{"id":497,"date":"2024-04-16T17:31:10","date_gmt":"2024-04-16T20:31:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/?p=497"},"modified":"2024-11-25T20:20:45","modified_gmt":"2024-11-25T23:20:45","slug":"museu-da-passagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/museu-da-passagem\/","title":{"rendered":"Museu da Passagem"},"content":{"rendered":"\n<h6 class=\"wp-block-heading has-primary-color has-text-color has-link-color wp-elements-1\">Malu Saturno Concei\u00e7\u00e3o, Yuri Camejo:<\/h6>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Temos por objetivo evidenciar a pot\u00eancia contida no cotidiano em elaborar narrativas hist\u00f3ricas, quando estas est\u00e3o profundamente vinculadas \u00e0s demandas do presente na reelabora\u00e7\u00e3o de um passado. Conseguimos elaborar essa perspectiva, ao expor ao longo do presente artigo o projeto do Museu da Passagem, elaborado em conjunto com o Joaquim Felizardo (Museu de Porto Alegre), tendo em vista o constante sucateamento que o transporte p\u00fablico vem sofrendo em nossa cidade.<br><br><strong>PALAVRAS-CHAVE<\/strong>: hist\u00f3ria p\u00fablica; transporte; espa\u00e7o urbano; \u00f4nibus; terminais.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-text-color has-primary-color has-alpha-channel-opacity has-primary-background-color has-background\"\/>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/h6>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A hist\u00f3ria p\u00fablica, como \u00e1rea da historiografia contempor\u00e2nea, entende-se como o processo de externaliza\u00e7\u00e3o dos objetos de estudo da hist\u00f3ria, fazendo com que o conhecimento produzido na academia atinja maiores p\u00fablicos, sem que este esteja restrito \u00e0 hist\u00f3ria como disciplina. Elaborando reflex\u00f5es cr\u00edticas em torno do passado e seus usos no presente junto ao p\u00fablico. Este processo faz com que a disciplina respire, passe a entender as demandas desse presente e, com o p\u00fablico, possa se reelaborar, repensar seus objetos, suas fontes e suas metodologias, isso implica que \u201cn\u00f3s n\u00e3o somos a \u00fanica autoridade, os \u00fanicos int\u00e9rpretes, os \u00fanicos autores-historiadores. Em vez disso, o processo de interpreta\u00e7\u00e3o e de constru\u00e7\u00e3o de significados \u00e9, por defini\u00e7\u00e3o, compartilhado\u201d. (FRISCH, p. 62).<br><br>Com esse pressuposto em mente, pensar uma exposi\u00e7\u00e3o em \u00e2mbito de hist\u00f3ria p\u00fablica deveria atender, ao menos, tr\u00eas requisitos: pensar o objeto a ser exposto de uma maneira acess\u00edvel, isto \u00e9, uma linguagem que dialoga com os mais diversos tipos de pessoas, de f\u00e1cil compreens\u00e3o e que independente do tempo dispensado nela, seja capaz de instigar uma criticidade quanto ao que est\u00e1 exposto.<br><br>Pensar o local onde a exposi\u00e7\u00e3o ser\u00e1 apresentada, para cumprir com o seu papel, ela deveria estar em um lugar de acesso irrestrito, podendo assim dispor de um maior alcance, tendo como interlocutor qualquer um que dessa forma desejasse.<br><br>E por \u00faltimo, evidenciar o passado na sua rela\u00e7\u00e3o com o presente, entendendo as demandas pol\u00edticas de um resgate hist\u00f3rico daquele objeto para pensar as possibilidades que se abrem para pensar novos processos tanto pol\u00edticos quanto pr\u00f3prios da historiografia.<br><br>Esses par\u00e2metros, t\u00eam por finalidade aproximar as pesquisas feitas dentro dos muros da universidade com o p\u00fablico da hist\u00f3ria projetando novas formas do fazer historiogr\u00e1fico, invocando nas pessoas esse sentido de sujeito pertencente da mesma, bem como projet\u00e1-las tamb\u00e9m como produtoras de um sentido hist\u00f3rico.<\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">O objeto<\/h6>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tendo isso em mente, fazia sentido elaborar o projeto pensando na hist\u00f3ria em \u00e2mbito local, conectando as mem\u00f3ria e viv\u00eancias dos Porto-alegrenses com a hist\u00f3ria da cidade, se desvinculando ao m\u00e1ximo da hist\u00f3ria projetada por meios oficiais que, na busca de se ligar a hist\u00f3ria nacional ou at\u00e9 mesmo regional, acaba por omitir a riqueza contida experi\u00eancias do cotidiano em prol da constru\u00e7\u00e3o de um discurso grandioso, das grandes figuras e dos grandes acontecimentos. Em conson\u00e2ncia com Andr\u00e9a C\u00f4rte (2021):<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-primary-color has-text-color has-link-color has-x-small-font-size wp-elements-2 wp-block-paragraph\"><em>Ao tomarmos a hist\u00f3ria local como tem\u00e1tica norteadora, e o local compreendido especialmente como o espa\u00e7o urbano, consideramos importante ter como horizonte essa concep\u00e7\u00e3o de pluralidade, em que se movimentam hist\u00f3rias e mem\u00f3rias em diferentes temporalidades. Um espa\u00e7o em que a din\u00e2mica das rela\u00e7\u00f5es de poder predominantes propicia disputas de mem\u00f3rias, disputas de vers\u00f5es de hist\u00f3ria, como tamb\u00e9m promove pr\u00e1ticas socioculturais que implicam em valoriza\u00e7\u00e3o\/desvaloriza\u00e7\u00e3o de determinados grupos sociais, de seus modos de viver e estar no espa\u00e7o urbano. Sob esta perspectiva, o esfor\u00e7o de tornar p\u00fablica certa vis\u00e3o da hist\u00f3ria local se desdobra no necess\u00e1rio estabelecimento de di\u00e1logos, impl\u00edcitos ou expl\u00edcitos, com diferentes sujeitos, individuais ou institucionais desta localidade, podendo ser aberta ao debate p\u00fablico. (p. 91)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse sentido, provocados pelo processo de privatiza\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os essenciais, a excludente gentrifica\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os urbanos e a constante retirada de direitos que a atual gest\u00e3o do governo Melo tem promovido ao longo dos \u00faltimos 4 anos \u2014 sabendo que estes ataques s\u00e3o reproduzidos independente da conjuntura pol\u00edtica, mas que se aprofundaram nesse recente per\u00edodo \u2014 entendemos a cidade como ambiente de disputas. Assim buscamos construir uma exposi\u00e7\u00e3o que envolvesse o cotidiano das pessoas e invocasse as experi\u00eancias que a classe produziu (e produz) na busca pelo direito de transformar a cidade ao seu favor, \u201cA liberdade da cidade \u00e9, portanto, muito mais que um direito de acesso \u00e0quilo que j\u00e1 existe: \u00e9 o direito de mud\u00e1-la, mas conforme o desejo de nossos cora\u00e7\u00f5es\u201d (Harvey, p. 28).<br><br>Dessa forma, ainda pensando naqueles par\u00e2metros para uma exposi\u00e7\u00e3o de hist\u00f3ria p\u00fablica, a quest\u00e3o do transporte p\u00fablica foi posta em evid\u00eancia, pois esta sintetiza as disputas de acesso \u00e0 cidade que acontecem no presente, interseccionando a mais diversas problem\u00e1ticas que se desenrolam no seio de Porto Alegre e da regi\u00e3o metropolitana. Bem como guarda profunda rela\u00e7\u00e3o com o desenvolvimento da extens\u00e3o urbana, que ao longo do s\u00e9culo XX foi escanteando a popula\u00e7\u00e3o mais pauperizada para as periferias do per\u00edmetro da cidade. Assim, podemos explorar como o sentimento de perten\u00e7a aos bairros se desenvolveu, a partir de uma perspectiva diferenciada.<\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Desenvolvimento<\/h6>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim foi concebido o que nomeamos carinhosamente como Museu da Passagem.<br><br>A hist\u00f3ria da mobilidade urbana em Porto Alegre tem in\u00edcio com os mascates:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-primary-color has-text-color has-link-color has-x-small-font-size wp-elements-3 wp-block-paragraph\"><em>\u201cComerciantes ambulantes que abasteciam no mercado e depois perambulavam pelos nascentes arraiais, levando todo tipo de mercadoria. No retorno das comunidades, traziam as pessoas que tinham necessidade de se deslocar at\u00e9 o centro urbano.\u201d (SILVA e MACHADO, p. 25)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A centralidade da pesquisa foi resgatar e entender o desenvolvimento do transporte p\u00fablico em Porto Alegre, vendo como a cria\u00e7\u00e3o de novas vias e terminais est\u00e1 atrelada ao desenvolvimento das extens\u00f5es da cidade e, com enfoque no desenrolar desse processo a partir de 1873, quando foram introduzidos os trilhos de ferro ao longo da cidade, e neles instalados bondes puxados a burro at\u00e9 o final da d\u00e9cada de 70, quando o servi\u00e7o de bondes j\u00e1 estava inoperante e passa a ser substitu\u00eddo inteiramente pelos \u00f4nibus. O motivo desse recorte se d\u00e1 em primeira raz\u00e3o, pois \u00e9 apenas a partir disso que temos registros fotogr\u00e1ficos desses meios de transporte, entendendo a necessidade de recursos visuais para que fossem realizados os pretendidos di\u00e1logos com o p\u00fablico. O segundo motivo dessa escolha tem em vista justamente o sentimento de perten\u00e7a que mencionamos anteriormente, uma vez que muitos dos transeuntes chegaram a experienciar essas outras formas de se locomover na cidade, que n\u00e3o apenas o \u00f4nibus e mesmo que n\u00e3o tenham experienciado, reanimar essas viv\u00eancias, por meio da exposi\u00e7\u00e3o, cumpre com esse prop\u00f3sito. Contribui, nesse sentido, pensar a mem\u00f3ria como um processo coletivo, assim \u201cacontecimentos dos quais a pessoa nem sempre participou, mas que, no imagin\u00e1rio, tomaram tamanho relevo que, no fim das contas, \u00e9 quase imposs\u00edvel que ela consiga saber se participou ou n\u00e3o\u201d (POLLAK, 1992, p. 2). Pretendendo instigar esses processos de mem\u00f3ria e identifica\u00e7\u00e3o, os textos que comp\u00f5em a exposi\u00e7\u00e3o h\u00e3o de se utilizar, da s\u00e9rie de livros publicados pela prefeitura municipal, Mem\u00f3ria dos Bairros, rico em elementos, este projeto teve como inten\u00e7\u00e3o colher relatos de hist\u00f3ria oral de antigos moradores dos bairros que hoje constituem a cidade, rememorando as suas vidas em sua rela\u00e7\u00e3o com a cidade. \u00c9 percept\u00edvel nessas hist\u00f3rias a profunda rela\u00e7\u00e3o entre transporte p\u00fablico e a identidade social dos moradores, como mostra o exemplar relato de Salvador Rangel, presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Moradores do Bairro Petr\u00f3polis:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-primary-color has-text-color has-link-color has-x-small-font-size wp-elements-4 wp-block-paragraph\"><em>\u201cEnt\u00e3o vamos come\u00e7ar pelos bondes: o servi\u00e7o de transporte coletivo urbano, na \u00e9poca, era quase que exclusivamente de bonde, porque os \u00f4nibus tinham pouqu\u00edssimas linhas. Tinha o bonde que vinha at\u00e9 a Jo\u00e3o Abott e o fim da linha era na Prot\u00e1sio, esquina Carazinho. Tem uma hist\u00f3ria muito interessante [&#8230;] Ent\u00e3o era muito comum o motorneiro, no fim da linha, descer do bonde e ir tomar um cafezinho ali no bar da esquina que, ainda hoje, \u00e9 uma farm\u00e1cia. Os adolescentes[&#8230;] \u2018roubavam\u2019- como se dizia n\u00e9? &#8211; o bonde, e o dirigiam at\u00e9 a Jo\u00e3o Abott, depois voltavam e o motorneiro ficava aflito, do lado de fora, esperando o retorno do bonde (&#8230;) S\u00f3 para comparar, o bonde atendia a comunidade como hoje fazem as linhas de \u00f4nibus, mas tinha uma rota definida em cima dos trilhos, ele vinha at\u00e9 o fim da linha, que era uma esquina da Prot\u00e1sio Alves com Carazinho e toda a comunidade- ou a sua maior parte &#8211; utilizava-se dele. Ent\u00e3o, o servi\u00e7o de bonde era muito importante, principalmente na hora do in\u00edcio do trabalho\u2026\u201d (2002, p. 31)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Inicialmente pensamos em expor o projeto nos terminais de \u00f4nibus, cumprindo visando atingir mais pessoas. Estar disposto em via p\u00fablica se fazia mais coerente, ainda mais por dialogar com o objeto da exposi\u00e7\u00e3o. Nesse sentido a pesquisa e posteriormente a exposi\u00e7\u00e3o poderia se estender a outros meios onde se estabelece esse tipo de rela\u00e7\u00e3o de pertencimento e identidade a lugares cuja estamos apenas de passagem se faz presente, lugares como nas paradas da Trensurb, na Rodovi\u00e1ria, no Catamar\u00e3, bem como nos terminais da regi\u00e3o metropolitana. Lugares estes onde a problem\u00e1tica de acesso \u00e0 cidade muitas vezes se intensifica e gera, por vezes, outras in\u00fameras problem\u00e1ticas, devido ao distanciamento do centro da capital. Infelizmente, devido ao pouco tempo que tivemos para nos aprofundar na pesquisa das fontes e elaborar a exposi\u00e7\u00e3o a partir dessa, tivemos de nos restringir a cria\u00e7\u00e3o de um site que expusesse a pesquisa, com as imagens dos respectivos terminais na atualidade e como s\u00e3o hoje em dia, seguidos de breves textos, elaborando melhor essas rela\u00e7\u00f5es, o&#8217;que por um lado da abertura para desenvolver melhor o hist\u00f3rico dos locais e aprofundar a cr\u00edtica, ao planejamento urbano excludente que vivemos, mas, por outro lado, acaba por limitar o alcance da exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-us.googleusercontent.com\/6S83aG6paei97y8B6fEpFU34nP4aTOoHDgGHFll6TR8ZTRlbiS4Rlt96Uni_5YfJOzxQKegrCBsGF3ZAfFi9FmI7tNwFRUTzhU-E7zUCcWinswS1tutP8uN9LblNS2JOExrXcL2ued4EEkCADUFpOrE\" style=\"width: 1080px;\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-x-small-font-size wp-block-paragraph\">Imagem 1: Captura de tela de exemplo do site.<\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Fontes utilizadas<\/h6>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tendo definido o formato em que a exposi\u00e7\u00e3o se apresentaria, buscamos dar corpo \u00e0 nossa pesquisa, optando pelo uso de acervos fotogr\u00e1ficos que ilustrassem a hist\u00f3ria dos terminais. A institui\u00e7\u00e3o que mais dava respaldo aos objetivos tra\u00e7ados pelo projeto foi o Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo, que hoje disp\u00f5e de um acervo fotogr\u00e1fico<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-primary-color has-text-color has-link-color has-x-small-font-size wp-elements-5 wp-block-paragraph\"><em>\u201cFormado por cerca de 9.000 imagens de Porto Alegre dos s\u00e9culos XIX e XX. Possui registros dos mais diferentes aspectos da cidade ao longo do tempo e conta com fotografias de profissionais renomados como Virg\u00edlio Calegari, Lunara, Barbeiros &amp; Irm\u00e3os, Sioma Breitman e Irm\u00e3os Ferrari.\u201d (APERS)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Junto da muse\u00f3loga Luciana de Brito, uma das respons\u00e1veis por estes documentos, conhecemos este rico acervo resguardado pela institui\u00e7\u00e3o. L\u00e1 fizemos uma breve curadoria, em duas visitas ao museu, buscando no banco de imagens. Utilizando as palavras-chave relacionadas ao tema, n\u00e3o foi dif\u00edcil encontrar imagens do in\u00edcio do s\u00e9culo XX, indo dos bondes puxados a burro at\u00e9 a frota de \u00f4nibus mais antigos. Tamb\u00e9m pudemos conhecer os antigos terminais e, conversando com a Luciana, pudemos conhecer um pouco melhor a hist\u00f3ria dessas linhas, como a popula\u00e7\u00e3o conhecia esses lugares, instigando na muse\u00f3loga justamente o que nos propusemos, um trabalho de mem\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-us.googleusercontent.com\/uHqMC9GeNwbF4EZegbv7G5OAWzDP3BZCa9hechbnIYuqUsDhbXVE_wejuo2UDon5u6qGpnHJStaWJASnqFG_rTlPLy3GHuPsDXTlFZGhSTtmzek3lvHyrulBS_P613fArArPV2etoY5ueKl98bnjmH0\" style=\"width: 1080px;\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-x-small-font-size wp-block-paragraph\">Imagem 2: Esta\u00e7\u00e3o Carlos Gomes (\u00f4nibus), sem data.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-us.googleusercontent.com\/dkZPE_ufSEGjZHFBb2TI3Wjfs7eBeJhyeIt-PM5L9qIKBzJypURzh-q88GyaL1XZ6631B-Fk9ERuzu37KciUFsOS4HfdVi7d56gPW5pIGIlzKGkO2RtBPbdGo4MjsnY44lUqljASP7c0ZHqTWKzrTGE\" style=\"width: 1080px;\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-x-small-font-size wp-block-paragraph\">Imagem 3: Av. Borges de Medeiros com a rua Jo\u00e3o Alfredo, d\u00e9cada de 70 (hoje, av. Loureiro da Silva e o viaduto a\u00e7orianos)  (sem data).<\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Conclus\u00e3o<\/h6>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo a Luciana, em breve o Museu tamb\u00e9m ir\u00e1 receber parte do acervo documental, que atualmente est\u00e1 sob a guarda do Centro de Mem\u00f3ria Carris. Ap\u00f3s a venda da empresa, nos sentimos provocados a problematizar a tem\u00e1tica do transporte p\u00fablico na Porto Alegre atual. Desta forma, se insere mais uma demanda colocada pelo presente, de resgate desse passado, em di\u00e1logo com a atual precariza\u00e7\u00e3o da frota de \u00f4nibus e o processo de privatiza\u00e7\u00f5es e sucateamentos que vem acontecendo na cidade. Ao invocar essas tem\u00e1ticas, se abre uma s\u00e9rie de possibilidades, tornando ainda mais necess\u00e1ria a elabora\u00e7\u00e3o de um projeto que envolva esse acervo e o leve a p\u00fablico, al\u00e9m de levar \u00e0 tona esse sentimento de sujeito pertencente \u00e0 sua pr\u00f3pria narrativa, capaz de alterar a sua realidade.<br><br>Assim, com o desenvolvimento pr\u00e9vio dessa ideia, existe ent\u00e3o a perspectiva de retorno ao museu, para maiores aprofundamentos da pesquisa, para desenvolvermos juntos um projeto que leve a um maior p\u00fablico reflex\u00f5es quanto ao acesso \u00e0 cidade que, al\u00e9m de um direito b\u00e1sico de todo cidad\u00e3o, \u00e9 uma forma de contribuir para a constru\u00e7\u00e3o da identidade do local e da hist\u00f3ria da popula\u00e7\u00e3o para sua pr\u00f3pria sociedade.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-text-color has-primary-color has-alpha-channel-opacity has-primary-background-color has-background\"\/>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">REFER\u00caNCIAS<\/h6>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">*Imagem: Esta\u00e7\u00e3o Carlos Gomes (\u00f4nibus), sem data.<br><br>FRISCH, Michael. \u201cA hist\u00f3ria p\u00fablica n\u00e3o \u00e9 uma via de m\u00e3o \u00fanica, ou De A Shared Authority \u00e0 cozinha digital, e vice-versa\u201d. In: MAUAD, Ana Maria; ALMEIDA, Juniele Rab\u00ealo de; SANTHIAGO, Ricardo (Org.). Hist\u00f3ria P\u00fablica no Brasil: sentidos e itiner\u00e1rios.<br><br>CORTE, Andr\u00e9a Telo da C\u00f4rte; BARROS, Joana da Silva; LIMA, L\u00edvia Morais Garcia; HADLER, Maria Silvia Duarte; ROVAI, Marta Gouveia de Oliveira; KOBELINSKI, Michel. &#8220;Como fazer a hist\u00f3ria local se tornar p\u00fablica, e para quem?&#8221;. In: ALMEIDA, Juniele Rab\u00ealo de; RODRIGUES, Rog\u00e9rio Rosa (Org.). Hist\u00f3ria P\u00fablica em movimento. S\u00e3o Paulo: Letra e Voz, 2021.<br><br>Mem\u00f3ria Carris: Cr\u00f4nica de uma hist\u00f3ria partilhada com porto alegre. Org. Cinara Santos da Silva e Jo\u00e3o Timotheo Esmerio Machado. Porto Alegre, Carris; Prefeitura Municipal, 1999.<br><br>POLLAK, Michael. Mem\u00f3ria e identidade social. Estudos Hist\u00f3ricos. Rio de Janeiro, v. 5, n. 10, p. 200-212, 1992.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-text-color has-primary-color has-alpha-channel-opacity has-primary-background-color has-background\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link wp-element-button\" href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1fpSV2YcXSsSTFNyCS8ma1UZEGZ0iYC_w\/view?usp=drive_link\" style=\"border-radius:15px\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Baixar<\/a><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CONCEI\u00c7\u00c3O, Malu Saturno; CAMEJO, Yuri. Museu da Passagem. <strong>Peri\u00f3dico Por Uma Ideia<\/strong>, 2024. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/museu-da-passagem\/\">https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/museu-da-passagem\/<\/a>. Acesso em:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Todos os conte\u00fados publicados s\u00e3o distribu\u00eddos em acesso aberto sob licen\u00e7a <a href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-nc-sa\/2.5\/br\/\">CC BY-NC-SA 2.5 BR<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Malu Saturno Concei\u00e7\u00e3o, Yuri Camejo: Temos por objetivo evidenciar a pot\u00eancia contida no cotidiano em elaborar narrativas hist\u00f3ricas, quando estas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":500,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-497","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ensaio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/497","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=497"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/497\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":754,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/497\/revisions\/754"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/wp-json\/wp\/v2\/media\/500"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=497"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=497"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=497"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}