{"id":711,"date":"2024-10-28T22:06:49","date_gmt":"2024-10-29T01:06:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/?p=711"},"modified":"2026-04-26T22:29:08","modified_gmt":"2026-04-27T01:29:08","slug":"silenciadas-ou-silenciosas-abuso-e-a-submissao-trajetoria-das-mulheres-no-brasil-colonial-1500-1822","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/silenciadas-ou-silenciosas-abuso-e-a-submissao-trajetoria-das-mulheres-no-brasil-colonial-1500-1822\/","title":{"rendered":"Silenciadas ou silenciosas? Abuso e a submiss\u00e3o:  Trajet\u00f3ria das mulheres no Brasil Colonial (1500-1822)"},"content":{"rendered":"\n<h6 class=\"wp-block-heading has-primary-color has-text-color has-link-color wp-elements-1\">Nicole Fernandes Alves:<\/h6>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O artigo aborda a trajet\u00f3ria das mulheres no Brasil Colonial (1500\u20131822), explorando como a domina\u00e7\u00e3o patriarcal e as pr\u00e1ticas de silenciamento moldaram a experi\u00eancia feminina. Sob influ\u00eancias europeias, especialmente portuguesas, a sociedade colonial limitava as mulheres \u00e0 esfera dom\u00e9stica, restringindo seu papel \u00e0 maternidade e ao casamento. O controle sobre o corpo feminino, intensificado pela subordina\u00e7\u00e3o e pela exclus\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o formal, configurou um cen\u00e1rio de opress\u00e3o que relegava as mulheres ao papel de \u201csexo fr\u00e1gil\u201d. Al\u00e9m disso, conceitos europeus de inferioridade feminina, perpetuados por pensadores como Rousseau e tratados como o \u201cMalleus Maleficarum\u201d, foram transplantados para o Brasil, justificando a marginaliza\u00e7\u00e3o. A pesquisa revela ainda que a educa\u00e7\u00e3o feminina, escassa e restrita a conventos ou ensinamentos dom\u00e9sticos, fazia parte de uma pol\u00edtica de exclus\u00e3o que consolidava o poder patriarcal. Casos isolados, como o de Catarina Paraguassu, destacam a resist\u00eancia das mulheres que desafiaram essas normas. O estudo finaliza defendendo a import\u00e2ncia de revisitar a historiografia para entender a forma\u00e7\u00e3o das desigualdades de g\u00eanero e as bases hist\u00f3ricas do silenciamento feminino.<br><br><strong>PALAVRAS-CHAVE:<\/strong> Submiss\u00e3o, Mulheres, Patriarcal, Silenciamento.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-text-color has-primary-color has-alpha-channel-opacity has-primary-background-color has-background\"\/>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/h6>\n\n\n\n<p class=\"has-primary-color has-text-color has-link-color has-x-small-font-size wp-elements-2 wp-block-paragraph\"><em>\u201cEsposas, cada uma de v\u00f3s respeitai ao vosso marido, porquanto sois submissas ao Senhor; porque o marido \u00e9 o cabe\u00e7a da esposa, assim como Cristo \u00e9 o cabe\u00e7a da Igreja, que \u00e9 o seu Corpo, do qual Ele \u00e9 o Salvador. Assim como a igreja est\u00e1 sujeita a Cristo, de igual modo as esposas estejam em tudo sujeitas a seus pr\u00f3prios maridos.\u201d<br>(Ef\u00e9sios 5:22-24)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O patriarcado tem exercido, ao longo dos s\u00e9culos, uma influ\u00eancia determinante na constru\u00e7\u00e3o da historiografia global, relegando as experi\u00eancias e contribui\u00e7\u00f5es das mulheres a um plano secund\u00e1rio ou mesmo ao completo silenciamento. Em decorr\u00eancia disso, a hist\u00f3ria das mulheres ficou marginalizada em uma historiografia que privilegia as viv\u00eancias e perspectivas masculinas, desconsiderando a complexidade da participa\u00e7\u00e3o feminina nas esferas social, econ\u00f4mica e cultural. No contexto do Brasil Colonial, observa-se uma continuidade desse padr\u00e3o, dado que as estruturas sociais e culturais da \u00e9poca foram fortemente moldadas pela heran\u00e7a europeia, em especial a portuguesa, que reproduzia ideais patriarcais e mis\u00f3ginos (Del Priore, 1990). Portanto, o presente artigo tem como principal objetivo conduzir uma an\u00e1lise da trajet\u00f3ria das mulheres no territ\u00f3rio que hoje conhecemos como Brasil, resgatando aspectos de sua experi\u00eancia hist\u00f3rica em meio a um cen\u00e1rio de domina\u00e7\u00e3o e apagamento.<br><br>Para aprofundar a compreens\u00e3o sobre o papel das mulheres no Brasil Colonial, \u00e9 necess\u00e1rio, inicialmente, investigar as concep\u00e7\u00f5es acerca do feminino na Europa dos s\u00e9culos XV e XVI, per\u00edodo em que se consolidaram muitos dos valores e normas que estruturam as sociedades coloniais. Nessa perspectiva, torna-se imprescind\u00edvel entender o papel das mulheres portuguesas, cujas viv\u00eancias e ideais foram transpostos para o contexto colonial e serviram de base para as concep\u00e7\u00f5es sobre g\u00eanero na Am\u00e9rica portuguesa. Esse processo de coloniza\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas imp\u00f4s uma estrutura hier\u00e1rquica, mas tamb\u00e9m consolidou o controle sobre o \u201ccorpo feminino\u201d como uma forma de domina\u00e7\u00e3o social e cultural (Hobsbawm, 1982).<br><br>Assim, este estudo busca evidenciar que, al\u00e9m do apagamento da figura feminina na historiografia, houve tamb\u00e9m um processo sistem\u00e1tico de mortifica\u00e7\u00e3o da identidade das mulheres, for\u00e7ando-as a adequar-se aos r\u00edgidos padr\u00f5es patriarcais que consolidavam a imagem do \u201csexo fr\u00e1gil\u201d. Tal an\u00e1lise permite questionar as concep\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas e refletir sobre as formas pelas quais as mulheres desafiaram ou resistiram a esses moldes, construindo, ainda que de forma limitada e silenciada, uma hist\u00f3ria pr\u00f3pria dentro da sociedade colonial.<\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">O Poder do Patriarcado na Europa: Rousseau, Wollstonecraft, Engels e a Ca\u00e7a \u00e0s Bruxas<\/h6>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A trajet\u00f3ria do sistema patriarcal europeu entrela\u00e7a-se de forma complexa com ideias e doutrinas que consolidaram as rela\u00e7\u00f5es de g\u00eanero ao longo dos s\u00e9culos. Esse contexto \u00e9 marcado pelo debate de pensadores cujas ideias, em vez de promover igualdade, contribu\u00edram para justificar a subordina\u00e7\u00e3o feminina. Rousseau (2016), em \u201cO Contrato Social\u201d, representa um exemplo significativo desse processo: suas concep\u00e7\u00f5es refor\u00e7am a distin\u00e7\u00e3o entre os sexos, defendendo que as mulheres deveriam ser educadas para a submiss\u00e3o e a virtude. Assim, suas obras n\u00e3o s\u00f3 refletiram como refor\u00e7aram as normas patriarcais vigentes, oferecendo uma base filos\u00f3fica que naturalizava o controle masculino sobre as mulheres.<br><br>Contra essa vis\u00e3o opressora, Wollstonecraft (2016) se destacou como uma das primeiras vozes cr\u00edticas ao sistema patriarcal europeu em \u201cA Reivindica\u00e7\u00e3o dos Direitos da Mulher\u201d. Sua obra representou um desafio direto \u00e0s concep\u00e7\u00f5es de Rousseau, sustentando que as mulheres deveriam ter acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e aos mesmos direitos que os homens, uma posi\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria para a \u00e9poca. Esse pensamento n\u00e3o apenas questionava as desigualdades estruturais, mas tamb\u00e9m lan\u00e7ava as bases para as futuras lutas feministas, ao expor as contradi\u00e7\u00f5es de uma sociedade que pregava igualdade apenas para os homens.<br><br>No mesmo sentido cr\u00edtico, Engels (2005), em \u201cA Origem da Fam\u00edlia, da Propriedade Privada e do Estado\u201d, ofereceu uma an\u00e1lise sobre o papel da propriedade privada como alicerce do patriarcado, mostrando como o sistema de heran\u00e7a e controle familiar colocava as mulheres em uma posi\u00e7\u00e3o de subordina\u00e7\u00e3o e depend\u00eancia. Engels argumenta que o patriarcado era mantido para garantir a continuidade das posses masculinas, revelando como a opress\u00e3o das mulheres estava sistematicamente alinhada com interesses econ\u00f4micos e sociais.<br><br>\u00c9 igualmente necess\u00e1rio examinar o \u201cMalleus Maleficarum\u201d, um tratado do final do s\u00e9culo XV que, ao associar mulheres \u00e0 feiti\u00e7aria, justificou persegui\u00e7\u00f5es e refor\u00e7ou o controle sobre o corpo feminino. Esse documento, longe de ser um registro isolado, exemplifica o medo e a desconfian\u00e7a que permeavam a sociedade europeia, impulsionando a marginaliza\u00e7\u00e3o e a viol\u00eancia contra mulheres.<br><br>Essas influ\u00eancias filos\u00f3ficas e culturais n\u00e3o apenas revelam a complexidade e a profundidade das ra\u00edzes patriarcais na Europa, mas tamb\u00e9m mostram como tais ideais foram exportados para contextos coloniais como o Brasil, onde contribu\u00edram para refor\u00e7ar e justificar sistemas de controle e exclus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">A sociedade colonial: heran\u00e7as do modo de vida e do patriarcado europeu<\/h6>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O in\u00edcio da coloniza\u00e7\u00e3o Portuguesa teve algumas particularidades que devem ser analisadas, um exemplo foi o desequil\u00edbrio demogr\u00e1fico causado pelos colonizadores que chegavam sozinhos \u00e0 Col\u00f4nia, com o principal objetivo de adquirir controle sobre o territ\u00f3rio. Por este motivo, segundo Oliveira (2019) \u201c[o fato da coloniza\u00e7\u00e3o] levou a coroa de Portugal a tomar algumas mulheres solteiras para se casar com os colonos.\u201d (BOSCHI, 2019, p. 158); Diante disso, Ribeiro (2003) afirma que a n\u00e3o exist\u00eancia de mulheres brancas era vista como um problema que demandava solu\u00e7\u00e3o imediata, pois a mesti\u00e7agem que aqui havia deveria ser competida, conforme autora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-primary-color has-text-color has-link-color has-x-small-font-size wp-elements-3 wp-block-paragraph\"><em>[\u2026] com o aumento da popula\u00e7\u00e3o de mesti\u00e7os (os mamelucos e os mulatos que viriam a ser brasileiros), os jesu\u00edtas e a metr\u00f3pole preocuparam-se em importar para o Brasil levas de mulheres brancas com o intuito de reprodu\u00e7\u00e3o e fixa\u00e7\u00e3o do padr\u00e3o \u00e9tnico europeu\/branco.<br>(Ribeiro, 2003, p.82)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste sentido, algumas considera\u00e7\u00f5es podem ser feitas. No territ\u00f3rio ocupado pelos portugueses at\u00e9 ent\u00e3o, j\u00e1 haviam sido escravizadas. Sabe-se, por diversas fontes, que os portugueses mantinham rela\u00e7\u00f5es sexuais com estas mulheres, portanto, qual seria o objetivo por tr\u00e1s do envio de \u201cmulheres solteiras\u201d para este territ\u00f3rio? O ponto-chave que nos parece mais adequado \u00e9 uma tentativa, mesmo que incipiente, de embranquecer a sociedade colonial que estava come\u00e7ando a surgir naquele contexto. A autora salienta, ainda, que o envio de mulheres brancas com destino \u00e0s col\u00f4nias j\u00e1 era uma pr\u00e1tica comum, isso leva-nos a refletir sobre o papel que essas mulheres desempenhavam nessa sociedade; E dessa forma, a for\u00e7a patriarcal no n\u00facleo familiar, cuja igreja sustentava, transformou a mulher em uma escrava dom\u00e9stica, tendo apenas um papel dentro da sociedade: de boa esposa e boa m\u00e3e, como exposto por Del Priore (1990).<br><br>Nesse sentido, percebe-se que a mulher naturalmente \u00e9 vista como um instrumento apenas para procria\u00e7\u00e3o, dado que relacionavam a \u201c<em>impulsividade<\/em>\u201d de seus desejos por conta da sua natureza com a \u00e2nsia irreprim\u00edvel pelo esperma do homem, colocando-as como animais incontrol\u00e1veis. Ademais, essa mesma mulher tinha sua sexualidade reduzida apenas \u00e0 gesta\u00e7\u00e3o, por consequ\u00eancia, era colocada em confinamento caseiro, e em outros momentos em casas de recolhimento para fugir dos \u201c<em>defeitos naturais de seu sexo<\/em>\u201d como sugeriu o Bispo Azeredo Coutinho<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-primary-color has-text-color has-link-color has-x-small-font-size wp-elements-4 wp-block-paragraph\"><em>Elas [as mulheres] nascem com uma propens\u00e3o violenta de agradar, ao que logo se segue o desejo de serem vistas; os homens procuram pelas armas ou letras conduzir-se ao auge da autoridade e da gl\u00f3ria, as mulheres procuram o mesmo pelos agrados do esp\u00edrito e do corpo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em contrapartida, ao entendimento da sexualidade feminina, casos de lesbianismos eram constantemente relacionados ao Diabo, e tamb\u00e9m, a ninfomania e histeria eram datadas como manifesta\u00e7\u00f5es do mau temperamento da mulher, o que dentro da procria\u00e7\u00e3o comprometeria o feto, e posteriormente a crian\u00e7a; neste momento, como era entendido que o leite \u00e9 o sangue embranquecido, o qual transferia as emo\u00e7\u00f5es e desejos \u00e0 crian\u00e7a, quando as m\u00e3es possu\u00edam tais inclina\u00e7\u00f5es depravadas ocorria uma interven\u00e7\u00e3o com uma Ama de leite, a<br>qual era selecionada com requisitos rigorosos.<br><br>Al\u00e9m disso, com a chegada das mulheres europeias, formato e a estrutura familiar que existiam na Europa foram mantidos, tal estrutura\u00e7\u00e3o baseada na propriedade privada coloca o casamento como propriedade, fato do qual vemos presente na necessidade da submiss\u00e3o feminina aos membros masculinos dentro da unidade familiar, visto que os pr\u00f3prios casamentos eram idealizados como trocas de \u201c<em>bens<\/em>\u201d, como afirma Hobsbawm (1982).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-primary-color has-text-color has-link-color has-x-small-font-size wp-elements-5 wp-block-paragraph\"><em>A \u201cfam\u00edlia\u201d n\u00e3o era meramente a unidade social b\u00e1sica da sociedade burguesa, mas tamb\u00e9m a unidade b\u00e1sica do sistema de propriedade e das empresas de com\u00e9rcio, ligada com outras unidades similares atrav\u00e9s de um sistema de trocas mulher-mais-propriedade (o dote do casamento) (Hobsbawm, 1982, p. 242).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por fim, diferente daquilo que possamos pensar, o machismo n\u00e3o estava restrito apenas \u00e0s camadas populares da sociedade. D Maria I, esposa de D. Jo\u00e3o VI, ao tentar legalizar o ensino feminino em Portugal n\u00e3o obteve \u00eaxito em seu projeto, visto que experimentara situa\u00e7\u00f5es em que o g\u00eanero delimitava sua posi\u00e7\u00e3o na sociedade, ou seja, por mais que seu local tivesse prest\u00edgio, \u00e0s decis\u00f5es pol\u00edticas estavam a cargo do seu esposo, o rei.<\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><strong>Analfabetismo For\u00e7ado: A Ferramenta de Controle do Patriarcado na educa\u00e7\u00e3o das mulheres no Brasil Colonial<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A educa\u00e7\u00e3o das mulheres no contexto do Brasil Colonial enfrentava barreiras de diversas ordens e magnitudes. A exemplo daquilo que ocorria em boa parte do mundo europeu, poucas eram as mulheres que tinham acesso \u00e0 arte da escrita e seu motivo, ao que foi exposto at\u00e9 ent\u00e3o, \u00e9 bastante claro.<br><br>A esfera dom\u00e9stica era, portanto, a \u00fanica maneira de \u201ceduca\u00e7\u00e3o\u201d dispon\u00edvel at\u00e9 ent\u00e3o. Os afazeres e as tarefas dom\u00e9sticas seriam o ambiente em que as mulheres teriam a sua \u201cidentidade\u201d formada e toda a sua trajet\u00f3ria de vida estaria restrita a este espa\u00e7o confinado e, al\u00e9m disso, n\u00e3o haveria outra atividade sen\u00e3o aquilo que o patriarcado lhes reservava.<br><br>Para Wollstonecraft (2016), para alcan\u00e7ar a igualdade de g\u00eanero e permitir que as mulheres participem plenamente na sociedade, \u00e9 essencial proporcionar \u00e0s mulheres a mesma educa\u00e7\u00e3o e prepara\u00e7\u00e3o que \u00e9 dada aos homens. A autora argumenta que, se as mulheres n\u00e3o forem educadas de maneira adequada, isso prejudicar\u00e1 o progresso do conhecimento e da virtude na sociedade como um todo conforme podemos notar no trecho da obra \u201c<em>Reivindica\u00e7\u00e3o dos Direitos da Mulher<\/em>\u201d:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-primary-color has-text-color has-link-color has-x-small-font-size wp-elements-6 wp-block-paragraph\"><em>Na luta pelos direitos da mulher, meu principal argumento baseia-se neste simples princ\u00edpio: se a mulher n\u00e3o for preparada pela educa\u00e7\u00e3o para se tornar a companheira do homem, ela interromper\u00e1 o progresso do conhecimento e da virtude; pois a verdade deve ser comum a todos ou ser\u00e1 ineficaz no que diz respeito a sua influ\u00eancia na conduta geral.<br>(Wollstonecraft, 2016 [atualizada], p. 20)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dito isso, a autora parte do princ\u00edpio de que o conhecimento e a verdade s\u00e3o valiosos para o avan\u00e7o da sociedade e que todos devem ter acesso a eles. Se as mulheres forem exclu\u00eddas ou n\u00e3o forem adequadamente educadas, isso significa que uma parte significativa da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o ter\u00e1 acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e ao conhecimento, o que \u00e9 prejudicial para o progresso geral da sociedade.<br><br>Com o passar dos anos, as mulheres come\u00e7aram a ter acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. Esse acesso, ainda incipiente, priorizava o desenvolvimento das atividades dom\u00e9sticas, mas tamb\u00e9m com acesso b\u00e1sico \u00e0 alfabetiza\u00e7\u00e3o. Algumas das mulheres mais abastadas seguiam seus estudos em Portugal, enquanto que as que estavam nas camadas mais populares estudavam nos conventos, destinados \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e preparo das mo\u00e7as.<br><br>Ainda neste sentido, \u00e9 importante que se fale sobre a fun\u00e7\u00e3o social dos conventos. As mulheres que \u201cerravam\u201d, segundo Ribeiro (2003), eram enviadas aos conventos com a finalidade de ajustarem suas condutas perante a sociedade e viver de acordo com o que era esperado destas mulheres, desde as jovens at\u00e9 as adultas. Conforme o relato, a autora evidencia o caso de que uma mulher adulta fora recolhida ao convento:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-primary-color has-text-color has-link-color has-x-small-font-size wp-elements-7 wp-block-paragraph\"><em>Foi o caso da esposa do comerciante Manoel Jos\u00e9 Fr\u00f3es, que movia uma a\u00e7\u00e3o de separa\u00e7\u00e3o contra o seu marido e \u201cfoi recolhida a pedido deste ao convento da Lapa por ordem do Arcebispo\u201d.<br>(Ribeiro, 2003, p. 88)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante deste cen\u00e1rio, por muitos anos a educa\u00e7\u00e3o das mulheres fazia parte de uma pol\u00edtica de exclus\u00e3o e reclus\u00e3o das mulheres. A leitura era restrita apenas a partes e trechos da B\u00edblia e tudo o que liam tinha car\u00e1ter educacional para as tarefas que seriam desempenhadas pelas mulheres jovens e, posteriormente, pelas mulheres adultas; contudo, quando reca\u00edmos o olhar a respeito da educa\u00e7\u00e3o e letramento das ind\u00edgenas este, era proibido por completo por parte das autoridades e por parte da Igreja.<br><br>O fato de as mulheres n\u00e3o terem acesso \u00e0 leitura e \u00e0 escrita constitui-se de uma pr\u00e1tica intencional bem definida. O silenciamento intencional por parte da sociedade vigente \u00e9 uma importante ferramenta de domina\u00e7\u00e3o dos homens sobre as mulheres e gerou impactos sobre a sociedade da \u00e9poca que ultrapassam diversas camadas.<br><br>Existem casos, no entanto, de mulheres que subverteram essa pol\u00edtica de exclus\u00e3o intencional das mulheres. Podemos citar, por exemplo, o caso da ind\u00edgena Catarina Paraguassu, a qual \u00e9 considerada a primeira mulher brasileira a aprender a ler e escrever (Ribeiro, 2003). \u00c9 importante refletir sobre o fato de que uma ind\u00edgena teria sido a primeira brasileira alfabetizada e n\u00e3o uma mulher portuguesa ou descendente direta desta.<br><br>Dessa forma, podemos notar que durante o per\u00edodo colonial brasileiro, pouco avan\u00e7ou a educa\u00e7\u00e3o das mulheres. Embora existam casos e exce\u00e7\u00f5es a esta regra, o cen\u00e1rio educacional feminino\u2013at\u00e9 o presente momento\u2013se restringe apenas \u00e0s tarefas dom\u00e9sticas e atividades que se relacionavam ao \u201cfazer feminino\u201d. A historiografia brasileira pode avan\u00e7ar nas pesquisas que deem conta de analisar como e quando as mulheres passaram a ter acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o fora da esfera dom\u00e9stica e passaram \u00e0 esfera p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Considera\u00e7\u00f5es finais<\/h6>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entender a influ\u00eancia do sistema patriarcal na Europa e sua influ\u00eancia na sociedade colonial brasileira nos proporciona um profundo entendimento das ra\u00edzes hist\u00f3ricas e das estruturas de poder que moldaram as rela\u00e7\u00f5es de g\u00eanero e o acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o por parte das mulheres ao longo dos s\u00e9culos da nossa hist\u00f3ria. Desde as perspectivas divergentes de figuras not\u00e1veis como Jean-Jacques Rousseau, Mary Wollstonecraft e Friedrich Engels, at\u00e9 a influ\u00eancia nefasta do tratado \u201cMalleus Maleficarum\u201d na persegui\u00e7\u00e3o das mulheres como bruxas, todas<br>essas influ\u00eancias filos\u00f3ficas, culturais e religiosas deixaram uma marca indel\u00e9vel na constru\u00e7\u00e3o do sistema patriarcal europeu e, por consequ\u00eancia, brasileiro.<br><br>A chegada das mulheres europeias \u00e0 col\u00f4nia brasileira, embora motivada pela necessidade de estabelecer uma presen\u00e7a feminina no novo mundo, tamb\u00e9m refletiu a ideia de embranquecimento da sociedade colonial. As mulheres, no entanto, continuaram a ser relegadas principalmente \u00e0 esfera dom\u00e9stica, perpetuando a estrutura patriarcal em que o casamento era muitas vezes visto como uma troca de \u201cbens\u201d e as mulheres eram esperadas para desempenhar o papel de boas esposas e m\u00e3es.<br><br>A educa\u00e7\u00e3o das mulheres na sociedade colonial era limitada e direcionada principalmente para as tarefas dom\u00e9sticas. O acesso \u00e0 leitura e escrita era restrito, sendo parte de uma pol\u00edtica deliberada de exclus\u00e3o e silenciamento das mulheres. No entanto, mesmo diante dessas restri\u00e7\u00f5es, casos not\u00e1veis de mulheres que desafiaram as normas sociais e buscaram educa\u00e7\u00e3o, como Catarina Paraguassu, demonstram a resili\u00eancia e a determina\u00e7\u00e3o das mulheres em busca de conhecimento.<br><br>Em resumo, a trajet\u00f3ria do sistema patriarcal na Europa e sua influ\u00eancia na sociedade colonial brasileira s\u00e3o aspectos cruciais para entendermos as origens das desigualdades de g\u00eanero e as estruturas de poder que moldaram a hist\u00f3ria das mulheres, observando ent\u00e3o, uma estrutura baseada na submiss\u00e3o e no abuso contra o sexo oposto. \u00c0 medida que a historiografia avan\u00e7a, \u00e9 importante continuar a investigar como as mulheres gradualmente conquistaram o acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e \u00e0 esfera p\u00fablica, desafiando as normas tradicionais e contribuindo para a evolu\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de g\u00eanero ao longo do tempo e propiciando fim do silenciamento<br>perpetuado ao longo dos mais de quinhentos anos da nossa hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-text-color has-primary-color has-alpha-channel-opacity has-primary-background-color has-background\"\/>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">REFER\u00caNCIAS<\/h6>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Boschi Aguiar de Oliveira, O. M.. (2019). \u201cA Caminhada Hist\u00f3rica das Mulheres no Brasil Colonial: desigualdades e discrimina\u00e7\u00f5es.\u201d Polyph\u014dn\u00eda. Revista De Educaci\u00f3n Inclusiva \/ Polyph\u014dn\u00eda. Journal of Inclusive Education, 3(3), 154\u2013172. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/revista.celei.cl\/index.php\/PREI\/article\/view\/314\">http:\/\/revista.celei.cl\/index.php\/PREI\/article\/view\/314<\/a>. Acesso em: 19 ago. 2023.<br><br>Del Priore, Mary. Ao sul do corpo: condi\u00e7\u00e3o feminina, maternidades e mentalidades no Brasil colonia. Tese (Doutorado)-Universidade de S\u00e3o Paulo, S\u00e3o Paulo, 1990.<br><br>Diez, C. L. F. \u201cDiscursos sobre fragilidade feminina: educa\u00e7\u00e3o da mulher no Brasil col\u00f4nia\u201d. Revista Espa\u00e7o Pedag\u00f3gico, [S. l.], v. 19, n. 2, 2013. DOI: 10.5335\/rep.2013.3124. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/seer.upf.br\/index.php\/rep\/article\/view\/3124\">https:\/\/seer.upf.br\/index.php\/rep\/article\/view\/3124<\/a>. Acesso em: 19 ago. 2023.<br><br>Engels, Friedrich. A origem da fam\u00edlia, da propriedade privada e do estado. Tradu\u00e7\u00e3o de Leandro Konder. S\u00e3o Paulo: Express\u00e3o Popular, 2005. Dispon\u00edvel em: https:\/\/edisciplinas.usp.br\/pluginfile.php\/333537\/mod_resource\/content\/0\/ENGELS_A%20origem<br>%20da%20familia.pdf. Acesso em: 19 ago. 2023.<br><br>Fraz\u00e3o, Fernanda Costa; Morais, Christianni Cardoso. \u201cSilenciamento: a historiografia sobre a educa\u00e7\u00e3o feminina na col\u00f4nia,\u201d e-hum, vol.5, n\u00b02, pp. 78\u201396, 2012.<br><br>Hobsbawm, Eric J. A era do capital. 1848\u20131875. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988.<br><br>Kramer, Heinrich; SPRENGER, James. O Martelo das Feiticeiras (Malleus Maleficarum). Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 2010.<br><br>Nilsen Knonkel, E.; Cardoso, M. A.; Hoff, S. A. \u201cCONDI\u00c7\u00c3O SOCIAL E EDUCACIONAL DAS MULHERES NO BRASIL COLONIAL E IMPERIAL\u201d. Roteiro, [S. l.], v. 30, n. 1, p. 35\u201360, 2015. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/periodicos.unoesc.edu.br\/roteiro\/article\/view\/8816\">https:\/\/periodicos.unoesc.edu.br\/roteiro\/article\/view\/8816<\/a>. Acesso em: 19 ago. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">RIBEIRO, Arilda Ines Miranda. Mulheres Educadas na Col\u00f4nia. In: LOPES, Eliane, M.T; FARIA F\u00b0, Luciano M. e VEIGA, Cynthia G. (orgs). 500 anos de educa\u00e7\u00e3o no Brasil. Belo Horizonte: Aut\u00eantica, 2003.<br><br>Silva, Carolina Rocha. \u201cCom quantos medos se constr\u00f3i uma bruxa? Misoginia e demoniza\u00e7\u00e3o da mulher no Brasil Colonial\u201d. Campos-Revista de Antropologia, [S.l.], v. 19, n. 2, p. 31\u201348, dez. 2018. ISSN 2317-6830. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/revistas.ufpr.br\/campos\/article\/view\/61722\">https:\/\/revistas.ufpr.br\/campos\/article\/view\/61722<\/a>. Acesso em: 19 ago. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Silva, Luisa Stella de Oliveira Coutinho. \u201cO Saber M\u00e9dico e o Corpo Das Mulheres No Brasil Colonial: a Tradi\u00e7\u00e3o M\u00e9dica Da Metr\u00f3pole Na Capitania Da Para\u00edba.\u201d Ibero-americana (Madrid, Spain), vol. 19, n.\u00b0. 71, 2019, p. 145. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/journals.iai.spk-berlin.de\/index.php\/iberoamericana\/article\/view\/2453\">https:\/\/journals.iai.spk-berlin.de\/index.php\/iberoamericana\/article\/view\/2453<\/a>. Acesso em: 19 ago. 2023.<br><br>Wollstonecraft, Mary. Reivindica\u00e7\u00e3o dos Direitos da Mulher. 1\u00b0. ed. rev. Atualmente. e aum. S\u00e3o Paulo: Boitempo Editorial, 2016. 256 p. ISBN 8575594702. DIspon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/edisciplinas.usp.br\/pluginfile.php\/4545865\/mod_resource\/content\/1\/Reivindica%C3%A7%C3%A3o%20dos%20direitos%20da%20mulher%20-%20Mary%20Wollstonecraft.pdf\">https:\/\/edisciplinas.usp.br\/pluginfile.php\/4545865\/mod_resource\/content\/1\/Reivindica%C3%A7%C3%A3o%20dos%20direitos%20da%20mulher%20-%20Mary%20Wollstonecraft.pdf<\/a>. Acesso em: 20 de ago. de 2023.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-text-color has-primary-color has-alpha-channel-opacity has-primary-background-color has-background\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link has-background-color has-text-color has-background has-link-color wp-element-button\" href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/18YZyZOM23yXAoeWon_btJ2PH-d53r7lB\/view?usp=drive_link\" style=\"border-radius:15px;background-color:#42b395\">Baixar<\/a><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Texto produzido na cadeira de <strong>Hist\u00f3ria do Feminismo<\/strong>, ministrada pela professora <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/7580869559349158\" data-type=\"link\" data-id=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/7580869559349158\">Natalia Pietra M\u00e9ndez<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como citar este texto:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ALVES, Nicole Fernandes. Silenciadas ou silenciosas? Abuso e a submiss\u00e3o: Trajet\u00f3ria das mulheres no Brasil Colonial (1500-1822). <strong>Peri\u00f3dico Por Uma Ideia<\/strong>, 2024. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/silenciadas-ou-silenciosas-abuso-e-a-submissao-trajetoria-das-mulheres-no-brasil-colonial-1500-1822\/\">https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/silenciadas-ou-silenciosas-abuso-e-a-submissao-trajetoria-das-mulheres-no-brasil-colonial-1500-1822\/<\/a>. Acesso em:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Todos os conte\u00fados publicados s\u00e3o distribu\u00eddos em acesso aberto sob licen\u00e7a <a href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-nc-sa\/2.5\/br\/\">CC BY-NC-SA 2.5 BR<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nicole Fernandes Alves: O artigo aborda a trajet\u00f3ria das mulheres no Brasil Colonial (1500\u20131822), explorando como a domina\u00e7\u00e3o patriarcal e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":712,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"footnotes":""},"categories":[15],"tags":[],"class_list":["post-711","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/711","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=711"}],"version-history":[{"count":15,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/711\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":882,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/711\/revisions\/882"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/wp-json\/wp\/v2\/media\/712"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=711"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=711"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=711"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}