{"id":117,"date":"2020-05-04T14:06:23","date_gmt":"2020-05-04T17:06:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/oliveirasilveira\/?page_id=117"},"modified":"2020-06-05T12:06:15","modified_gmt":"2020-06-05T15:06:15","slug":"blog-2007","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/oliveirasilveira\/homenagens\/blog-2007\/","title":{"rendered":"Blog 2007"},"content":{"rendered":"\n<h4>Antes de site, Oliveira Silveira teve um blog&#8230;<\/h4>\n\n\n\n<h5>&#8220;O dia da Consci\u00eancia Negra veio para fortalecer nossa identidade&#8221;<\/h5>\n\n\n\n<p>Em 1971, um dos fundadores do Grupo Palmares declarava o 20 de novembro, dia da morte de Zumbi dos Palmares, como a data m\u00e1xima da comunidade negra brasileira. Este idealizador era&nbsp;Oliveira Silveira, pesquisador, poeta e historiador ga\u00facho. Sete anos depois, o 20 de novembro foi elevado ao Dia Nacional da Consci\u00eancia Negra.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi neste ambiente de ativismo e contesta\u00e7\u00e3o que&nbsp;Naiara Rodrigues Silveira, 40 anos, cresceu. Filha de Oliveira Silveira, o engajamento ao Movimento Negro foi uma conseq\u00fc\u00eancia natural. Professora e supervisora de uma escola estadual, ela tamb\u00e9m \u00e9 secret\u00e1ria geral da Associa\u00e7\u00e3o Negra de Cultura (ANdC), fundada por seu pai em 1987.<\/p>\n\n\n\n<p>Naiara j\u00e1 foi muito atuante no MN e, com a morte do pai em janeiro deste ano, teve sua aten\u00e7\u00e3o voltada para a organiza\u00e7\u00e3o do acervo de sua obra. O livro de Poemas de Oliveira Silveira, que ser\u00e1 lan\u00e7ado na sexta-feira (20\/11\/2009), tamb\u00e9m contou com a participa\u00e7\u00e3o de Naiara em sua elabora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Imprensa SJDS &#8211;&nbsp;Por que o movimento negro ga\u00facho resolveu buscar uma nova data para reverenciar a luta dos negros contra o regime escravagista, em substitui\u00e7\u00e3o ao 13 de maio?<\/p>\n\n\n\n<p>Naiara Rodrigues Silveira&nbsp;&#8211; O 13 de maio representa para a popula\u00e7\u00e3o negra um grande engodo. Uma lei que trouxe a liberdade de direito, mas n\u00e3o de fato. Os negros chegaram ao Brasil &#8220;sequestrados&#8221; da \u00c1frica, sem absolutamente nada. Aqui, constru\u00edram o pa\u00eds. Com o advento da aboli\u00e7\u00e3o da escravatura, foram &#8220;despejados&#8221;, sem direito a nada (educa\u00e7\u00e3o, propriedade, trabalho, etc.), enquanto os imigrantes receberam v\u00e1rios incentivos para virem para o Brasil: terras, gado, escola, entre outros. Portanto, essa data n\u00e3o trouxe dignidade ao povo negro.<\/p>\n\n\n\n<p>Imprensa SJDS &#8211;&nbsp;Qual a import\u00e2ncia de comemorar o Dia da Consci\u00eancia Negra?<\/p>\n\n\n\n<p>Naiara Rodrigues Silveira&nbsp;&#8211; Ser negro \u00e9 muito al\u00e9m do tom de pele. \u00c9 um jeito de ser, de viver e de entender a vida. Ter consci\u00eancia de tudo isso nem sempre \u00e9 um ato f\u00e1cil em uma sociedade racista como a nossa. \u00c9 muito dif\u00edcil ser negro e assumir a negritude. \u00c9 uma quest\u00e3o de auto-estima. Trezentos anos de escravid\u00e3o dizendo que &#8220;tu n\u00e3o \u00e9s gente&#8221; n\u00e3o poderia dar em outra coisa.<\/p>\n\n\n\n<p>O Dia da Consci\u00eancia Negra veio exatamente para marcar uma tomada de consci\u00eancia de quem n\u00f3s somos, atrav\u00e9s do fortalecimento de nossa identidade. Ainda n\u00e3o temos muito para comemorar, embora o Movimento Negro Ga\u00facho seja um dos mais atuantes do pa\u00eds. Temos muito a conquistar no campo da eq\u00fcidade e igualdade de oportunidades. Enquanto n\u00e3o chegamos l\u00e1, devemos comemorar o Dia da Consci\u00eancia Negra, levando nossa resist\u00eancia, mas tamb\u00e9m nossa cultura, que \u00e9 a base da cultura brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi atrav\u00e9s da pesquisa do Grupo Palmares, onde militava Oliveira Silveira, o idealizador do &#8220;20 de Novembro&#8221;, que essa data foi escolhida por ser o poss\u00edvel dia de morte de Zumbi dos Palmares. Nesta data comemoramos n\u00e3o a liberdade, mas a tomada de consci\u00eancia de nosso povo sobre seu valor e sua contribui\u00e7\u00e3o a este pa\u00eds. Hoje, repetimos isso em mem\u00f3ria de nossos ancestrais.<\/p>\n\n\n\n<p>Imprensa SJDS &#8211;&nbsp;Voc\u00ea acredita que as comunidades negras aqui do Estado conseguiram preservar as suas caracter\u00edsticas culturais, como a religi\u00e3o, por exemplo?<\/p>\n\n\n\n<p>Naiara Rodrigues Silveira&nbsp;&#8211; Certamente, embora com muita dificuldade. Dizem os estudiosos que temos peculiaridades nos cultos africanos daqui que n\u00e3o s\u00e3o encontradas em outras partes do pa\u00eds. Temos duas grandes vertentes: uma definida como Angola Conguense e outra Yorub\u00e1 ou Geg\u00ea Nag\u00f4, influenciada pela Nig\u00e9ria e, em menor escala, pelo Benin. A presen\u00e7a destas religi\u00f5es \u00e9 ostensiva em todo o Estado. O Rio Grande do Sul possui o maior n\u00famero de terreiros do Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, acredito que nossa religi\u00e3o esteja amea\u00e7ada pela intoler\u00e2ncia de algumas igrejas, principalmente pelas neo-pentecostais. A comunidade negra religiosa resiste bravamente, com lideran\u00e7as de express\u00e3o no cen\u00e1rio religioso nacional. Os negros cultores destas religi\u00f5es, que ainda mant\u00e9m a autenticidade em suas atitudes e moradias, devem ser protegidos desta amea\u00e7a, assim como toda cultura afro-ga\u00facha.<\/p>\n\n\n\n<p>Imprensa SJDS &#8211;&nbsp;Como voc\u00ea v\u00ea a figura do negro na identidade do ga\u00facho?<\/p>\n\n\n\n<p>Naiara Rodrigues Silveira&nbsp;&#8211; A popula\u00e7\u00e3o negra no Brasil \u00e9 de 48%, conforme pesquisa de auto-declara\u00e7\u00e3o do IBGE, mas, na verdade, sabemos que \u00e9 bem maior. No Estado, ela chega a aproximadamente 16%, mas sua influ\u00eancia est\u00e1 emaranhada em todos os segmentos.<\/p>\n\n\n\n<p>A figura do negro sempre foi vista como &#8220;menor&#8221; na constru\u00e7\u00e3o da identidade do ga\u00facho. Isso se deve a uma postura preconceituosa em que somente as culturas alem\u00e3s, italianas, polonesas e outras, de origem branca, s\u00e3o consideradas como formadoras da comunidade ga\u00facha. Hoje sabemos da influ\u00eancia do negro em toda cultura sulista.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda temos muito que caminhar e isso come\u00e7a na escola, que ainda n\u00e3o conta a hist\u00f3ria do negro no RS e de seus her\u00f3is. Por isso, desejamos a implementa\u00e7\u00e3o da lei que estabelece as diretrizes e bases da educa\u00e7\u00e3o nacional, para incluir no curr\u00edculo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da tem\u00e1tica &#8220;Hist\u00f3ria e Cultura Afro-Brasileira&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Imprensa SJDS &#8211;&nbsp;Como voc\u00ea avalia a atua\u00e7\u00e3o do Movimento Negro hoje e a inser\u00e7\u00e3o do negro na sociedade brasileira?<\/p>\n\n\n\n<p>Naiara Rodrigues Silveira&nbsp;&#8211; O Movimento Negro vem crescendo em n\u00famero, organiza\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o. Nas d\u00e9cadas de 60 e 70, o movimento era de den\u00fancia e resist\u00eancia; hoje, ele \u00e9 tamb\u00e9m propositivo. Gra\u00e7as a ele, houve avan\u00e7os significativos em diversas \u00e1reas e temos adquirido, embora timidamente, a visibilidade e a inser\u00e7\u00e3o na sociedade. A conquista das a\u00e7\u00f5es afirmativas \u00e9 uma delas. A luta n\u00e3o p\u00e1ra, ir\u00e1 continuar at\u00e9 que as diferen\u00e7as se unam e n\u00e3o separem. Ser diferente sim, mas com direitos iguais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>BLOGSPOT:&nbsp;<a href=\"http:\/\/oliveirasilveira.blogspot.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Oliveira Silveira<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.sjds.rs.gov.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">www.sjds.rs.gov.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antes de site, Oliveira Silveira teve um blog&#8230; &#8220;O dia da Consci\u00eancia Negra veio para fortalecer nossa identidade&#8221; Em 1971, um dos fundadores do Grupo Palmares declarava o 20 de novembro, dia da morte de Zumbi dos Palmares, como a data m\u00e1xima da comunidade negra brasileira. 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