Capela de São Pedro

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Dados Gerais

Denominação: Capela de São Pedro

Código do prédio: 52.106

Endereço: Estação Experimental Agronômica da UFRGS

Rodovia BR-290, Km 146 – CEP 92990-000

Município: Eldorado do Sul, RS

Autor do projeto: Desconhecido

Ano da construção: 1893

Área construída: 59,00 m2

 

SITUAÇÃO E AMBIÊNCIA

 

A Capela de São Pedro está localizada no Setor 1 da Estação Experimental Agronômica da UFRGS (EEA-UFRGS), um órgão auxiliar da Faculdade de Agronomia localizado no município de Eldorado do Sul. A EEA-UFRGS possui uma área total de 1.560 ha e abriga a parte de campo das pesquisas desenvolvidas pelos professores e alunos da Faculdade de Agronomia e de outras unidades, envolvendo cultivo de plantas, criações animais e conservação de recursos naturais entre outros. Além da Capela, o Setor 1 inclui o refeitório, o alojamento, o escritório, além de diversas estruturas de apoio, como garagem, silo, almoxarifado e oficina mecânica entre outros.

 

HISTÓRICO

A Capela de São Pedro, também conhecida afetuosamente como “Capelinha” entre a comunidade, revela-se de maneira imponente no ambiente da Estação Agronômica, marcado por áreas verdes de pastagens e plantações. Construído em 1893, o templo completou em 2013, portanto, 120 anos. Segundo depoimentos, ele funcionava como palco de eventos e cerimônias religiosas não apenas destinadas à família Porto Jardim, mas a moradores próximos.

De acordo com Cezar Luís Seibt, a presença de tais edificações em comunidades rurais é algo constante por todo o território nacional, servindo como estrutura de fomento de ações religiosas católicas em locais por vezes afastados dos grandes centros urbanos e sem um contato com paróquias e um maior número de agentes da Igreja. Assim, ressalta-se a importância das capelas para a comunidade. São espaços que se encontram difundidos entre diversos grupos, processando um conjunto de práticas e representações vinculado ao sagrado. Assim, é dever dos pesquisadores compreender seus amplos significados perante o corpo social.

Na colonização latino-americana em geral, a construção de igrejas e capelas tornou-se a marca de conquista em dimensões nunca antes alcançadas na história do cristianismo. Desde a época colonial, foram surgindo para atender às práticas religiosas, como assistir a missa aos domingos e dias santos, promover o sepultamento no interior da igreja para o repouso da alma e realizar o culto da imagem de invocação religiosa dos fiéis. Essas edificações representavam uma concretização dos primeiros povoadores e das comunidades, além de se constituírem em símbolo do poder espiritual aliado ao poder temporal. Inclusive passaram também a determinar a organização urbana: não raro, eram concluídos esses templos e posteriormente os edifícios públicos.

As capelas e igrejas coloniais distribuídas ao longo da região sulina, marcada por grandes campos abertos, integram a paisagem, avivam a memória histórica e constituem parte significativa de seu patrimônio cultural. Dessa forma, apesar da participação da comunidade eclesial em Porto Alegre e em outras grandes cidades do estado na difusão do catolicismo no Rio Grande do Sul, é fundamental ressaltar que a comunidade das pessoas seculares (leigos) contribuíram enormemente para tais fins, principalmente em localidades rurais onde estruturaram espaços religiosos – como foi o caso da família Ferreira Porto, responsável pela construção da Capela de São Pedro no século XIX.

 

 

 

O PRÉDIO

 

A edificação, térrea, é simples em relação aos elementos decorativos, com exterior pintado com tinta a base de cal branca. Com área construída de 59 m2, o sistema construtivo utilizado é em alvenaria portante de tijolos maciços sobre fundação corrida de pedra com cobertura em telha cerâmica. Com relação ao entorno, há um passeio linear que conduz à porta principal, formado por uma calçada de placas de cimento e eixo duplo de palmeiras. No perímetro do prédio, há ainda um passeio elevado, cimentado.

O prédio é formado por um volume principal, mais alto, que contém a nave da Capela, e um volume lateral, mais baixo, onde fica a Sacristia. A nave se configura como um ambiente único, de amplo pé-direito e com mobiliário específico de sua função, com genuflexórios, altar, recipiente para água benta, etc. A Sacristia, também ambiente único, não possui mobiliário algum. Ambos possuem acesso externo independente, e se conectam internamente por uma porta. Em relação aos acabamentos, o piso da nave é em ladrilho hidráulico decorado e o da sacristia em réguas de madeira, os forros são em madeira e as esquadrias são na maioria em madeira e vidro transparente, com exceção dos vitrais, que possuem estrutura em ferro e vidros coloridos.

É possível associar o edifício a uma arquitetura vernacular, em que se empregam materiais e recursos do próprio ambiente em que ele é construído, apresentando assim um caráter local ou regional. A edificação apresenta simplicidade arquitetônica, sem rebuscamentos decorativos. A fachada principal, no volume da nave, é constituída apenas por uma porta de madeira, arrematada por um conjunto de vitrais que filtram a luz através de um mosaico colorido, e por um par de óculos redondos, também compostos de vitrais, localizados acima da área de ingresso. O acabamento superior é realizado através de um frontão triangular e sem adornos com uma cruz em trevo no topo, cujos círculos interseccionados representam a Santíssima Trindade Católica, além de pináculos nas extremidades da fachada.

O interior é igualmente sóbrio, e o ambiente da nave é composto por um altar e um conjunto de 4 genuflexórios de madeira, além de dois brasões nas cores amarelo, vermelho e azul e com a figura de um elmo – que representariam a família portuguesa Ferreira Porto, donos iniciais da Fazenda. Interessante notar, nesse contexto, um terceiro brasão, menor que os outros, localizado em uma das laterais da Capela, talhado em madeira, sem maiores adornos e cores, onde consta as iniciais “F,P,J”. Não se sabe a data exata de confecção dele, mas provavelmente o “F e J” estão associados aos “Ferreira Porto”. Quanto ao “J”, talvez ele esteja associado à família Jardim, ligada ao marido da herdeira, Mario da Silva Jardim. Assim, o objeto poderia simbolizar a união entre os núcleos familiares.

Ainda sobre os materiais encontrados, no altar consta uma escultura de São Pedro, guardião do Céu e padroeiro da Capela, além da Virgem Maria, entre outras figuras femininas ainda não identificadas.

Outro elemento simbólico interessante é, no plano exterior ao templo, a presença de um passeio linear ladeado por um eixo duplo de palmeiras (seis em cada lateral) que conduz até a entrada da edificação, plantadas em momento anterior à da compra da Fazenda pela Universidade. As árvores, segundo depoimentos dos antigos servidores da EAA, representariam os 12 apóstolos de Jesus Cristo. Em relação a sua preservação, a Capelinha era mantida arejada e limpa internamente por funcionários da própria Estação. Por vezes, permanecia ali uma caixa de coleta, cujos valores seriam destinados a essas tarefas. Durante a década de 1980, ela sofreu pequenas intervenções, como a troca de algumas tábuas do piso interno, que estavam deterioradas, além de uma nova pintura.