Dissertações

 BOEIRA, Eloísa Elena Prates. Pelo escuro: a poesia afro-brasileira de Oliveira Silveira. 2013. 124 f. Dissertação (Mestrado) – Curso de Literatura Comparada, Centro de Ciências Humanas Letra e Artes, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2013.
Resumo: A presente pesquisa buscou problematizar como o racismo e a evasão escolar estão ligados aos estigmas raciais no ambiente escolar. Pesquisou como é possível construir ações cotidianas, por meio do ensino de Geografia, ressaltando os aspectos da cultura negra gaúcha através dos poemas de Oliveira Silveira. A investigação foi realizada com alunos participantes do Programa Trajetórias Criativas em Porto Alegre, com os seguintes objetivos: identificar os mecanismos que, historicamente, influenciaram a exclusão e a dificuldade de permanência do negro na educação; analisar os fatores de fracasso e exclusão educacional da população negra de Porto Alegre; construir, a partir dos poemas selecionados, representações mais abrangentes e que tragam maior visibilidade à geografia do negro no Rio Grande do Sul. O trabalho com os poemas de Oliveira Silveira foi de extrema importância para os alunos negros do programa Trajetórias Criativas, pois oportunizou a aceitação e a narração de identidades territorializadas de forma estética e, ao mesmo tempo, política.
Palavras-chave: Oliveira Silveira; Trajetórias Criativas; Evasão; Geografia; Identidade negra.
 CARDOSO, Anelise Silveira. A Geografia e as Poesias de Oliveira Silveira como um Instrumento Identitário de Alunos Negros do Programa Trajetórias Criativas.. 2018. 90 f. Dissertação (Mestrado) – Curso de Geografia, Instituto de Geociências, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2018.
Resumo: O presente estudo traz uma reflexão sobre os discursos culturais afro- brasileiros e o lugar ocupado pela poesia em meio a uma sociedade racista. A pesquisa tem como propósito fazer um estudo da poesia de Oliveira Silveira (1968, 1970, 1977, 1981, 1987). Leva-se em consideração a relação da produção poética de Oliveira com as propostas do movimento da Negritude e o diálogo lúcido que o mesmo estabelece com poetas vinculados ao referido movimento e como Silveira sugere dentro da literatura a negritude como uma forma de intersecção na poesia brasileira. A proposta aqui apresentada observa também o hibridismo na poética de Oliveira Silveira ao se enfatizar um olhar sobre uma escrita comovida pelo traço do entre-lugar do discurso. Analisa-se a caracterização de uma literatura gerada pelo tom de denúncia ao desconstruir historicamente o que há muito tempo se estabelece como democracia racial . Em cumplicidade com a poesia regional do Rio Grande do Sul, a poesia de Oliveira vem permeada pela diversidade de ritmos que traduzem o legado da cultura negra mundo afora. Essa pesquisa sustenta-se nos estudos de Eduardo de Assis Duarte (2005, 2011) e Kabengelê Munanga (2008, 2009) sobre Negritude e Identidade na literatura afro-brasileira, que se caracteriza como um movimento de consciência pela reconstrução ou mesmo revisão histórica do que foi apagado no calabouço dos navios negreiros. As leituras de Eduardo de Assis Duarte fomentam novos questionamentos, põem em dúvida a existência de uma identidade essencialista. Aponta-se nessa travessia para uma pluralidade de identidades, construídas por inúmeros grupos culturais na encruzilhada dos diversos momentos históricos. Analisam se, portanto, a partir da crítica que Stuart 1 moemaparente@uol.com.br Hall (2011) faz ao considerar as ideias de diásporas, as fronteiras das margens no universo da pós-colonização. Por fim, há uma encruzilhada ao se pensar a partir de Kabengelê Munanga, o discurso da negritude e da identidade negra nas relações sociais e culturais afrodescendentes.
Palavras-chave: Oliveira Silveira; Negritude; Literatura Afro-gaúcha; Literatura Afro-brasileira.
ESCOBAR, Geanine Vargas. Memória da Militância Negra durante a Ditadura Militar no Brasil e a Luta Antirracista através do Acervo Fotográfico de Oliveira Silveira (1971-1988). 2014. 141 f. Pelotas, 2014.
Resumo: O poeta Oliveira Silveira nasceu em 16 de agosto de 1941, no 6º Subdistrito de Rosário do Sul intitulado Touro-Passo, município situado na fronteira oeste do estado do Rio Grande do Sul. Faleceu em 1º de janeiro de 2009 em Porto Alegre. Foi um estudioso da cultura negra. A atuação, no Movimento Negro, perpassou sua vida, durante a qual tanto vivenciou como registrou momentos decisivos de emancipação das comunidades negras no Rio Grande do Sul. Ao longo de sua atuação, gerou importante conjunto de fotografias que constituem um acervo intenso sobre a cultura e política negra. Esses registros embasam parte da história do movimento negro nacional. Esta pesquisa versa sobre o referido acervo e entende-o como sendo de grande interesse público por apresentar valor histórico para a memória da população negra brasileira. No estudo, foram desenvolvidas reflexões no que diz respeito à memória de um período repressivo, sobre disputas por espaço e idealizações políticas que propunham a inserção dos negros em uma sociedade que, por meio de uma política de estado, reconheceu ser racista, mas se declarou antirracista. Discute-se sobre a conservação das fotografias e sobre a divulgação do acervo a partir de oficinas sobre militância negra e a luta antirracista, conjeturando assim, métodos de aplicação para a Lei Federal 10.639.03, que torna obrigatório o ensino da África e da população negra brasileira nos currículos escolares. A partir desse acervo, é possível traçar uma narrativa sobre as histórias de lutas sociais vividas pelos grupos dos quais o poeta participou em plena ditadura. Desse modo, reconhece-se que essas imagens configuram-se como importante fonte para estudos étnicos e patrimoniais.
Palavras-chave: Oliveira Silveira; Negritude; Literatura Afro-gaúcha; Literatura Afro-brasileira.
MATOS, Manoela Fernanda Silva de. As vivências do batuque na poesia ancestral de Oliveira Silveira : a busca por uma identidade afro-brasileira. 2012. Universidade Estadual de Londrina, Londrina, 2014.
Resumo: Nesta dissertação, propomo-nos a analisar a poética afro brasileira do poeta afro-gaúcho Oliveira Silveira (2009), com base na historiografia literária na qual o negro é visto como objeto da literatura, perpassando pela literatura afro-brasileira, na qual o negro é visto de dentro, ou seja, como sujeito e personagem da escrita afrodescendente. Além de fazermos um panorama histórico das religiões de matriz africana no Brasil e seu desdobramento em religião afro-brasileira, bem como a intolerância religiosa sofrida pelo povo-de-santo. Propor-se-á investigar a ancestralidade africana presente nos poemas de Oliveira Silveira, além de analisarmos a presença da religião afro-brasileira, o Batuque como elemento integrante na construção poética silveriana. Neste sentindo buscaremos reencontrar as raízes africanas nos poemas de Oliveira Silveira, sob a perspectiva religiosa do Batuque e como a religião pode ser o local de pertencimento do a frodescendente, além de resguardar a memória dos africanos que para cá foram trazidos, como um resgate da ancestralidade e da memória africana perdida na travessia do Atlântico. Portanto, pretende-se afirmar que a religião afro-brasileira resguarda em sitoda a história dos africanos e seus descendentes, enfim, nosso devir e nosso por vir.
Palavras-chave: Literatura afro-brasileira; Poema; Religião afro-brasileira; Memória; Ancestralidade.
SILVA, Aline Cavalcante e. História e Cultura Crítica: A Escrita Negra de Oliveira Silveira. Dissertação Mestrado. 140 f. Universidade Federal do Paraíba, João Pessoa, 2015.
Resumo: A presente dissertação caracteriza-se como uma pesquisa acerca da trajetória histórica do intelectual afro-brasileiro, Oliveira Silveira, enquanto militante negro tomando por base uma análise historiográfica no que concerne à sua produção poética, entendida como “registros históricos” produzidos no processo de reescrita da história do negro no Brasil e na diáspora. Nesse contexto, a pesquisa tem como objetivo elencar as práticas de afirmação do negro na sociedade brasileira desenvolvidas pelo escritor, a partir das representações africanistas construídas por intermédio de suas poesias e escritos políticos, em que o poeta utiliza suas palavras como arma na luta sobre o racismo e valorização do negro na sociedade. Além disso, analisamos também a opção política pelo dia 20 de novembro, como data africanista no Brasil. Para tanto, o recorte temporal situa-se entre os anos da “Abolição” do Brasil e criminalização do racismo na Constituição Brasileira. Em relação às fonte, a pesquisa teve como enfoque a análise documental da produção poética dentro do recorte temporal proposto, associada à documentação coletiva produzida no âmbito do Movimento Negro Unificado.
Palavras-chave: História do Brasil Contemporâneo; Cultura Histórica; Movimento Negro.
SILVA, Jônatas Conceição da. Vozes Quilombolas – uma poética brasileira. Dissertação Mestrado. 140 f. Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2004.
Resumo: Minha dissertação tenta sistematizar uma longa trajetória de militância e estudos que começou em 1978.
Foi graças à luta empreendida pelo movimento negro brasileiro contemporâneo que pude ter acesso às
informações sobre a luta negra contra a escravidão, muito especialmente a luta de Palmares. A militância
no campo político do movimento negro, em momento nenhum me afastou do interessse e do prazer de
participar, pesquisar e produzir manifestações culturais negras, principalmente, aquelas ligadas ao
carnaval. Foi muito devido a essa trajetória que, em 2002, quando resolvi voltar a fazer um curso de
pós-graduação, elegi como objeto de pesquisa o fato histórico do quilombo. Esta dissertação quer
destacar a produção literária de compositores negros que, fazendo músicas para o Bloco Afro Ilê Aiyê,
sobre o Quilombo de Palmares, contribuem decisivamente para o conhecimento de um importante fato
histórico que assinalou, em pleno século dezesseis, para um Brasil diferente: democrático, de respeito às
diferenças e com alimento para todos. Além de analisar as letras das canções do bloco afro, trabalhei
com o livro Poema sobre Palmares do escritor gaúcho Oliveira Silveira – exemplo maior da geração de
escritores militantes negros que começaram a produzir na década de setenta do século vinte. Foi Oliveira
Silveira, líder do Grupo Palmares, que tornou o 20 de Novembro uma data para celebração de liberdade
da população negra brasileira. Para chegar à análise do corpus literário, demonstrei a repercussão
histórica do quilombo na vida cultural do afro-brasileiro e narrei a trajetória do primeiro bloco afro do
Brasil, o Ilê Aiyê, descrito pelo compositor Edson Carvalho como “o quilombo dos negros de luz”. As
análises das letras das canções e do poema de Oliveira Silveira nos revelaram uma história que todos nós
gostaríamos de contar: a de um Brasil que, sendo plural, nunca poderia ter se envergonhado da sua
herança africana e nunca poderia ter ocultado histórias como a de Palmares, que engrandecem a
qualquer povo como exemplo de determinação e coragem para lutar por liberdade e de construção de
uma nação livre, soberana e democrática
Palavras-chave: Quilombos – Brasil. História – Palmares, 1630 – 1695. Carnaval – Salvador (BA). Associação Cultural Bloco Carnavalesco Ilê Ayê – Projeto de Extensão Pedagógica. Negros na literatura. Silveira, Oliveira – Crítica e interpretação. Poema sobre Palmares – Crítica e interpretação. Racismo
SILVA, Kislana Rodrigues Ramos da. Resistência e Subjetividades: marcas da africanidade e negritude na poética de José Caveirinha e Oliveira Silveira. 2013. 113 f. Dissertação (Mestrado) – Curso de Letras, Departamento de Letras e Artes, Universidade Estadual do Paraíba, Campina Grande, 2013.
Resumo: a presente pesquisa objetivou analisar as marcas da africanidade e da negritude presentes nos poemas de Oliveira Silveira e José Craveirinha. Apoiou-se nos pressupostos históricos e teóricos sobre Pan-africanismo e Negritude, com o objetivo de analisar a africanidade e a negritude nos poemas de José Craveirinha, moçambicano, e Oliveira Silveira, brasileiro. O corpus de análise é formado pelos livros Karingana ua Karingana, de Craveirinha, publicado em 1974; e Pelo Escuro e Roteiro dos Tantãs, de Oliveira Silveira, publicados respectivamente, em 1977 e 1981. O primeiro capítulo analisa o contexto sócio-político em que surgiram os movimentos do pan-africanismo e da negritude, os reflexos culturais, principalmente em relação às influências na literatura; o segundo capítulo é construído na reflexão das marcas da africanidade, moçambicanidade e negritude nos poemas de Craveirinha e Silveira; o terceiro capítulo analisa as aproximações o semelhanças entre poética dos autores e o diálogo com as teorias apresentadas. Nesse sentido, os estudos referentes às questões de literatura comparada, resistência, africanidades, negritude, e afrodescendências também foram contemplados os pressupostos teóricos de Appiah (2004), Bosi (1993, 2002), Cuti (2010), Damasceno (2003), Duarte (2005), Fonseca (2010), Hall (2003, 2005), Munanga (2008, 2012) e Cabaço (2009), entre outros.
Palavras-chave: Resistência; Negritude; Africanidade; Oliveira Silveira; José Craveirinha.
SILVA, Santa Julia da. “Vem vamos juntos! Dá-me tua mão e vamos juntos!”: Reconhecimento e Narrativas sobre a Trajetória de Oliveira Silveira. 2014. 206 f. Dissertação (Mestrado) – Curso de Antropologia, Universidade Federal de Pelotas, Pelotas, 2014.
Resumo: Este estudo aborda numa perspectiva antropológica, a trajetória política e intelectual de Oliveira Silveira considerando um intelectual contemporâneo com uma significativa contribuição para a atualização do pensamento social brasileiro, por meio da elaboração de contra narrativas sobre a presença negra no país. As múltiplas frentes de atuação de Oliveira Silveira impulsionam a refletir sobre os atravessamentos identitários por meio dos quais este se constitui na pessoa-personagem narrada pelos interlocutores dessa pesquisa. Tomando como aporte as discussões que procuram atualizar o campo antropológico em termos teórico-metodológico, este trabalho se inspira na perspectiva de Sahlins (1990), Turner (2005) e Gonçalves (2010), autores que pensam a relação entre ação e estrutura, bem como a relação entre esquemas culturais prévios e as apropriações que os sujeitos fazem deles. Incorpora-se a perspectiva de Said (1993) que discute o papel do intelectual na sociedade contemporânea. Busca-se nos estudos pós-coloniais elementos convergentes para situar Oliveira Silveira como intelectual diaspórico e como portador de uma identidade híbrida representada pela articulação conjunta de sua identidade regional e de sua identidade negra. O estudo procura descrever os deslocamentos vivenciados por Oliveira Silveira tanto no sentido geográfico como sentido simbólico. Este foi o proponente do Vinte de Novembro como data de maior significado para a história negra do país, sendo também atuante em organizações negras, tais como: clubes sociais negros, escolas de samba, congadas. Além disso, organizou vários grupos de ativismo político na capital, o primeiro deles, o Grupo Palmares e depois o Grupo Semba, Razão Negra, Revista Tição e Associação Negra de Cultura. Todas as organizações lideradas por Oliveira Silveira se destinavam, simultaneamente, à luta política e à promoção da cultura negra. Essa dissertação se propõe a apresentar o percurso etnográfico percorrido para apreender como diferentes pessoas, que conviveram com Oliveira Silveira em diferentes momentos compreenderam, significaram e valorizaram a trajetória deste intelectual e ativista. A partir da proposta de etnografia multisituada de George Marcus (1994), a pesquisa procurou identificar a forma como cada interlocutor(a) elaborou sua percepção e interpretação a respeito da trajetória de Oliveira Silveira, convertendo-as em narrativas.
Palavras-chave: Oliveira Silveira; Intelectuais Negros; Estudo de Trajetória; Militância; Identidade sociocultural; Contranarrativas
SOUZA, Alan Fernandes de. Poesia negra brasileira: o desmantelar das grilhetas da Sciencia do Século XIX. Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2009.
Resumo: O presente estudo enfoca a representação das relações raciais na poesia negra brasileira. Assim, elegemos como objeto de investigação exemplos da produção poética de dois momentos históricos desta literatura: o primeiro abrange o período que convencionalmente foi denominado e classificado como modernismo brasileiro. O segundo abarca a produção poética da década de 1950 até a contemporaneidade, que tratamos como produções literárias do modernismo tardio. Estas produções poéticas foram selecionadas para nosso corpus com o intuito de flagrar, em suas simbologias e alegorias, a representação mimética das diferentes formas através das quais se manifestam atitudes preconceituosas e estereotipadas, marcadas pelo racismo, e sedimentadas no imaginário coletivo do povo brasileiro, com base nas teorias raciais do século XIX. Com este intuito, não nos furtaremos de revisar a história dos mitos raciais brasileiros, o alicerce ideológico e cultural sobre o qual tais mitos repousam, a historiografia da poesia negra brasileira, o processo de elaboração de sua mimesis e o projeto literário que tal poesia implementou no país. Na escolha pela poesia negra brasileira pra nosso corpus se deve, basicamente à paixão pela poesia em geral, e pela poesia negra, em particular; também optamos portal objeto de pesquisa por uma opção de política pessoal e social pautada na luta contra o racismo e suas expressões. Acreditamos, também, poder colaborar com discussões e perspectivas sobre a poesia negra das quais discordamos, mesmo sendo frequentes no universo acadêmico, o que interpretamos como uma oportunidade ou um convite à análise das tensões encontradas nesta esfera institucional. Além disso, nossa pesquisa busca exatamente desconstruir a idéia de que se criar narrativas ou poéticas permeadas por fios de revolta e denúncia faria com que tais textos perdessem sua literariedade. Ao contrário, o tom muitas vezes político da poesia negra, ao nosso ver, faz parte de sua estrutura, de seu tema e da tessitura desta poética. Mesmo que alguns críticos literários defendam que tal tom político, bem como o discurso de vitimização do negro teria sido responsável por uma redução do número de leitores de tal poesia, acreditamos que estas afirmativas devem ser revistas e reexaminadas dentro do contexto nacional. Desta forma, procedemos à análise dos textos literários utilizando um suporte terórico-metodológico interdisciplinar que nos permite desenvolver uma leitura que aponta para a relação existente entre o fato literário e o contexto sócio-cultural que o informa. Assim, além da teoria literária, nos articularemos com outros discursos das ciências sociais, de modo especial com o discurso histórico, o sociológico, o antropológico, sem perder de foco a poesia a ser analisada. Buscamos, enfim, ao longo de nosso estudo trilhar o caminho apontado por Antonio Candido (1985), quando este defende que os fatores sociais devem ser observados como elementos que desempenham o papel de “formadores da estrutura da obra”. Portante, poesia e sociedade se apresentam como elementos inseparáveis do estudo que ora propomos, que se propõem a libertar a poesia negra brasileira de leituras reducionistas ou descontextualizadas responsáveis pela manutenção de um racismo verificável nos cânones literários e na crítica nacional.
Palavras-chave: Poesia negra, Teorias raciais, crítica literária.
CAMPOS, Deivison Moacir Cezar de. O grupo Palmares (1971-1978) : um movimento negro de subversão e resistência pela construção de um novo espaço social e simbólico. 2006. 196 f. Dissertação (Mestrado em História) – Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2006.
Resumo: A pesquisa analisa a reorganização do movimento negro brasileiro após o golpe de 64, a partir de um estudo sobre o Grupo Palmares de Porto Alegre, entre 1971 e 1978. O grupo foi responsável pela proposição do dia 20 de novembro, como alternativa as comeroração do 13 de maio. Palmares também foi um dos precursores do chamado movimento negro moderno, que se caracterizou pela construção de uma nova identidade negra, referenciada em aspectos locais e globais. Ao afirmar-se e organizar-se como grupo étnico, adotam uma postura e um discurso subversivo que coloca em cheque conceitos estruturantes da sociedade brasileira como democracia racial, identidade e cultura nacional. Além disso, questionaram o status quo, em função do lugar social relegado ao negro, e enfrentaram a ditadura ao organizarem-se como movimento contestador por melhores condições sociais e econômicas e por mais espaço político.
Palavras-chave: movimento negro, identidade, reafricanização, resistência, ditadura.

FONTOURA, Pâmela Amaro. SARAR-SOPAPAR-AQUILOMBAR: o sarau como experiência educativa da comunidade negra em porto alegre. 2019. 104 f. Dissertação (Mestrado Em Educação), Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2019.
Resumo: Esta investigação aborda saraus como experiências educativas. Reflete sobre saraus negros enquanto tempos-espaços de afirmação e fortalecimento racial, potentes na (re)criação de Africanidades (SILVA, 2009). Neste sentido, apresenta os encontros artísticos e culturais realizados pelo Sarau Sopapo Poético – Ponto Negro da Poesia, em Porto Alegre, destacando sua atuação política na visibilidade e positivação das artes e culturas negras no sul. O sarau caracteriza-se, desde sua fundação, pela organização, produção e gestão direta protagonizada por pessoas negras. Desde 2012, os encontros mensais reúnem a comunidade negra com o objetivo de fomentar a difusão e o consumo de literatura negro brasileira (CUTI, 2010), a fim de projetar poetas, escritores e compositores. A pesquisa, no âmbito de Mestrado em Educação, defende a atuação dos saraus negros na qualidade de aquilombamento literário, impactando o projeto político-educativo de implementação e manutenção da Educação das Relações ÉtnicoRaciais (ERER) no Brasil. Esta investigação visa destacar a roda de poesia como mobilizadora política e emancipatória. Problematiza: Como o Sarau Sopapo Poético organiza, forma e transmite atitudes, posturas e valores negros diaspóricos? A partir da experiência educativa que enxergo no sarau, quais as percepções, efeitos e transformações possíveis nas trajetórias de pessoas negras com diferentes graus de participação neste ponto de encontro? A metodologia é de abordagem qualitativa, com uso de revisão de literatura, análise documental e conversas com interlocutores poetas, militantes e não militantes – negras e negros gaúchos. Encontram-se entre os referenciais teóricos: Nilma Lino Gomes, Petronilha B. G. Silva, Cuti Silva, Abdias do Nascimento, Frantz Fanon, entre outros pensadores/pensadoras críticos anti-coloniais. Esta pesquisa conecta saraus negros e educação racial em polidiálogo com o previsto nas Diretrizes Curriculares (2004) através das ações do Sarau Sopapo Poético.
Palavras-chave: Saraus; saraus negros; africanidades; literatura negro-brasileira.