Foto coletiva

No dia 20 de novembro, quarta-feira, a comunidade negra da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) realizará, pelo terceiro ano consecutivo, uma foto coletiva com discentes, servidores e trabalhadores terceirizados negros da instituição de ensino. O encontro intitulado “Sim, representatividade importa” ocorrerá às 12h30min, em frente à reitoria, com objetivo de reafirmar a necessidade de existência desta etnia na sociedade e, especial, no mundo acadêmico. Além da imagem simbólica, quase impensável antes das ações afirmativas, haverá slam ‘batalhas de versos”, mostra artística e microfone aberto para manifestações relacionadas à temática.

Em uma década, a oportunidade de um negro ter um diploma de graduação aumentou quase quatro vezes. Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que o percentual de pretos e pardos que concluíram a graduação cresceu de 2,2%, em 2000, para 9,3% em 2017. No entanto, apesar do crescimento, a população negra ainda não alcançou um índice equiparado ao percentual historicamente registrado por brancos diplomados. Entre a população branca, a proporção atual é de 22% de graduados. O ensino superior alavanca oportunidades e o acesso a elas é um instrumento para uma sociedade promover a igualdade de fato.

A responsável pela Coordenadoria de Acompanhamento do Programa de Ações Afirmativas (CAF), Denise Jardim, relata que ao longo de 10 anos, a implementação de reserva de vagas na UFRGS vem ampliando oportunidades e alcançando uma representatividade maior da presença negra na sociedade brasileira e gaúcha no ensino superior público e gratuito. Segundo ela, se em 2008, a UFRGS estipulou uma reserva de 30% de suas vagas para egressos do ensino público, repartindo esse percentual em 15% para autodeclarados negros e 15% para não autodeclarados, em 2012 as vagas reservadas foram ampliadas e passaram a ser 50% da oferta anual. Este novo percentual, reservou a metade das vagas para autodeclarados negros e indígenas e, atualmente os percentuais combinam ainda a situação de origem de famílias de baixa renda (sejam elas autodeclaradas ou não). “Recentemente, começamos a colher os bons frutos dessa política. A “janela de formatura” de quem ingressou a partir de 2008 começa a ser alcançada em muitos cursos. Considere para isso que um aluno leva em média de 5 a 6 anos em algumas áreas de conhecimento desde seu ingresso. Com todo o esforço dispendido por estudantes e seus familiares, celebramos os diplomados oriundos de escolas públicas e também autodeclarados negros: alcançamos 551 diplomados. É pouco? É pouco perto do que almejamos. À diferença das décadas que se passaram, isso significa ter diplomados em todos os cursos da universidade, inclusive naqueles que historicamente não tinham representatividade negra”, reflete.

Diante desses dados, que mostram as conquistas existentes e a necessidade de avanços, reafirmando a resistência de Zumbi dos Palmares, a foto coletiva das pessoas negras integra o programa de extensão Novembro Negro na UFRGS, promovido pelo Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros, Indígenas e Africanos (NEAB). Ao longo dos meses, pelo menos 60 atividades alusivas à Consciência Negra estão sendo realizadas na universidade. Para conferir a programação que comemora os avanços e reflete sobre as demandas dos negros 131 anos após a abolição da escravização, acesse: ufrgs.br/novembronegro