Rádio da Universidade

DADOS GERAIS

Denominação: Rádio da Universidade

Endereço: Rua Sarmento Leite, 426, Campus Centro – 2º Quarteirão

Município: Porto Alegre

Autor do Projeto: Adolph Alfred Stern

Data do projeto: 1919

Período de Execução: 1920/1921

Área Construída: 550 m2

Código do prédio: 12102

Reinauguração após o processo de restauração: 15/08/2002

SITUAÇÃO E AMBIÊNCIA

O antigo Potreiro da Várzea, depois Campo da Redenção, era uma planície alagadiça, situada logo abaixo do primitivo portão da cidade.

A porção noroeste da área começou a ser ocupada com a construção do prédio da Escola de Engenharia, com os pavilhões da Exposição Estadual de 1901, ajardinamentos e parques, incluindo um velódromo.

O caminho que ligava a Travessa 1º de Março com a Rua da Conceição (atual Sarmento Leite), configurou-se como a via que unia as duas partes do espaço que foi sendo apropriado pelas Faculdades Livres – o embrião da futura UFRGS.

As primeiras construções do segundo quarteirão e que permanecem até hoje são o prédio do antigo Laboratório de Resistência de Materiais (1910-1913) da Escola de Engenharia e a Faculdade de Medicina (1913-1924). Além desses prédios, o quarteirão em referência abrigou no início do século XX o Parque Meteorológico constituído pelo Observatório Regional e vários abrigos com equipamentos do Serviço Meteorológico pertencentes ao Instituto Astronômico e Meteorológico.

Em 1918 um plano de ajardinemento foi traçado para esta área considerando a futura implantação do prédio para a Seção de Meteorologia.

De frente para a rua que recebeu o nome Sarmento Leite em 1935, tendo à esquerda a Medicina, o prédio recebeu como vizinho, à direita, o edifício da Seção Feminina do Instituto Parobé (demolido em 1950 para dar lugar à Faculdade de Arquitetura).

Do outro lado da rua, entre 1925 e 1928, constrói-se o prédio da Seção Masculina do Instituto Parobé.

Durante algum tempo na parte posterior ao prédio da Meteorologia existiu a horta do Instituto de Educação Rural (Parobé Feminino). Depois, pouco a pouco, inúmeros pavilhões foram ali construídos. Com a demolição deles a Rádio voltou a ter como entorno, um jardim.

 

HISTÓRICO

O prédio no qual funciona atualmente a Rádio da Universidade iniciou suas atividades abrigando a Seção de Meteorologia e a direção do IAM. O Instituto, fundado em 1906, constituiu-se em entidade pioneira nos estudos dessas duas áreas no Rio Grande do Sul, tendo sua primeira sede permanente finalizada dois anos depois.

Em 1909, o IAM foi incumbido pelo governo gaúcho a implantar o Serviço Meteorológico do Estado, instalando assim 34 estações, sendo 26 meteorológicas e 8 pluviométricas e constituindo a rede meteorológica do Rio Grande do Sul.

Como o Instituto necessitava de maior espaço para desenvolver suas atividades, em 1920 iniciou-se a construção da sede para a então Seção de Meteorologia, cujas obras foram concluídas no ano seguinte. Os trabalhos de astronomia permaneceram na sede inicial, conhecida hoje como Observatório Astronômico.

Em 1942, o governo Vargas federalizou os serviços meteorológicos existentes no país e as atividades da Seção de Meteorologia foram gradativamente sendo transferidas ao atual 8º Distrito de Meteorologia, de caráter regional e sediado no bairro Jardim Botânico em Porto Alegre.

A Rádio da Universidade, por sua vez, iniciou suas atividades, em caráter experimental, em 1º de julho de 1950, como uma emissora radiotelefônica gerenciada por alguns professores da Escola de Engenharia, liderados pelo docente Antônio Alberto Goetze.  A programação compunha-se de programas informativos sobre atividades educacionais e culturais da Escola e da Universidade em geral, uma novidade na vida acadêmica até então.

Com a autorização do Reitor Alexandre Martins da Rosa em janeiro de 1951, foi feita uma inauguração simbólica, e a Rádio da Universidade entrou oficialmente em atividade.  Ao final de 1952, a entidade já contava com locutores, escolhidos através de concurso. No dia 3 de junho de 1953, era colocado no ar um novo transmissor de 2 kW, atuando em ondas curtas, sendo recebidas cartas de ouvintes que recebiam o “forte sinal”.

No dia 31 de dezembro de 1953, às 22 horas, a RAU é retirada do ar, pois estava emitindo músicas, o que lhe era proibido legalmente. No ano seguinte, o reitor Elyseu Paglioli viaja ao Rio de Janeiro, e através de audiência com o presidente da República, Getúlio Vargas, solicita a concessão de um canal de rádio em ondas médias, cuja licença definitiva ocorreu em 1956, já sob a presidência de Juscelino Kubitschek.  A partir daí, a Rádio é autorizada a operar na frequência de 1080 kHz e entre os meses de agosto e novembro do ano seguinte têm início as transmissões, em caráter experimental.[1] Em 18 de novembro de 1957, às 20 horas de uma segunda-feira, entrava no ar em 1080kHz,  a ZYU-67, a Rádio da Universidade.

Contudo, a Rádio foi oficialmente reinaugurada apenas em 18 de março de 1958, juntamente com outras novas edificações da UFRGS e com a presença do presidente da República, especialmente convidado, Estes atos solenes foram transmitidos na íntegra pela ZYU-67. Tal transmissão em caráter oficial foi saudada pelas emissoras co-irmãs da Capital, por meio de programas especiais e mensagens.

No ano de 1960 a sede dos estúdios da Rádio foi transferida para o atual endereço, o antigo prédio a Seção de Meteorologia do IAM, situado na Sarmento Leite.[2] O prédio foi adaptado segundo as exigências de radiofusão, e inaugurado solenemente a 7 de março de desse mesmo ano, em cerimônia que contou com a presença de Clóvis Salgado, Ministro da Educação e Cultura.[3]

[1] O histórico da Rádio em seus primeiros momentos. In: Agenda comemorativa dos 50 anos da Rádio da UFRGS. Porto Alegre, 2008. P?

[2] http://www.radio.ufrgs.br/radio.html

[3] UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL. Relatório – Reitorado do Prof. Elyseu Paglioli. Porto Alegre: Gráfica da Universidade do Rio Grande do Sul, p. 68.

O PRÉDIO

O prédio possui três pavimentos e uma sala acima destes que completa a torre. Sua cobertura é feita em telhas francesas com platibanda contornando somente o volume mais alto. Não possui planta nem fachada regular, quase que procurando subverter o princípio da simetria, bem mostrando a época em que foi concebido, onde se começava a quebrar regras e padrões até então rigidamente impostos. O acesso principal localiza-se no lado direito da fachada frontal, de frente para a rua Sarmento Leite, com escadaria de mármore e gradil trabalhado em ferro que leva do solo ao segundo pavimento.

O corpo principal, um prisma constituído pela junção de diversos prismas menores, possui jogo de saliências e reentrâncias; a altura uniforme em todas as partes fecha este bloco, conferindo-lhe unidade. A torre, único volume com quatro pavimentos, se destaca do restante da obra por seu tratamento diferenciado na cobertura com o uso de platibandas ao invés de telhado aparente.

Em razão da concepção como planta agrupada, sem corredor, os ambientes comunicam-se através de uma área central de distribuição.

As escadas internas, simples e em madeira, fazem a ligação entre os diversos pavimentos.

Desde a construção do prédio somente haviam sido realizadas pequenas reformas – colocação e retirada de divisórias de madeira.

Em 1960, reformas internas e adaptações permitiram a instalação dos estúdios para a Rádio. O estúdio, localizado no terceiro andar, foi o único que necessitou ser adaptado, recebendo uma divisória interna e uma escada em espiral para dar acesso ao quarto andar da torre. Desse pavimento chega-se à sotéia por outra pequena escada. Foi construído um acréscimo de 1 pavimento no térreo, junto à fachada posterior, para instalar o Departamento Técnico.

Em 1989 ocorreu uma intervenção na cobertura e fachadas com renovação da pintura e execução de pequenos reparos, mantendo-se as características e elementos originais da edificação.

No ano de 1992 foram executados trabalhos de recuperação de pisos, escadas e da cobertura. Eliminou-se o acréscimo externo, reformaram-se os banheiros e a cozinha, revestiu-se com isolamento acústico os estúdios e instalaram-se aparelhos de ar condicionado.

Em novembro do ano de  2000 o Estudio 1 foi pintado e recebeu cadeiras formando um pequeno auditório.