{"id":885,"date":"2026-06-03T02:14:20","date_gmt":"2026-06-03T05:14:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/?p=885"},"modified":"2026-07-11T15:28:42","modified_gmt":"2026-07-11T18:28:42","slug":"entre-feiticeiros-e-hereges-mecanismos-de-resistencia-indigena-inquisicao-na-america-portuguesa-e-as-acusacoes-de-feiticar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/entre-feiticeiros-e-hereges-mecanismos-de-resistencia-indigena-inquisicao-na-america-portuguesa-e-as-acusacoes-de-feiticar\/","title":{"rendered":"&#8220;Entre\u00a0Feiticeiros\u00a0e\u00a0Hereges\u201d: Mecanismos\u00a0de\u00a0Resist\u00eancia\u00a0Ind\u00edgena,\u00a0 Inquisi\u00e7\u00e3o\u00a0na\u00a0Am\u00e9rica Portuguesa e as\u00a0Acusa\u00e7\u00f5es\u00a0de\u00a0Feiti\u00e7aria"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-primary-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-1 wp-block-paragraph\"><strong>Eduarda dos Santos Tojal:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O presente trabalho busca dialogar a respeito das acusa\u00e7\u00f5es de feiti\u00e7aria realizadas pelo Tribunal do Santo Of\u00edcio contra indiv\u00edduos pertencentes a comunidades ind\u00edgenas e, ainda, destacar de que forma as pr\u00e1ticas de curandeirismo e uso de bolsas de mandinga se apresentam enquanto a\u00e7\u00f5es de resist\u00eancia por parte desses indiv\u00edduos, al\u00e9m de questionar as rea\u00e7\u00f5es dicot\u00f4micas de outros agentes a essas pr\u00e1ticas e sua inser\u00e7\u00e3o na sociedade colonial. Organizado de forma que perpassa pela bibliografia sobre o tema, explica a rela\u00e7\u00e3o entre a Inquisi\u00e7\u00e3o e os povos nativos e traz duas situa\u00e7\u00f5es de den\u00fancias atreladas a esses indiv\u00edduos e que relacionam-se com as pr\u00e1ticas citadas anteriormente. Dessa forma, objetiva-se a levar a reflex\u00e3o sobre os t\u00f3picos discutidos e refor\u00e7ar a relev\u00e2ncia de pesquisas nestas tem\u00e1ticas.<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>PALAVRAS-CHAVE:<\/strong> Feiti\u00e7aria; Inquisi\u00e7\u00e3o; Resist\u00eancia Ind\u00edgena.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-text-color has-primary-color has-alpha-channel-opacity has-primary-background-color has-background\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-x-large-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A atua\u00e7\u00e3o da Inquisi\u00e7\u00e3o e do Tribunal do Santo Of\u00edcio s\u00e3o elementos pouco discutidos, do ponto de vista comparativo, nos estudos sobre o Brasil Colonial, pois muitas vezes s\u00e3o restringidos a sua atua\u00e7\u00e3o no continente europeu. Al\u00e9m disso, os estudos sobre os agentes marginalizados pela sociedade \u2013 trabalhadores, mulheres, negros e ind\u00edgenas \u2013 tamb\u00e9m sofrem da mesma car\u00eancia. Embora, conforme ser\u00e1 discutido posteriormente, a quantidade de estudos venha aumentando nas \u00faltimas d\u00e9cadas, trazendo luz a lugares antes esquecidos pela pesquisa hist\u00f3rica, n\u00e3o h\u00e1 como n\u00e3o haver preju\u00edzos, considerando os s\u00e9culos de espera por estas pesquisas. Sendo assim, estudos que envolvam ambas as tem\u00e1ticas s\u00e3o de suma import\u00e2ncia para o desenvolvimento dessas \u00e1reas de pesquisa e para a historiografia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No que consta, o presente artigo busca dialogar a respeito das acusa\u00e7\u00f5es de feiti\u00e7aria realizadas pelo Tribunal do Santo Of\u00edcio contra indiv\u00edduos pertencentes a comunidades ind\u00edgenas e, ainda, destacar de que forma tais pr\u00e1ticas de rituais de cura e uso de bolsas de mandinga \u2013 as quais est\u00e3o dentro do escopo do que \u00e9 chamado de feiti\u00e7aria \u2013 se apresentam enquanto a\u00e7\u00f5es de resist\u00eancia por parte desses indiv\u00edduos, al\u00e9m de questionar as rea\u00e7\u00f5es dicot\u00f4micas de outros agentes a essas pr\u00e1ticas e sua inser\u00e7\u00e3o na sociedade colonial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante muito tempo a pesquisa historiogr\u00e1fica se deu com muitas lacunas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 hist\u00f3ria cultural e de povos marginalizados \u2013 tais quais os povos ind\u00edgenas. Em uma perspectiva muito conectada aos Annales, a prioridade era com estudos ligados aos \u00e2mbitos sociais e econ\u00f4micos, mesclando a cultura em grupos semelhantes na forma de pensar e agir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contudo, a partir da d\u00e9cada de 1970, houve um alargamento da no\u00e7\u00e3o de cultura entre os historiadores, dando espa\u00e7o para vis\u00f5es poliss\u00eamicas e que, consequentemente, colocaram os povos ind\u00edgenas enquanto sujeitos ativos dentro do processo hist\u00f3rico. No que \u00e9 chamada de Nova Hist\u00f3ria Ind\u00edgena, essa \u00f3tica recente permitiu a reformula\u00e7\u00e3o de alguns conceitos e teorias para se pensar a rela\u00e7\u00e3o e o contato entre esses povos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dessa forma, nos estudos da Etno-Hist\u00f3ria \u2013 metodologia interdisciplinar utilizada pela Hist\u00f3ria e pela Antropologia \u2013 \u00e9 dado o devido enfoque de que os contatos inter\u00e9tnicos n\u00e3o se resumem a dizima\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es nativas, mas que os ind\u00edgenas, ao longo do processo de contato e estabelecimento de rela\u00e7\u00f5es, aprenderam novas pr\u00e1ticas pol\u00edticas e sociais, e muitas vezes se utilizam desse conhecimento como mecanismo de resist\u00eancia ou buscando a obten\u00e7\u00e3o de vantagens. Logo, a hist\u00f3ria das popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas deixa de ser apresentada apenas sob a lente do colonizador, trazendo-a para o enfoque do impacto da conquista do ponto de vista das pr\u00f3prias comunidades nativas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse sentido, existem diversos autores importantes para essa tem\u00e1tica. A exemplo de Fredrik Barth, com os estudos da identidade ind\u00edgena e o contato com outros grupos \u00e9tnicos, Steve Stern e o conceito de resist\u00eancia adaptativa, Boccara e a etnog\u00eanese, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No que consta os processos inquisitoriais, a partir da d\u00e9cada de 1980 a forma de interpreta\u00e7\u00e3o e utiliza\u00e7\u00e3o desses documentos foi ampliada. Pois, ainda que mediadas por agentes inquisitoriais, de acordo com Ginzburg, as possibilidades etnogr\u00e1ficas que essas fontes oferecem permitem trazer \u00e0 tona as vozes ind\u00edgenas [1]. Nesse contexto, surgem diversos trabalhos que procuram entender a din\u00e2mica da coloniza\u00e7\u00e3o e das rela\u00e7\u00f5es entre os seus diversos atores, pesquisas ainda em desenvolvimento que permitem que novos trabalhos flores\u00e7am, a medida em que a \u00e1rea \u00e9 finalmente explorada de forma plural pela historiografia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dessa maneira, os estudos dispon\u00edveis nos proporcionam a possibilidade de pensar as diversas acusa\u00e7\u00f5es inquisitoriais feitas contra os ind\u00edgenas de maneira questionadora, articulando de que forma a feiti\u00e7aria \u2013 e aqui, principalmente os rituais de cura e as bolsas de mandinga \u2013 foi utilizada como forma de resist\u00eancia frente a situa\u00e7\u00e3o ind\u00edgena na Am\u00e9rica Colonial Portuguesa, conferindo espa\u00e7os de poder, autonomia e liberdade as popula\u00e7\u00f5es de origem ind\u00edgena.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao contr\u00e1rio do que se imagina no senso comum, a atua\u00e7\u00e3o da Inquisi\u00e7\u00e3o no Brasil durou mais de dois s\u00e9culos, e alcan\u00e7ou praticamente todo o territ\u00f3rio luso americano. Apesar de a persegui\u00e7\u00e3o aos cripto-judeus terem sido o principal objetivo da Inquisi\u00e7\u00e3o para al\u00e9m do territ\u00f3rio europeu, a descoberta do Novo Mundo representou novos terrenos para a atua\u00e7\u00e3o do Santo Of\u00edcio, visto que houve a sua intera\u00e7\u00e3o com os povos nativos, considerados crist\u00e3os gra\u00e7as a sua convers\u00e3o \u2013 muitas vezes for\u00e7ada \u2013 ao catolicismo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ent\u00e3o, atrav\u00e9s do uso dos Cadernos do Promotor, o Santo Tribunal buscou reprimir as cren\u00e7as e costumes julgados gent\u00edlicos e id\u00f3latras. E, embora n\u00e3o houvesse um tribunal da Inquisi\u00e7\u00e3o permanente e aut\u00f4nomo, pois a a\u00e7\u00e3o inquisitorial na luso-am\u00e9rica estava atrelada ao Tribunal da Inquisi\u00e7\u00e3o de Lisboa, a m\u00e1quina inquisitorial ainda assim funcionou com certa efici\u00eancia. Isso se deve, principalmente, a um conjunto de a\u00e7\u00f5es exercidas na col\u00f4nia: a colabora\u00e7\u00e3o dos bispos e das visitas pastorais, dos comiss\u00e1rios, familiares e visitadores, e as pr\u00f3prias den\u00fancias, inspiradas pelo zelo cat\u00f3lico ou por motivos pessoais [2].<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em rela\u00e7\u00e3o a n\u00fameros, \u00e9 imposs\u00edvel ignorar os casos da Santidade do Jaguaripe, trabalhados por Ronaldo Vainfas, os quais revelam os primeiros r\u00e9us ind\u00edgenas e mamelucos de que se tem not\u00edcia. Ainda, de acordo com Anita Novinsky, entre \u00edndios e mamelucos, 23 indiv\u00edduos estiveram presos por ordem do Santo Of\u00edcio no s\u00e9culo XVI [3]. Por fim, nos livros da Primeira Visita\u00e7\u00e3o do Santo Of\u00edcio, foram contabilizadas 16 den\u00fancias contra ind\u00edgenas e 48 contra mamelucos, totalizando 72 registros [4].<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Devido \u00e0s estrat\u00e9gias citadas anteriormente, o Santo Of\u00edcio atingiu seu \u00e1pice na Am\u00e9rica Portuguesa durante o s\u00e9culo XVIII, representando um grande controle sobre a col\u00f4nia. Em rela\u00e7\u00e3o a persegui\u00e7\u00e3o contra os povos nativos, muito do que se sabe deve-se \u00e0s Visita\u00e7\u00f5es que ocorreram nos s\u00e9culos XVI, XVII e XVIII, com destaque para a empreendida no Estado do Gr\u00e3o-Par\u00e1 e Maranh\u00e3o, a qual contou com o maior n\u00famero de ind\u00edgenas e descendentes denunciados ao Inquisidor \u2013 56% do total de registros em todo o territ\u00f3rio. Outros locais de destaque s\u00e3o Pernambuco, Cear\u00e1, Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo e Minas Gerais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No que consta os povos ind\u00edgenas, algumas medidas foram tomadas para o seu processo de transforma\u00e7\u00e3o em s\u00faditos do rei e crist\u00e3os, fatores que os colocaram aos alvos da Inquisi\u00e7\u00e3o. Resumidamente, uma legisla\u00e7\u00e3o chamada Diret\u00f3rio dos \u00cdndios ou Diret\u00f3rio Pombalino, criada em 1757 \u2013 inicialmente aplicada no Estado do Gr\u00e3o-Par\u00e1 e Maranh\u00e3o, e no ano seguinte expandida para o restante do territ\u00f3rio \u2013, objetivou uma total integra\u00e7\u00e3o dos ind\u00edgenas \u00e0 sociedade colonial. Em sua concep\u00e7\u00e3o, visavam mais especificamente o abandono, por parte dos ind\u00edgenas, de seus costumes nas aldeias, al\u00e9m da imposi\u00e7\u00e3o do portugu\u00eas em detrimento de l\u00ednguas nativas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com Maria Regina Celestino de Almeida, essa pol\u00edtica buscava assimilar as popula\u00e7\u00f5es nativas, misturando-as \u00e0 \u201cmassa populacional\u201d [5]. Ainda, a autora esclarece que os ind\u00edgenas responderam a essas decis\u00f5es de formas plurais, seja na forma de fugas ou rebeli\u00f5es, ou atrav\u00e9s de estrat\u00e9gias de se inserir nessa sociedade, ao mesmo tempo em que exercem uma a\u00e7\u00e3o de resist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Toda essa conjuntura, que visava integrar as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas ao sistema colonial, terminou por promover uma din\u00e2mica de contato e inser\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, em que essas personagens \u2013 os ind\u00edgenas \u2013 produziram respostas diferentes e diversificadas diante dos diversos processos de contato e experi\u00eancias aos quais foram submetidos. (p. 64) [6]&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ou seja, apesar de todas as interven\u00e7\u00f5es e legisla\u00e7\u00f5es, os ind\u00edgenas exerceram o papel de sujeitos ativos no processo de transforma\u00e7\u00e3o por eles vivenciado. Por meio do compartilhamento de experi\u00eancias e saberes com outros grupos sociais, as culturas e tradi\u00e7\u00f5es desses atores possu\u00edram novos significados. Sobretudo, conforme articulado por Gruzinski, de modo que essas pr\u00e1ticas representam uma reelabora\u00e7\u00e3o e uma interpenetra\u00e7\u00e3o dos diferentes sistemas simb\u00f3licos em contato, representando algo al\u00e9m do que comumente \u00e9 denominado de sincretismo. [7]&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As pr\u00e1ticas de feiti\u00e7aria na col\u00f4nia, de acordo com Laura de Mello e Souza, mostrava-se estreitamente ligada \u00e0s pr\u00e1ticas do dia-a-dia, buscando a resolu\u00e7\u00e3o de problemas concretos [8]. Dessa maneira, essas pr\u00e1ticas assumem sentidos diversos entre os m\u00faltiplos agentes envolvidos, ind\u00edgenas ou n\u00e3o. Nesse contexto, est\u00e3o inseridas as pr\u00e1ticas de rituais de cura e do uso das bolsas de mandinga, ambas compreendidas como resultado da interpenetra\u00e7\u00e3o cultural e manifesta\u00e7\u00e3o de resist\u00eancia, por\u00e9m com resultados e interpreta\u00e7\u00f5es dicot\u00f4micas por agentes externos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em rela\u00e7\u00e3o ao curandeirismo, Laura de Mello e Souza afirma que os ind\u00edgenas, ao lado dos negros e mesti\u00e7os, foram grandes curandeiros no Brasil colonial [9]. E, atrav\u00e9s dessas pr\u00e1ticas, podemos perceber muito sobre a rela\u00e7\u00e3o com o outro, visto que sua exist\u00eancia pressup\u00f5e a presen\u00e7a de um p\u00fablico ou demanda social \u2013 principalmente, considerando a realidade e o entendimento sobre malef\u00edcios e benef\u00edcios que se tinha na col\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cren\u00e7a partilhada por colonos e ind\u00edgenas na feiti\u00e7aria, nos malef\u00edcios a dist\u00e2ncia, nos poderes sobrenaturais dos inimigos \u2013 especialmente o poder de transmitir doen\u00e7as \u2013, nas curas e, de modo geral, na efic\u00e1cia m\u00e1gica agiu como elemento facilitador no processo de tradu\u00e7\u00e3o e entendimento das realidades, legitimando e refor\u00e7ando, ainda que em meio a incompreens\u00f5es, as a\u00e7\u00f5es dos agentes m\u00e1gicos. (p. 118) [10]<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Posto isso, alguns autores pioneiros na tem\u00e1tica, respons\u00e1veis pelos estudos citados ao longo do artigo, consideram que a publicidade dos fatos, destacando a efici\u00eancia dos rituais, contribuiu para o renome dos feiticeiros, facilitando suas possibilidades de manobra na esfera social. De acordo com Carvalho J\u00fanior [11], existem ind\u00edcios de que os pr\u00f3prios senhores tinham uma participa\u00e7\u00e3o a mais do que um mero conhecimento sobre essas pr\u00e1ticas, havendo casos em que estimulavam a fama do seu escravo ou administrado que as realizasse, por vezes inclusive emprestando-os a terceiros. Sendo assim, para muitos desses indiv\u00edduos, essa foi a melhor maneira de inser\u00e7\u00e3o na sociedade colonial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Utilizando fontes, nos \u00e9 permitido explorar a hist\u00f3ria da ind\u00edgena Sabina, que viveu nos sert\u00f5es da Amaz\u00f4nia, e na \u00e9poca de sua primeira den\u00fancia era cativa do senhor de escravos Bento Guedes de S\u00e1. Atuando com rituais de cura, Sabina ficou conhecida na cidade de Bel\u00e9m e regi\u00e3o por seus talentos como curandeira e, tamb\u00e9m, como adivinha. Relatos, aproximadamente entre 1747 e 1767 [12], informam que durante sua vida a ind\u00edgena proporcionou atendimento aos mais diversos grupos sociais, sendo frequentemente solicitada para realizar atendimentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A primeira den\u00fancia contra ela ocorreu no ano de 1747, pelo frei Manuel da Penha e Noronha, religioso devoto de Nossa Senhora das Merc\u00eas. J\u00e1 naquele momento, foi falado sobre o est\u00edmulo dado pelo senhor Bento Guedes, o qual propunha inclusive desafios para \u201ctestar\u201d a capacidade de adivinha\u00e7\u00e3o de Sabina, a qual passou nas prova\u00e7\u00f5es com louvor, fato que tamb\u00e9m colaborou para sua fama.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na \u00e9poca, registros subentendem que o Santo Of\u00edcio daria prosseguimento ao caso ap\u00f3s ser informado sobre essas escandalosas pr\u00e1ticas. Por\u00e9m, durante os cerca de dez anos seguintes n\u00e3o houveram mais den\u00fancias contra Sabina, e tudo indica que ela seguiu realizando seus trabalhos. At\u00e9 que, em 1759, foi registrada outra den\u00fancia contra a ind\u00edgena, desta vez pelo casal Manuel de \u00c1vila e Maria do Ros\u00e1rio [13].<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse momento, Sabina estava sob os servi\u00e7os de D. Isabel, m\u00e3e do fazendeiro Francisco Xavier de G\u00f3es, fato que n\u00e3o a impediu de seguir realizando seus feitos entrela\u00e7ados \u00e0s pr\u00e1ticas de feiti\u00e7aria. Ao que tudo indica, o Tribunal n\u00e3o enviou nenhum retorno a respeito dessas den\u00fancias, e em 1760 novas situa\u00e7\u00f5es surgiram, e o frei Manuel da Penha do Ros\u00e1rio encaminhou den\u00fancias sobre as pr\u00e1ticas realizadas pela ind\u00edgena. \u201cSegundo o frei, eram tantos os casos, que apenas bastava dizer que em qualquer casa que ela ia fazia curas e desenterrava feiti\u00e7os, nomeando os feiticeiros que os tinham feito.\u201d (p. 127) [14]&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Parece claro, ent\u00e3o, que apesar de existirem pessoas insatisfeitas com os rituais realizados, Sabina possuiu o consentimento de Bento Guedes de S\u00e1 e de D. Isabel para a realiza\u00e7\u00e3o deles. E, atrelando isso ao fato de que a sua clientela era diversa e englobava variados tipos de pessoas, incluindo senhores de escravos, militares, freis e pol\u00edticos, as pr\u00e1ticas da ind\u00edgena eram legitimadas e a levaram para um lugar de prest\u00edgio social ao ser bem quista pela elite local.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao longo dos anos, houveram outras den\u00fancias endere\u00e7adas a ind\u00edgena Sabina, por\u00e9m, apesar de ter havido um processo fruto de casos recebidos pelo Visitador Geraldo Jos\u00e9 Abranches, tudo indica que o processo n\u00e3o seguiu adiante ou o desfecho por algum motivo se perdeu e n\u00e3o \u00e9 de nosso conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por fim, \u00e9 importante salientar que o caso de Sabina \u00e9 um exemplo claro de que forma foi poss\u00edvel para os ind\u00edgenas, atrav\u00e9s de pr\u00e1ticas m\u00e1gico-religiosas, conseguirem melhores alternativas para sua inser\u00e7\u00e3o na sociedade colonial. Al\u00e9m disso, atrav\u00e9s de sua fama, distin\u00e7\u00e3o e respeito conquistados, Sabina distinguiu-se da grande massa ind\u00edgena marginalizada. Mas, isso n\u00e3o quer dizer que as a\u00e7\u00f5es nesse sentido tenham sido premeditadas, apenas que esse recurso calhou de lhe proporcionar outras possibilidades. Dessa forma, \u00e9 poss\u00edvel considerar que em uma conjuntura na qual as transforma\u00e7\u00f5es n\u00e3o necessariamente ocorriam de forma esperada, os ind\u00edgenas coloniais souberam se articular, utilizando-se de cren\u00e7as e do imagin\u00e1rio da sociedade do Antigo Regime como forma de subterf\u00fagio. [15]<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s bolsas de mandinga e seus portadores, \u00e9 ineg\u00e1vel que estes possuem rela\u00e7\u00e3o direta com o cotidiano sincr\u00e9tico proporcionado pela col\u00f4nia. Visto que, de acordo com algumas defini\u00e7\u00f5es, mandinga poderia corresponder a uma etnia de origem africana, famosa pelo conhecimento de magia, e tamb\u00e9m aos amuletos portados por ela, como \u00e9 o caso das bolsas de mandinga. Por\u00e9m, seu uso durante o per\u00edodo colonial n\u00e3o se restringiu a africanos e afro-brasileiros, sendo tamb\u00e9m utilizadas pelos ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante esse processo, os objetos passaram por transforma\u00e7\u00f5es em seus aspectos f\u00edsicos e culturais. Sobre isso, \u00e9 importante refor\u00e7ar que, de acordo com Ronaldo Vainfas, embora esses ind\u00edgenas tenham adotado elementos crist\u00e3os ou africanos em seu cotidiano, eles possu\u00edam sua pr\u00f3pria vis\u00e3o de mundo, ao passo em que tamb\u00e9m se adaptaram \u00e0s circunst\u00e2ncias da col\u00f4nia, fato que se configura enquanto uma forma de resist\u00eancia. [16]&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por ser considerada uma forma de feiti\u00e7aria e um sacril\u00e9gio perante a Igreja, aqueles que fossem pegos com esse tipo de objeto seriam tidos como hereges e, consequentemente, iriam ser denunciados ao Tribunal do Santo Of\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEntretanto, mesmo tendo ci\u00eancia das consequ\u00eancias que poderiam surgir com o uso das bolsas de mandinga, pode-se perceber que essas popula\u00e7\u00f5es n\u00e3o abandonaram suas cren\u00e7as ou limitaram suas a\u00e7\u00f5es, dentro de suas perspectivas e modos de se expressar religiosamente.\u201d (p. 14) [17]<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre isso, nos \u00e9 apropriado explorar a hist\u00f3ria do nativo Manoel Pedro, ocorrida em dezembro de 1755 em Natal, no Rio Grande do Norte, na qual o ind\u00edgena foi denunciado por portar consigo uma bolsa de mandinga. O desfecho desse caso \u00e9 bem mais simples, e finda-se com a fuga de Manoel Pedro conjuntamente com o seu objeto, provavelmente por um temor de ser apanhado pelo Santo Of\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 capaz de demonstrar a legitimidade dessa institui\u00e7\u00e3o, e quando comparada a circunst\u00e2ncia vivida por Sabina, nos permite observar a diferen\u00e7a de tratamento dada a ambos os ind\u00edgenas por agentes externos. Ao passo que, ao mesmo tempo em que Sabina era protegida e estimulada a realizar suas pr\u00e1ticas, Manoel Pedro foi denunciado apenas uma vez e isso j\u00e1 foi o suficiente para lhe fazer temer a ponto de fugir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 claro que \u00e9 imposs\u00edvel generalizar a utiliza\u00e7\u00e3o dessas duas pr\u00e1ticas, os rituais de cura e o uso das bolsas de mandinga, apenas baseado nos dois casos apresentados neste artigo. Mas, creio que eles servem de base para questionarmos a forma como pr\u00e1ticas, perspectivas e vis\u00f5es de mundo s\u00e3o definidas quanto \u201cher\u00e9ticas\u201d, \u201cdemon\u00edacas\u201d e \u201cmal\u00e9ficas\u201d. Tais denomina\u00e7\u00f5es est\u00e3o cerceadas em um discurso pol\u00edtico que visa beneficiar uma parcela espec\u00edfica da popula\u00e7\u00e3o, a qual defende o que lhe \u00e9 apropriado, e abomina o que lhe incomoda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dessa maneira, cabe perceber: quando algo est\u00e1 errado? Quando h\u00e1 a realiza\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas gerais que v\u00e3o de encontro ao pensamento crist\u00e3o, ou apenas quando estas n\u00e3o podem trazer benef\u00edcios aos agentes pertencentes a elite?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No final, ambas as pr\u00e1ticas s\u00e3o sin\u00f4nimos de uma resist\u00eancia ind\u00edgena frente ao contexto vivido por essa popula\u00e7\u00e3o no Brasil Colonial, e \u00e9 primoroso entender esses processos apesar \u2013 e por causa \u2013 de sua recep\u00e7\u00e3o dicot\u00f4mica pelos demais agentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Notas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00b9 GINZBURG, Carlo; LEVI, Giovanni; REVEL, Jacques. \u201cMicroan\u00e1lise e constru\u00e7\u00e3o do social\u201d IN: REVEL, Jacques (org.). Jogos de Escala: a experi\u00eancia da microan\u00e1lise. RJ: FGV, 1998.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00b2 VAINFAS, Ronaldo. Tr\u00f3pico dos pecados: moral, sexualidade e inquisi\u00e7\u00e3o no Brasil. Rio de Janeiro:Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 2010, p. 282-297.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00b3 NOVINSKY, Anita. Inquisi\u00e7\u00e3o: prisioneiros do Brasil. SP: Editora Perspectiva, 2002, p.35.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2074&nbsp; GARCIA, Rodolpho (Introdu\u00e7\u00e3o). Primeira Visita\u00e7\u00e3o do Santo Of\u00edcio \u00e0s partes do Brasil. Denuncia\u00e7\u00f5es e confiss\u00f5es de Pernambuco:1593 \u2013 1595. Recife: FUNDARPE, 1984.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2075 ALMEIDA, Maria Regina Celestino de. Os \u00edndios na hist\u00f3ria do Brasil. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2010.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2076 SANTOS, Lidiane Vicentina dos. \u201cTerra Inficcionada\u201d: as pr\u00e1ticas m\u00e1gico-religiosas ind\u00edgenas e a inquisi\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia portuguesa setecentista. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Hist\u00f3ria) \u2013 Universidade Federal de S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei, S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei, 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2077 Em rela\u00e7\u00e3o ao conceito de Sincretismo, muitos autores se utilizam dele, a exemplo de Laura de Mello e Souza, em seu estudo pioneiro, \u201cO Diabo e a Terra de Santa Cruz\u201d. Por\u00e9m, outros autores, como Gruzinski, discutem sobre o conceito n\u00e3o ser suficiente para explicar o resultado dessas intera\u00e7\u00f5es inter\u00e9tnicas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2078 SOUZA, Laura de Mello e. O Diabo e a Terra de Santa Cruz: feiti\u00e7aria e religiosidade popular no Brasil colonial. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2009.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2079 SOUZA, Laura de Mello e. Op. Cit., 2009.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00b9\u2070 SANTOS, Lidiane Vicentina dos. Op. Cit., 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00b9\u00b9 CARVALHO J\u00daNIOR, Almir. \u00cdndios Crist\u00e3os: A convers\u00e3o dos gentios da Amaz\u00f4nia Portuguesa (1653-1769). Tese (Doutorado). Campinas: Unicamp, 2005.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00b9\u00b2 ANTT\/IL &#8211; Caderno do Promotor 109, Livro 301.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00b9\u00b3 ANTT\/IL &#8211; Caderno do Promotor 121, Livro 313.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00b9\u2074 SANTOS, Lidiane Vicentina dos. Op. Cit., 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00b9\u2075 SANTOS, Lidiane Vicentina dos. Op. Cit., 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00b9\u2076 VAINFAS, Ronaldo. Heresia dos \u00cdndios: Catolicismo e rebeldia no Brasil colonial. 2. ed. S\u00e3o Paulo, Companhia das Letras, 1995.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00b9\u2077 PAIVA, Alan; CRUZ, Remo. Resist\u00eancia ind\u00edgena e repress\u00e3o inquisitorial: os usos da bolsa de mandinga na capitania do Rio Grande do Norte (1755 &#8211; 1762). Revista Latino-Americana de Hist\u00f3ria &#8211; UNISINOS, 2024.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-text-color has-primary-color has-alpha-channel-opacity has-primary-background-color has-background\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ALMEIDA, Maria Regina Celestino de. <strong>Os \u00edndios na hist\u00f3ria do Brasil<\/strong>. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2010.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CARVALHO J\u00daNIOR, Almir.<strong> \u00cdndios Crist\u00e3os: A convers\u00e3o dos gentios da Amaz\u00f4nia Portuguesa (1653-1769)<\/strong>. Tese (Doutorado). Campinas: Unicamp, 2005.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">GARCIA, Rodolpho (Introdu\u00e7\u00e3o). <strong>Primeira Visita\u00e7\u00e3o do Santo Of\u00edcio \u00e0s partes do Brasil. Denuncia\u00e7\u00f5es e confiss\u00f5es de Pernambuco:1593 \u2013 1595<\/strong>. Recife: FUNDARPE, 1984.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">GINZBURG, Carlo; LEVI, Giovanni; REVEL, Jacques. <strong>\u201cMicroan\u00e1lise e constru\u00e7\u00e3o do social<\/strong>\u201d IN: REVEL, Jacques (org.). Jogos de Escala: a experi\u00eancia da microan\u00e1lise. Rio de Janeiro: Editora FGV, 1998.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">NOVINSKY, Anita. <strong>Inquisi\u00e7\u00e3o: prisioneiros do Brasil.<\/strong> SP: Editora Perspectiva, 2002.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">PAIVA, Alan; CRUZ, Remo. <strong>Resist\u00eancia ind\u00edgena e repress\u00e3o inquisitorial: os usos da bolsa de mandinga na capitania do Rio Grande do Norte (1755 &#8211; 1762)<\/strong>. Revista Latino-Americana de Hist\u00f3ria &#8211; UNISINOS, 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SANTOS, Lidiane Vicentina dos. <strong>\u201cTerra Inficcionada\u201d: as pr\u00e1ticas m\u00e1gico-religiosas ind\u00edgenas e a inquisi\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia portuguesa setecentista<\/strong>. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Hist\u00f3ria) \u2013 Universidade Federal de S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei, S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei, 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SOUZA, Laura de Mello e. <strong>O Diabo e a Terra de Santa Cruz: feiti\u00e7aria e religiosidade popular no Brasil colonial<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2009.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">VAINFAS, Ronaldo. <strong>Heresia dos \u00cdndios: Catolicismo e rebeldia no Brasil colonial<\/strong>. 2. ed. S\u00e3o Paulo, Companhia das Letras, 1995.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">VAINFAS, Ronaldo. <strong>Tr\u00f3pico dos pecados: moral, sexualidade e inquisi\u00e7\u00e3o no Brasil<\/strong>. Rio de Janeiro: Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 2010.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-text-color has-primary-color has-alpha-channel-opacity has-primary-background-color has-background\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link has-background-color has-text-color has-background has-link-color wp-element-button\" href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/175Mxh93-h-BqDi7Q80KzirqCc7m2Yjgz\/view?usp=drive_link\" style=\"border-radius:15px;background-color:#42b395\">Baixar<\/a><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Texto produzido na cadeira de <strong>Hist\u00f3ria da Am\u00e9rica Colonial Portuguesa<\/strong>, ministrada pelo professor Dr. <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/5993297059938439\" data-type=\"link\" data-id=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/7580869559349158\">F\u00e1bio Kuhn<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como citar este texto:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">TOJAL, dos Santos Eduarda. \u201cEntre Feiticeiros e Hereges\u201d: Mecanismos de Resist\u00eancia Ind\u00edgena, Inquisi\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Portuguesa e as Acusa\u00e7\u00f5es de Feiti\u00e7aria. <strong>Peri\u00f3dico Por Uma Ideia<\/strong>, 2026. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/entre-feiticeiros-e-hereges-mecanismos-de-resistencia-indigena-inquisicao-na-america-portuguesa-e-as-acusacoes-de-feiticar\/\">https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/entre-feiticeiros-e-hereges-mecanismos-de-resistencia-indigena-inquisicao-na-america-portuguesa-e-as-acusacoes-de-feiticar\/<\/a>. Acesso em:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Todos os conte\u00fados publicados s\u00e3o distribu\u00eddos em acesso aberto sob licen\u00e7a\u00a0<a href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-nc-sa\/2.5\/br\/\">CC BY-NC-SA 2.5 BR<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eduarda dos Santos Tojal: O presente trabalho busca dialogar a respeito das acusa\u00e7\u00f5es de feiti\u00e7aria realizadas pelo Tribunal do Santo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":886,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"footnotes":""},"categories":[15],"tags":[],"class_list":["post-885","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/885","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=885"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/885\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":896,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/885\/revisions\/896"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/wp-json\/wp\/v2\/media\/886"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=885"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=885"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/periodicopui\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=885"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}