26 de Agosto de 2022 | OBSERVAR, COMUNICAR, PARTICIPAR, INTERVIR

OBSERVAR, COMUNICAR, PARTICIPAR, INTERVIR   

O setenário do Observatório da Comunicação Púbica é uma conquista da teoria e da práxis. Comemoramos esta chegada aos sete anos lembrando os saberes culturais e mitológicos, e as coincidências científicas que elegeram sete como o número ímpar às descrições sobre a vida e o universo.  Especialmente nesse dia, lembramos que é símbolo das conclusões, dos ciclos e da renovação, porque assim estamos em 2022.

Depois de sete anos, podemos afirmar que o Observatório da Comunicação Pública deu certo e extrapolou seu ousado objetivo inicial de operacionalizar processos para o “monitoramento da repercussão de políticas e temas de interesse público”. Aprovado pelo CNPq, foi constituído, então, como um espaço público, na universidade pública (UFRGS) e operado pelo Núcleo de Pesquisa e Comunicação Pública e Política (NUCOP). Capturar, classificar, analisar, visibilizar questões e produtos que sintetizam comunicação e interesse público são as marcas desta trajetória.

A experiência do OBCOMP permitiu que os conceitos comunicação pública, acontecimento público, difusão pública – que identificam a comunicação das instituições públicas, da sociedade organizada, da imprensa e o debate público entre estado, mídias e a opinião pública em torno de temas de interesse público –, adquirisse concretude. Para além do desenvolvimento das pesquisas, teses, dissertações e artigos originados no NUCOP, o site permitiu um exercício de cidadania, através da visibilidade de temas de interesse público identificados em situações e produtos gerados por organizações públicas e privadas, bem como a produção cientifica relacionada à comunicação politica, governamental, estatal e aos acontecimentos públicos.

A importância deste trabalho tem gerado parcerias e associações importantes com redes institucionais como INCT.DD – Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital; Rede Latino-Americana de Cátedras e Observatórios de Comunicação e Informação, Cultura e Desenvolvimento Social; RNCD - Rede Nacional de Combate à Desinformação; RENOI - Rede Nacional de Observatórios da Imprensa, além de parcerias com o Objethos - Observatório da Ética Jornalística e com o grupo de pesquisa GCCOP – Grupo de Pesquisa em Comunicação Organizacional, Cultura e Relações de Poder.

Além do espaço digital, a sede do OBCOMP é a sala 208 no PPGCOM/ UFRGS, que nesses sete anos abrigou alunos de graduação, bolsistas de iniciação científica e mestrandos, com dedicação em torno do Observatório. Cabe nomear e agradecer a Angelo Neckel, Brenda da Cruz, Jean Felipe Rossatto, Flahane da Roza, Lisiane Perfeito, Luciana Leite e Yago Nascimento. Os mestrandos e doutorandos, sob a orientação da professora Maria Helena Weber, são os responsáveis pelo funcionamento e a qualidade do Observatório que, nesses sete anos, teve também a coordenação técnica e crítica da Dra. Ana Javes Luz, que administrou o Observatório.

O impacto da pandemia, desde 2020, impôs desencontros e valorizou o trabalho e as reuniões virtuais, e o OBCOMP ficou mais silencioso mas logo voltou à tona, erguido por uma equipe entusiasmada e por propostas de reestruturação. Chegamos, então, a 2022, quando pesquisadores e professores, antes alunos, de diferentes instituições, resolveram vincular o projeto a outras universidades brasileiras (UFPel, UFRGS, UFSM-FW e UFSC) e à Université Sorbonne Nouvelle (Paris 3). Em decorrência, comemoramos também a transformação do OBCOMP em espaço e atividade de extensão na UFRGS, na UFSC e na UFSM-FW. Nesse novo ciclo, a estrutura do site passa a valorizar a autonomia e expansão das seções, assim como uma nova configuração estética que permita ampliar o acesso e a visibilidade. A coordenação está nas mãos de Maria Helena Weber (UFRGS), Fiorenza Zandonade Carnielli (UFRGS), Ana Javes Luz (NUCOP), Basilio Alberto Sartor (UFRGS), Camila César (Sorbonne), Carlos Locatelli (UFSC), Caroline Casali (UFPel), Janaina Gomes (UFSM/FW); Maria Berenice Machado (UFRGS) e Marlise Viegas Brenol (NUCOP).

Ratificamos aqui os objetivos para essa nova etapa do OBCOMP, determinados por cinco eixos normativos: (a) Comunicação Pública: promover a compreensão de que a comunicação pública é imanente ao estado democrático e às instituições públicas; (b) Interesse Público e cidadania: dar visibilidade a temas de interesse público em mídias, campanhas públicas e privadas, produtos comunicacionais, opiniões, manifestações e deliberações; (c) Debate Público: propiciar o debate sobre temas controversos, sensíveis promovidos pela produção científica, artigos, entrevistas, informações e outros; (d) Pesquisa e difusão científica: realizar o monitoramento, captura, classificação e difusão de informações sobre a produção científica e saberes sociais e (e) Prática Educacional e Extensão: desenvolver o trabalho interinstitucional voltado a processos de aprendizagem e de extensão que ampliam a responsabilidade das universidades.        

Por fim, reiteramos que as atividades desenvolvidas pelo OBCOMP reforçam a sua importância como um espaço de comunicação pública, capaz de tornar visíveis e debater discursos e produtos da comunicação que valorizam a democracia brasileira e combate aqueles que a ameaçam através da desinformação, da restrição ao acesso a informações de interesse público, a intimidação da livre opinião e, consequentemente, a redução do debate público. É isso que permite ampliar a função pública da universidade e o exercício da cidadania por aqueles que mantêm vivo o Observatório de Comunicação Pública, a quem devemos muitos agradecimentos.

Porto Alegre, 26 de agosto de 2022.