Antigo Prédio da Faculdade de Medicina

11 fachada

DADOS GERAIS

Denominação: FACULDADE DE MEDICINA
Endereço: Rua Sarmento Leite, 320, Campus Centro – 2º quarteirão
Município: Porto Alegre – RS
Autor projeto: Arq. Theodore Wiedersphan
Área construída: 9285 m2
Data do projeto: 1912
Execução: Rudolph Ahrons (início)
Augusto Sartori (término)
Período: 1913/1914 (início) e
1919/1924 (término)
Ampliações: 1937, 1952,1955.

SITUAÇÃO E AMBIÊNCIA

Nas proximidades do Parque Farroupilha, na confluência das ruas Sarmento Leite e Prof. Luiz Englert, localiza-se o prédio da antiga Faculdade de Medicina.
A construção erguia-se no limite da área que no início do século era conhecida como Várzea, parte alagadiça e baixa da cidade. Deste local, onde funcionava o Circo de Touradas, iniciava-se o aclive para a parte alta da cidade.
O trecho da via, hoje conhecida como Sarmento Leite, era um caminho onde existia uma fonte, retirada em 1907, o que permitiu a ligação entre a Rua da Conceição e a Travessa 1º de Março.
O terreno da implantação tinha um ângulo formado por esta via e uma avenida projetada, que se definiu a partir de um estudo de traçado para a urbanização do Campo da Redenção. (Luiz Englert). Mas o volume central do prédio voltava-se ,na verdade, para a Avenida Redenção, atual João Pessoa.
A visão da monumentalidade do edifício ficou prejudicada com a construção ,na década de 70, do viaduto Imperatriz Leopoldina, obra do período do urbanismo marcado pela abertura de grandes vias perimetrais.

HISTÓRICO

Um grupo de médicos e farmacêuticos fundou em 25 de julho de 1898, a Faculdade Livre de Medicina e Farmácia de Porto Alegre. Resultou da fusão do Curso de Partos da Santa Casa de Misericórdia(1897) com a Escola Livre de Farmácia e Química Industrial de Porto Alegre(1895). Já em outubro de 1898 foi criado o Curso de Odontologia, como anexo à Faculdade recém criada.
As aulas iniciaram-se em 15 de março de 1899, em duas pequenas salas do porão do Liceu (Escola Normal).
A Faculdade que se instalara em prédio da rua da Alegria, atual Gen.Vitorino, se expandiu rapidamente e foram criadas vários Institutos, com localizações esparsas.
Conta-se que em 1911, o Dr. Sarmento Leite, professor da Faculdade, teria entrado em sua residência e solicitado a sua esposa:”-Vá à igreja rezar a São José, para que o Governo doe um terreno para construirmos um prédio maior.” Dona Adelaide prontamente atendeu à solicitação do marido. Dias após, a Medicina recebia em doação um terreno nos Campos da Redenção.
Era 1913 e no local do antigo Circo de Touradas da cidade, começaram as obras. Entre 1914 e 1919, as mesmas são interrompidas em razão da crise ocasionada pela Primeira Guerra Mundial.
A pressão dos professores e alunos, liderados pelo Diretor Eduardo Sarmento Leite e o apoio da população de Porto Alegre, permitiram que, graças a um empréstimo obtido junto ao Governo Estadual, a obra fosse retomada em 1919.
O prédio foi, finalmente, concluído e sua inauguração aconteceu em 31 de março de 1924.
Com a transferência da Faculdade para o Hospital de Clínicas, em 1974, suas instalações passaram a ser ocupadas pelo Instituto de Biociências e, após, pelo Instituto de Ciências Básicas da Saúde.

O PRÉDIO

Com características da arquitetura do período neoclássico do início do século XX, o suntuoso prédio, implantado em esquina, utiliza um volume circular, com rica ornamentação, para marcar o ponto de inflexão e de acesso, rompendo com as formas retas e ortogonais até então construídas em seu entorno.
Em função de maior economia a concepção inicial de Theodore Wiedersphan, passou por várias alterações, sendo simplificado.
As obras interrompidas em 1914 foram retomadas em 1919 pela Secretaria de Obras do Estado, graças a um empréstimo do Governo do Estado.
Houve modificações no projeto, feitas pelo Engº. Pedro Paulo Scheunemann que também dirigiu e fiscalizou as obras. Torreões com cúpulas de cobre e a estatuária prevista para a platibanda foram eliminados.
Nas fachadas de grande dinamismo plástico sobressaem vigorosas colunas, balcões com balaústres e ornamentos em alto relevo.
O escultor italiano Frederico Pellarin realizou, acima das platibandas, os frontões e compoteiras assim como os adornos das fachadas.
As compoteiras foram retiradas mais tarde e no volume circular acrescentou-se o frontão com o brasão nacional.
Uma escadaria externa em granito, leva ao interior, onde um grande e imponente hall de entrada, com enorme pé-direito, configura-se como ponto de atração e definição dos usuários.
Neste saguão encontra-se a escada de mármore, que leva ao piso superior e ao Salão Nobre, guarnecida por grades de ferro, trabalhadas com elementos inspirados na “Belle Époque” européia e, também, luminárias com decoração alusiva ao símbolo da Medicina. O Salão Nobre de grande beleza tem forro em estuque, pintado com motivos florais.
Algumas esquadrias de madeira ainda são originais. As de ferro, executadas posteriormente, não faziam parte do projeto original.
As várias reformas e ampliações, realizadas ao longo dos anos definiram a forma hoje existente.
Em 1937, o edifício é ampliado na sua ala direita. São construídos três pavimentos, onde se instalam a
administração, a biblioteca, alguns laboratórios e o Centro Acadêmico Sarmento Leite.
Em 1945, é construído o Biotério, em prédio à parte, para liberar a sotéia, onde as condições higiênicas eram ruins pela presença das cobaias.
Com o reitorado do Prof. Elyseu Paglioli ocorreram duas ampliações: uma em 1952, na ala direita do prédio, para instalar o Instituto Anatômico e o Anfiteatro e outra em 1955, quando a ala esquerda é aumentada para abrigar o Instituto de Fisiologia e Microbiologia