{"id":793,"date":"2025-04-08T01:21:21","date_gmt":"2025-04-08T04:21:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/?p=793"},"modified":"2025-07-16T21:27:19","modified_gmt":"2025-07-17T00:27:19","slug":"o-haitianismo-e-o-medo-negro-na-sociedade-colonial-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/o-haitianismo-e-o-medo-negro-na-sociedade-colonial-brasileira\/","title":{"rendered":"O Haitianismo e o Medo Negro na Sociedade Colonial Brasileira"},"content":{"rendered":"\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-primary-color\">Rodrigo Morales:<\/mark><\/h6>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Revolu\u00e7\u00e3o Haitiana, iniciada por um levante em 1791 que conduziria \u00e0 independ\u00eancia a col\u00f4nia de Saint-Domingue, trouxe consigo consequ\u00eancias a todo o mundo atl\u00e2ntico. Devido ao seu car\u00e1ter revolucion\u00e1rio, uma vez que se tratou de uma rebeli\u00e3o de escravizados e livres de cor, as repercuss\u00f5es na Am\u00e9rica colonial chegaram rapidamente ao Brasil. Segundo o historiador Lu\u00e3 Carvalho, a revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi um processo acompanhado por um sentimento patri\u00f3tico, mas sim \u201c<em>o que estava em jogo prioritariamente era a liberdade para os cativos e a amplia\u00e7\u00e3o de direitos aos livres de cor\u201d <\/em>(Carvalho, p. 788, 2020)<em>. <\/em>Num primeiro momento os brancos n\u00e3o temiam os negros e mulatos por desprezarem sua capacidade de coes\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o, por\u00e9m \u00e0 medida que se intensificavam as amea\u00e7as diversas foram as tentativas de conter uma revolta nacional. Ainda segundo o autor, esse desprezo da elite colonial haitiana pelos homens de cor (negros e mulatos) estava relacionado \u00e0s teorias racistas que circulavam pela Am\u00e9rica, onde a hierarquiza\u00e7\u00e3o pelo tom da pele organizava a sociedade entre senhores que mandavam e escravizados que obedeciam.&nbsp;<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>PALAVRAS-CHAVE<\/strong>: Haitianismo; Revolu\u00e7\u00e3o; Am\u00e9rica Colonial; Escravid\u00e3o; Saint-Domingue.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-text-color has-primary-color has-alpha-channel-opacity has-primary-background-color has-background\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><strong>A Revolu\u00e7\u00e3o Haitiana e sua influ\u00eancia no Mundo Atl\u00e2ntico<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Revolu\u00e7\u00e3o Haitiana, iniciada por um levante em 1791 que conduziria \u00e0 independ\u00eancia a col\u00f4nia de Saint-Domingue, trouxe consigo consequ\u00eancias a todo o mundo atl\u00e2ntico. Devido ao seu car\u00e1ter revolucion\u00e1rio<sup>1<\/sup>, uma vez que se tratou de uma rebeli\u00e3o de escravizados e livres de cor, as repercuss\u00f5es na Am\u00e9rica colonial chegaram rapidamente ao Brasil. Segundo o historiador Lu\u00e3 Carvalho, a revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi um processo acompanhado por um sentimento patri\u00f3tico, mas sim \u201c<em>o que estava em jogo prioritariamente era a liberdade para os cativos e a amplia\u00e7\u00e3o de direitos aos livres de cor\u201d <\/em>(Carvalho, p. 788, 2020). Num primeiro momento os brancos n\u00e3o temiam os negros e mulatos por desprezarem sua capacidade de coes\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o, por\u00e9m \u00e0 medida que se intensificavam as amea\u00e7as diversas foram as tentativas de conter uma revolta nacional. Ainda segundo o autor, esse desprezo da elite colonial haitiana pelos homens de cor (negros e mulatos) estava relacionado \u00e0s teorias racistas que circulavam pela Am\u00e9rica, onde a hierarquiza\u00e7\u00e3o pelo tom da pele organizava a sociedade entre senhores que mandavam e escravizados que obedeciam. Carvalho chama aten\u00e7\u00e3o para a descren\u00e7a dos brancos n\u00e3o s\u00f3 de S\u00e3o Domingo:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-primary-color\">&#8220;<\/mark><em><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-primary-color\">\u00c9 poss\u00edvel perceber como os brancos, n\u00e3o apenas os de S\u00e3o Domingos, desacreditavam de uma uni\u00e3o mais bem ordenada dos cativos. O alardeado temor branco de uma dissemina\u00e7\u00e3o haitiana est\u00e1 diretamente ligado a essa quebra de expectativa quanto \u00e0 capacidade dos negros? Talvez o fen\u00f4meno denominado de \u201chaitianismo\u201d esteja acompanhado de um alerta aos escravistas; a organiza\u00e7\u00e3o dos negros n\u00e3o poderia ser desprezada. Esse medo unia-se \u00e0 viol\u00eancia vingativa dos negros cometida contra os colonos brancos para dar continuidade aos discursos racialistas. Tais discursos, por sua vez, apontavam para a solu\u00e7\u00e3o de recrudescimento da vigil\u00e2ncia dos cativos e libertos nas demais col\u00f4nias&#8221; (Carvalho, p. 788, 2020).<\/mark><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As informa\u00e7\u00f5es acerca do estopim haitiano espalharam-se rapidamente pelo Ocidente. Trouillot<sup>2<\/sup> (2016) afirma que houve um silenciamento dos eventos ocorridos no levante de S\u00e3o Domingo, numa tentativa de conter uma revolu\u00e7\u00e3o negra em escala nas col\u00f4nias americanas. Para tanto, medidas rigorosas foram tomadas para o controle das not\u00edcias, uma vez que eram transmitidas rapidamente via mar\u00edtima e espalhavam-se de forma oral ou atrav\u00e9s dos jornais de \u00e9poca. Por serem redigidos por uma elite letrada, que emitia opini\u00f5es acerca da revolu\u00e7\u00e3o, as informa\u00e7\u00f5es do levante chegavam \u00e0s camadas populares a partir da leitura em voz alta. O aumento da circula\u00e7\u00e3o das not\u00edcias no Brasil estava ligado ao contexto do imp\u00e9rio portugu\u00eas, que ap\u00f3s a invas\u00e3o napole\u00f4nica de 1806 em Portugal e a consequente vinda da corte ao pa\u00eds em 1808 apresentou mudan\u00e7as estruturais significativas que promoviam um fluxo maior de pessoas e ideias. Sim\u00e3o (2022) afirma que o Rio de Janeiro foi palco de uma grande reforma urbana, pois ao tornar-se sede do governo portugu\u00eas passa a ganhar um novo espa\u00e7o p\u00fablico, com investimentos em escolas, bibliotecas, al\u00e9m do surgimento da imprensa. Em setembro de 1808 foi colocado em circula\u00e7\u00e3o o primeiro peri\u00f3dico impresso do Brasil, A Gazeta do Rio de Janeiro<sup>3<\/sup>. Logo ap\u00f3s a funda\u00e7\u00e3o da imprensa, surgiram outros peri\u00f3dicos coloniais como o pol\u00eamico Correio Braziliense de Hip\u00f3lito da Costa, que se dedicava a expressar opini\u00f5es sobre o com\u00e9rcio, o abolicionismo e a independ\u00eancia. Sim\u00e3o afirma que:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-primary-color\">&#8220;<em>D<\/em><\/mark><em><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-primary-color\">evido aos posicionamentos divulgados no jornal e \u00e0 popularidade que alcan\u00e7ou, Hip\u00f3lito da Costa se tornou inimigo da Corte portuguesa. N\u00e3o por acaso, seu peri\u00f3dico era escrito e impresso em Londres e s\u00f3 entrava nas fronteiras do Imp\u00e9rio Portugu\u00eas por meios clandestinos. Mesmo defendendo o abolicionismo, o Correio Braziliense n\u00e3o tomava uma posi\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Haitiana. Com rela\u00e7\u00e3o ao Haiti, a postura n\u00e3o fazia cr\u00edtica expl\u00edcita, mas noticiava sem maiores considera\u00e7\u00f5es os fatos, quando n\u00e3o os ignorava. Isso foi relativamente comum \u00e0 \u00e9poca e atesta que o tema n\u00e3o foi central em suas publica\u00e7\u00f5es e que o seu silenciamento tinha raz\u00e3o de ser&#8221; (Sim\u00e3o, p.5, 2022).<\/mark><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo a historiadora Soraya Matos de Freitas (2010), os peri\u00f3dicos do in\u00edcio do s\u00e9culo XIX pretendiam escrever sobre a Revolu\u00e7\u00e3o Haitiana denotando um car\u00e1ter negativo. Se muitas vezes as not\u00edcias eram silenciadas, quando eram informadas continham cr\u00edticas aos revoltosos. Portanto, \u00e9 poss\u00edvel concluir que o medo das elites letradas era o principal fator que fundamentava o uso do termo \u201chaitianismo\u201d enquanto den\u00fancia. A possibilidade de uma revolta escravista brasileira aos moldes do levante de Saint-Domingue tornou maior a censura e repress\u00e3o das not\u00edcias veiculadas do pa\u00eds caribenho devido a <em><strong>\u201cliberdade motivada pelo que se ouvia sobre a jovem na\u00e7\u00e3o negra cuja independ\u00eancia foi conquistada por homens e mulheres com hist\u00f3ria semelhante era um fator de identifica\u00e7\u00e3o com os escravizados do Brasil\u201d<\/strong> <\/em>(Sim\u00e3o, 2022, p. 4). De acordo com o historiador, a discuss\u00e3o sobre movimentos de resist\u00eancia e escravid\u00e3o no Brasil mostram como o \u201cmedo negro\u201d aparece de forma constante nas a\u00e7\u00f5es das elites coloniais relacionadas \u00e0 movimenta\u00e7\u00e3o de pessoas livres de cor entre as camadas sociais da \u00e9poca.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar da tentativa de repreens\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es oriundas da Revolta de S\u00e3o Domingo, \u00e9 poss\u00edvel afirmar por meio de documentos e fontes prim\u00e1rias a influ\u00eancia de figuras hist\u00f3ricas da revolu\u00e7\u00e3o na sociedade colonial brasileira do in\u00edcio do s\u00e9culo XIX.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><strong>Repercuss\u00f5es de S\u00e3o Domingo no Brasil Col\u00f4nia<\/strong>: <strong>O Medo Negro<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir da introdu\u00e7\u00e3o de novas ideias e conceitos num per\u00edodo de importantes transforma\u00e7\u00f5es na sociedade colonial brasileira, a Revolu\u00e7\u00e3o Haitiana significou para os escravizados e livres de cor uma possibilidade de alterar o regime social que se encontravam. Por outro lado, para a elite branca letrada tais mudan\u00e7as eram motivos para repress\u00e3o e silenciamento daquilo que foi conhecido como o Medo Negro de uma revolu\u00e7\u00e3o de escravos no Brasil. Diversas s\u00e3o as fontes prim\u00e1rias que fundamentam o temor socio racial sistem\u00e1tico de que o haitianismo promovesse uma luta radical contra a institui\u00e7\u00e3o escravista<sup>4<\/sup> que se desenvolveu no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1798, durante a conjura\u00e7\u00e3o baiana<sup>5<\/sup> os ecos da Revolu\u00e7\u00e3o de Saint-Domingue foram ouvidos. Homens pobres e livres publicaram panfletos sob influ\u00eancia da revolta do caribe e da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa<sup>6<\/sup>. Poucos anos mais tarde, em 1804 ap\u00f3s a independ\u00eancia de S\u00e3o Domingo e a coroa\u00e7\u00e3o de Dessalines, soldados negros da milicia do Rio de Janeiro foram vistos utilizando broches com a face do novo imperador do Haiti<sup>7<\/sup>, como descreve Luiz Mott: <em>\u201cse levarmos em conta que a coroa\u00e7\u00e3o de Dessalines como imperador do Haiti ocorreu em setembro de 1804, concluiremos que foram necess\u00e1rios apenas poucos meses para que j\u00e1 em 1805 os militares negros do Rio de Janeiro, capital da Col\u00f4nia, tivessem conhecimento e ostentassem ufanos a ef\u00edgie do l\u00edder antilhano\u201d <\/em>(Mott, 1988, p. 3). Nessa \u00e9poca os ares do haitianismo j\u00e1 ressoavam na col\u00f4nia portuguesa. Uma das figuras de maior destaque na Revolu\u00e7\u00e3o Haitiana foi Henri Christophe<sup>8<\/sup>. Governador da ilha durante 14 anos, seu nome foi exaltado em 1805 como her\u00f3i negro da revolu\u00e7\u00e3o na sociedade colonial brasileira:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-primary-color\"><em>&#8220;O Ouvidor do Crime mandara arrancar dos peitos de alguns cabras e crioulos forros, o retrato de Dessalinas, Imperador dos Negros da Ilha de S\u00e3o Domingos. E o que mais not\u00e1vel era que estes mesmos negros estavam empregados nas tropas da Mil\u00edcia do Rio de Janeiro, onde manobravam habilmente a artilharia&#8221; (MOTT, 1973, p. 128).<\/em><\/mark><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ademais, um documento publicado em 1808 denominado \u201cAn\u00e1lise sobre a Justi\u00e7a do Com\u00e9rcio do Resgate dos Escravos da Costa da \u00c1frica\u201d, o sacerdote cat\u00f3lico Azeredo Coutinho faz cr\u00edticas diretas em \u201cObras Econ\u00f4micas 1794-1804\u201c aos revolucion\u00e1rios de Saint-Domingue, criticando aquilo que chamou de novos fil\u00f3sofos por condenarem o tr\u00e1fico transatl\u00e2ntico de escravizados:&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-primary-color\"><em>&#8220;Os novos fil\u00f3sofos, que se dizem os defensores da humanidade oprimida, que de males n\u00e3o tem eles feito sofrer a humanidade? A revolu\u00e7\u00e3o da Fran\u00e7a e a carnagem da ilha de S\u00e3o Domingos, n\u00e3o bastam ainda para desmascarar estes hip\u00f3critas da humanidade?&#8221; (Azeredo Coutinho, 1966, p. 237).<\/em><\/mark><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Gomes e Libaneo (2002, p. 136-137) apontam na mesma dire\u00e7\u00e3o da influ\u00eancia do Haitianismo na sociedade colonial brasileira, quando em 1814 um levante de escravizados em Salvador teve em seu brado os gritos de \u201cMorte aos brancos e mulatos\u201d, \u201cLiberdade! Viva os negros e seu Rei\u201d, demonstrando que os ecos da coroa\u00e7\u00e3o de Dessalines estavam presentes entre os cativos. Para o historiador Washington Santos Nascimento (2008), esse epis\u00f3dio evidencia que a Revolu\u00e7\u00e3o Haitiana nunca esteve t\u00e3o pr\u00f3xima da classe senhorial escravista do Brasil col\u00f4nia, causando um temor geral entre a elite que utilizava a m\u00e3o de obra escravizada como base de sua estrutura econ\u00f4mica<sup>9<\/sup>. Outra fonte que atesta o medo negro que se espalhava rapidamente pela col\u00f4nia \u00e9 o discurso de P\u00e9rola Fraga aos habitantes de Pernambuco, no peri\u00f3dico Investigador Portugu\u00eas de 1817 publicado em Londres:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-primary-color\"><em>&#8220;O exemplo da ilha de S\u00e3o Domingos \u00e9 t\u00e3o horroroso e ainda est\u00e1 t\u00e3o recente, que ele s\u00f3 ser\u00e1 bastante para aterrar os propriet\u00e1rios deste continente (&#8230;) poderia resultar na expuls\u00e3o dos brancos deste continente e no estabelecimento de uma segunda S\u00e3o Domingos nos territ\u00f3rios brasileiros (&#8230;) ent\u00e3o, toda a revolu\u00e7\u00e3o acabar\u00e1 no Brasil com o levante dos escravos, que quebrando suas algemas, incendiar\u00e3o as cidades, os campos e as planta\u00e7\u00f5es, massacrando os brancos, e fazendo deste magn\u00edfico imp\u00e9rio do Brasil uma deplor\u00e1vel r\u00e9plica da brilhante col\u00f4nia de S\u00e3o Domingos&#8221; (Investigador Portugu\u00eas, item B, Cap\u00edtulo V, Primeira Parte, Londres, 1817).<\/em><\/mark><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O medo constante de uma revolu\u00e7\u00e3o de escravos no Brasil tal qual no Haiti aparece tamb\u00e9m em uma fala do Marqu\u00eas de Queluz, Jo\u00e3o Severiano Maciel da Costa, que se coloca contra a introdu\u00e7\u00e3o de novos escravizados em 1821, alertando os perigos das ideias de liberdade oriundos das revolu\u00e7\u00f5es francesa e haitiana:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-primary-color\">&#8220;<em>N\u00e3o passaremos revista aos horrores praticados nas col\u00f4nias francesas, pois que o cora\u00e7\u00e3o se furta a isso e andam livros cheios, escritos com l\u00e1grimas. Recolha, por\u00e9m, o leitor todas as suas for\u00e7as e, se \u00e9 que pode encarar como tal espet\u00e1culo, contemple a ilha de S\u00e3o Domingos, primor da cultura colonial, a joia preciosa das Antilhas, fumando ainda com o sacrif\u00edcio de v\u00edtimas humanas e inocentes&#8230; Observe sem l\u00e1grimas, se pode, dois tronos levantados sobre os ossos de senhores leg\u00edtimos para servirem de recompensa aos vingadores de Toussaint Louverture&#8221; (COSTA, 1988, p 17-22).<\/em>&nbsp;<\/mark><br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m do Marqu\u00eas de Queluz, outros intelectuais da \u00e9poca se colocaram contra a introdu\u00e7\u00e3o de novos escravizados na col\u00f4nia devido ao medo de uma insurrei\u00e7\u00e3o escrava. \u00c9 o caso de Gon\u00e7alves Chaves<sup>10<\/sup>, que segundo Regina (2006), contribuiu para a forma\u00e7\u00e3o de uma imagem sobre como os negros experimentaram a escravid\u00e3o e a liberdade no Rio Grande do Sul ao escrever uma s\u00e9rie de textos entre 1817 e 1823, chamados de \u201cMem\u00f3rias Ec\u00f4nomo-Pol\u00edticas sobre a Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica do Brasil\u201d, analisando a situa\u00e7\u00e3o da prov\u00edncia de forma a criticar a administra\u00e7\u00e3o colonial por Portugal, promovendo tamb\u00e9m considera\u00e7\u00f5es sobre a escravid\u00e3o. Chaves era um dos mais importantes charqueadores de Pelotas no come\u00e7o do s\u00e9culo XIX e se manifestava contra a introdu\u00e7\u00e3o de escravos na col\u00f4nia, pois acreditava que a seguran\u00e7a interna colonial correria riscos com a influ\u00eancia negativa religiosa e moral na popula\u00e7\u00e3o, ressaltando a import\u00e2ncia da m\u00e3o de obra livre. Tamb\u00e9m cita a morte das popula\u00e7\u00f5es de etnia branca nas diversas guerras da prov\u00edncia, o que promoveria uma desigualdade de contingente populacional entre brancos e negros, temendo uma rebeli\u00e3o de escravizados. Entretanto, \u00e9 importante destacar as nuances na percep\u00e7\u00e3o e utiliza\u00e7\u00e3o da \u201cra\u00e7a\u201d pela elite colonial brasileira, uma vez que no processo de luta pela independ\u00eancia do Brasil a presen\u00e7a dos negros escravizados ou livres foi fundamental, como aponta Hendrik Kraay:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-primary-color\"><em>&#8220;O sentimento patri\u00f3tico tamb\u00e9m estava presente fortemente nos homens e mulheres n\u00e3o-brancos que se opunham \u00e0 metr\u00f3pole portuguesa, principalmente dentre aqueles que pelearam diretamente nos conflitos. O recrutamento dessas pessoas ocorreu massivamente de maneira improvisada, gerando um mal-estar duplo na elite escravista. Se armar um negro poderia ser pavoroso para um branco escravocrata, quem dir\u00e1 pelot\u00f5es inteiros. Al\u00e9m desse temor, suscitava-se a quest\u00e3o: os escravizados recrutados deveriam ou n\u00e3o gozar de liberdade ap\u00f3s as batalhas?&#8221; (Kraay, 2002, p. 119).&nbsp;<\/em><\/mark><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir desse cen\u00e1rio, os efeitos da mobiliza\u00e7\u00e3o de uma elite que administrava a institui\u00e7\u00e3o racista do Brasil col\u00f4nia foram concentrados em dire\u00e7\u00e3o ao controle das revoltas e rebeli\u00f5es de escravizados, censura das informa\u00e7\u00f5es de ideais libert\u00e1rios vindas de S\u00e3o Domingo e da Europa, bem como o endurecimento das leis escravistas e dos mecanismos coercitivos, e uma atitude pouco tolerante aos libertos e homens livres de cor. Portanto, para a aristocracia colonial a Revolu\u00e7\u00e3o Haitiana \u201c<em>mostrou \u00e0s classes de senhores brancos da Am\u00e9rica que guerras civis internas ou mesmo guerras de independ\u00eancia contra o poder metropolitano levariam \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o dos regimes coloniais que elas tanto buscavam proteger<\/em>\u201d (NASCIMENTO, 2008, p. 127). A Rebeli\u00e3o de S\u00e3o Domingo, como \u00fanica em sua forma no atl\u00e2ntico, causou grande abalo no sistema colonial ao mudar a percep\u00e7\u00e3o da elite sobre como os escravizados poderiam se organizar e mobilizar para realizar mudan\u00e7as no poder de uma sociedade desigual como aponta Fontella e Medeiros (2007):<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-primary-color\">&#8220;Para as elites propriet\u00e1rias, a revolu\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Domingos unificou todas as amea\u00e7as em um s\u00f3 corpo e uma s\u00f3 cor, o negro. Enquanto para os escravos a revolu\u00e7\u00e3o propagou uma onda de liberdade, para as elites propagou apenas o medo. O \u2018medo negro\u2019 foi uma das caracter\u00edsticas que marcaram o per\u00edodo ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o haitiana&#8221; (FONTELLA; MEDEIROS, 2007, p. 68).&nbsp;<\/mark><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 poss\u00edvel concluir, portanto, que a Revolu\u00e7\u00e3o Haitiana de 1791 promoveu altera\u00e7\u00f5es no sistema colonial da am\u00e9rica portuguesa ao fazer ecoar seus ideais de liberdade entre os escravizados, libertos e mesti\u00e7os do Brasil. A institui\u00e7\u00e3o racista das elites fundi\u00e1rias, com temor de que houvesse uma rebeli\u00e3o tal qual S\u00e3o Domingo, estabeleceu estrat\u00e9gias de controle das not\u00edcias que chegavam aos cativos, al\u00e9m do enrijecimento das leis escravistas. Para essa aristocracia, que se fundamentava em teorias racistas do s\u00e9culo XVIII, o sistema colonial e sua seguran\u00e7a estavam em risco, sendo poss\u00edvel evidenciar o fen\u00f4meno do Medo Negro nos depoimentos, falas e discursos de homens letrados do Brasil Col\u00f4nia. Al\u00e9m disso, ficou claro que a historiografia em geral se debru\u00e7a sobre o tema e em como o Haitianismo influenciou as col\u00f4nias americanas a repensarem suas hierarquias raciais e a descren\u00e7a da organiza\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o dos cativos africanos e seus descendentes. Outrossim, \u00e9 poss\u00edvel afirmar o papel evidenciado da imprensa brasileira na dissemina\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es negativas sobre a Revolu\u00e7\u00e3o de Saint-Domingue, al\u00e9m da repress\u00e3o \u00e0s demais informa\u00e7\u00f5es libert\u00e1rias veiculadas desde a ex-col\u00f4nia francesa.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-text-color has-primary-color has-alpha-channel-opacity has-primary-background-color has-background\"\/>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Notas<\/h6>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00b9 A Revolu\u00e7\u00e3o Haitiana foi um levante de car\u00e1ter multi\u00e9tnico, com negros e mulatos encarregados de liderar o processo de independ\u00eancia. Portanto, se tratou de uma&nbsp; revolta singular nas col\u00f4nias americanas (Morel, 2017, p. 75).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00b2 Em sua obra \u201cSilenciando o Passado: Poder e a Produ\u00e7\u00e3o da Hist\u00f3ria\u201d, o historiador haitiano Michel Rolph Trouillot faz uma an\u00e1lise da a\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria dos escravizados, al\u00e9m das reflex\u00f5es intelectuais euro-americanas sobre a Revolu\u00e7\u00e3o Haitiana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00b3 A Gazeta do Rio de Janeiro, primeiro jornal publicado do Brasil, surgiu num contexto em que a chegada da fam\u00edlia real em 1808, a vinda de intelectuais e a libera\u00e7\u00e3o da importa\u00e7\u00e3o de livros criaram um novo ambiente urbano, onde ideias e opini\u00f5es formariam parte da cultura dos homens letrados (DE OLIVEIRA, 2015, p. 11).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2074 &nbsp;O processo de escravid\u00e3o no Brasil pode ser interpretado como uma institui\u00e7\u00e3o, uma vez que est\u00e1 historicamente relacionada \u00e0s estruturas formadoras da sociedade. Al\u00e9m do car\u00e1ter institucional, \u00e9 poss\u00edvel afirmar que h\u00e1 o componente estrutural que fundamenta a institucionaliza\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o e do racismo. Para ver mais, Silvio Luiz de Almeida \u201cRacismo Estrutural\u201d (2019).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2075 A conjura\u00e7\u00e3o baiana foi uma revolta que teve como protagonistas homens livres de camadas sociais m\u00e9dias e baixas sob influ\u00eancia da Revolta Haitiana e Revolu\u00e7\u00e3o Francesa. Sendo considerada uma das principais rebeli\u00f5es sociais do Brasil, envolveu diversos setores da sociedade urbana, numa tentativa de alian\u00e7a dos mais pobres com a elite da Bahia (Valim, 2007, p.13-14).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2076 A partir da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa de 1789, a popula\u00e7\u00e3o marginalizada de S\u00e3o Domingo v\u00ea com entusiasmo as reivindica\u00e7\u00f5es liberais e assim encaminha um of\u00edcio \u00e0 Assembleia Nacional para promover diretos aos homens livres de cor. Entretanto, somente ap\u00f3s tr\u00eas anos de conflitos entre mesti\u00e7os e brancos, s\u00e3o concedidos diretos amplos a essa camada (Carvalho, 2020, p.788).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2077 Jean-Jacques Dessalines nasceu em 1758, tornando-se imperador do Haiti ao comandar a Revolu\u00e7\u00e3o Haitiana. \u00c9 considerado ainda hoje um dos maiores protagonistas da rebeli\u00e3o, reconhecido pelo massacre aos brancos e mulatos de S\u00e3o Domingo (Morel, 2017, p. 58).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2078 Henri Christophe foi oficialmente o primeiro rei do Haiti, sendo coroado em 1811. Permaneceu no poder por 14 anos: cinco como presidente da Rep\u00fablica e nove como monarca (Morel, 2017, p.61).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2079 A produ\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica por meio do tr\u00e1fico transatl\u00e2ntico e utiliza\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra escravizada se apresenta no Brasil col\u00f4nia como uma alavanca do Imp\u00e9rio Portugu\u00eas no ocidente. A estrutura e o quadro econ\u00f4mico estavam intensamente atrelados ao trabalho de cativos africanos e africanas. Para ver mais, Luiz Felipe de Alencastro \u201cO Trato dos Viventes\u201d, p.27-29.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00b9\u2070 Gon\u00e7alves Chaves, em seus escritos, buscava encontrar quais eram os pap\u00e9is dos portugueses, ind\u00edgenas e escravos na Prov\u00edncia de S\u00e3o Pedro. Concluiu que estes deveriam ser diferentes, cabendo aos lusitanos a conquista da natureza (XAVIER, 2006, p. 11).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-text-color has-primary-color has-alpha-channel-opacity has-primary-background-color has-background\"\/>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Refer\u00eancias<\/h6>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ALENCASTRO, Luiz Felipe de. <strong>O Trato dos Viventes: Forma\u00e7\u00e3o do Brasil no Atl\u00e2ntico Sul<\/strong>. Companhia das Letras, S\u00e3o Paulo, 2000.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CARVALHO, R. P. Lu\u00e3. <strong>As acusa\u00e7\u00f5es \u201chaitianistas\u201d na racializada sociedade brasileira da primeira metade do Dezenove. <\/strong>Revista Em Tempos de Hist\u00f3ria, UnB. N\u00ba37, Bras\u00edlia, 2020.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">COSTA, J. S.M. <strong>Mem\u00f3ria sobre a necessidade de abolir a introdu\u00e7\u00e3o dos escravos africanos no Brasil, sobre o modo e condi\u00e7\u00f5es com que esta aboli\u00e7\u00e3o se deve fazer e sobre os meios de remediar a falta de bra\u00e7os que ela pode ocasionar<\/strong> (1821) IN: COSTA, J. S.M. (et al). <strong>Mem\u00f3rias Sobre a escravid\u00e3o<\/strong>. Publica\u00e7\u00f5es Hist\u00f3ricas, Rio de Janeiro: Rio de Janeiro, Arquivo Nacional, 1988.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">COUTINHO J.J. C. A. <strong>Obras econ\u00f4micas (1794-1804)<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Companhia Editora Nacional, 1966.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FONTELLA, Leandro Goya; MEDEIROS, Elisabeth Weber. <strong>Revolu\u00e7\u00e3o haitiana: o medo negro assombra a Am\u00e9rica<\/strong>. Disciplinarum Scientia. S\u00e9rie Ci\u00eancias Humanas, v.8, 2007.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">DE FREITAS, Soraya Matos.<strong> Nas Entrelinhas da Revolu\u00e7\u00e3o: O dito e o n\u00e3o dito nas p\u00e1ginas do Correio Braziliense e na Gazeta do Rio de Janeiro sobre a Revolu\u00e7\u00e3o Haitiana (1808-1817)<\/strong>. Disserta\u00e7\u00e3o da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria Social do Territ\u00f3rio &#8211; UERJ, 2010.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">DE OLIVEIRA, P. Alessandre. <strong>O processo de emancipa\u00e7\u00e3o brasileira na imprensa: correio braziliense e gazeta do rio de janeiro &#8211; 1808 a 1822.<\/strong> UFMG, Belo Horizonte, 2015.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>INVESTIGADOR PORTUGU\u00caS<\/strong>, item B, Cap\u00edtulo V, Peri\u00f3dico, Primeira Parte, Londres, 1817.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">KRAAY, Hendrik. <strong>Em outra coisa n\u00e3o falavam os pardos, cabras e crioulos: o \u201crecrutamento\u201d de escravos na guerra da Independ\u00eancia na Bahia<\/strong>. Revista Brasileira de Hist\u00f3ria. S\u00e3o Paulo, v. 22, n. 43, 2002.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">GOMES, F; LIBANEO, C. E. <strong>Sedi\u00e7\u00f5es, Haitianismos e conex\u00f5es no Brasil: outras margens do Atl\u00e2ntico negro<\/strong>. Revista Novos Estudos Cebrap, n\u00ba 63, S\u00e3o Paulo, 2002.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MOREL, Marco. <strong>A Revolu\u00e7\u00e3o do Haiti e o Brasil escravista: o que n\u00e3o deve ser dito<\/strong>. Paco Editorial, Jundia\u00ed, 2017.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MOTT, Luiz. <strong>A Escravatura: o Prop\u00f3sito de uma Representa\u00e7\u00e3o a El-Rei sobre a Escravatura no Brasil<\/strong>. Revista do Instituto de Estudos Brasileiros, n. 14, 1973.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MOTT, L. <strong>A Revolu\u00e7\u00e3o dos Negros do Haiti e o Brasil<\/strong>. In: MOTT, L. Escravid\u00e3o, Homossexualidade e Demonologia. S\u00e3o Paulo: \u00cdcone, 1988.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">NASCIMENTO, Washington Santos. <strong>S\u00e3o Domingos, o grande S\u00e3o Domingos: repercuss\u00f5es e representa\u00e7\u00f5es da Revolu\u00e7\u00e3o Haitiana no Brasil escravista (1791-1840)<\/strong>. Dimens\u00f5es, Vit\u00f3ria, volume 21, 2008.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SIM\u00c3O, R. L. F\u00e1bio. <strong>Haitianismo e a Percep\u00e7\u00e3o da Revolu\u00e7\u00e3o Haitiana na sociedade escravista brasileira do s\u00e9culo XIX<\/strong>. Revista Ponto de Vista, Vol.11, Universidade Federal de Vi\u00e7osa, Vi\u00e7osa, 2022.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">TROUILLOT, Michel-Rolph. <strong>Silenciando o Passado: Poder e a Produ\u00e7\u00e3o da Hist\u00f3ria<\/strong>. Curitiba: Huya, 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">VALIM, Patr\u00edcia. <strong>Da Sedi\u00e7\u00e3o dos Mulatos \u00e0 Conjura\u00e7\u00e3o Baiana de 1798: a constru\u00e7\u00e3o de uma mem\u00f3ria hist\u00f3rica.<\/strong> Universidade de S\u00e3o Paulo, S\u00e3o Paulo, 2007.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">XAVIER, L. C. Regina. <strong>Uma hist\u00f3ria que se conta: o papel dos africanos e seus descendentes na forma\u00e7\u00e3o do Rio Grande do Sul<\/strong>. Hist\u00f3ria Unisinos. Porto Alegre, 2006.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-text-color has-primary-color has-alpha-channel-opacity has-primary-background-color has-background\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link has-background-color has-text-color has-background has-link-color wp-element-button\" href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1wmVkeNWYXD5VvdGHs1AkuhTqd-o1SPUq\/view?usp=drive_link\" style=\"border-radius:15px;background-color:#42b395\">Baixar<\/a><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este artigo foi desenvolvido na disciplina de <strong>Hist\u00f3ria da Am\u00e9rica Colonial Portuguesa<\/strong>, ministrada pelo professor <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/5993297059938439\" data-type=\"link\" data-id=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/1487251536172132\">F\u00e1bio Kuhn<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como citar este texto:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MORALES, Rodrigo. Haitianismo e o Medo Negro na Sociedade Colonial Brasileira. <strong>Peri\u00f3dico Por Uma Ideia<\/strong>, 2025. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/o-haitianismo-e-o-medo-negro-na-sociedade-colonial-brasileira\/\">https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/o-haitianismo-e-o-medo-negro-na-sociedade-colonial-brasileira\/<\/a>. Acesso em:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Todos os conte\u00fados publicados s\u00e3o distribu\u00eddos em acesso aberto sob licen\u00e7a <a href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-nc-sa\/2.5\/br\/\">CC BY-NC-SA 2.5 BR<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rodrigo Morales: A Revolu\u00e7\u00e3o Haitiana, iniciada por um levante em 1791 que conduziria \u00e0 independ\u00eancia a col\u00f4nia de Saint-Domingue, trouxe [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":813,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"footnotes":""},"categories":[15],"tags":[],"class_list":["post-793","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/793","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=793"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/793\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":859,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/793\/revisions\/859"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/wp-json\/wp\/v2\/media\/813"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=793"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=793"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=793"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}