Projetos de Pesquisa e Extensão – Profª. Rose Gurski

PROJETOS DE PESQUISA

 

Rodas de sonhos na socioeducação: saúde mental e oniropolítica em tempos de (pós) pandemia (2021 – Atual)

Projeto vinculado à Bolsa de Pós-Doutorado Sênior/PDS 2021. Como questão central da presente proposta, temos: de que modo a temática dos sonhos, através da oniropolítica, poderia auxiliar na construção de melhores condições de saúde mental? Nos dedicaremos a construir um dispositivo de escuta nas Rodas de Sonhos como um modo de auxiliar na ampliação de melhores condições de saúde mental aos adolescentes que cumprem medidas socioeducativas de privação de liberdade. Temos pensado que a difusão de dispositivos de escuta, tais como a proposta das Rodas de Sonhos, pode significar uma melhor racionalidade nos custos dirigidos a esta política pública. Ao invés de longos períodos de internação, ou mesmo das frequentes reincidências, precisamos investir as verbas na realização de ações que realmente ofereçam perspectivas de vida para estes jovens. Nesse sentido, precisamos pensar sobre os caminhos de otimização dos recursos destinados à política de Socioeducação, visto que investir na saúde mental dos adolescentes, assim como dos trabalhadores, pode repercutir de modo positivo, propiciando outros modos de representação de si no laço social que não a via da violência.

A Oniropolítica em construção em tempos de pandemia (2020 – Atual)

Trata-se de um trabalho conjunto de três universidades públicas brasileiras: UFRGS, UFMG e USP. No RS, a pesquisa é coordenada pelas professoras Rose Gurski e Cláudia Maria Perrone, ambas docentes do Instituto de Psicologia da UFRGS e do PPG Psicanálise: clínica e cultura; em São Paulo, a coordenação é dos professores Christian Dunker e Miriam Debieux, do Instituto de Psicologia e do Programa de Pós-graduação em Psicologia Clínica da USP; em Minas Gerais, a coordenação é do Prof. Gilson Iannini, do Departamento de Psicologia e do Programa de Pós-graduação em Psicologia, ambos da UFMG. Em meio aos estudos sobre o campo dos sonhos, da política e da psicanálise, através dos projetos sobre a oniropolítica em construção e as rodas de sonhos com adolescentes da FASE, vimos acontecer, no ano de 2020, a pandemia do Covid-19. Nesse contexto, percebemos uma intensificação do que já vínhamos problematizando: a demanda atual reprimida por produções criativas que repercutam nos modos de lidar com o achatamento da dimensão política e na via do livre pensar ? questões que, entre outras, compõem a dimensão do sofrimento sociopolítico atual. O trabalho que queremos construir com a oniropolítica (Dunker, 2019; Gurski e Perrone, 2019) não é relativo à dimensão terapêutica do sonho, nem tampouco à proposta de construir noções específicas de uma biografia ou mesmo da psicopatologia do sujeito. Trata-se de pensar na função coletiva do sonho e do sonhar desde questões que se estendem às formas políticas e sociais nas quais os sujeitos estão inseridos. Também acreditamos que a oniropolítica configura-se como um modo de tensionar as atuais políticas de morte, pela via de ferramentas de trabalho que dispomos – a articulação entre psicanálise, sonhos e política. Frente ao novo contexto trazido pela pandemia, áreas vinculadas à saúde, à educação e à ciência em geral parecem ter sido ainda mais atingidas. Por um lado, profissionais da saúde trabalhando na linha de frente, expondo-se ao risco de vida e, por outro, educadores, em função do isolamento social, vendo-se no desafio de criar novas maneiras de transmitir e ensinar à distância sem qualquer tipo de respaldo metodológico. Portanto, além do clima atual de incertezas e angústias que toca a todos, temos visto uma especial fragilização da saúde mental dos educadores e profissionais da saúde. A pesquisa considera a possibilidade de que as narrativas oníricas, quando compartilhadas e endereçadas a outro, possam decantar na produção de novos sentidos sobre os efeitos do mal-estar atual, além de abrir a possibilidade de fazer furo no discurso totalitário e hermético da atualidade. Assim, desde março de 2020, quando se instalou a situação do Covid-19 no Brasil, passamos a construir esta nova nuance nas pesquisas que articulam sonhos, psicanálise e política: trata-se de colher os sonhos da população em geral, mas, em especial e em grupos separados, de profissionais da saúde e educação em tempos de pandemia.

Atenção a sujeitos com problemáticas sociais: ação educativa, intervenção clínica e trabalho social (2020- Atual)

A proposta de investigação internacional reúne parte dos membros da RUEPSY (Réseau Universitaire International d Études d Éducation et Psychanalyse) de universidades do Brasil (UFMG, UFOP, UFPI e UFRGS), França (Rouen-Normandie), Espanha (UOC) e Argentina (Flacso e UNR), para intercambiarem ações e intervenções no âmbito social de ordem educativa, clínica e de cuidado. Como tal, visa-se: (1) ‘problematizar o real’ com base nos aportes da psicanálise, da educação social e da educação inclusiva, sendo as principais disciplinas que orientam os trabalhos dos membros; (2) sistematizar saberes, práticas e modos de ação e de intervenção nos mais diversos âmbitos sociais, colhendo seus efeitos nos meios onde são praticados; e também (3) construir uma ‘epistemologia clínica e educativa no trabalho social’ de cunho internacional a partir da convergência de subprojetos das universidades proponentes voltados à atenção a sujeitos com problemáticas sociais. A proposta prevê o desenvolvimento do trabalho investigativo comum, cruzando dados, ações, intervenções e resultados de diferentes países euro-latinos; e a realização de publicações, traduções, intercâmbio de professores e estudantes, eventos científicos, conferências, cursos, bancas examinadoras de trabalhos acadêmicos, co-orientações, cotutelas e supervisões de pós-doutorado, para o claro fortalecimento de parcerias de profissionais desses continentes a fim de contribuir para reverter os mais diversos problemas sociais que afetam seus sujeitos.

Os novos fascismos e a oniropolítica (2020- Atual)

A análise do fascismo aparece como um dos temas mais importantes da Teoria Crítica, expressa principalmente na obra de Theodor Adorno, Walter Benjamin e Hannah Arendt. Nessas reflexões a psicanálise ocupou um lugar fundamental ao problematizar a estigmatização da diferença, impulsionada pela incapacidade de compreensão e aceitação dos próprios conteúdos pulsionais do sujeito, acarretando o desenvolvimento de fortes tendências de segregação, sustentadas pela identificação com um líder. Esse projeto tem como objetivo retomar a relação da Teoria Crítica com a psicanálise e analisar os novos fascismos. O neoliberalismo tem pretensões totalizantes que pretendem anular a heterogeneidade subjetiva operando um processo de homogeneização no qual todo aquele que não o aceite é excluído. A razão neoliberal inscreve sua lógica nos sujeitos e constrói um fascismo anônimo que demanda segurança e proteção de modo hiperindividualizado, colocando em risco o laço social, pois o outro é uma ameaça que deve ser destruída, é apenas animal laborans. A democracia está em risco se for entendida como sede da soberania popular. O soberano, o amo, o mestre são anônimos, são vozes que circulam nas redes sociais. Os sujeitos se veem como completos nas suas identificações como empresários de si, e não desejam enfrentar a falta que os constitui, entre eles a política. Investigar o que temos chamado de oniropolítica é a aposta de um novo desejo de vontade política, emancipadora a partir do reconhecimento da heterogeneidade, do sujeito e não do indivíduo, redefinindo o laço social a partir da interpelação do social a partir do político.

Rodas de sonhos com adolescentes em situação de vulnerabilidade social (2020- Atual)

Projeto vinculado à Bolsa de Produtividade em Pesquisa (PQ) ? categoria pesquisador 2. Desde 2014, através de diferentes pesquisas e intervenções, o NUPPEC-Eixo 3, grupo que coordeno, vem consolidando uma parceria com a Fundação de Atendimento Socioeducativo do Rio Grande do Sul (FASE-RS), instituição responsável pela execução de medidas socioeducativas de privação de liberdade no Rio Grande do Sul. De lá para cá, fomos experimentando e consolidando diferentes dispositivos de escuta ofertados aos jovens em cumprimento de medida socioeducativa a partir do uso uma mesma tecnologia social: a circulação da palavra. Nos últimos anos, notamos um incremento da circulação do tema do sonho em suas falas, o que nos levou a pensar na relevância de construir um outro espaço, com uma metodologia específica referente ao campo da pesquisa psicanalítica, para que tal temática pudesse ser escutada de modo mais incisivo e com a possibilidade de produzir efeitos para os sujeitos e para a construção metodológica-conceitual no campo. Nesse contexto, surgiu, em 2019, o desejo de construir e consolidar uma metodologia que sustente o que temos chamado de Rodas de Sonhos, um dispositivo que nasce do encontro entre o tema do sonho ? desde a psicanálise e da teoria benjaminiana ? e as problematizações da adolescência em situação de violência e vulnerabilidade. Por se tratar de uma pesquisa-intervenção, as Rodas nutrem o campo da pesquisa com novas questões e, simultaneamente, produzem efeitos no âmbito da saúde mental aos seus participantes. Objetivos: (a) no âmbito da pesquisa: consolidar as bases teórico-metodológicas de um dispositivo de pesquisa-intervenção inovador que pode ser facilmente replicado em diferentes contextos institucionais, sobretudo aqueles que tenham como público alvo adolescentes em situação de violência e vulnerabilidade; (b) no âmbito da intervenção: promover melhores condições de saúde mental aos jovens que cumprem medida socioeducativa, aspecto fundamental no processo de responsabilização desses frente ao ato infracional praticado; entendemos que uma responsabilização mais efetiva pode propiciar uma diminuição considerável das taxas de reincidência infracional, o que, por sua vez, promoveria importantes impactos econômicos aos cofres públicos menos recursos sendo gastos e mais eficiência na ressocialização dos jovens.

Rodas de sonhos com adolescentes em situação de vulnerabilidade social (2019 – Atual)

Com a presente pesquisa-extensão, nosso objetivo é explorar com mais ênfase os efeitos que advém de uma intervenção cuja metodologia é baseada no sonho, temática cara à psicanálise e à teoria benjaminiana. Através de Rodas de Sonhos, objetivamos analisar a relação entre os discursos sociais hegemônicos e a vida onírica dos adolescentes em situação de privação/restrição de liberdade da FASE-RS (Fundação de Atendimento Socioeducativo do Rio Grande do Sul). Há alguns anos, no campo da construção de dispositivos clínicos para adolescentes em situação de violência e vulnerabilidade, temos apostado na potência da escuta psicanalítica conjugada aos aspectos ético-metodológicos do tema da experiência e da flânerie em Walter Benjamin. Propor um espaço para que seja possível investigar, de modo mais apropriado, a vida onírica dos adolescentes importa, pois apostamos que, através desta pesquisa-intervenção, possa vir a se revelar não apenas o que é da ordem do singular de cada um desses sujeitos, mas também algo da ordem da cultura, dos discursos/sintomas compartilhados no laço social contemporâneo.

Curso de vida e trajetória delinquencial: Um estudo exploratório dos eventos e narrativas de jovens em situação de vulnerabilidade (2017 – Atual)

Investigar, a partir da transdisciplinaridade entre Sociologia, Psicanálise, Direito, Educação e Saúde, o curso de vida de jovens em vulnerabilidade, acolhidos pelo sistema socioeducativo, a fim de identificar eventos que expliquem a entrada, permanência e/ou não permanência, desistência e/ou não desistência, específicos da experiência adolescente com a delinquência.

 A psicanálise na socioeducação: a escuta-flânerie com agentes socioeducativos  (2017 – Atual)

O presente Projeto de Pesquisa tem como objetivo explorar os efeitos da potência da palavra compartilhada no trabalho com agentes socioeducativos, tendo em vista a criação de melhores condições de saúde mental no cotidiano da Instituição. Nesse sentido, pretendemos ampliar a noção metodológica do que temos chamado de de escuta-flânerie para um espaço mais coletivo, no qual os agentes possam efetuar o compartilhamento de suas experiências de trabalho em pequenos grupos. Os aspectos metodológicos que sustentarão esse trabalho com os agentes assentam-se, especialmente, na ética psicanalítica em conjugação com os efeitos ético-metodológicos extraídos do tema da experiência em Walter Benjamin. Trabalharemos com a análise dos diários de experiência, um compilado escrito acerca das vivências, experiências e questionamentos dos pesquisadores vinculados ao Projeto que participarão dos referidos encontros juntamente com os agentes socioeducativos. A leitura que decantará dos estudos teóricos e das discussões do Grupo de Pesquisa irá compor, juntamente com os diários de experiência, o corpus desta investigação.

Retratos da Produção Acadêmica de Psicanálise e Educação na Região Sul do Brasil (2016 – 2017)

O presente projeto de pesquisa, origina-se do trabalho desenvolvido no Núcleo de Pesquisa em Psicanálise, Educação e Cultura (NUPPEC/UFRGS) e tem como principal proposta circunscrever a produção acadêmica no campo da Psicanálise e Educação da Região Sul do Brasil ? Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina ? a partir da metodologia de survey bibliográfico. As principais fontes do survey serão os bancos eletrônicos de trabalhos da Capes, do Google Acadêmico, do Scielo, do BVS-Psi e de várias universidades e editoras brasileiras. Importa ressaltar que este estudo surge do trabalho que vem sendo desenvolvido pelos docentes pesquisadores do Programa de Pós-graduação em Psicanálise: Clínica e Cultura, Profª. Dra. Rose Gurski e Profª. Dra. Simone Moschen, em parceria com os professores pesquisadores do Grupo de Trabalho de Psicanálise e Educação da ANPEPP (Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Psicologia). A partir desta investigação, cujo recorte e o campo da Psicanálise e Educação, buscaremos identificar e problematizar os principais eixos teóricos que estão sendo trabalhados atualmente pelos pesquisadores dentro das IE?s na região sul do pais. A identificação destes pesquisadores visa sobretudo a organização e o incremento das parcerias, reflexões e articulações entre os diferentes pesquisadores no campo supracitado. Esta Pesquisa está inserida em um projeto maior do GT citado que pretende, em longo prazo, construir um survey nacional da produção acadêmica no campo da Psicanálise e Educação.

Ritmos, adolescência e poesia (R.A.P.): dos muros à musicalidade na socioeducação (2015 – atual)

Buscando alargar a compreensão do sofrimento juvenil contemporâneo – através do desdobramento e da articulação de conceitos da Psicanálise do adolescente, da filosofia de Walter Benjamin e do tema da violência no laço social atual – propomos, neste Projeto, a escuta de adolescentes em conflito com a lei a partir de um trabalho com Oficinas de RAP na FASE-RS (Fundação de Atendimento Socioeducativo do Rio Grande do Sul). Teremos, então, a música e a letra, atendendo a uma solicitação apresentada por eles com frequência significativa. Apostamos que, ao ouvir a música e ter um contexto diferenciado com as letras, poderão surgir questões diversas acerca de suas angústias e dissabores. Trabalharemos com a análise dos diários de experiência dos bolsistas vinculados ao Grupo de Pesquisa que participarão da oficina de RAP com os adolescentes da FASE-RS. Os bolsistas farão registros escritos após a finalização de cada atividade. Sublinhamos que a leitura que decantará dos estudos teóricos e das discussões do grupo de pesquisa irá compor, juntamente com os diários de experiência, o corpus desta investigação. A oferta de uma oficina de RAP, pretende configurar um espaço de circulação da palavra e de construção/transmissão da experiência para este grupo de jovens. Buscamos, com esse movimento, fazer com que seu(s) sofrimento(s) possa ser nomeado e simbolizado através de outras representações que não os atos violentos e os diferentes modos de expressão da conflitiva com a lei.

 Rodas de Conversa como dispositivo para Inclusão Escolar: diálogos entre Psicanálise, Saúde Mental e Educação Especial (2015 – 2017)

O presente projeto de pesquisa teve como ponto de partida a experiência com a infância de crianças da educação especial – e seus respectivos docentes – em escolas públicas de um município do interior do Rio Grande do Sul. Nesta experiência, constatamos que as escolas, cada vez mais, tem encaminhado uma demanda significativa de alunos considerados da educação especial aos profissionais da área da saúde, demanda que é principalmente dirigida à psicologia. Essa experiência, situada no enlace entre saúde mental e educação especial, levou-nos ao desejo de ampliar as reflexões acerca dos impasses que ocorrem nesses encontros no âmbito da escola. As Rodas de Conversas, dispositivo criado para a intervenção, baseou-se em uma escuta livre, inspirada na psicanálise, norteando, assim, o caminho de nossa construção, nossas perguntas e o modo de realizar a investigação. Quando a palavra iniciou a girar nas Rodas de Conversas, algumas repetições nas falas das educadoras relativas ao aluno dito diferente nos chamou atenção. Algumas delas: o receio com a falta de preparo deles, o medo por não saber o que fazer com esses alunos, a importância em terem um diagnóstico, a ausência de alguém que as escute e diga como fazer. Um dos efeitos das Rodas de Conversas foi as educadoras descobrirem que não havia receitas; que encaminhar o aluno para fora da escola não isenta sua responsabilidade diante dele; que a construção do saber pode se dar no compartilhamento de experiências. Pensamos que as Rodas de Conversas funcionaram como um espaço possível de transformação pela via da palavra que, ao sublinhar a experiência do sujeito, pôde contribuir com um outro olhar e, quiçá, outro fazer no dia-a-dia com os alunos da educação especial.

 Os jovens em conflito com a lei, a violência e o laço social (2014 – 2018)

Atualmente, percebe-se uma crescente preocupação com a população juvenil, especialmente pelo aumento das situações de angústias e sofrimentos ligados a ela. Dentre os sintomas que revelam uma dose desse mal-estar, estão os atos violentos e/ou criminosos protagonizados por jovens – que acabam revelando diferentes nuances de suas conflitivas com a lei. Neste âmbito, inquieta-nos a via da criminalização como, muitas vezes, única forma de leitura desses atos. Não se abrem espaços para a escuta do que pode estar cifrado acerca da posição do sujeito e do laço social, nos atos de transgressão ensejados. Diante desse cenário, este projeto objetiva investigar os efeitos que a construção e abertura de um espaço de circulação da palavra e de narrativas de si podem produzir nos adolescentes denominados socialmente de infratores ou em conflito com a lei. Partimos da noção de que os atos transgressivos, com uso ou não da violência, podem estar funcionando como modos dos sujeitos obterem um reconhecimento que não é possível por outras vias. O trabalho de escuta-intervenção proposto partirá do referencial psicanalítico, acrescido do tema da experiência em Walter Benjamin.

 Cine na Escola: entre as bordas da educação e saúde mental (2012 – 2015)

Este projeto esteve inserido no contexto das investigações sobre adolescência psicanálise, educação e cinema. Neste recorte, especificamente, além de procuramos alargar a compreensão da psicopatologia da adolescência contemporânea, buscamos a construção de dispositivos de intervenção no trabalho com adolescentes através do desdobramento e da articulação de conceitos da Psicanálise com os escritos de Walter Benjamin. Desenvolvido em parceria com a Estratégia de Saúde da Família da Ilha da Pintada (AHMV/RS), o Cine na Escola, como ficou “batizado” o trabalho, propõe sessões de cinema e debates com os adolescentes e jovens, a fim de discutir os possíveis enlaces do cinema com o tema da experiência e com a construção de narrativas por parte deles. Através de filmes que falam da diversidade da vida com seus impasses e possibilidades e que apresentam múltiplos discursos, entendemos que se torna possível provocar a imaginação, o devaneio, as reflexões, entre outros. Trabalhamos, através das narrativas fílmicas, temas caros aos jovens, utilizando a interessante dimensão que o cinema pode ter enquanto transmissor de experiência, difusor de múltiplas possibilidades narrativas e construtor de utopias.

Psicopatologia da Adolescência contemporânea: a experiência, o tempo e os impasses da inscrição adolescente na atualidade (2010 – 2014)

Esta pesquisa buscou alargar a compreensão da psicopatologia contemporânea através do desdobramento e da articulação dos conceitos da Psicanálise e dos escritos de Walter Benjamin. Por meio deste estudo, se potencializou a escuta e o tratamento de adolescentes cujo mal-estar está atrelado às condições do tempo atual. A pesquisa foi dividida em duas partes, em um primeiro momento, buscou-se interrogar e explorar o modo pelo qual os conceitos de experiência e de tempo, presentes na teorização de Walter Benjamim, podem auxiliar na discussão sobre os impasses do adolescer na atualidade, especialmente no que se refere ao tema de inscrição do sujeito adolescente. Em um segundo momento, verificamos como a melhor compreensão destes elementos pode ajudar na escuta de adolescentes em situação de sofrimento psíquico por parte das equipes de saúde da Rede. Entendemos que, ao articular conceitos passíveis de ajudar na melhor compreensão das condições do discurso social que recepcionam os atos juvenis na atualidade, pôde se constituir um modo de qualificar os diagnósticos, bem como os atendimentos de adolescentes em situação de sofrimento psíquico.

PROJETOS E AÇÕES DE EXTENSÃO

Rodas de Sonhos na Socioeducação II – A Oniropolítica em Construção (2020 – Atual)

Através das Rodas de Sonhos, seguir na direção da consolidação de uma metodologia de pesquisa-intervenção que nasce do encontro entre o tema do sonho desde a psicanálise, com a teoria benjaminiana e a realidade dos adolescentes em privação de liberdade. Com esta ação, temos por objetivo trazer os fundamentos da psicanálise, no caso o tema do sonho, para pensar a metodologia de pesquisa-intervenção psicanalítica no campo social com sujeitos adolescentes em situação de vulnerabilidade. Trata-se de tomar o sonho e o sonhar dos adolescentes desde uma perspectiva coletiva e política, noção presente no conceito inovador de oniropolítica que temos forjado.

Rodas de sonhos com adolescentes em situação de vulnerabilidade social (2019 – 2020)

Através de Rodas de Sonhos, oferecer um espaço de fala e escuta aos jovens em conflito com a lei da FASE-RS (Fundação de Atendimento Socioeducativo do Rio Grande do Sul) que nos dê subsídios para analisar a relação entre os discursos sociais hegemônicos e a vida onírica desses meninos. Temos como objetivo explorar com mais ênfase os efeitos que advém de uma intervenção cuja metodologia é baseada no sonho, temática cara à psicanálise e à teoria benjaminiana.

 Rodas de R.A.P. (Ritmos, Adolescência e Poesia): dos muros à musicalidade na socioeducação II (2018-2019)

Consolidar as Rodas de R.A.P (Ritmos, Adolescência e Poesia) ao seguir oferecendo um espaço de fala e escuta em conjugação com narrativas musicais demandadas pelos jovens em conflito com a lei da FASE-RS (Fundação de Atendimento Socioeducativo do Rio Grande do Sul). O trabalho de escuta-intervenção proposto parte do referencial psicanalítico, acrescido do tema da experiência em Walter Benjamin.

 Rodas de R.A.P. (Ritmos, Adolescência e Poesia): dos muros à musicalidade na socioeducação I (2017-2018)

Através das nomeadas Rodas de R.A.P (Ritmos, Adolescência e Poesia), oferecer um espaço de fala e escuta em conjugação com narrativas musicais demandadas pelos jovens em conflito com a lei da FASE-RS (Fundação de Atendimento Socioeducativo do Rio Grande do Sul). O trabalho de escuta-intervenção proposto parte do referencial psicanalítico, acrescido do tema da experiência em Walter Benjamin.

 As Políticas Públicas e a Socioeducação (2016)

Esta ação de extensão teve como objetivo conhecer melhor a realidade do Fórum Socioeducativo de Belo Horizonte. Foi uma atividade realizada em parceria com a FASE/RS e a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos do Estado do RS.

 Construção de dispositivos de trabalho com jovens em conflito com a lei: consolidando uma intervenção (2016-Atual)

Este Projeto de Extensão visa seguir a investigação dos efeitos da circulação da palavra com jovens em conflito com a lei bem como seguir elaborando a construção de um dispositivo de escuta que propicie outras condições de simbolização aos adolescentes.

 A construção de dispositivos de intervenção com jovens em conflito com a lei (2015 – 2015)

Esta ação de extensão esteve ligada ao trabalho de pesquisa e extensão no campo da adolescência do NUPPEC/CNPq. A articulação entre pesquisa e extensão foi desenvolvida nas reuniões semanais do grupo, nas quais discutiram-se de modo articulado as experiências do campo com o material teórico pertinente. Objetivamos, na época, investigar os efeitos que a construção e a abertura de um espaço de circulação da palavra e de narrativas de si podem produzir nos adolescentes denominados socialmente de infratores ou em conflito com a lei. Ou seja, que efeitos subjetivadores pode produzir um trabalho com a circulação da palavra e de narrativas de si a um grupo de adolescentes em conflito com a lei. Também buscamos elaborar a construção de um dispositivo de escuta que propicie outras condições de simbolização a esses sujeitos.

 A construção de dispositivos de intervenção em saúde mental com adolescentes das margens (2013 -2015)

Essa atividade junto a uma Equipe de Estratégia de Saúde da Família da Ilha da Pintada (AHMV) esteve vinculada ao tema da psicanálise e saúde pública. Buscou construir dispositivos de intervenções junto a adolescentes das margens.

 A construção de dispositivos de intervenção em saúde mental com adolescentes da periferia (2012 – 2013)

Este projeto buscou a construção de dispositivos de intervenção em saúde mental dirigidos aos adolescentes das margens. Ele foi desenvolvido junto à UBS da Ilha da Pinta. Lá, experimentamos duas intervenções: o “cine na escola” que acontece em uma escola da comunidade e o “conversas na praça” que acontece no SASE.

 Núcleo de Adolescência PSI e Saúde Pública: Os impasses da inscrição adolescente nas ilhas de Porto Alegre (2011 – 2011)

Este Projeto de Extensão esteve inserido no Contexto das investigações do NEPEIA – Núcleo de Estudo, Pesquisa e Extensão sobre Infância e Adolescência e visa ampliar a construção e transmissão de conhecimentos operados no encontro das questões da adolescência e saúde pública.