{"id":3657,"date":"2019-07-23T15:08:46","date_gmt":"2019-07-23T18:08:46","guid":{"rendered":"http:\/\/nitec.co\/?p=3657"},"modified":"2019-07-23T15:08:46","modified_gmt":"2019-07-23T18:08:46","slug":"brasil-seculo-21","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/nitec\/2019\/07\/23\/brasil-seculo-21\/","title":{"rendered":"O Brasil n\u00e3o est\u00e1 preparado para o s\u00e9culo 21&#8230; ainda!"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Por Nath\u00e1lia Pufal <\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com <a href=\"https:\/\/bucket-gw-cni-static-cms-si.s3.amazonaws.com\/media\/filer_public\/20\/1c\/201c2ab1-6f84-4190-8e71-533e334e5d86\/32_-_industria_4_0.pdf\">dados divulgados recentemente pela Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria<\/a>, o Brasil levar\u00e1 mais de meio s\u00e9culo para alcan\u00e7ar o produto per capita de pa\u00edses desenvolvidos, se mantida a taxa m\u00e9dia de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) nacional registrada nos \u00faltimos 10 anos. <em>Como podemos reverter isso<\/em>?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diversos casos mundo afora mostram que \u00e9 a partir do conhecimento aplicado a novas solu\u00e7\u00f5es oferecidas em forma de produto pelas empresas que setores e, em uma esfera maior, pa\u00edses avan\u00e7am a patamares mais elevados de desenvolvimento tecnol\u00f3gico. Contudo, o cen\u00e1rio no Brasil apresenta algumas dificuldades para que isso aconte\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda somos um pa\u00eds onde o baixo n\u00edvel de circula\u00e7\u00e3o de conhecimento e a baixa base tecnol\u00f3gica geram um perfil de produto com limitada penetra\u00e7\u00e3o de mercado \u2013 ou por serem produtos b\u00e1sicos facilmente copi\u00e1veis, ou por serem tecnologicamente ultrapassados. A estrat\u00e9gia que acaba restando \u00e9 a de concorrer por pre\u00e7o, dada a homogeneidade dos produtos, o que tende a gerar n\u00edveis menores de ganho para as empresas e, portanto, um reduzido potencial de crescimento do PIB. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para atingir o padr\u00e3o de pa\u00edses l\u00edderes, \u00e9 preciso capacitar as empresas brasileiras para que elas sejam capazes de oferecer novas solu\u00e7\u00f5es. Ou seja, o que se faz necess\u00e1rio \u00e9 tornar as empresas no Brasil capazes de <em>inovar<\/em>. Isso \u00e9 exatamente o que o Jap\u00e3o e a Coreia do Sul fizeram durante os anos 1960\/1970 e 1980\/1990 respectivamente; e de alguma forma se testemunha neste momento na China. E isso n\u00e3o \u00e9 diferente na din\u00e2mica setorial, como as transforma\u00e7\u00f5es ocorridas nos setores qu\u00edmico, microeletr\u00f4nico e automotivo ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas, por exemplo. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Abordar problemas do s\u00e9culo 21 com ferramentas e m\u00e9todos antigos n\u00e3o funciona mais. Um exemplo disso s\u00e3o as nossas empresas industriais, que t\u00eam perdido competitividade nos \u00faltimos anos frente a concorrentes internacionais. Ao mesmo tempo em que a chamada Ind\u00fastria 4.0 (onde ci\u00eancia e tecnologia s\u00e3o conduzidas de forma integrada para a digitaliza\u00e7\u00e3o, a automa\u00e7\u00e3o e o avan\u00e7o do setor) tem se configurado cada vez mais como o futuro desse segmento, as empresas brasileiras t\u00eam encontrado dificuldades em se atualizar nesta dire\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso, \u00e9 fundamental que se desenvolvam iniciativas para a reestrutura\u00e7\u00e3o e a capacita\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria brasileira a partir de uma reconvers\u00e3o competitiva, tanto em termos de processo, quanto de produto. A ind\u00fastria brasileira, partindo da base de capacidades existentes, deve buscar construir capacidades no sentido de incorporar princ\u00edpios e tecnologias da revolu\u00e7\u00e3o digital em curso. Assim, Ind\u00fastria 4.0, Internet das Coisas, aplicativos e afins servem para reconfigurar os padr\u00f5es vigentes e promover a reconvers\u00e3o competitiva.<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na esfera dos processos, deve haver a busca por ferramentas como Intelig\u00eancia Artificial, Rob\u00f3tica e Big Data, as quais permitam a fus\u00e3o dos mundos f\u00edsico, digital e biol\u00f3gico. Na esfera dos produtos, deve haver a busca pela readequa\u00e7\u00e3o e pelo desenvolvimento de solu\u00e7\u00f5es a partir desse processo mais digital, com a oferta de pe\u00e7as especiais, produtos de nicho, servitiza\u00e7\u00e3o, e baixa escala de produ\u00e7\u00e3o mas com produtos de valor agregado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Poucas empresas estar\u00e3o preparadas para enfrentar todas essas mudan\u00e7as de uma vez s\u00f3. Existem, por outro lado, milhares de empresas que dever\u00e3o participar do processo de difus\u00e3o dessas novas tecnologias aos poucos, de acordo com suas trajet\u00f3rias, suas capacidades e suas estrat\u00e9gias. O processo de transi\u00e7\u00e3o para a Ind\u00fastria 4.0, para a maioria das empresas, ser\u00e1 gradual, sendo determinado pelos investimentos realizados e pela capacita\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e produtiva j\u00e1 existente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em um pa\u00eds cada vez mais integrado \u00e0 economia global, a competitividade da ind\u00fastria depender\u00e1 da capacidade das empresas nacionais em incorporar as novas tecnologias da Ind\u00fastria 4.0, permitindo que elas possam competir em igualdade de condi\u00e7\u00f5es em seu mercado interno e externo. S\u00e3o passos como esse que permitir\u00e3o que o Brasil cres\u00e7a \u2018hoje\u2019 \u2013 e n\u00e3o daqui meio s\u00e9culo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">___<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nath\u00e1lia Pufal \u00e9 Doutoranda em Administra\u00e7\u00e3o com \u00eanfase em Inova\u00e7\u00e3o, Tecnologia e Sustentabilidade pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com per\u00edodo sandu\u00edche na George Washington University (EUA) a partir de setembro. \u00c9 pesquisadora do N\u00facleo de Estudos em Inova\u00e7\u00e3o (NITEC) e se dedica ao estudo da constru\u00e7\u00e3o de capacidades de inova\u00e7\u00e3o das firmas. <br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Nath\u00e1lia Pufal De acordo com dados divulgados recentemente pela Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria, o Brasil levar\u00e1 mais de meio s\u00e9culo para alcan\u00e7ar o produto per capita de pa\u00edses desenvolvidos, se mantida a taxa m\u00e9dia de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) nacional registrada nos \u00faltimos 10 anos. 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