Observatório Astronômico

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DADOS GERAIS

Denominação: Observatório Astronômico

Endereço: Praça Argentina s/n – Campus Centro – 1º Quarteirão

Município: Porto Alegre

Autor do Projeto: Eng. Manoel Barbosa Assumpção Itaqui

Data do projeto: 1906

Período de Execução: 1906/1908

Área Construída: 244,00 m2

Código do prédio: 11104

Reinauguração após o processo de restauração: 15/08/2002

SITUAÇÃO E AMBIÊNCIA

Em 30 de abril de 1906, a Secretaria de Obras Públicas do Estado lavrou um termo de concessão doando à Escola de Engenharia um terreno na parte noroeste do Campo da Redenção, atual Parque Farroupilha.

Fronteira à Praça Independência (hoje Argentina), a área havia sido ocupada por dois pavilhões do Estado na Grande Exposição Agropecuária de 1901 e situava-se à esquerda do prédio da Escola de Engenharia. Nela foram construídos dois edifícios para o Instituto Técnico Profissional (Château e Castelinho) e o prédio para o Instituto Astronômico e Meteorológico (hoje Observatório Astronômico).

Os 3 prédios concebidos simultaneamente tiveram como referência a implantação do Observatório, que pelas suas funções obedeceu rigorosamente à posição dos pontos cardeais. Château e Castelinho foram colocados formando uma perspectiva cujo ponto focal é aquela construção.

A área de acesso ao conjunto teve um cuidadoso ajardinamento, tendo sido circundada por um muro com delicada grade de ferro. Designado Largo Paganini, este espaço sempre compôs por sua tradição a paisagem do sítio. No ano de 1996, por ocasião do centenário da Escola de Engenharia, foi colocada no Largo uma escultura da artista plástica Tina Felice.

De frente para a Praça Argentina e com sua fachada lateral esquerda voltada para a Av. do Bom Fim (hoje Osvaldo Aranha), o Observatório presenciou as grandes transformações das áreas circunvizinhas. Antes as casas eram baixas e as ruas mais estreitas, os carros e os bondes circulavam com tranqüilidade, havia o quartel do 8º Batalhão de Infantaria e o grande terreno da Santa Casa era praticamente desocupado.

Como modificações mais significativas nas proximidades do prédio, podemos enumerar a redução do tamanho e alterações da praça, redefinições do sistema viário, demolições, o alargamento da Av. João Pessoa, construção de 2 viadutos e verticalização do entorno com a construção de altos edifícios.

HISTÓRICO

O sonho de construir um pequeno observatório era acalentado pela Escola de Engenharia desde o final do século XX.

Alem de doar o terreno, o governo do Estado também designou verbas para as obras permitindo que em 18 de setembro de 1906 se fundasse o Instituto Astronômico e Meteorológico e também fosse iniciado o prédio que pode ser considerado “o mais antigo remanescente das construções planejadas para observação astronômica no território brasileiro” .[1]

Além da função ensino, o Instituto prestava serviços ao Estado com seus trabalhos.

Dos serviços de Astronomia, o grande destaque era determinar e divulgar a hora certa.

Em 1911 chegava o astrônomo alemão Dr. Frederico Rohnenfurer, que instalou e retificou os instrumentos, o que permitiu ser feita a primeira determinação da hora certa em 23 de setembro de 1912. A imprensa anunciou o primeiro sinal de hora no dia 19 de novembro. Uma lâmpada vermelha localizada no torreão do Ginásio Júlio de Castilhos (hoje no seu lugar está a Faculdade de Economia) era acesa às 19h 55min e após cinco minutos se apagava. Eram precisamente 20h a hora certa. Mais tarde foi colocada uma segunda lâmpada na Intendência Municipal e alguns anos depois uma terceira no Edifício da Confeitaria Rocco.

A meteorologia desenvolveu 4 serviços básicos; climatologia, registrando observações de Porto Alegre e também do Interior do Estado, colhidas através de uma rede de estações meteorológicas; previsão do tempo, cujas informações eram distribuídas pela imprensa; meteorologia agrícola, que relacionava as observações meteorológicas com a evolução vegetativa das culturas; hidrometria, iniciado em 1927 e que auxiliava a navegação fluvial, lavoura, pecuária e engenharia hidráulica.

As informações coletadas e processadas eram divulgadas pelos Boletins do Tempo e de Produção.

Desde 1921 as atividades de Meteorologia passaram a ser realizadas num prédio construído para esse fim (hoje Rádio da Universidade).

O Observatório, desde então, ficou sendo usado apenas para observações astronômicas.

Com a federalização do serviço de meteorologia em 1942, apenas o Observatório Astronômico ficou ligado à Escola de Engenharia.

Na década de 70 a Universidade constrói um novo Observatório no Morro Santana – Campus do Vale, ficando no antigo prédio poucas funções.

Hoje, vinculado ao Instituto de Física, o Observatório permanece com atividades de ensino e visitação pública.

[1] LIVI, Silvia Helena Becker. Observatório Central da UFRGS: o mais antigo do Brasil? Episteme. Porto Alegre, v. 1, n. 1, 1996, p. 37-46.

O PRÉDIO

Sendo uma estrutura para propiciar visualização e o registro dos fenômenos astronômicos, o prédio do Observatório teve uma composição formal que permitisse a inserção de duas torres de sustentação para os dois principais equipamentos.

O maciço volumétrico tem, pois, um desenho singular com uma organização espacial que privilegia a altura. Uma torre dupla interna sustenta a Luneta Equatorial, enquanto outra, mais baixa, é a base para o Sala Meridiana.

A implantação foi definida de acordo com os pontos carteais para atender à perfeita instalação dos equipamentos do Sala Meridiana, programada para o 2º pavimento.

O prédio está assentado em fundações diretas de granito, formando sapatas corridas. As paredes maciças e espessas desempenham função estrutural.

As torres de sustentação dos equipamentos, executadas em alvenaria portante, possuem, no seu interior, estruturas independentes no mesmo eixo, em pedra. Esta solução estrutural teve a intenção de proteger os instrumentos de possíveis trepidações do terreno. Como cobertura a grande cúpula giratória, construída em ferro e revestida de madeira, dá destaque à construção.

Na fachada frontal, um plano curvo se sobressai definindo o acesso principal e marcando a simetria neste eixo do conjunto. Inserida no frontão, aparece em tamanho natural a estátua de Urânia, a musa da Astronomia. Na composição das fachadas, além dos planos retos também são evidenciadas as linhas orgânicas, onduladas e assimétricas, abundantemente decoradas com motivos de inspiração vegetal, animal e ainda com os signos do zodíaco. Segundo os especialistas, o prédio do Observatório é o mais completo exemplar do Art Nouveau ainda existente em Porto Alegre.

Os pisos e forros em madeira, fixados por barroteamento, constituem a maioria dos pavimentos. A exceção são as sotéas, com lajes de grês apoiadas em trilhos de ferro com respaldo em argamassa de cimento e o piso térreo, que se utiliza de laje e contrapiso de concreto.

Uma intervenção substituiu a cobertura da sotéa, que se abria, por telhas do tipo francesa de cerâmica.

Os desenhos das esquadrias de madeira e sua caixilharia trabalhada em forma de fechadura com acabamento rendilhado são de extrema beleza e ainda original.

No interior do prédio, as paredes, outrora com pinturas decorativas, estão lisas, restando, porém, na sala do Sala Meridiana a belíssima pintura mural representando Cronos, o Deus do Tempo.