O Aniquilamento Cotidiano do Patrimônio

O Aniquilamento Cotidiano do Patrimônio

No Parque Farroupilha, conhecido popularmente como “Redenção”, a memória de Porto Alegre, materializada nos seus bens móveis, vem sendo destruída. Em 2016, bustos e esculturas espalhados pelo local foram recuperados, financiados pela Lei de Incentivo à Cultura (conhecida como “Lei Rouanet”). Cerca de um ano depois, todas as peças foram vandalizadas.

A escultura de Francisco Brochado da Rocha, político gaúcho que chegou a ser primeiro-ministro do Brasil, durante o curto período de parlamentarismo que antecedeu o regime militar iniciado em 1964, foi decapitada. O mesmo ocorreu com a de Alberto Bins, que foi industrial, comerciante e o primeiro prefeito da capital gaúcha nascido na cidade.

Em outra área do parque, foi arruinada a escultura de Luiz Englert, engenheiro, professor da Escola de Engenharia da UFRGS e deputado estadual.

Um dos graves problemas que explica o vandalismo, segundo especialistas, é o roubo do bronze que formam essas peças para posterior comercialização. Mas também entende-se que a depredação está igualmente ligada a uma relação fragmentada entre parte da população e o espaço público, a qual, mergulhada em diversos problemas sociais, e por não se sentir pertencida a cidade, destrói os bens culturais a ela atribuídos.

 

Foto: Jornal Zero Hora