Antigo Prédio do Instituto de Química

12 fachada

DADOS GERAIS

Denominação: Antigo Prédio do Instituto de Química

Endereço: Rua  Engº Luiz Englert, s/nº, Campus  Centro – 2º quarteirão

Município: Porto Alegre

Autor do Projeto: Desconhecido

Área Construída: 3.532 m2

Execução: Escritório Andrighetto

Período da execução: 1922/1924

Ampliação: 1944

Código do prédio: 12109

SITUAÇÃO E AMBIÊNCIA

Localizado à Rua Engº Luiz Englert de frente para o Parque Farroupilha o prédio debruça-se hoje, sobre o seu exuberante verde. Na época da execução da obra, o Campo da Redenção ainda era o ponto de estacionamento de carretas que vinham da zona rural e de outros municípios. (Este ponto foi transferido para o Caminho do Meio em 1928, dois anos após a inauguração oficial do prédio).

No Plano Geral dos Melhoramentos da cidade, de 1914, o Arq. Moreira Maciel, já pensara na Redenção como futura área de lazer. Seu nivelamento e ajardinamento, no entanto, se iniciaria efetivamente na administração do Intendente Otávio Rocha.

A Rua Luiz Englert, utilizada como solução para que a Av. Perimetral não cortasse o 2º quarteirão do Campus Centro, recebe atualmente um fluxo grande de veículos, deixando de ter a tranqüilidade que apresentava no passado.

 

HISTÓRICO

O ensino de Química no Estado do Rio Grande do Sul começou em 1897, como conseqüência do desenvolvimento industrial, ocorrido após a imigração européia e graças aos esforços da Sociedade “União Farmacêutica”. As dificuldades advindas com o corte do fluxo de tecnologia da Europa, durante a Primeira Guerra Mundial, levaram a Escola de Engenharia a criar, oficialmente, em 1920, um Curso de Química Industrial.

Verbas conseguidas junto ao Ministério de Agricultura permitiram a contratação de técnicos estrangeiros bem como a compra de equipamentos e materiais para instalar os laboratórios, comprometendo-se o curso a realizar análises dos produtos importados pelas alfândegas do Rio Grande do Sul.

Inicialmente, as aulas foram dadas, em dependência do Instituto de Eletrotécnica.

As atividades acadêmicas e a prestação de serviços aos órgãos governamentais e empresas exigiam um prédio amplo que abrigasse salas de aula e bons laboratórios.

O terreno para o ambicionado prédio foi obtido junto à Secretaria de Estado dos Negócios das Obras Públicas, em 1922, no Campo da Redenção. Em setembro é lançada a pedra fundamental. Logo começam as obras que foram praticamente concluídas, em 1924. O acabamento do porão foi feito em 1926, ano em que houve a inauguração oficial.

Já em 1925, o curso foi elevado à Instituto de Química Industrial, tornando-se Engenharia Química no ano de 1955.

A partir de 1943, além do ensino teórico e prático para os diversos cursos da Escola de Engenharia, o Instituto passou a atender às disciplinas do curso de Química da Faculdade de Filosofia. O desenvolvimento industrial do Estado exigiu a expansão do Instituto que para obter novos espaços ampliou em 1944 a área física do prédio. Novas demandas por áreas foram resolvidas com a construção de um Pavilhão de Tecnologia, na década de 50.

Graças a uma política de intercâmbios nacionais e internacionais e ao apoio de órgãos de fomento, na década de 60, houve uma grande expansão das atividades de pesquisa. Com a Reforma Universitária, em 1970, o Instituto passaria por uma reestruturação, desvinculando-se da Escola de Engenharia. Em 1981, o Instituto de Química transfere-se para o Campus do Vale. Com isto, o antigo prédio passa a ser utilizado por órgãos administrativos, para atividades didáticas e por alguns laboratórios. A partir de 2015, iniciaram-se as obras do seu projeto de restauração.

 

O PRÉDIO

A construção em três pavimentos apresenta rigidez formal e geométrica atenuada pelo setor central recuado com uma galeria aberta protegida pelo terraço.Colunas toscanas, alternadas entre duplas e simples e esculturas femininas, em pedestal de balaustrada, representando a Química, valorizam este espaço.

A concepção básica, definida por um pavimento térreo, antes designado porão, e por dois pavimentos, com altos pés-direito, caracteriza-se por possuir ambientes voltados para o exterior, recebendo iluminação e ventilação diretas. O espaço interno original era compartimentado em poucas salas e vários laboratórios.

O acesso principal ocorre por uma imponente escadaria externa, com curvas e patamares diferenciados, que dá à construção eclética um contraponto barroco.   Essa escadaria leva à galeria aberta, protegida por terraço em forma de mirante ou sacada.

Nas fachadas com reduzido número de ornamentos destacam-se as amplas esquadrias de madeira, bem como os gradis de ferro, todos originais.

No entablamento, sobressaem as platibandas retas, que escondem o telhado e um frontão, em arco abatido, no setor central, que marca o eixo de acesso principal.

A ampliação executada na década de 40 consistiu na duplicação dos volumes laterais. Quatro frontões da construção inicial foram então eliminados, permanecendo apenas o central.

Essas alterações não mudaram a concepção original e, somente com um olhar mais apurado podem ser percebidas.