{"id":1813,"date":"2019-12-10T10:07:55","date_gmt":"2019-12-10T13:07:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/odela\/?p=1813"},"modified":"2019-12-11T12:10:59","modified_gmt":"2019-12-11T15:10:59","slug":"a-hegemonia-do-capital-financeiro-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/odela\/es\/2019\/12\/10\/a-hegemonia-do-capital-financeiro-2\/","title":{"rendered":"A Hegemonia do Capital Financeiro"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-left\"><em>Por Lauro Allan Almeida Duvoisin <\/em>(ODELA)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\">As recentes manifesta\u00e7\u00f5es populares que\natingiram diversos pa\u00edses nos \u00faltimos meses t\u00eam chamado a aten\u00e7\u00e3o por sua\ncapacidade de mobiliza\u00e7\u00e3o de massas e abrang\u00eancia geogr\u00e1fica. Certamente este\nprocesso exigir\u00e1 dos analistas ainda muitos anos de estudo e esfor\u00e7o\ninterpretativo para compreender-se seus principais determinantes. No entanto,\nobserva-se que alguns autores t\u00eam enfatizado que o conjunto dessas rebeli\u00f5es\nexpressa o recha\u00e7o global \u00e0s pol\u00edticas neoliberais e, com isso, estabelecem indiretamente\nequival\u00eancias perigosas entre, por exemplo, as manifesta\u00e7\u00f5es no Chile e na\nBol\u00edvia, ou no L\u00edbano e em Hong Kong, para citar alguns exemplos. M\u00e1rio S\u00e9rgio\nConte afirma que \u201co que fermenta \u00e9 a insatisfa\u00e7\u00e3o com a pol\u00edtica apodrecida.\nCom o status quo criado pela economia neoliberal. Com a ordem mundial\nsino-americana. Com a espolia\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es por um punhado de bilion\u00e1rios\u201d.<a href=\"#_ftn1\">[1]<\/a> \u00c9 verdade que o autor\nexclui a Bol\u00edvia, mas cita Hong Kong como um dos casos que se enquadram nessa\nexplica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ben Ehrenreich prop\u00f5e mais ou menos a\nmesma leitura generalizante:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>Todos os pa\u00edses que v\u00eam enfrentando revoltas populares \u2013 e grande parte do resto do planeta \u2013 s\u00e3o governados h\u00e1 d\u00e9cadas por um \u00fanico modelo econ\u00f4mico, no qual o \u201ccrescimento\u201d comemorado por poucos significa mis\u00e9ria para muitos e o capital flui para contas norte-americanas e europeias com a mesma certeza com a qual o esgoto flui ladeira abaixo.<a href=\"#_ftn2\">[2]<\/a><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Tais generaliza\u00e7\u00f5es indicam a pressa em\ndar uma resposta simples a um problema complexo e, por isso mesmo, sofre de\ngraves imprecis\u00f5es. Ignora especialmente a exist\u00eancia de distintas for\u00e7as sociais\ne projetos pol\u00edticos no poder nestes pa\u00edses bem como os diferentes interesses\ngeopol\u00edticos que est\u00e3o envolvidos em cada caso.<\/p>\n\n\n\n<p>Feita a cr\u00edtica, \u00e9 preciso reconhecer que especialmente\nna Am\u00e9rica Latina alguns casos t\u00eam significativas aproxima\u00e7\u00f5es. As recentes\nrebeli\u00f5es populares que atingiram Equador, Chile e Col\u00f4mbia nos \u00faltimos meses s\u00e3o\num sinal claro da crise do modelo econ\u00f4mico, pol\u00edtico e social da regi\u00e3o. No\nEquador o motivo da revolta foi a tentativa do governo de Len\u00edn Moreno de passar\num pacote de reforma trabalhista e cortar o subs\u00eddio da gasolina, medidas estas\nexigidas pelo Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI) como condi\u00e7\u00e3o para a\nlibera\u00e7\u00e3o de um empr\u00e9stimo ao pa\u00eds. No Chile, o movimento iniciou como um\nrecha\u00e7o ao aumento da tarifa no transporte p\u00fablico da capital e ganhou contornos\ninsurrecionais de escala nacional contra a pol\u00edtica privatista herdada da\nditadura Pinochet e aprofundada pelos governos democr\u00e1ticos desde os anos 1990.\nJ\u00e1 na Col\u00f4mbia, os protestos se iniciaram em virtude do pacote de medidas de\nreforma trabalhista, previdenci\u00e1ria, financeira e tribut\u00e1ria proposto pelo\npresidente Iv\u00e1n Duque, al\u00e9m de colocar em pauta a efetiva\u00e7\u00e3o do acordo de paz\ncom as FARC, cujo principal empecilho parece ser o pr\u00f3prio Estado colombiano.<\/p>\n\n\n\n<p>As respostas dos Estados tamb\u00e9m s\u00e3o\nequivalentes: autoritarismo presidencial, den\u00fancia de um inimigo interno, declara\u00e7\u00e3o\nde Estado de s\u00edtio, escalada repressiva e, em \u00faltimo caso, negocia\u00e7\u00e3o para\nganhar tempo. Estes acontecimentos provocam-nos a refletir teoricamente sobre a\ndificuldade de manuten\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas de corte neoliberal na Am\u00e9rica Latina. Com\ndiferentes temporalidades, estes tr\u00eas pa\u00edses sofrem com a abertura econ\u00f4mica e\nfinanceira, as privatiza\u00e7\u00f5es de empresas p\u00fablicas e com a redu\u00e7\u00e3o da capacidade\ndo Estado em fornecer os servi\u00e7os p\u00fablicos b\u00e1sicos, como sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o,\ntransporte e saneamento. No fundo, explicita-se o desinteresse do Estado em garantir\no acesso da maioria da popula\u00e7\u00e3o a bens de primeira necessidade. A intensidade\nda revolta social parece condizente com o agravamento das condi\u00e7\u00f5es de vida das\nclasses subalternas.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das categorias que ajudam a\ncompreender este fen\u00f4meno \u00e9 a da hegemonia. Afinal, o que se vive atualmente no\nEquador, Chile e Col\u00f4mbia, e talvez em outras na\u00e7\u00f5es da Am\u00e9rica Latina, parece\nser tipicamente uma crise de hegemonia. Ao falarmos de hegemonia estamos nos\nreferindo a formas concretas de exerc\u00edcio do poder de uma classe sobre toda a\nsociedade. O marxista italiano Antonio Gramsci definiu hegemonia de pelo menos\ntr\u00eas formas distintas ao longo de sua obra (GRAMSCI, 1968, 1986, 1999a, 1999b, 1999c, 1999d). Uma primeira,\nque podemos definir como conte\u00fado \u00e9tico ou dire\u00e7\u00e3o moral, diz respeito aos\nvalores e princ\u00edpios que une os diferentes grupos dominados ao grupo dominante\ne ao Estado que ele gerencia. Neste caso, o Estado \u00e9 capaz de manter a ordem\nsocial na medida em que sua atua\u00e7\u00e3o est\u00e1 em conson\u00e2ncia com esses valores e\nprinc\u00edpios. Um segundo sentido que o conceito de hegemonia carrega \u00e9 o de constituir-se\ncomo um equil\u00edbrio entre coer\u00e7\u00e3o e consenso. Esta segunda defini\u00e7\u00e3o reconhece\nque a domina\u00e7\u00e3o de um grupo jamais pode depender \u00fanica e exclusivamente do uso\nda for\u00e7a, ainda que ela seja indispens\u00e1vel. Ao lado da coer\u00e7\u00e3o, precisa atuar em\ncerta medida o consentimento dos dominados, seja ele ativo, como apoio efetivo \u00e0s\npol\u00edticas do Estado, ou passivo, como n\u00e3o rebeli\u00e3o. Por fim, Gramsci ainda exp\u00f5e\numa terceira defini\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a da hegemonia como pol\u00edtica de compensa\u00e7\u00e3o que o\ngrupo dominante implementa frente aos grupos dominados. Neste \u00faltimo caso, a\nmanuten\u00e7\u00e3o do poder por parte de um grupo dependeria da sua capacidade de\nnegociar com os demais e da possibilidade de distribuir-lhes recompensas\necon\u00f4micas, sociais ou pol\u00edticas.<\/p>\n\n\n\n<p>Estas tr\u00eas defini\u00e7\u00f5es de hegemonia podem\nser entendidas tamb\u00e9m como tr\u00eas dimens\u00f5es complementares do exerc\u00edcio do poder.\nA primeira tem por base um conte\u00fado \u00e9tico reconhecido socialmente que habilita\num grupo a ser politicamente dirigente. A segunda sustenta-se numa combina\u00e7\u00e3o mais\nou menos equilibrada entre coer\u00e7\u00e3o e consenso. J\u00e1 a terceira tem por base a\ncompensa\u00e7\u00e3o dos dominados. Assim, a hegemonia pode ser mais inclusiva ou\nexclusiva de acordo com as condi\u00e7\u00f5es que a conjuntura oferece. Quanto maior \u00e9 a\ncapacidade compensat\u00f3ria da hegemonia, mais universalista e abrangente tende a\nser o seu conte\u00fado \u00e9tico e menor \u00e9 o papel da coer\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao consenso.\nInversamente, quando a capacidade compensat\u00f3ria do grupo dominante se\nrestringe, o conte\u00fado \u00e9tico da hegemonia tende a se tornar mais elitista e excludente\ne o peso da coer\u00e7\u00e3o se acentua. Este estreitamento das bases da hegemonia \u00e9\nperigoso e, em per\u00edodos de forte contesta\u00e7\u00e3o social, pode converter-se em\ncrise. Parece ser exatamente esta a mudan\u00e7a que est\u00e1 em curso em nosso\ncontinente.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>DIMENS\u00d5ES DA HEGEMONIA<\/strong><\/p>\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\">\n<table style=\"width: 0px;\">\n<tbody>\n<tr style=\"height: 58px;\">\n<td style=\"width: 163.871px; height: 58px;\">\u00a0<\/td>\n<td style=\"width: 148.608px; height: 58px;\"><em>\u00c9TICA<\/em><\/td>\n<td style=\"width: 141.47px; height: 58px;\"><em>COER\u00c7\u00c3O\/ CONSENSO<\/em><\/td>\n<td style=\"width: 242.581px; height: 58px;\"><em>COMPENSAT\u00d3RIA<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 101px;\">\n<td style=\"width: 163.871px; height: 101px;\"><em>HEGEMONIA INCLUSIVA<\/em><\/td>\n<td style=\"width: 148.608px; height: 101px;\">Valores universalistas; amplia\u00e7\u00e3o da cidadania;<\/td>\n<td style=\"width: 141.47px; height: 101px;\">Consenso amplo; coer\u00e7\u00e3o seletiva<\/td>\n<td style=\"width: 242.581px; height: 101px;\">Amplo espectro compensat\u00f3rio<\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 80px;\">\n<td style=\"width: 163.871px; height: 80px;\"><em>HEGEMONIA EXCLUSIVA<\/em><\/td>\n<td style=\"width: 148.608px; height: 80px;\">Valores elitistas; baseada no medo e na for\u00e7a<\/td>\n<td style=\"width: 141.47px; height: 80px;\">Consenso restrito; coer\u00e7\u00e3o ampla<\/td>\n<td style=\"width: 242.581px; height: 80px;\">Restrito espectro compensat\u00f3rio<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/figure>\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\">FONTE: Elaborado pelo autor.<\/pre>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>Embora as for\u00e7as pol\u00edticas no Equador,\nChile e Col\u00f4mbia sejam distintas, a inser\u00e7\u00e3o deles na divis\u00e3o internacional do\ntrabalho e a pol\u00edtica econ\u00f4mica vigente apontam que estes tr\u00eas pa\u00edses est\u00e3o\ncrescentemente subordinados aos interesses do grande capital financeiro internacional,\nsendo esta a fra\u00e7\u00e3o hegem\u00f4nica. Coura\u00e7ada pelo poder estatal norte-americano, esta\nfra\u00e7\u00e3o tem atuado na Am\u00e9rica Latina desde pelo menos os anos 1980 atrav\u00e9s de um\nconjunto de institui\u00e7\u00f5es internacionais, como o Banco Mundial, o Banco\nInteramericano de Desenvolvimento e o Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI). N\u00e3o\n\u00e9 \u00e0 toa, portanto, que a press\u00e3o do FMI nos diversos pa\u00edses da regi\u00e3o voltou a ser\nnotada como uma efetiva for\u00e7a pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, para compreender a dimens\u00e3o do\nproblema em que o nosso continente est\u00e1 envolvido, \u00e9 preciso reconhecer que os\ngovernos progressistas que estiveram \u00e0 frente de alguns desses Estados na\nd\u00e9cada de 2000 n\u00e3o romperam com a hegemonia do capital financeiro herdada da\nd\u00e9cada anterior. Faz-se refer\u00eancia especificamente aos governos de Ricardo\nLagos (2000 \u2013 2006) e Michelle Bachelet (2006 \u2013 2010; 2014 \u2013 2018) no Chile, e\nde Rafael Correa (2007 \u2013 2017) no Equador. J\u00e1 o caso colombiano \u00e9 um pouco\ndiferente pois neste n\u00e3o houve governos deste tipo. No Equador e no Chile,\nassim como no Brasil, Uruguai e Argentina, vale mencionar, o que parece ter\nocorrido \u00e9 que as condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas internacionais favor\u00e1veis permitiram a\nimplementa\u00e7\u00e3o de uma hegemonia inclusiva, com um conte\u00fado \u00e9tico mais abrangente\ne com fortalecimento do consenso. As pol\u00edticas de inclus\u00e3o social, de\nredistribui\u00e7\u00e3o de renda e de incentivo \u00e0s burguesias interiores destes pa\u00edses\nfizeram parte de um eficiente arranjo compensat\u00f3rio, cujo modelo paradigm\u00e1tico\nparece ter sido o Brasil de Lula, para o qual a contrapartida foi manter\nintactas as bases do poder do grande capital financeiro internacional como\ndefinidor da inser\u00e7\u00e3o subordinada destes pa\u00edses no sistema econ\u00f4mico\ninternacional e no seu circuito financeiro. O conte\u00fado \u00e9tico desta hegemonia foi\ndado por valores e princ\u00edpios ditados pelos estratos m\u00e9dios ou mesmo por\nparcelas da classe trabalhadora, com o refor\u00e7o do sentido de democratiza\u00e7\u00e3o,\namplia\u00e7\u00e3o da cidadania e universalidade de direitos. A coer\u00e7\u00e3o, por sua vez,\nfoi exercida de forma menos generalizada e mais seletiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Vale ressaltar que a hegemonia inclusiva\nn\u00e3o foi tanto uma vontade da fra\u00e7\u00e3o hegem\u00f4nica e sim uma imposi\u00e7\u00e3o estabelecida\npelas lutas dos grupos subordinados por maior participa\u00e7\u00e3o. Assim, se \u00e9 correto\nafirmar que estas lutas n\u00e3o foram capazes de romper com a hegemonia existente,\npor outro tamb\u00e9m \u00e9 verdade que ela obrigou a fra\u00e7\u00e3o hegem\u00f4nica a ceder em\ndiferentes aspectos, tornando a hegemonia mais inclusiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, observa-se que se iniciou uma\ninflex\u00e3o na conjuntura a partir da grande crise de 2007-2008 que solapou progressivamente\nas bases econ\u00f4micas desta hegemonia inclusiva. Tal mudan\u00e7a produziu o endurecimento\ndos condicionantes da hegemonia do capital financeiro que foi restringindo sua\ncapacidade compensat\u00f3ria, mudando o seu conte\u00fado \u00e9tico e incrementando seu\ncar\u00e1ter coercitivo. O emprego aberto da for\u00e7a torna-se o recurso imediato para\nconter a escalada da contesta\u00e7\u00e3o social, o que comprova o aumento da viol\u00eancia\nmilitar, paramilitar e policial nos tr\u00eas pa\u00edses mencionados.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta mudan\u00e7a, no entanto, esteve longe de\nser tranquila. Esgotando-se a capacidade compensat\u00f3ria e redistributiva da\nhegemonia anterior, refor\u00e7am-se evidentemente os elementos coercitivos\ngarantidores da ordem. Por outro lado, a mudan\u00e7a \u00e9 particularmente vis\u00edvel no\nque tange ao conte\u00fado \u00e9tico que o novo arranjo carrega. Se a hegemonia\ninclusiva sustentava-se na amplia\u00e7\u00e3o da cidadania e de princ\u00edpios\nuniversalistas, agora a inseguran\u00e7a da vida material torna vi\u00e1vel a\nfundamenta\u00e7\u00e3o \u00e9tica da hegemonia exclusiva com base no medo e na for\u00e7a, que\nrevela-se no crescente poder que as institui\u00e7\u00f5es militares e religiosas v\u00eam\nadquirindo nos pa\u00edses latino-americanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta apresenta\u00e7\u00e3o panor\u00e2mica teve por\nobjetivo meramente demonstrar que o conceito de hegemonia \u00e9 especialmente\nimportante para a compreens\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o atual da Am\u00e9rica Latina. A vantagem\nde olharmos a domina\u00e7\u00e3o de classes sob o prisma da hegemonia \u00e9 a possibilidade\nde articular, numa vis\u00e3o totalizante, fatores de natureza econ\u00f4mica, pol\u00edtica e\ncultural que contribuem, cada um \u00e0 sua maneira, para a reprodu\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es\nde poder. Em particular, a an\u00e1lise da hegemonia recha\u00e7a diversas formas de\nreducionismo te\u00f3rico, especialmente o economicismo que tanto afetou a tradi\u00e7\u00e3o\nmarxista ao longo de sua hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Qualquer forma de hegemonia tem seus\nlimites e \u00e9 historicamente determinada. A crise atual \u00e9, portanto, a escalada\nda contesta\u00e7\u00e3o social em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 hegemonia exclusiva do capital financeiro\ninternacional. Se esta nova forma de hegemonia exclusiva ser\u00e1 duradoura em\nnosso continente, somente o desfecho dos processos ora em curso poder\u00e1 dizer.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>GRAMSCI, A. <strong>Cuadernos de la c\u00e1rcel. Tomo 3<\/strong>. Ciudad de Mexico: Era, 1968. <\/p>\n\n\n\n<p>GRAMSCI, A. <strong>Cuadernos de la c\u00e1rcel. Tomo 4<\/strong>. Ciudad de M\u00e9xico: Era, 1986. <\/p>\n\n\n\n<p>GRAMSCI, A. <strong>Cuadernos de la c\u00e1rcel. Tomo 1<\/strong>. 2<sup>a<\/sup>\ned. Ciudad: Era, 1999a. <\/p>\n\n\n\n<p>GRAMSCI, A. <strong>Cuadernos de la c\u00e1rcel. Tomo 2<\/strong>. 2<sup>a<\/sup>\ned. Ciudad de Mexico: Era, 1999b. <\/p>\n\n\n\n<p>GRAMSCI, A. <strong>Cuadernos de la c\u00e1rcel. Tomo 5<\/strong>. Ciudad de\nMexico: Era, 1999c. <\/p>\n\n\n\n<p>GRAMSCI, A. <strong>Cuadernos de la c\u00e1rcel. Tomo 6<\/strong>. 2<sup>a<\/sup> ed. Ciudad de M\u00e9xico: Era, 1999d. <\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a> Encontrado em: <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/mariosergioconti\/2019\/11\/a-terra-treme.shtml\">https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/mariosergioconti\/2019\/11\/a-terra-treme.shtml<\/a>.\nAcesso em 02 de dezembro de 2019.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\">[2]<\/a> Encontrado em: <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/movimentoserebeldias\/ha-uma-nova-rebeliao-global-por-que\/\">https:\/\/outraspalavras.net\/movimentoserebeldias\/ha-uma-nova-rebeliao-global-por-que\/<\/a>.\nAcesso em 02 de dezembro de 2019.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Lauro Allan Almeida Duvoisin (ODELA) As recentes manifesta\u00e7\u00f5es populares que atingiram diversos pa\u00edses nos \u00faltimos meses t\u00eam chamado a aten\u00e7\u00e3o por sua capacidade de mobiliza\u00e7\u00e3o de massas e abrang\u00eancia geogr\u00e1fica. 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