{"id":1313,"date":"2019-01-14T14:05:40","date_gmt":"2019-01-14T16:05:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/odela\/?p=1313"},"modified":"2019-02-04T09:21:53","modified_gmt":"2019-02-04T11:21:53","slug":"pensando-os-pensadores-i-breves-apontamentos-sobre-o-desencadeamento-historico-da-revolucao-burguesa-no-brasil-segundo-florestan-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/odela\/en\/2019\/01\/14\/pensando-os-pensadores-i-breves-apontamentos-sobre-o-desencadeamento-historico-da-revolucao-burguesa-no-brasil-segundo-florestan-2\/","title":{"rendered":"Pensando os pensadores (I): Breves apontamentos sobre o desencadeamento hist\u00f3rico da Revolu\u00e7\u00e3o Burguesa no Brasil segundo Florestan"},"content":{"rendered":"<p><strong>Steici dos Santos <\/strong><span style=\"font-size: 10pt;\">(ODELA)*<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Florestan Fernandes, nascido em S\u00e3o Paulo em 22 de julho de 1920 e falecido, tamb\u00e9m, na cidade de S\u00e3o Paulo em 10 de agosto de 1995, aos seus 75 anos, foi um soci\u00f3logo e pol\u00edtico brasileiro. Al\u00e9m de suas obras marcantes que influenciam a academia at\u00e9 os dias atuais, Florestan ocupou cargo pol\u00edtico. Foi deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores e recebeu pr\u00eamios por suas obras. Formado em Ci\u00eancias Sociais pela USP, iniciou a vida docente em 1945 em uma disciplina de Sociologia II. Obteve t\u00edtulo de mestre na Escola Livre de Sociologia e Pol\u00edtica e, em 1951 defendeu sua tese na Faculdade de Filosofia, Letras e Ci\u00eancias Humanas da USP. Ao que tange a vida do nosso autor, este era filho de m\u00e3e solteira que exercia a fun\u00e7\u00e3o de empregada dom\u00e9stica. Florestan ent\u00e3o, desde cedo trabalhou, aos seis anos de idade come\u00e7ou como auxiliar em uma barbearia e posteriormente exerceu fun\u00e7\u00e3o de engraxate e gar\u00e7om. Demonstrou interesse na leitura e nos estudos, tamb\u00e9m, na sua juventude.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernandes, considerado um dos mais importantes soci\u00f3logos brasileiros, possui uma vasta publica\u00e7\u00e3o, tanto em livros, quanto em artigos, tornando a tarefa de indicar uma ou duas como suas principais obras. Em suas obras, o autor dialoga com a sociologia cl\u00e1ssica e moderna e o pensamento marxista, principalmente, como nos aponta Ianni (1996). Outra caracter\u00edstica das obras do autor \u00e9 seu teor cr\u00edtico, ainda conforme Ianni (1996) Florestan Fernandes \u201c\u00e9 fundador da sociologia cr\u00edtica no Brasil\u201d (IANNI, 1996, p. 26). O autor busca suas refer\u00eancias em pensadores brasileiros como S\u00e9rgio Buarque de Holanda, Fernando Henrique Cardoso, Celso Furtado, Caio Prado J\u00fanior, entre outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste texto n\u00f3s atentaremos apenas para o cap\u00edtulo intitulado \u201cDesencadeamento hist\u00f3rico da Revolu\u00e7\u00e3o Burguesa\u201d da obra cl\u00e1ssica do autor \u201cA Revolu\u00e7\u00e3o Burguesa no Brasil: ensaio de interpreta\u00e7\u00e3o sociol\u00f3gica\u201d.\u00a0 Nesta obra, podemos perceber elementos pol\u00edticos e econ\u00f4micos. Florestan tem como objetivo compreender a sociedade brasileira, desde sua forma\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento do capitalismo no Brasil. A primeira e segunda parte da obra foram escritas em 1966, j\u00e1 os cap\u00edtulos 6 e 7 entre 1974 e 1976 e sua publica\u00e7\u00e3o se deu em um contexto de ditadura militar no Brasil. O autor considerava seu trabalho como uma sociologia militante e n\u00e3o acad\u00eamica. Nos referindo \u00e0s partes do livro, a parte I e II apresentam um cunho te\u00f3rico mais pr\u00f3ximo de Weber, j\u00e1 a parte III \u00e9 de cunho marxista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O autor nos apresenta a forma\u00e7\u00e3o do capitalismo dependente com uma cr\u00edtica ao modelo econ\u00f4mico, pois a economia produzia para exporta\u00e7\u00e3o e n\u00e3o para o mercado interno, fazendo assim, do mercado interno um elemento secund\u00e1rio. Ao que tange sua an\u00e1lise sociol\u00f3gica o autor busca conseguir uma descri\u00e7\u00e3o integradora e totalizadora. \u00c9 nesse cen\u00e1rio que se d\u00e1 a Revolu\u00e7\u00e3o burguesa no Brasil de forma desnorteadora e desencadeada em uma economia colonial, perif\u00e9rica ou dependente. Fernandes aponta o senhor do engenho como n\u00e3o sendo um burgu\u00eas, pois esse possu\u00eda fun\u00e7\u00f5es de mercantiliza\u00e7\u00e3o e n\u00e3o de um empres\u00e1rio moderno. Outro ponto que por parte do autor \u00e9 uma cr\u00edtica a Caio Prado J\u00fanior \u00e9 que no Brasil n\u00e3o houve um feudalismo. Essa afirmativa \u00e9, at\u00e9 os dias atuais, um debate entre os estudiosos da forma\u00e7\u00e3o do Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Florestan nos aponta a Revolu\u00e7\u00e3o Burguesa como um elemento estrutural da sociedade brasileira e a independ\u00eancia teve papel fundamental, pois essa proporcionou melhora na posi\u00e7\u00e3o do senhor de engenho como um agente econ\u00f4mico. Essa revolu\u00e7\u00e3o burguesa levou a transforma\u00e7\u00e3o capitalista, mas n\u00e3o a uma revolu\u00e7\u00e3o nacional e democr\u00e1tica. O autor aborda ent\u00e3o, outros elementos da sociedade brasileira, como a escravid\u00e3o, a imigra\u00e7\u00e3o e o pr\u00f3prio trabalho assalariado que agora, com a implementa\u00e7\u00e3o do capitalismo e a aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o, comp\u00f5e a economia. O autor aborda a discuss\u00e3o de forma minuciosa no cap\u00edtulo sob estudo. Outra quest\u00e3o importante \u00e9 o comportamento da sociedade, o senhor de engenho tem um comportamento de manter seu status em uma primeira fase, posteriormente, adota um comportamento com objetivos estritamente econ\u00f4micos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os imigrantes, que apontamos anteriormente, tiveram um papel importante, pois ao contr\u00e1rio do que se afirme, Florestan nos aponta que os imigrantes n\u00e3o trouxeram o pensamento europeu capitalista, mas trazem a organiza\u00e7\u00e3o social e rompem com o <em>ethos<\/em> aristocr\u00e1tico. Pois, esses imigrantes v\u00eam com a inten\u00e7\u00e3o de acumular capital para uma melhora em suas condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, no entanto, esse projeto n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o claro. Percebemos que o autor apresenta n\u00e3o s\u00f3 a implementa\u00e7\u00e3o do capitalismo no Brasil e a pr\u00f3pria Revolu\u00e7\u00e3o Burguesa, mas a estrutura social que se formou com a mudan\u00e7a de sistema econ\u00f4mico. Essa interpreta\u00e7\u00e3o nos ajuda a compreender problemas que enfrentamos ainda hoje na sociedade brasileira, pois \u00e9 um comportamento reproduzido at\u00e9 os dias atuais. Tanto a preocupa\u00e7\u00e3o com o mercado externo, tornando o mercado interno elemento secund\u00e1rio na economia, como a estrutura de classes que n\u00e3o mudou, pois de um lado temos uma burguesia (seja ela interna ou externa) e de outro uma popula\u00e7\u00e3o assalariada com grande desigualdade, resultado de nossa forma\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e estrutural. Por isso, ainda hoje, a obra de Florestan Fernandes tem (e sempre ter\u00e1) papel fundamental na nossa compreens\u00e3o e interpreta\u00e7\u00e3o do Brasil.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">*O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior &#8211; Brasil (CAPES) &#8211; C\u00f3digo de Financiamento 001.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Refer\u00eancias<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">IANNI, Oct\u00e1vio. A Sociologia de Florestan Fernandes. Estudos Avan\u00e7ados, vol. 10, n. 26, p. 25-33, 1996.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FERNANDES, Florestan. A Revolu\u00e7\u00e3o Burguesa no Brasil: ensaio de interpreta\u00e7\u00e3o sociol\u00f3gica.\u00a0 3. ed.\u00a0 Rio de Janeiro: Guanabara, 1987. 413 p.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Steici dos Santos (ODELA)* Florestan Fernandes, nascido em S\u00e3o Paulo em 22 de julho de 1920 e falecido, tamb\u00e9m, na cidade de S\u00e3o Paulo em 10 de agosto de 1995, aos seus 75 anos, foi um soci\u00f3logo e pol\u00edtico brasileiro. 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