{"id":1376,"date":"2019-03-16T15:12:44","date_gmt":"2019-03-16T18:12:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/odela\/?p=1376"},"modified":"2019-03-16T15:14:01","modified_gmt":"2019-03-16T18:14:01","slug":"pensando-os-pensadores-iii-a-formacao-das-elites-politicas-em-jose-murilo-de-carvalho-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/odela\/2019\/03\/16\/pensando-os-pensadores-iii-a-formacao-das-elites-politicas-em-jose-murilo-de-carvalho-3\/","title":{"rendered":"Pensando os pensadores (III): A forma\u00e7\u00e3o das elites pol\u00edticas em Jos\u00e9 Murilo de Carvalho"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Steici dos Santos <\/strong><span style=\"font-size: 10pt;\">(ODELA)*<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jos\u00e9 Murilo de Carvalho, nascido em 8 de setembro de 1939, \u00e9 historiador e cientista pol\u00edtico brasileiro, natural de Andrel\u00e2ndia, MG, ocupa desde 2004 a Cadeira n\u00ba 5 da Academia Brasileira de Letras. Atualmente \u00e9 professor do Departamento de Hist\u00f3ria da UFRJ e j\u00e1 foi professor visitante em diferentes institui\u00e7\u00f5es nacionais e internacionais como a Universidade Federal de Minas Gerais, a Universidade de S\u00e3o Paulo, Universidade de Leiden, Universidade de Stanford, University of Notre Dame, entre outras Universidades onde atuou, tamb\u00e9m, como membro, pesquisador, etc. (ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS, 2004).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jos\u00e9 Murilo possui bacharelado em Sociologia e Pol\u00edtica pela Faculdade de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas da Universidade Federal de Minas, mestrado em Ci\u00eancia Pol\u00edtica pela Universidade de Stanford, especializa\u00e7\u00e3o em Metodologia de Pesquisa pela Universidade de Michigan e dois p\u00f3s-doutorados: um no Departamento de Hist\u00f3ria da Universidade de Stanford e outro pela Universidade de Londres. Al\u00e9m da carreira docente, Carvalho possui um extenso curr\u00edculo com participa\u00e7\u00f5es em diferentes atividades: cargos de dire\u00e7\u00e3o, participa\u00e7\u00e3o em colegiados e comiss\u00f5es. (ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS, 2004).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O autor dedica-se, em especial, ao estudo do Brasil Imperial e, atualmente, a cidadania. Dentre as diversas obras do autor, est\u00e3o: Os bestializados (1987), Teatro de Sombras: a pol\u00edtica imperial (1988), A forma\u00e7\u00e3o das almas (1990), Pontos e bordados: escritos de hist\u00f3ria e pol\u00edtica (1998), Cidadania no Brasil: o longo caminho (2002) e, por fim, que escolhemos para uma breve apresenta\u00e7\u00e3o do cap\u00edtulo 1, A constru\u00e7\u00e3o da Ordem: a elite pol\u00edtica imperial (1980). As obras de 1980 e 1988 possuem edi\u00e7\u00f5es mais recentes e se apresentam em um \u00fanico volume: <em>A constru\u00e7\u00e3o da ordem\/Teatro de sombras<\/em>. No cap\u00edtulo 1 da obra <em>A constru\u00e7\u00e3o da Ordem: a elite pol\u00edtica imperial (2006), <\/em>intitulado<em> Elites pol\u00edticas e constru\u00e7\u00e3o do Estado, <\/em>o autor resgata a forma\u00e7\u00e3o do Estado brasileiro enquanto ex-col\u00f4nia, para tanto Jos\u00e9 Murilo remonta o per\u00edodo de expans\u00e3o europeia (coloniza\u00e7\u00e3o, em especial no territ\u00f3rio brasileiro) e considera o fato de existir distin\u00e7\u00e3o na forma\u00e7\u00e3o dos Estados colonizadores e colonizados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O autor nos apresenta o debate te\u00f3rico acerca das elites pol\u00edticas remontando as ideias de Mosca e Pareto que, conforme Jos\u00e9 Murilo, possuem uma contribui\u00e7\u00e3o mais rica que a discuss\u00e3o que ele denomina do \u201cquem governa\u201d, apresentada na maioria dos trabalhos que versam sobre as elites e que, com o tempo, ca\u00edram em uma grande indefini\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, a abordagem usual deixa de lado o governo e o sentido da a\u00e7\u00e3o da elite. No entanto, nem Mosca e nem Pareto respondem precisamente sobre o surgimento dessas elites. Por isso, o esfor\u00e7o de Carvalho, como nos apresenta Perissinotto (1997), \u201cEm <em>A constru\u00e7\u00e3o da ordem<\/em>, Carvalho analisa a forma\u00e7\u00e3o da elite pol\u00edtica imperial e as suas transforma\u00e7\u00f5es no decorrer do per\u00edodo [&#8230;]\u201d (PERISSINOTTO, 1997, p. 203). Desta forma, o autor se prop\u00f5e a discutir a forma\u00e7\u00e3o das elites pol\u00edticas e do Estado enquanto institui\u00e7\u00e3o por excel\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir desse objetivo o autor apresenta algumas compara\u00e7\u00f5es e retoma os processos hist\u00f3ricos pelos quais passaram os pa\u00edses que foram colonizadores e col\u00f4nias. Neste cap\u00edtulo o autor apresenta a diferen\u00e7a na forma\u00e7\u00e3o entre as elites europeias, a americana e inglesa e, por fim, a forma\u00e7\u00e3o das elites em pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, em especial o Brasil. As diferen\u00e7as nas forma\u00e7\u00f5es das elites se apresentam pela exist\u00eancia de aspectos que referem-se \u00e0 composi\u00e7\u00e3o dessa elite, \u00e0 pr\u00f3pria forma\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e a natureza do pr\u00f3prio poder do Estado (CARVALHO, 2006).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A forma\u00e7\u00e3o das elites afeta a forma de atua\u00e7\u00e3o e a estrutura do pr\u00f3prio Estado. Em pa\u00edses com uma burocracia maior confundia-se o poder pol\u00edtico com cargos do governo, dominando as posi\u00e7\u00f5es ministeriais e se fazendo representar nos parlamentos. Nas situa\u00e7\u00f5es em que a predomin\u00e2ncia era parlamentar e partid\u00e1ria, o poder das elites provinha de outra forma que n\u00e3o atrav\u00e9s do Estado (CARVALHO, 2006). Al\u00e9m da burocracia do Estado, o autor faz refer\u00eancia ao servi\u00e7o p\u00fablico, enquanto nos EUA, como exemplificado por Jos\u00e9 Murilo, o servi\u00e7o p\u00fablico n\u00e3o era almejado e, por vezes, nem mesmo bem visto, em outros lugares era uma obriga\u00e7\u00e3o e com o passar do tempo virou o sustento daquele que o ocupava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao trazer as caracter\u00edsticas de pa\u00edses europeus e do EUA, o autor aborda a Am\u00e9rica Latina com aten\u00e7\u00e3o maior ao caso brasileiro, que \u00e9 o foco da obra. Ao fazer essa abordagem Jos\u00e9 Murilo discorre sobre a diferen\u00e7a entre a ex-col\u00f4nia espanhola e a ex-col\u00f4nia portuguesa. Ao passo que a parte portuguesa se manteve unificada, a parte espanhola se fragmentou o que acarretou na forma\u00e7\u00e3o distinta de diferentes elites. A elite brasileira apresenta uma homogeneidade ideol\u00f3gica e \u00e9 o que o autor denomina de <em>elite treinada<\/em>, ou seja, uma elite que recebeu forma\u00e7\u00e3o na Universidade de Coimbra, em maior n\u00famero no curso de Direito. Por essa forma\u00e7\u00e3o a maioria ocupava cargos p\u00fablicos, em especial, na magistratura e no ex\u00e9rcito. Diferente da \u201cestrat\u00e9gia&#8221; portuguesa, a espanhola foi de construir universidades em suas col\u00f4nias, o que contribuiu para que o territ\u00f3rio n\u00e3o fosse unificado como na ex-col\u00f4nia portuguesa, al\u00e9m de permitir a forma\u00e7\u00e3o de elites locais que n\u00e3o fossem sua pr\u00f3pria imagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O autor apresenta o debate de forma minuciosa e com profundidade, aqui buscamos levantar alguns pontos na tentativa de restar o debate das elites e da enorme contribui\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Murilo de Carvalho em explicar a origem da mesma, em especial no Brasil, e em como o autor trabalha elas, fugindo do que ele chama de literatura do \u201cquem governa\u201d, como j\u00e1 mencionado anteriormente. Complementar a isso, entender a origem desta classe a partir da retomada do processo hist\u00f3rico pelo qual foram originadas, ajuda a compreender a realidade hoje e, mais do que isso, os por qu\u00eas dessa realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">*O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior \u2013 Brasil (CAPES) \u2013 C\u00f3digo de Financiamento 001.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS (Brasil). <strong>Biografia. <\/strong>2004. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.academia.org.br\/academicos\/jose-murilo-de-carvalho\/biografia. Acesso em: 22 fev. 2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CARVALHO, Jos\u00e9 Murilo de. <strong>A constru\u00e7\u00e3o da ordem:<\/strong> a elite pol\u00edtica imperial. Teatro de sombras: a pol\u00edtica imperial. 2\u00aaed. Rio de Janeiro: Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 2006. 459 p.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PERISSINOTTO, Renato Monseff. As ambig\u00fcidades da pol\u00edtica imperial. <strong>Revista de Sociologia e Pol\u00edtica<\/strong>, Paran\u00e1, v. 5, n. 9, p. 203-208, ago. 1997.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Steici dos Santos (ODELA)* Jos\u00e9 Murilo de Carvalho, nascido em 8 de setembro de 1939, \u00e9 historiador e cientista pol\u00edtico brasileiro, natural de Andrel\u00e2ndia, MG, ocupa desde 2004 a Cadeira n\u00ba 5 da Academia Brasileira de Letras. 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