As Viagens Do Tambor com Oliveira Silveira

Sobre o Projeto

As Viagens do Tambor com Oliveira Silveira será um jogo educacional digital voltado para o ensino básico. O objetivo geral é tomar o jogo de tabuleiro ‘As viagens do Tambor’ como inspiração para a produção do jogo educacional digital intitulado ‘As viagens do Tambor com Oliveira Silveira’. Este projeto de extensão conta com a parceria e financiamento da Secretaria de Educação à Distância (SEAD/UFRGS). O público-alvo do projeto são os professores e alunos do ensino básico da rede pública do Rio Grande do Sul e também toda e qualquer pessoa interessada em desenvolver conhecimentos a respeito do intelectual Oliveira Silveira ou a respeito da história dos negros no Brasil. A produção de conteúdo, a aplicação e divulgação do jogo educacional será realizada por uma equipe integrada por alunas(os), técnicas(os) e docentes do Colégio de Aplicação, da UFRGS e da UNIPAMPA. Uma das estratégias de produção de conteúdos para o jogo tem sido as lives semanais, no formato de rodas de conversa, com convidados provenientes de diferentes campos de conhecimento, tais como comunicação, game design, literatura, história e geografia.

No dia 20 de novembro de 2020, o Sport Club Internacional prestou homenagem à Porto Alegre Negra. O clube organizou um vídeo expondo as territorialidades negras da capital gaúcha, a fim de exaltar a história do negro em Porto Alegre. Confira abaixo:

Projetos Anteriores

Partimos de experiências anteriores, como o jogo As Viagens do Tambor e o projeto Territórios Negros: patrimônio afro-brasileiro em Porto Alegre e o Curso EAD “Oliveira Silveira: poeta da consciência negra brasileira.

As Viagens do Tambor constitui-se como um jogo de tabuleiro e constrói um percurso na cidade de Porto Alegre, que contempla lugares identificados como territórios negros, personagens e práticas culturais vinculadas à população negra da cidade. No jogo, esses três grupos – lugares, personagens e práticas culturais – se intercruzam e constituem narrativas a partir de um elemento central: o Tambor, marco inicial do Museu de Percurso do Negro em Porto Alegre, o qual foi escolhido como articulador da narrativa por tratar-se de um objeto de alto valor simbólico para culturas africanas e afro-brasileiras, e que está presente em diversas práticas culturais vinculadas à população afro-brasileira e representadas no jogo. 

O Projeto Territórios Negros: Patrimônios afro-brasileiros em Porto Alegre é um desdobramento do projeto Territórios Negros que existe enquanto percurso de ônibus desde 2009, com funcionamento regular até 2016 em parceria entre a Companhia Carris Porto-Alegrense, Empresa Pública de Transporte Coletivo/EPTC e a Secretaria Municipal de Educação de Porto Alegre/SMED. Constituiu-se um grupo de trabalho que elaborou o projeto de extensão, na Faculdade de Educação da UFRGS, com o objetivo de ampliar as ações dos Territórios Negros, envolvendo também, a formação de professores. O Projeto Territórios Negros, ao destacar positivamente espaços e memórias praticados pelos afro-brasileiros em nossa cidade, contribui na construção de outras relações com a cidade e seu patrimônio cultural e, especialmente na reeducação das relações étnico-raciais na capital porto-alegrense, recentemente divulgada como aquela que possui um dos piores índices sociais de diferença entre negros e brancos no país. As principais ações do projeto envolvem atividades de ensino, pesquisa e extensão na medida em que é espaço de estágio, de produção de material didático, de formação de professores, aprofundando a história e a cultura afro-brasileira.

O curso “Oliveira Silveira: o poeta da consciência negra brasileira” foi desenvolvido pelas professoras universitárias Sátira Machado, da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) e Maria da Graça Gomes Paiva, professora aposentada pela UFRGS, tendo como base a plataforma Moodle.  Esse curso é ofertado no formato MOOC (Massive Open Online Course) por ser aberto, massivo e com possibilidade de auto-organização dos estudos pelos alunos e alunas, que podem acessá-lo até por smartphones. Em três módulos online, os estudantes irão saber mais sobre a vida, a obra e a consciência negra desse escritor afro-gaúcho.

Jogos e Educação

Para maior aprofundamento do projeto, foram realizados rodas de conversas com enfoque em jogos, gamificação e educação. Convidados da área da educação, game studies, game design e produção compartilharam seus conhecimentos com a nossa equipe.

O projeto As Viagens Do Tambor com Oliveira Silveira tem enfoque nas personalidades e territorialidades negras de Porto Alegre. Por isso, convidamos a Marjorie Nunes, doutoranda em ciências da educação com experiência em tecnologias digitais e formação de professores e comunidades virtuais de aprendizagens; e Alexandre Santos, experiente game designer e CEO da Strike Games, responsáveis por jogos com temática afro-brasileira e relevância social. Os dois dialogaram sobre Jogos educacionais com temática afro.

Dando continuidade à temática afro dentro dos games, Samyr Paz fala sobre games studies e faz um mapeamento dos personagens negros representados na indústria. Game Studies é um campo de pesquisa multidisciplinar focado em estudar os aspectos do jogo, digital ou não.

Nos últimos anos, a gamificação é uma ferramente que têm sido cada vez mais usada. Gamificação é o uso de mecânicas e dinâmicas de jogos para engajar pessoas, resolver problemas e melhorar o aprendizado, motivando ações e comportamentos em ambientes fora do contexto de jogos. Desta vez, Camila Freitas e Mariana Amaro que são doutorandas de comunicação e autoras do artigo “O funcionamento da ludus-gamificação e a servidão maquínica. Camila Freitas, Mariana Amaro” foram convidadas para refletir sobre o processo de gamificação.

Produção de Jogos Digitais

A produção é uma das principais etapas do desenvolvimento de jogos digitais. Nela, artistas, programadores, game designers e muitos outros profissionais se juntam para desenvolver um jogo. Para entender mais este processo, chamamos o professor da Unipampa e doutorando em Ciências da Computação Jean Cheiran. Jean atua na área de interação humano-computador, engenharia de software e jogos digitais. Na roda de conversa transmitida no dia 19 de Agosto de 2020, discutimos sobre design de jogos, mecânicas e jogadores. O professor Jean apresentou uma visão geral do desenvolvimento de um jogo, desde a formulação de seu conceito, até à aplicação com os/as jogadores/as.

O desenvolvimento de um jogo pode durar anos e seu orçamento pode passar de centenas de milhões de reais. Gran Turismo 5 custou 80 milhões de dólares e levou cinco anos para ser desenvolvido pela Sony, por exemplo. Felizmente, nem todos jogos precisam de fundos milionários e anos de produção. Há eventos específicos para criação de jogos em poucos dias, eles são conhecidos como Game Jams.

As Game Jams são maratonas de criações de jogos. Nelas, o objetivo é criar um videogame em pouco tempo. Essas maratonas ocorrem no mundo inteiro, tanto virtual quanto presencialmente. Os desenvolvedores podem se juntar em pequenas equipes ou até mesmo participar sozinhos, realizando todas as etapas do desenvolvimento; e, no fim de poucos dias, devem entregar um jogo pronto. Nosso bolsista do projeto de extensão Mauricio Wolff já participou dessas maratonas e veio contar sobre sua experiência junto do seu colega Lucas Félix e do Professor Jean Cheiran.

Ao contrário do que se pensa, não é preciso saber linguagens de programação para desenvolver um jogo. Já existem inúmeros programas que te possibilitam montar jogos inteiros sem escrever uma linha de código! O RPG Maker é um destes softwares que oferecem essa possibilidade. E é sobre isso que o professor Jean falou em sua live de Construção de Jogos com o RPG Maker.