{"id":1120,"date":"2018-10-03T13:44:46","date_gmt":"2018-10-03T16:44:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/odela\/?p=1120"},"modified":"2018-10-03T15:26:50","modified_gmt":"2018-10-03T18:26:50","slug":"existe-um-partido-bolsonarista-apontamentos-sobre-a-relacao-entre-voto-e-classe-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/odela\/2018\/10\/03\/existe-um-partido-bolsonarista-apontamentos-sobre-a-relacao-entre-voto-e-classe-no-brasil\/","title":{"rendered":"Existe um partido bolsonarista? Apontamentos sobre a rela\u00e7\u00e3o entre voto e classe no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><strong>Bruno Marques Schaefer<\/strong> <span style=\"font-size: 10pt;\">(UFRGS)*<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na reta final da campanha eleitoral presidencial de 2018, todas as pesquisas apontam para a vit\u00f3ria no primeiro turno do candidato de extrema-direita Jair Bolsonaro (<span style=\"font-size: 10pt;\">PSL<\/span>). Este resultado, se confirmado ou n\u00e3o, j\u00e1 marca o pleito atual como o mais polarizado e violento desde a redemocratiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. O avan\u00e7o da extrema-direita no Brasil e no mundo tem sido objeto de estudos dos mais diversos autores e sob os mais distintos aportes te\u00f3ricos e metodol\u00f3gicos. O crescimento de <em>think tanks<\/em> neoliberais na Am\u00e9rica Latina (<span style=\"font-size: 10pt;\">ROCHA<\/span>, 2015), partidos e candidatos xen\u00f3fobos e racistas (<span style=\"font-size: 10pt;\">MOUFFE<\/span>, 2015), bem como a normaliza\u00e7\u00e3o de discursos autorit\u00e1rios, s\u00e3o fen\u00f4menos detectados e analisados por j\u00e1 extensa bibliografia cient\u00edfica (<span style=\"font-size: 10pt;\">HARVEY<\/span>, 2008; <span style=\"font-size: 10pt;\">KALTWASSER<\/span>, 2014). Neste artigo dialogo com esta literatura, mas n\u00e3o intento explorar rela\u00e7\u00f5es diretas de causalidade sobre o crescimento do representante da extrema-direita brasileira. Busco, em outra frente, explorar a rela\u00e7\u00e3o entre a inten\u00e7\u00e3o de voto para o candidato e posi\u00e7\u00f5es de classe social, propondo uma quest\u00e3o que deve, futuramente, ser melhor investigada, qual seja: \u00e9 poss\u00edvel dizer, em termos de classe, que se forma no momento atual um partido bolsonarista?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trabalho, nesse sentido, com os resultados das pesquisas de inten\u00e7\u00e3o de voto realizadas nos \u00faltimos meses. Estes s\u00e3o apresentados, geralmente, de modo agregado: candidato <span style=\"font-size: 10pt;\">X<\/span> possui <span style=\"font-size: 10pt;\">Y<\/span> por cento da prefer\u00eancia dos eleitores, o candidato <span style=\"font-size: 10pt;\">A<\/span> possui <span style=\"font-size: 10pt;\">B<\/span> por cento e assim por diante. Os telejornais normalmente tratam a informa\u00e7\u00e3o desta forma, que \u00e9 explorada pelos atores pol\u00edticos das mais distintas formas. Este olhar ao todo encobre, no entanto, informa\u00e7\u00f5es possivelmente ricas sobre os eleitores que pretendem votar nos diferentes candidatos, em geral, e em Bolsonaro, particularmente, no pleito deste ano. Observa\u00e7\u00f5es sobre a localiza\u00e7\u00e3o destas pessoas no espa\u00e7o social, para usar o termo de Bourdieu, podem ser \u00fateis no sentido de apresentar uma <em>topografia<\/em> do campo eleitoral da extrema-direita brasileira, e com quais extratos socioecon\u00f4micos da sociedade esta mais se comunica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como exposto no gr\u00e1fico 1, o avan\u00e7o das pesquisas de inten\u00e7\u00e3o de voto do DataFolha ao longo do ano de 2018 demonstram que a candidatura de Jair Bolsonaro se consolidou nos extratos de renda mais elevados do Brasil. Em termos de classifica\u00e7\u00e3o estat\u00edstica, entre as classes que recebem (1) entre cinco e dez sal\u00e1rios m\u00ednimos e (2) mais de dez sal\u00e1rios m\u00ednimos. Se em janeiro deste ano as candidaturas do Partido dos Trabalhadores (<span style=\"font-size: 10pt;\">PT<\/span>) (\u00e0 \u00e9poca o ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva) e de Bolsonaro empatavam entre estes extratos de renda, a sequ\u00eancia da campanha eleitoral demonstrou a consolida\u00e7\u00e3o do voto de alta renda no candidato da extrema-direita.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Gr\u00e1fico 1: Inten\u00e7\u00e3o de voto em 2018<\/p>\n<div id=\"attachment_1128\" style=\"width: 606px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1128\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-1128 size-full\" style=\"font-weight: bold;\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/odela\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Bruno-1-1.jpg\" alt=\"\" width=\"596\" height=\"318\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/odela\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Bruno-1-1.jpg 596w, https:\/\/www.ufrgs.br\/odela\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Bruno-1-1-300x160.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 596px) 100vw, 596px\" \/><p id=\"caption-attachment-1128\" class=\"wp-caption-text\">Fonte: <a href=\"https:\/\/datafolha.folha.uol.com.br\/eleicoes\/\">DataFolha<\/a><\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em termos hist\u00f3ricos, a literatura sobre elei\u00e7\u00f5es em Brasil aponta que a partir de 2006 h\u00e1 um realinhamento das prefer\u00eancias eleitorais em termos de classe social e arranjo geogr\u00e1fico. Daquele ano em diante o <span style=\"font-size: 10pt;\">PT<\/span>, na disputa presidencial, passa a ter melhor desempenho entre as classes sociais mais baixas e em regi\u00f5es economicamente mais desfavorecidas, principalmente no Nordeste. Autores como Glaucio Ary Dillon Soares consideraram que programas de transfer\u00eancia de renda, como o Bolsa Fam\u00edlia, seriam determinantes para que o partido aumentasse sua ader\u00eancia entre os mais pobres, enquanto esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o, como o dito Mensal\u00e3o, seriam determinantes para que o partido diminu\u00edsse sua ader\u00eancia entre os menos pobres (<span style=\"font-size: 10pt;\">SOARES &amp; TERRON<\/span>, 2008). O debate em torno da quest\u00e3o \u00e9 amplo e existem diverg\u00eancias emp\u00edricas e metodol\u00f3gicas (<span style=\"font-size: 10pt;\">LIMONGI &amp; GUARNIERI<\/span>, 2014). No entanto, como demonstrado no gr\u00e1fico 2, existe uma tend\u00eancia de diminui\u00e7\u00e3o de inten\u00e7\u00e3o de voto ao <span style=\"font-size: 10pt;\">PT<\/span> em quem ganha mais ao longo do tempo. Esta, no entanto, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o abrupta quanto a existente no pleito atual. Bolsonaro consolidou-se como candidato dos menos pobres, em um pleito extremamente fragmentado. Como demonstrado no gr\u00e1fico 1, 40% dos dois extratos mais elevados de renda familiar elegeram Bolsonaro como seu representante.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Gr\u00e1fico 2: Inten\u00e7\u00e3o de voto 2002-2018 (m\u00eas de refer\u00eancia junho)<\/p>\n<div id=\"attachment_1129\" style=\"width: 592px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1129\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-1129 size-full\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/odela\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Bruno-2.jpg\" alt=\"\" width=\"582\" height=\"318\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/odela\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Bruno-2.jpg 582w, https:\/\/www.ufrgs.br\/odela\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Bruno-2-300x164.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 582px) 100vw, 582px\" \/><p id=\"caption-attachment-1129\" class=\"wp-caption-text\">Fonte: <a href=\"https:\/\/datafolha.folha.uol.com.br\/eleicoes\/\">DataFolha<\/a><\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">A renda m\u00e9dia do brasileiro, per capta<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>, no \u00faltimo trimestre de 2017, foi, segundo dados do <span style=\"font-size: 10pt;\">IBGE<\/span>, de R$ 2.100,00<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>. Considerando que o sal\u00e1rio m\u00ednimo, no mesmo per\u00edodo, foi de cerca de R$ 937,00<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>, as pessoas que residem nos extratos de renda analisados neste artigo est\u00e3o em uma faixa minorit\u00e1ria e favorecida da popula\u00e7\u00e3o brasileira. Possuem rendimentos familiares maiores do que a m\u00e9dia per capta do restante dos brasileiros. Uma classe m\u00e9dia elevada, ou mesmo a classe alta. Esta defini\u00e7\u00e3o, em termos te\u00f3ricos, \u00e9 pobre, como bem atestado por trabalhos precedentes (<span style=\"font-size: 10pt;\">CARDOSO &amp; PRETECEILLE<\/span>, 2017; <span style=\"font-size: 10pt;\">SOUSA<\/span>, 2017). Aqui n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel esgotar este debate, t\u00e3o abrangente e heterog\u00eaneo, como o que se trava sobre a classe m\u00e9dia<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>. A quest\u00e3o que parece essencial \u00e9 que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, a partir de somente um indicador (renda m\u00e9dia familiar), ter boa defini\u00e7\u00e3o de classe social. No entanto, limita\u00e7\u00f5es no acesso e produ\u00e7\u00e3o de dados imp\u00f5em restri\u00e7\u00f5es e for\u00e7am decis\u00f5es metodol\u00f3gicas. Uso estes dados como esfor\u00e7o explorat\u00f3rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest\u00e3o \u00e9, sem mais rodeios, de que os mais favorecidos est\u00e3o com Bolsonaro. Este dado, por sua vez, nos possibilita afirmar que h\u00e1 um partido bolsonarista na sociedade brasileira?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Primeiramente, uma quest\u00e3o conceitual. N\u00e3o falo, neste artigo, em partido bolsonarista tendo em vista um partido no sentido jur\u00eddico-legal, como organiza\u00e7\u00e3o com estatuto pr\u00f3prio, cores e legenda. Retomo, neste ponto, a vis\u00e3o societal de partido pol\u00edtico, tal como formulada por autores t\u00e3o diversos quanto Gramsci e Lipset e Rokkan (1992)<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>: o<em>\u00a0partido enquanto v\u00ednculo entre Estado e sociedade, como \u201corganiza\u00e7\u00e3o\u201d que politiza determinadas clivagens sociais<\/em>. Neste sentido, o partido bolsonarista \u00e9 o partido dos mais privilegiados, em termos de renda, classe m\u00e9dia (m\u00e9dia) e classe m\u00e9dia alta, ou simplesmente alta. \u00c9 poss\u00edvel sim falar em um partido bolsonarista tendo em conta estes dados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os partidos no Brasil, afinal de contas, e em v\u00e1rios outros pa\u00edses com democracias mais longevas, n\u00e3o s\u00e3o organiza\u00e7\u00f5es historicamente capazes de estruturar a opini\u00e3o p\u00fablica. Cumprem diversas outras fun\u00e7\u00f5es que s\u00e3o importantes para o funcionamento do regime democr\u00e1tico de forma: recrutamento das elites pol\u00edticas, sustenta\u00e7\u00e3o parlamentar de governos, ocupa\u00e7\u00e3o de burocracias estatais, etc. No entanto, como j\u00e1 demonstrado em diversas pesquisas da Ci\u00eancia Pol\u00edtica e em pesquisas de opini\u00e3o, n\u00e3o cumprem um papel decisivo para o voto no que concerne a maioria do eleitorado. Estruturas partid\u00e1rias possibilitam maior permeabilidade no territ\u00f3rio nacional, mas n\u00e3o s\u00e3o r\u00f3tulos, como na perspectiva institucionalista (<span style=\"font-size: 10pt;\">ALDRICH<\/span>, 1995), que diminuem os \u201ccustos de decis\u00e3o\u201d do eleitor. Esta aus\u00eancia de v\u00ednculos centrais, mensurada pela falta de confian\u00e7a nas organiza\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias e baixa identifica\u00e7\u00e3o do eleitor para com os partidos, torna menos custosa a entrada eleitoral de \u201cpersonalidades\u201d, com capitais pol\u00edticos pr\u00f3prios e alheios a lealdades organizacionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O crescimento de Bolsonaro, neste sentido, demonstra que as teses sobre o sistema partid\u00e1rio brasileiro devem, ao menos, ser revistas em muitos de seus pressupostos. A ado\u00e7\u00e3o de uma perspectiva \u201csocietal\u201d da pol\u00edtica brasileira pode ser frut\u00edfera tanto para a an\u00e1lise da conjuntura espec\u00edfica de 2018, com o esvaziamento do partido da burguesia externa (<span style=\"font-size: 10pt;\">PSDB<\/span>), e realinhamento das clivagens pol\u00edticas (<span style=\"font-size: 10pt;\">BOITO JR. &amp; SAAD-FILHO<\/span>, 2017), quanto para os efeitos estruturais da poss\u00edvel elei\u00e7\u00e3o de um candidato de extrema-direita, sem estrutura organizacional, e sem v\u00ednculos de lealdade com partidos espec\u00edficos. N\u00e3o \u00e9 sem prop\u00f3sito retomar a an\u00e1lise de Marx no 18 Brum\u00e1rio. Quando o autor fala sobre o \u201cPartido da Ordem\u201d, ressalta que este fora constitu\u00eddo como agrupamento de diferentes fac\u00e7\u00f5es, separadas pelo \u201cfundamento material e a partir das rela\u00e7\u00f5es sociais correspondentes\u201d (<span style=\"font-size: 10pt;\">MARX<\/span>, 2011, p. 60), que n\u00e3o impedem, em momentos de ruptura, ou contra um inimigo maior (na Fran\u00e7a o comunismo, o anarquismo, ou qualquer nome que se vinculasse aos trabalhadores<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>), uma jun\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica: no n\u00edvel das elites pol\u00edticas, e de suas correspondentes bases sociais. No caso brasileiro atual, com a materializa\u00e7\u00e3o de apoios ao n\u00edvel da elite ao candidato Bolsonaro, e sua normaliza\u00e7\u00e3o enquanto democrata, a compara\u00e7\u00e3o com o 18 Brum\u00e1rio \u00e9 quase que irresist\u00edvel \u2013e necess\u00e1ria, com o devido e posterior aprofundamento emp\u00edrico (<span style=\"font-size: 10pt;\">CODATO &amp; PERISSINOTTO<\/span>, 2011).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tenho em conta, para finalizar, que n\u00e3o devemos partir de dados agregados das inten\u00e7\u00f5es de votos para realizar conclus\u00f5es longevas. Ser\u00e3o necess\u00e1rias pesquisas mais aprofundadas em termos metodol\u00f3gicos e te\u00f3ricos para que o mapa do voto bolsonarista seja tra\u00e7ado, em termos geogr\u00e1fico e de classe. No entanto, isto n\u00e3o invalida o questionamento inicial, com uma adi\u00e7\u00e3o importante: <em>existe um partido bolsonarista?<\/em> E, em caso afirmativo, <em>ele vem para ficar?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"font-size: 10pt;\">*Bruno Marques Schaefer \u00e9 doutorando em Ci\u00eancia Pol\u00edtica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. brunomschaefer@gmail.com\u00a0<\/span>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Para uma cr\u00edtica do uso da renda per capita como indicador, ver Sousa (2017).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a>\u00a0Ver \u00c9poca (2018).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a>\u00a0Ver O Globo (2017).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Uma interpreta\u00e7\u00e3o marxista pode ser encontrada em Saes (1984).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Mesmo Marx, no 18 Brum\u00e1rio, parte de uma ideia coalizacional de partido: \u201cDurante o m\u00eas de junho, todas as classes e todos os partidos se uniram no <em>Partido da Ordem <\/em>contra a classe prolet\u00e1ria, considerada o <em>partido da anarquia<\/em>, do socialismo, do comunismo\u201d (<span style=\"font-size: 8pt;\">MARX<\/span>, 2010, p. 36). Fica clara, assim, a ideia do autor acerca do partido enquanto coaliz\u00e3o social de classes sociais.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Qualquer semelhan\u00e7a com o Brasil, ver Folha de S\u00e3o Paulo (2018).<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BOITO Jr., Armando; SAAD-FILHO, Alfredo. Estado, institui\u00e7\u00f5es estatais e poder pol\u00edtico no Brasil. In: KATZ, Claudio <em>et al<\/em>. Latin American Perspectives en espa\u00f1ol y portugu\u00eas 1: Buscando alternativas pol\u00edticas y econ\u00f3micas. Buenos Aires; Riverside: CLACSO; Latin American Perspectives, 2017, p. 191-212.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CARDOSO, Adalberto; PRETECEILLE, Edmond. Classes M\u00e9dias no Brasil: Do que se Trata? Qual seu Tamanho? Como Vem Mudando? Dados, Rio de Janeiro, vol. 60,\u00a0n. 4,\u00a0p. 977-1023, 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CODATO, Adriano; PERISSINOTTO, Renato. Marxismo como ci\u00eancia social. Curitiba: Editora UFPR, 2011.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9POCA (Rio de Janeiro). Renda m\u00e9dia do trabalhador brasileiro sobe para R$ 2,1 mil, diz IBGE. 2018. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/g1.globo.com\/economia\/noticia\/salario-minimo-em-2017-veja-o-valor.ghtml&gt;. Acesso em: 29 set. 2018.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FOLHA DE S\u00c3O PAULO (S\u00e3o Paulo).\u00a0Brasil sair\u00e1 da &#8216;ONU comunista&#8217; se eu for eleito, diz Bolsonaro. 2018. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/poder\/2018\/08\/brasil-saira-da-onu-comunista-se-for-eleito-diz-bolsonaro.shtml&gt;. Acesso em: 02 out. 2018.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">HARVEY, David. O neoliberalismo: hist\u00f3ria e implica\u00e7\u00f5es. S\u00e3o Paulo: Edi\u00e7\u00f5es Loyola, 2008.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">KALTWASSER, Crist\u00f3bal R. La derecha en America Latina y su lucha contra la adversidad. Nueva Sociedad, n. 254, p. 34-45, 2014.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LIMONGI, Fernando; GUARNIERI, Fernando. A base e os partidos: As elei\u00e7\u00f5es presidenciais no Brasil p\u00f3s-redemocratiza\u00e7\u00e3o. Novos Estudos CEBRAP, S\u00e3o Paulo, n. 99,\u00a0p. 5-24, 2014.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LIPSET, Seymour Martin; ROKKAN, Stein. Estruturas de clivagem, sistemas partid\u00e1rios e alinhamentos de eleitores. In: LIPSET, Seymour Martin.\u00a0Consenso e Conflito. Lisboa: Gradiva, 1992, p. 161-259.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MARX, Karl. O 18 Brum\u00e1rio de Luis Bonaparte. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2010.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MELO, Carlos R.; C\u00c2MARA, Rafael. Estrutura da competi\u00e7\u00e3o pela presid\u00eancia e consolida\u00e7\u00e3o do sistema partid\u00e1rio no Brasil. Dados, vol. 55, n. 1, p. 71-117, 2012.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MOUFFE, Chantal. Sobre o Pol\u00edtico. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O GLOBO (Rio de Janeiro). Sal\u00e1rio m\u00ednimo em 2017: veja o valor. 2017. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/g1.globo.com\/economia\/noticia\/salario-minimo-em-2017-veja-o-valor.ghtml&gt;. Acesso em: 29 set. 2018.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ROCHA, Camila. Direitas em Rede: think tanks de direita na Am\u00e9rica Latina. In: CRUZ, Sebasti\u00e3o V.; KAYSEL, Andr\u00e9; CODAS, Gustavo (Org.) Direita, volver! O retorno da direita e o ciclo pol\u00edtico brasileiro. S\u00e3o Paulo: Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo, 2015, p. 261-278.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SAES, Decio. Classe M\u00e9dia e Sistema Pol\u00edtico no Brasil. S\u00e3o Paulo: T. A. Queiroz Editora, 1984.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SOARES, Gl\u00e1ucio Ary Dillon; TERRON, Sonia Luiza. Dois Lulas: a geografia eleitoral da reelei\u00e7\u00e3o (explorando conceitos, m\u00e9todos e t\u00e9cnicas de an\u00e1lise geoespacial). Opini\u00e3o P\u00fablica, Campinas, vol. 14,\u00a0n. 2,\u00a0p. 269-301, 2008.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SOUSA, Jess\u00e9 de. A Elite do Atraso: da escravid\u00e3o a lava-jato. S\u00e3o Paulo: Leya, 2017.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bruno Marques Schaefer (UFRGS)* Na reta final da campanha eleitoral presidencial de 2018, todas as pesquisas apontam para a vit\u00f3ria no primeiro turno do candidato de extrema-direita Jair Bolsonaro (PSL). Este resultado, se confirmado ou n\u00e3o, j\u00e1 marca o pleito atual como o mais polarizado e violento desde a redemocratiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. 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