Prédio Centenário da Escola de Engenharia

Prédios Históricos – UFRGS

DADOS GERAIS

Denominação: Prédio Centenário da Escola de Engenharia

Endereço: Praça Argentina, s/n – Campus Centro – 1º quarteirão

Município: Porto Alegre- RS

Autor Projeto: Eng João José Pereira Parobé

Área Construída: 2751 m2

Execução: Francisco Andrighetto

Período de execução: 1898/1900

Ampliação do prédio: 1950

Código do Prédio: 11101

Reinauguração após o processo de restauração: 02/12/2015

 

 

SITUAÇÃO E AMBIÊNCIA

O prédio da Escola de Engenharia situa-se em frente à Praça Argentina, antiga Praça da Independência, que tem como limite em um de seus lados os fundos  da Santa Casa de Misericórdia, primeiro hospital da então vila da Nossa Senhora da Madre de Deus de Porto Alegre.  No local da praça, originalmente, existia uma íngreme ladeira, corrigida em 1857, com aterro e construção de um muro de contenção.

O terreno onde foi implantado o prédio caracterizava-se, no início do século  XX, como o começo da zona plana e alagadiça, chamada Campo da Redenção.

Na década de 20, a praça passou por importantes modificações: arborização, ajardinamento e construção de muralhas, escadarias e equipamentos sanitários.

A partir de 1940, aconteceram sucessivas intervenções no espaço físico que circunda a Escola de Engenharia, principalmente a redução da área da  praça,  redefinições na rede urbana, alargamentos das avenidas e retirada dos bondes.

O entorno alterou-se significativamente nas últimas décadas com as reformulações das avenidas João Pessoa e Osvaldo Aranha que ali se iniciam.

 

HISTÓRICO

Engenheiros militares que eram professores do Colégio Militar fundaram em 1896 a Escola de Engenharia de Porto Alegre. Concebida como uma instituição para vários níveis de ensino, foi o embrião da qualificada formação técnica no Rio Grande do Sul, conceito que mantém até hoje.

Instalada inicialmente no Atheneu Rio-Grandense, a Escola de Engenharia ocupou seis imóveis diferentes até possuir seu prédio próprio. Graças aos esforço de seus fundadores, do poder público e da comunidade, foi possível construir a edificação. O terreno foi cedido pelo município e o início das obras foi possível com a doação feita pela população de uma taxa recolhida pela Intendência de Porto Alegre e não utilizada. Concluído o edifício, ” modesto, porém vasto”, foi  inaugurado com a Exposição  Agro-Industrial comemorativa à passagem do século XIX para o XX.

A Escola de Engenharia, em 1920, já estava  consolidada como uma complexa organização educacional constituída por onze Institutos. Com ensino fundamental, médio, técnico e superior, interiorizou os avanços da tecnologia, realizando também a seleção e promoção de talentos.

Em razão dessa  estrutura, o governo federal autorizou a Escola, através do Decreto 20.1272 de 03 agosto de 1931, a adotar a denominação de Universidade Técnica. Esta designação já constava no Estatuto da Instituição desde 1922. Os cursos fundamentais e técnicos desvincularam-se gradativamente da estrutura da Escola, após a criação da Universidade de Porto Alegre.

Desde o longínquo 1899, quando foram diplomados os primeiros engenheiros agrimensores e engenheiros de estradas, vem sendo construída uma trajetória brilhante de ensino, pesquisa, produção científica e extensão. Na década de 60, um grupo de professores do Departamento de Engenharia Civil iniciou um movimento para instituir na Universidade um programa de pós-graduação.

A qualidade acadêmica e científica da Escola de Engenharia tem se firmado ao longo do tempo, capacitando profissionais para disponibilizar os avanços tecnológicos a toda a sociedade, sendo confirmada, recentemente, em todas as avaliações realizadas pelo Ministério da Educação.

 

 

 

O PRÉDIO

O projeto do edifício foi elaborado em linguagem historicista, então vigente, com ênfase à Renascença. Com linhas sóbrias e bem definidas, a forma original, com dois volumes, denotava equilíbrio e nobreza, constituindo-se num verdadeiro palazzo.

A volumetria hoje existente – um maciço único, com três andares somados a um porão – é resultado de duas intervenções.

Quando do rebaixamento da greide da área circundante, houve um maior aproveitamento do sub-solo, o que fez surgirem vãos na fachada frontal e aumentou a escada em cinco degraus. Também foram criados vários acessos externos ao porão.

A intervenção mais marcante ocorreu em 1950 com a construção do terceiro pavimento. Esta ampliação modificou as proporções do prédio.

Outras alterações ocorridas em períodos diferentes foram: demolição e construção de entradas, instalação de elevadores e introdução de novos sanitários.

Em planta retangular os ambientes são voltados para o exterior com circulação horizontal através de corredor iluminado por área interna. As fachadas planas apresentam reduzida decoração. As janelas enquadradas por molduras são coroadas com arcos plenos no segundo piso e vergas retas no inferior. No terceiro pavimento aparecem os dois tipos.

Destaca-se, na fachada do acesso principal, o frontão. Nele se lê o ano de inauguração em números romanos clássicos, aparecendo ainda um relógio de 1894 e uma escultura humana figurativa em acrotério.

O prédio assenta-se em fundações diretas construídas em alvenaria de pedra de granito natural, com argamassa de cal, cimento e areia, que sustentam as paredes externas, internas e pilar da escada. As paredes, em alvenaria estrutural, são de tijolos maciços. Os entrepisos, formados por assoalhos e forros de madeira, são fixados sobre barroteamento, e a cobertura, com madeiramento das tesouras em pinho, recebe telhas tipo francesas.

Os espaços foram previstos para: portaria, gabinetes, secretaria, biblioteca, laboratórios e salas de aula. As novas funções determinaram outras ocupações ao longo do tempo. Atualmente o prédio abriga setores administrativos da Escola de Engenharia e o Centro Acadêmico.