019, foram registrados 2.449 casos de MERS-CoV ao redor do mundo com uma alta taxa de mortalidade de 34.3% dos casos confirmados.<\/h5>\n<h5>H\u00e1 casos confirmados em 27 pa\u00edses, incluindo as regi\u00f5es do Oriente M\u00e9dio, Norte da \u00c1frica, \u00c1sia, Europa e Estados Unidos, sendo 84% destes casos oriundos do Reino da Ar\u00e1bia Saudita. At\u00e9 o momento presente, o maior surto de MERS-CoV fora da Pen\u00ednsula Ar\u00e1bica ocorreu na Rep\u00fablica da Cor\u00e9ia em 2015. Historicamente marcada por grandes peregrina\u00e7\u00f5es religiosas &#8211; como a Hajj e Umra -, por fluxos intensos de m\u00e3o-de-obra interna e estrangeira e pelo fluxo de refugiados pol\u00edticos, a exemplo dos palestinos e, no cen\u00e1rio p\u00f3s-Primavera \u00c1rabe, dos casos emblem\u00e1ticos s\u00edrio e liban\u00eas, a regi\u00e3o do Oriente M\u00e9dio ainda registra, de forma cont\u00ednua, novos casos de MERS-CoV.<\/h5>\n<h5>Na Ar\u00e1bia Saudita, tradicionalmente importadora de m\u00e3o-de-obra, em 2013, havia um n\u00famero expressivo de trabalhadores migrantes legais origin\u00e1rios, principalmente, da \u00cdndia, Indon\u00e9sia, Paquist\u00e3o e Filipinas. O surto de MERS-CoV, neste caso, coincidiu com a implementa\u00e7\u00e3o do Nitaqat, plano de reforma do mercado de trabalho saudita, resultando na deporta\u00e7\u00e3o de milhares de trabalhadores, legais e ilegais, sob o subterf\u00fagio da pandemia. Em conson\u00e2ncia com as diretrizes do plano Saudi Vision 2030, promovido por Mohammad bin Salman bin Abdulaziz Al-Saud, Pr\u00edncipe Herdeiro do Reino da Ar\u00e1bia Saudita, Ministro da Defesa e Presidente do Conselho de Assuntos Econ\u00f4micos e Desenvolvimento, a reestrutura\u00e7\u00e3o do pa\u00eds promete reduzir a depend\u00eancia da ind\u00fastria petrol\u00edfera, reformar o setor privado atrav\u00e9s do investimento estrangeiro e erradicar o desemprego entre nacionais.<\/h5>\n<h5>A MERS-CoV, assim como epidemias anteriores e que ainda se sobrep\u00f5em, tem colocado em pauta quest\u00f5es relacionadas ao grau de articula\u00e7\u00e3o do Sistema Internacional vis-\u00e0-vis aos Estados nacionais, ao alcance e aos limites do financiamento internacional e aos arranjos organizacionais &#8211; sociais e produtivos &#8211; da Ordem Internacional vigente. Os desdobramentos da Primavera \u00c1rabe, o cont\u00ednuo fracasso da articula\u00e7\u00e3o regional atrav\u00e9s da Liga \u00c1rabe, o ciclo de queda do pre\u00e7o dos barris de petr\u00f3leo, a desarticula\u00e7\u00e3o no Conselho de Coopera\u00e7\u00e3o do Golfo, a aparente <em>d\u00e9tente<\/em> protagonizada pela Ar\u00e1bia Saudita e Qatar associada \u00e0 posi\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7a atual de Riad no G-20, at\u00e9 o momento, ganham mais espa\u00e7o nas agendas nacionais e internacional do que o risco biol\u00f3gico associado a uma epidemia.<\/h5>\n<h5>Em termos de governan\u00e7a e concerto global, os esfor\u00e7os feitos para prepara\u00e7\u00e3o, conten\u00e7\u00e3o ou garantia de ajuda internacional ainda se mostram insuficientes. Considerando-se que as grandes crises mundiais &#8211; de natureza econ\u00f4mica, pol\u00edtica-militar ou biol\u00f3gica &#8211; trazem, tamb\u00e9m, oportunidades e reestrutura\u00e7\u00e3o, parece vir \u00e0 tona um confronto entre multilateralismo e nacionalismo. Existe a necessidade de criar uma organiza\u00e7\u00e3o internacional que cubra a lacuna da prontid\u00e3o coordenada de resposta aos moldes multilaterais? E se sim, tendo em vista os diferentes graus de desenvolvimento das economias nacionais, existe interesse dos atores internacionais em atuar conjunto e articuladamente?<\/h5>\n<h5>Desde o MERS-CoV, e , principalmente, ap\u00f3s a crise do Ebola, novos espa\u00e7os de articula\u00e7\u00e3o do financiamento internacional parecem ter sido colocados em curso, como a cria\u00e7\u00e3o do Fundo Monet\u00e1rio para Pandemias do Banco Mundial. O Mecanismo de Financiamento de Emerg\u00eancia Pand\u00eamico (MFEP) procura arrecadar fundos para responder aos desafios de uma pandemia, visando pa\u00edses de baixa renda, por meio de &#8220;t\u00edtulos de cat\u00e1strofe&#8221; oferecidos ao investimento privado. Buscando combinar setores p\u00fablico e privado, foi projetado para fornecer financiamento emergencial transferindo o risco financeiro dos governos nacionais para os mercados internacionais. Contudo, o MFEP, at\u00e9 o momento, n\u00e3o se mostra eficiente. Entre as causas, est\u00e1 o descompasso entre prioridades, din\u00e2micas e estruturas de incentivo dos setores associados.<\/h5>\n<h5>Inaugurada ao fim da Guerra Fria, a atual Ordem Internacional, forjada na interdepend\u00eancia, na abertura dos mercados mundiais e na divis\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o em etapas discretas, parece dar-se de encontro, repetidamente, com uma s\u00e9rie de entraves &#8211; estes associados ao progressivo deslocamento dos grandes centros de poder mundial. O amplo consenso do livre com\u00e9rcio, embalado pelo avan\u00e7o tecnol\u00f3gico, sustentou a mudan\u00e7a global anterior, permitindo que os la\u00e7os comerciais internacionais fossem recalculados pela l\u00f3gica do corporativismo e da financeiriza\u00e7\u00e3o, da competitividade comparativa e da redu\u00e7\u00e3o de estoques, trabalhadores, pre\u00e7os e sal\u00e1rios. Contudo, em tempos de crise acentuada e transi\u00e7\u00e3o &#8211; quando a globaliza\u00e7\u00e3o se v\u00ea at\u00f4nita e paralisada -, se por revolu\u00e7\u00e3o ou por retomada, o primeiro passo para a ordem subsequente tende a ser a busca por caminhos alternativos.<br \/><br \/><\/h5>\n<\/div><br \/><\/p>\n<span class=\"collapseomatic \" id=\"id6ae7df0b8a14d\"  tabindex=\"0\" title=\"&lt;strong&gt;EBOLA&lt;\/strong&gt;\"    ><strong>EBOLA<\/strong><\/span><div id=\"target-id6ae7df0b8a14d\" class=\"collapseomatic_content \"><br \/><\/p>\n<h5>As primeiras manifesta\u00e7\u00f5es do v\u00edrus Ebola surgiram em 1976, em Nzara, no Sud\u00e3o, e em Yambuku, na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, em uma regi\u00e3o situada pr\u00f3ximo ao Rio Ebola, dando nome \u00e0 doen\u00e7a. Considera-se que os morcegos frug\u00edvoros sejam os hospedeiros naturais do v\u00edrus, cuja taxa de fatalidade varia entre 25 e 90%. Estima-se que, at\u00e9 janeiro de 2013, mais de 1.800 casos de Ebola tenham sido diagnosticados e quase 1.300 mortes registradas. Inicialmente o v\u00edrus foi associado a um surto de 318 casos de uma doen\u00e7a hemorr\u00e1gica no Zaire (hoje Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo), em 1976; dos 318 casos, 280 pessoas morreram. No mesmo ano, 284 pessoas no Sud\u00e3o tamb\u00e9m foram infectadas com o v\u00edrus e 156 morreram [<a href=\"https:\/\/www.msf.org.br\/o-que-fazemos\/atividades-medicas\/ebola\">17<\/a>].<\/h5>\n<h5>O Ebola pode ser contra\u00eddo tanto de seres humanos quanto de animais, sendo a transmiss\u00e3o feita atrav\u00e9s do contato com sangue, secre\u00e7\u00f5es ou outros flu\u00eddos corporais, o que faz com que os agentes de sa\u00fade frequentemente sejam infectados enquanto tratam pacientes contaminados. Em algumas \u00e1reas da \u00c1frica, a infec\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m foi documentada por meio do contato com chimpanz\u00e9s, gorilas, morcegos frug\u00edvoros, macacos, ant\u00edlopes selvagens e porcos-espinhos contaminados encontrados mortos ou doentes na floresta tropical.\u00a0<\/h5>\n<h5>A doen\u00e7a voltou a se alastrar pela \u00c1frica Ocidental em mar\u00e7o de 2014, sendo o maior surto de Ebola desde que o v\u00edrus foi descoberto. O surto come\u00e7ou na Guin\u00e9 e passou pelas fronteiras terrestres para Serra Leoa e Lib\u00e9ria. O atual surto de 2018-2019 no leste da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo \u00e9 altamente complexo, com a inseguran\u00e7a afetando adversamente as atividades de resposta \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica.<\/h5>\n<h5>A fam\u00edlia de v\u00edrus <em>Filoviridae<\/em> inclui tr\u00eas g\u00eaneros, sendo um deles o v\u00edrus Ebola; dentro do g\u00eanero do v\u00edrus Ebola, seis esp\u00e9cies foram identificadas: Zaire, Bundibugyo, Sud\u00e3o, Floresta Ta\u00ef, Reston e Bombali. O v\u00edrus que causa o atual surto na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo e causou o surto na \u00c1frica Ocidental em 2014-2016 pertence \u00e0 esp\u00e9cie Zaire. Outros tr\u00eas pa\u00edses \u2013 Nig\u00e9ria, Senegal e Estados Unidos \u2013 tamb\u00e9m registraram casos de cont\u00e1gio de pacientes, al\u00e9m da regi\u00e3o isolada de Boende, na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, que tamb\u00e9m detectou a propaga\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a em uma menor escala [<a href=\"https:\/\/www.who.int\/news-room\/fact-sheets\/detail\/ebola-virus-disease\">18<\/a>].<\/h5>\n<h5>O per\u00edodo de incuba\u00e7\u00e3o, ou seja, o intervalo de tempo entre a infec\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus e o in\u00edcio dos sintomas, \u00e9 de 2 a 21 dias e uma pessoa infectada com o Ebola n\u00e3o pode espalhar a doen\u00e7a at\u00e9 desenvolv\u00ea-los. Os sintomas podem ser repentinos e incluem febre, fadiga, dor muscular, dor de cabe\u00e7a e dor de garganta; isto \u00e9 seguido por v\u00f4mito, diarreia, erup\u00e7\u00e3o cut\u00e2nea, sintomas de insufici\u00eancia renal e hep\u00e1tica e, em alguns casos, sangramento interno e externo. Os achados laboratoriais tamb\u00e9m incluem baixa contagem de gl\u00f3bulos brancos e plaquetas e enzimas hep\u00e1ticas elevadas [<a href=\"https:\/\/www.who.int\/news-room\/fact-sheets\/detail\/ebola-virus-disease\">18<\/a>].<\/h5>\n<h5>Cuidados de suporte \u2013 como reidrata\u00e7\u00e3o com fluidos orais ou intravenosos \u2013 e tratamento de sintomas melhoram a sobrevida dos infectados. Ainda n\u00e3o h\u00e1, contudo, um tratamento comprovado dispon\u00edvel para o Ebola, tampouco uma vacina. No novo surto de 2018 e 2019 na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo foi realizado o primeiro estudo randomizado de controle com v\u00e1rios f\u00e1rmacos para avaliar a efic\u00e1cia e a seguran\u00e7a dos medicamentos usados no tratamento de pacientes com Ebola sob uma estrutura org\u00e2nica estudada em consulta com especialistas na \u00e1rea [<a href=\"https:\/\/www.who.int\/news-room\/fact-sheets\/detail\/ebola-virus-disease\">18<\/a>].<\/h5>\n<h5>Em termos de mobiliza\u00e7\u00e3o internacional, ainda em agosto de 2014 foi declarado pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) que o surto de Ebola se tratava de uma emerg\u00eancia de sa\u00fade p\u00fablica internacional, al\u00e9m de aprovado o uso de medicamentos experimentais para o tratamento da doen\u00e7a. A fim de conter o alastramento do Ebola, o ent\u00e3o secret\u00e1rio-geral da ONU na \u00e9poca, Ban Ki-moon, estabeleceu a primeira miss\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas no que se refere \u00e0 sa\u00fade \u2013 a Miss\u00e3o da ONU para Resposta de Emerg\u00eancia ao Ebola (UNMEER) \u2013, cujo mandato abordava cinco prioridades: interromper o surto, tratar os infectados, garantir os servi\u00e7os essenciais, preservar a estabilidade e prevenir sobre novos surtos. O Conselho de Seguran\u00e7a tamb\u00e9m aprovou uma resolu\u00e7\u00e3o, em 18 de setembro de 2014, que determinava que a extens\u00e3o sem precedentes do v\u00edrus na \u00c1frica Ocidental constitu\u00eda uma amea\u00e7a \u00e0 paz e \u00e0 seguran\u00e7a internacional [<a href=\"https:\/\/nacoesunidas.org\/ebola\/\">19<\/a>].<\/h5>\n<h5>Ainda que os pa\u00edses mais gravemente afetados vivenciassem um per\u00edodo de relativa estabilidade pol\u00edtica e econ\u00f4mica, os impactos da doen\u00e7a na fr\u00e1gil economia local e a vulnerabilidade dos servi\u00e7os m\u00e9dicos nestes pa\u00edses constitu\u00edram um agravante ainda maior para o quadro de aten\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o dessas na\u00e7\u00f5es. Entre as a\u00e7\u00f5es de conscientiza\u00e7\u00e3o, as ag\u00eancias se concentram em dispersar o medo e os mitos existentes em torno da doen\u00e7a, alertando, por exemplo, que o v\u00edrus n\u00e3o \u00e9 transmitido pelo ar [<a href=\"https:\/\/nacoesunidas.org\/ebola\/\">19<\/a>].<\/h5>\n<h5>J\u00e1 em 2018, ap\u00f3s a declara\u00e7\u00e3o da epidemia pela OMS em agosto, as Na\u00e7\u00f5es Unidas e as organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais internacionais intensificaram seus esfor\u00e7os em apoio \u00e0 resposta liderada pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade P\u00fablica da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, a fim de p\u00f4r termo \u00e0 d\u00e9cima epidemia de Ebola. Para esse fim, a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas criou um sistema de resposta e ajustes r\u00e1pidos, a fim de antecipar a incid\u00eancia do v\u00edrus e quebrar sua cadeia de transmiss\u00e3o. Essa nova abordagem tamb\u00e9m buscou aprimorar a coer\u00eancia entre todos os parceiros sob a lideran\u00e7a das Na\u00e7\u00f5es Unidas na Coordena\u00e7\u00e3o de Resposta \u00e0 Emerg\u00eancia do Ebola (UNEERC), que inclui programas, fundos e ag\u00eancias do sistema da ONU, bem como organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais internacionais a fim de minimizar os danos causados pelo agravamento dos cont\u00e1gios.<\/h5>\n<h5><br \/><\/div><\/h5>\n<p><br \/><span class=\"collapseomatic \" id=\"id6ae7df0b8a1b1\"  tabindex=\"0\" title=\"&lt;strong&gt;REFER\u00caNCIAS&lt;\/strong&gt;\"    ><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/span><div id=\"target-id6ae7df0b8a1b1\" class=\"collapseomatic_content \">\n<h6>[1] GOODMAN, A. Noam Chomsky on Trump&#8217;s disastrous coronavirus response, Bernie Sanders &amp; what gives him hope. <a href=\"https:\/\/www.democracynow.org\/2020\/4\/10\/noam_chomsky_trump_us_coronavirus_response\"><strong>Democracy Now<\/strong><\/a>, 10 abr. 2020.<\/h6>\n<h6>[2] BRASIL. O que \u00e9 HIV. <a href=\"http:\/\/www.aids.gov.br\/pt-br\/publico-geral\/o-que-e-hiv\"><strong>Minist\u00e9rio da Sa\u00fade<\/strong><\/a>, 2020.<\/h6>\n<h6>[3] GROSS, T; TIMBERG, C. Tinderbox: how the West fuelled the AIDS epidemic. <a href=\"https:\/\/www.npr.org\/2012\/02\/27\/147491878\/tinderbox-how-the-west-fueled-the-aids-epidemic\"><strong>NPR<\/strong><\/a>, Washington D.D., 07 fev. 2012.<\/h6>\n<h6>[4] GILBERT, M. T. P.; RAMBAUT, A.; WLASIUK, G.; SPIRA, T. J.; PITCHENIK, A. E.; WOROBEY, M. The emergence of HIV\/AIDS in the Americas and beyond. <strong><a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1073\/pnas.0705329104\">Proceedings Of The National Academy Of Sciences<\/a><\/strong>, v. 104, n. 47, p.18566-18570, 31 out. 2007.<\/h6>\n<h6>[5] UNITED STATES. HIV and AIDS: United States, 1981-2000. <a href=\"https:\/\/www.cdc.gov\/mmwr\/preview\/mmwrhtml\/mm5021a2.htm\"><strong>Centers for Disease Control and Prevention<\/strong><\/a>, 2001.<\/h6>\n<h6>[6] WHO. Fact sheets: HIV\/AIDS. <a href=\"https:\/\/www.who.int\/news-room\/fact-sheets\/detail\/hiv-aids\"><strong>World Health Organization<\/strong><\/a>, 15 nov. 2019.<\/h6>\n<h6>[7] WHO. Why the HIV epidemic is not over. <a href=\"https:\/\/www.who.int\/news-room\/spotlight\/why-the-hiv-epidemic-is-not-over\"><strong>World Health Organization<\/strong><\/a>, 2020.<\/h6>\n<h6>[8] KFF. The global HIV\/AIDS epidemic. <a href=\"https:\/\/www.kff.org\/global-health-policy\/fact-sheet\/the-global-hivaids-epidemic\/\"><strong>Kaiser Family Foundation<\/strong><\/a>, 09 set. 2019.<\/h6>\n<h6>[9] RICH, M. As coronavirus spreads, so does anti-chinese sentiment. <a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2020\/01\/30\/world\/asia\/coronavirus-chinese-racism.html\"><strong>The New York Times<\/strong><\/a>, 30 jan. 2020.<\/h6>\n<h6>[10] WHO. Resolutions of World Health Assembly. Fifty-sixth World Health Assembly. Agenda item 14.16. <a href=\"https:\/\/apps.who.int\/iris\/bitstream\/handle\/10665\/259836\/WHA56-2003-REC1-eng.pdf?sequence=1&amp;isAllowed=y\"><strong>World Health Organization<\/strong><\/a>, 28 mai. 2003.<\/h6>\n<h6>[11] WHO. Summary of probable SARS cases with onset of illness from 1 November 2002 to 31 July 2003. <a href=\"https:\/\/www.who.int\/csr\/sars\/country\/table2004_04_21\/en\/\"><strong>World Health Organization<\/strong><\/a>, 2003.<\/h6>\n<h6>[12] KAMRADT-SCOTT, A. The Politics of Medicine and the Global Governance of Pandemic Influenza. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.2190\/HS.43.1.h\"><strong>International Journal of Health Services<\/strong><\/a>, v. 43, n. 1, p. 105\u2013121, 2013.<\/h6>\n<h6>[13] UNITED STATES. 2009 H1N1 Pandemic (H1N1pdm09 virus). <a href=\"https:\/\/www.cdc.gov\/flu\/pandemic-resources\/2009-h1n1-pandemic.html\"><strong>Centers for Disease Control and Prevention<\/strong><\/a>, 2020.<\/h6>\n<h6>[14] NATURE. Timeline: Swine flu. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1038\/news.2009.416\"><strong>Nature<\/strong><\/a>, 29 abr. 2009.<\/h6>\n<h6>[15] WHO. Report of the Review Committee on the Functioning of the International Health Regulations (2005) and on Pandemic Influenza A (H1N1) 2009. A64\/10, Provisional agenda item 13.2, 5. <a href=\"https:\/\/apps.who.int\/gb\/ebwha\/pdf_files\/WHA64\/A64_10-en.pdf\"><strong>World Health Organization<\/strong><\/a>, 05 mai. 2011.<\/h6>\n<h6>[16] CEBM. COVID-19 deaths compared with &#8220;Swine Flu&#8221;. <strong><a href=\"https:\/\/www.cebm.net\/covid-19\/covid-19-deaths-compared-with-swine-flu\/\">CEBM, University of Oxford<\/a><\/strong>, 9 abr. 2020.<\/h6>\n<h6>[17] MSF. Ebola. <strong><a href=\"https:\/\/www.msf.org.br\/o-que-fazemos\/atividades-medicas\/ebola\">M\u00e9dicos Sem Fronteiras<\/a><\/strong>, 2020.<\/h6>\n<h6>[18] WHO. Ebola virus disease. <strong><a href=\"https:\/\/www.who.int\/news-room\/fact-sheets\/detail\/ebola-virus-disease\">World Health Organization<\/a><\/strong>, 10 fev. 2020.<\/h6>\n<h6>[19] NA\u00c7\u00d5ES UNIDAS. Surto do Ebola. <strong><a href=\"https:\/\/nacoesunidas.org\/ebola\/\">Na\u00e7\u00f5es Unidas<\/a><\/strong>, 2020.\u00a0\u00a0<\/h6>\n<h5>\u00a0<\/h5>\n<\/div>\n<p>\u00a0<\/p>\n\n\n<hr>\n\n\n<h6 style=\"text-align: left;\"><em><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/nerint\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/title464447926.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-4148 alignleft\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/nerint\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/title464447926.png\" alt=\"\" width=\"110\" height=\"109\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/nerint\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/title464447926.png 336w, https:\/\/www.ufrgs.br\/nerint\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/title464447926-150x150.png 150w, https:\/\/www.ufrgs.br\/nerint\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/title464447926-300x297.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/nerint\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/title464447926-250x250.png 250w, https:\/\/www.ufrgs.br\/nerint\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/title464447926-174x174.png 174w\" sizes=\"auto, (max-width: 110px) 100vw, 110px\" \/><\/a><\/em><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/2013094835500963\"><strong>PAULO FAGUNDES VISENTINI<\/strong><\/a> <em>\u00e9 historiador e Professor Titular de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais aposentado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, onde atua como professor convidado em programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. \u00c9 coordenador do N\u00facleo Brasileiro de Estrat\u00e9gia e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais (NERINT\/UFRGS), vinculado ao Centro de Estudos Internacionais sobre Governo (CEGOV\/UFRGS). Contato: <a href=\"mailto:paulovi@ufrgs.br\" rel=\"noreferrer\">paulovi@ufrgs.br<\/a>.<\/em><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>18 de maio de 2020 Yellow Suits, por Damiola Odusote \u00a9 United Nations Ebola Exhibition, 2015. Pandemias e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais: contribui\u00e7\u00e3o para uma an\u00e1lise estrat\u00e9gica &nbsp; Paulo Fagundes Visentini* A origem da atual pandemia est\u00e1 envolta em teorias da conspira\u00e7\u00e3o, mas o que se sabe \u00e9 que ela atingiu em cheio o sistema mundial baseado <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/nerint\/pandemias\/\" rel=\"nofollow\"><span class=\"sr-only\">Leia mais sobreDossi\u00ea Especial<\/span>[&hellip;]<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-4659","page","type-page","status-publish","hentry"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/P8atlF-1d9","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/nerint\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4659","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/nerint\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/nerint\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/nerint\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/nerint\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4659"}],"version-history":[{"count":142,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/nerint\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4659\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5924,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/nerint\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4659\/revisions\/5924"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/nerint\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4659"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}