{"id":225,"date":"2025-10-21T11:47:36","date_gmt":"2025-10-21T14:47:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/popcicom\/?p=225"},"modified":"2025-10-21T13:05:44","modified_gmt":"2025-10-21T16:05:44","slug":"resenha-o-exterminador-do-futuro-midia-horror-e-politica-em-nick-land","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/popcicom\/2025\/10\/21\/resenha-o-exterminador-do-futuro-midia-horror-e-politica-em-nick-land\/","title":{"rendered":"Resenha: &#8220;O Exterminador do Futuro \u2014 M\u00eddia, horror e pol\u00edtica em Nick Land&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Por Prof. Dr. Julio Cezar Colbeich:<\/em><br><br>Fabr\u00edcio Silveira, professor doutor em Ci\u00eancias da Comunica\u00e7\u00e3o, dedica-se, na obra em quest\u00e3o, a desvendar o pensamento do fil\u00f3sofo Nick Land, cuja influ\u00eancia permeia os n\u00facleos de poder da extrema-direita global. Embora Land n\u00e3o seja um autor do campo comunicacional, Silveira (2025) sustenta que a m\u00eddia constitui elemento central em sua tem\u00e1tica, denominada \u201caceleracionismo\u201d. Para compreender essa figura e sua obra \u2014 que alcan\u00e7ou espa\u00e7os como a Casa Branca durante o governo Trump \u2014, o autor investiga desde a trajet\u00f3ria inicial do pensador at\u00e9 as nuances mais profundas e controversas de sua filosofia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Trata-se de uma das obras mais densas de Silveira (2025), que inicia contextualizando a carreira singular deste fil\u00f3sofo formado na Universidade de Warwick (UK), que liderava um grupo de pesquisa chamado CCRU \u2014 Cibernetic Culture Research United, que ainda hoje tem \u201ccultuadores\u201d. Depois de um per\u00edodo de ostracismo, Land reaparece na China em outra fase n\u00e3o menos controversa. Silveira busca, em seu livro, desvendar a pot\u00eancia comunicacional-midi\u00e1tica inscrita na filosofia de Land.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAcelera\u00e7\u00e3o \u2014 m\u00eddia, horror e pol\u00edtica\u201d intitula o primeiro cap\u00edtulo deste livro. Nele se busca compreender o pensamento aceleracionista e seus elementos, como se estrutura e como um futurismo que se relaciona com a fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, da imagina\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria. Uma observa\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria: no caso do aceleracionismo n\u00e3o h\u00e1 o intuito de prever o futuro, mas e extrapolar o presente, como uma pot\u00eancia latente. E Land complexifica este pensamento em sua filosofia de maneira idiossincr\u00e1tica, ou seja, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel resumir em poucas linhas, o que torna a leitura do livro de Silveira ainda mais necess\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Land seria um antagonista necess\u00e1rio para a esquerda, conforme frase de Mark Fisher em \u201cTerminator vs Avatar\u201d (2014). Compar\u00e1vel ao Exterminador do Futuro, com uma vis\u00e3o apocal\u00edptica, perversa e dogm\u00e1tica que o contrap\u00f5e a Fisher. O aceleracionismo de Land \u00e9 visto como de direita, advoga o uso fren\u00e9tico de tecnologia, trata de um poder tecnofinanceiro tecnomilitar, transumano, que tenta se impor contrapondo-se a um aceleracionismo de esquerda, mais inocente, que acredita na salva\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica tentando reinventar usos tecnol\u00f3gicos de formas coletivas e positivas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No segundo cap\u00edtulo, Silveira (2025) real\u00e7a aspectos metodol\u00f3gicos de sua pesquisa, hip\u00f3teses te\u00f3ricas e problematiza conceitos estruturantes na obra de Nick Land: niilismo e pol\u00edtica, horror e transumanismo, dando conta da pot\u00eancia comunicacional da filosofia aceleracionista configurada nas obras de Land. Evidencia-se que Land se utiliza de personagens e hist\u00f3rias da fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica como <em>Alien \u2014 O oitavo passageiro<\/em> para criar artif\u00edcios epist\u00eamicos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O terceiro cap\u00edtulo aborda a obra de Land como inc\u00f4moda, dif\u00edcil de ser apreendida pelos mais diversos recursos anal\u00edticos e metodol\u00f3gicos. O \u201cIluminismo Sombrio\u201d presente no pensamento de Nick Land emerge pela primeira vez como cap\u00edtulos independentes postados no blog Urban Future por volta de 2012 e s\u00e3o textos agressivos, apostando no pensamento de risco, e at\u00e9 simplistas, construindo a argumenta\u00e7\u00e3o por meio de choque e confronto, descortinando uma ideia de que as democracias estariam esgotadas como um \u201cApocalipse Zumbi\u201d, analogia recorrente na cultura pop em filmes ou s\u00e9ries como <em>The Walking Dead<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No quarto cap\u00edtulo \u00e9 realizada uma cartografia sobre n\u00f3dulos problem\u00e1ticos dos textos de Land e seu sistema de pensamento com o intuito de, ap\u00f3s o diagn\u00f3stico, contribuir para uma avalia\u00e7\u00e3o mais pormenorizada e uma leitura mais compreensiva do autor, n\u00e3o esquecendo que a proposta de Silveira \u00e9 de manter no cerne desta an\u00e1lise as quest\u00f5es de recep\u00e7\u00e3o, consumo cultural ou compet\u00eancia simb\u00f3lica, extrapolando, por vezes, a cr\u00edtica acad\u00eamica profissional. Neste sentido, Silveira (2025) comenta que comunidades interpretativas estariam sendo definidas em torno de Nick Land, tendo-o como \u201cator-chave\u201d, e tais comunidades se confundem e se alimentam. A conex\u00e3o entre Land e Trump ou mesmo a pol\u00eamica \u201cgeotraum\u00e1tica\u201d, derivada de Gilles Deleuze e F\u00e9lix Guatari, s\u00e3o abordadas neste cap\u00edtulo, bem como obje\u00e7\u00f5es ao seu sistema filos\u00f3fico se fazem presente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O quinto cap\u00edtulo, enfatiza a fase \u201cchinesa\u201d de Land, que, em um primeiro momento, pode fugir da filosofia, atuando como um turista, jornalista, antrop\u00f3logo urbano, por\u00e9m, mesmo que, em relance, a filosofia dele est\u00e1 presente, chamando sua aten\u00e7\u00e3o para o aspecto milenar e ao mesmo tempo hipertecnol\u00f3gico da cultura chinesa. Estas duas temporalidades s\u00e3o de certa forma propulsores do autor no texto <em>Templexity: disordered loops through Shanghai<\/em> time que \u00e9 particularmente destacado como relevante por Silveira, como um dos mais orientados \u00e0 \u00e1rea disciplinar da comunica\u00e7\u00e3o, sendo que a templexidade \u00e9 tema quintessencial nos relatos de viagens no tempo, conforme Land, que relaciona o conceito novamente com a cultura pop, nos termos do filme <em>Looper \u2014 Assassinos do futuro<\/em>. J\u00e1 \u201cChim\u00e9rica\u201d, um dos poucos textos de Land traduzidos para o portugu\u00eas, nomeia a tens\u00e3o geopol\u00edtica entre China e EUA, conceito apropriado por Land, originalmente proposto por Niall Ferguson e Moritz Schularick (2007).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em suas considera\u00e7\u00f5es finais, Silveira (2025) reconhece a complexidade da obra de Nick Land, dif\u00edcil de ser analisada, compreendida e talvez defendida seriamente. Sua complexidade se agrava para leitores sem forma\u00e7\u00e3o em filosofia, embora evidencie a conex\u00e3o de Land com a extrema-direita, mas n\u00e3o de forma acr\u00edtica, Land n\u00e3o traz para si este pensamento pol\u00edtico de forma completa, n\u00e3o pode ser reduzido a isso e nem ao mesmo demoniz\u00e1-lo sob \u00e0 \u00f3tica pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, a obra de Silveira (2025) \u00e9, tal como seu objeto, densa, e demanda aten\u00e7\u00e3o aos conceitos e nuances. A figura controversa de Land \u00e9 atualizada para os estudos midi\u00e1ticos, tornando-se primordial para a compreens\u00e3o de seu pensamento sob a perspectiva da Comunica\u00e7\u00e3o. <em>O Exterminador do Futuro \u2013 M\u00eddia, horror e pol\u00edtica em Nick Land<\/em> \u00e9, portanto, leitura indispens\u00e1vel para os pesquisadores da \u00e1rea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br><strong>Refer\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SILVEIRA, Fabr\u00edcio Lopes da. <strong>O Exterminador do Futuro<\/strong> \u2014 M\u00eddia, horror e pol\u00edtica em Nick Land. Porto Alegre: Editora Zouk, 2025. 200p.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br><strong>Imagem<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Capa do livro. Cr\u00e9dito: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Editora Zouk.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Prof. Dr. Julio Cezar Colbeich: Fabr\u00edcio Silveira, professor doutor em Ci\u00eancias da Comunica\u00e7\u00e3o, dedica-se, na obra em quest\u00e3o, a desvendar o pensamento do fil\u00f3sofo Nick Land, cuja influ\u00eancia permeia os n\u00facleos de poder da extrema-direita global. Embora Land n\u00e3o seja um autor do campo comunicacional, Silveira (2025) sustenta que a m\u00eddia constitui elemento central em sua tem\u00e1tica, denominada \u201caceleracionismo\u201d. Para compreender essa figura e sua obra \u2014 que alcan\u00e7ou espa\u00e7os como a Casa Branca durante o governo Trump \u2014, o autor investiga desde a trajet\u00f3ria inicial do pensador at\u00e9 as nuances mais profundas e controversas de sua filosofia. Trata-se de uma das obras mais densas de Silveira (2025), que inicia contextualizando a carreira singular deste fil\u00f3sofo formado na Universidade de Warwick (UK), que liderava um grupo de pesquisa chamado CCRU \u2014 Cibernetic Culture Research United, que ainda hoje tem \u201ccultuadores\u201d. Depois de um per\u00edodo de ostracismo, Land reaparece na China em outra fase n\u00e3o menos controversa. Silveira busca, em seu livro, desvendar a pot\u00eancia comunicacional-midi\u00e1tica inscrita na filosofia de Land. \u201cAcelera\u00e7\u00e3o \u2014 m\u00eddia, horror e pol\u00edtica\u201d intitula o primeiro cap\u00edtulo deste livro. Nele se busca compreender o pensamento aceleracionista e seus elementos, como se estrutura e como um futurismo que se relaciona com a fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, da imagina\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria. Uma observa\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria: no caso do aceleracionismo n\u00e3o h\u00e1 o intuito de prever o futuro, mas e extrapolar o presente, como uma pot\u00eancia latente. E Land complexifica este pensamento em sua filosofia de maneira idiossincr\u00e1tica, ou seja, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel resumir em poucas linhas, o que torna a leitura do livro de Silveira ainda mais necess\u00e1ria. Land seria um antagonista necess\u00e1rio para a esquerda, conforme frase de Mark Fisher em \u201cTerminator vs Avatar\u201d (2014). Compar\u00e1vel ao Exterminador do Futuro, com uma vis\u00e3o apocal\u00edptica, perversa e dogm\u00e1tica que o contrap\u00f5e a Fisher. O aceleracionismo de Land \u00e9 visto como de direita, advoga o uso fren\u00e9tico de tecnologia, trata de um poder tecnofinanceiro tecnomilitar, transumano, que tenta se impor contrapondo-se a um aceleracionismo de esquerda, mais inocente, que acredita na salva\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica tentando reinventar usos tecnol\u00f3gicos de formas coletivas e positivas. No segundo cap\u00edtulo, Silveira (2025) real\u00e7a aspectos metodol\u00f3gicos de sua pesquisa, hip\u00f3teses te\u00f3ricas e problematiza conceitos estruturantes na obra de Nick Land: niilismo e pol\u00edtica, horror e transumanismo, dando conta da pot\u00eancia comunicacional da filosofia aceleracionista configurada nas obras de Land. Evidencia-se que Land se utiliza de personagens e hist\u00f3rias da fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica como Alien \u2014 O oitavo passageiro para criar artif\u00edcios epist\u00eamicos. O terceiro cap\u00edtulo aborda a obra de Land como inc\u00f4moda, dif\u00edcil de ser apreendida pelos mais diversos recursos anal\u00edticos e metodol\u00f3gicos. O \u201cIluminismo Sombrio\u201d presente no pensamento de Nick Land emerge pela primeira vez como cap\u00edtulos independentes postados no blog Urban Future por volta de 2012 e s\u00e3o textos agressivos, apostando no pensamento de risco, e at\u00e9 simplistas, construindo a argumenta\u00e7\u00e3o por meio de choque e confronto, descortinando uma ideia de que as democracias estariam esgotadas como um \u201cApocalipse Zumbi\u201d, analogia recorrente na cultura pop em filmes ou s\u00e9ries como The Walking Dead. No quarto cap\u00edtulo \u00e9 realizada uma cartografia sobre n\u00f3dulos problem\u00e1ticos dos textos de Land e seu sistema de pensamento com o intuito de, ap\u00f3s o diagn\u00f3stico, contribuir para uma avalia\u00e7\u00e3o mais pormenorizada e uma leitura mais compreensiva do autor, n\u00e3o esquecendo que a proposta de Silveira \u00e9 de manter no cerne desta an\u00e1lise as quest\u00f5es de recep\u00e7\u00e3o, consumo cultural ou compet\u00eancia simb\u00f3lica, extrapolando, por vezes, a cr\u00edtica acad\u00eamica profissional. Neste sentido, Silveira (2025) comenta que comunidades interpretativas estariam sendo definidas em torno de Nick Land, tendo-o como \u201cator-chave\u201d, e tais comunidades se confundem e se alimentam. A conex\u00e3o entre Land e Trump ou mesmo a pol\u00eamica \u201cgeotraum\u00e1tica\u201d, derivada de Gilles Deleuze e F\u00e9lix Guatari, s\u00e3o abordadas neste cap\u00edtulo, bem como obje\u00e7\u00f5es ao seu sistema filos\u00f3fico se fazem presente. O quinto cap\u00edtulo, enfatiza a fase \u201cchinesa\u201d de Land, que, em um primeiro momento, pode fugir da filosofia, atuando como um turista, jornalista, antrop\u00f3logo urbano, por\u00e9m, mesmo que, em relance, a filosofia dele est\u00e1 presente, chamando sua aten\u00e7\u00e3o para o aspecto milenar e ao mesmo tempo hipertecnol\u00f3gico da cultura chinesa. Estas duas temporalidades s\u00e3o de certa forma propulsores do autor no texto Templexity: disordered loops through Shanghai time que \u00e9 particularmente destacado como relevante por Silveira, como um dos mais orientados \u00e0 \u00e1rea disciplinar da comunica\u00e7\u00e3o, sendo que a templexidade \u00e9 tema quintessencial nos relatos de viagens no tempo, conforme Land, que relaciona o conceito novamente com a cultura pop, nos termos do filme Looper \u2014 Assassinos do futuro. J\u00e1 \u201cChim\u00e9rica\u201d, um dos poucos textos de Land traduzidos para o portugu\u00eas, nomeia a tens\u00e3o geopol\u00edtica entre China e EUA, conceito apropriado por Land, originalmente proposto por Niall Ferguson e Moritz Schularick (2007). Em suas considera\u00e7\u00f5es finais, Silveira (2025) reconhece a complexidade da obra de Nick Land, dif\u00edcil de ser analisada, compreendida e talvez defendida seriamente. Sua complexidade se agrava para leitores sem forma\u00e7\u00e3o em filosofia, embora evidencie a conex\u00e3o de Land com a extrema-direita, mas n\u00e3o de forma acr\u00edtica, Land n\u00e3o traz para si este pensamento pol\u00edtico de forma completa, n\u00e3o pode ser reduzido a isso e nem ao mesmo demoniz\u00e1-lo sob \u00e0 \u00f3tica pol\u00edtica. Assim, a obra de Silveira (2025) \u00e9, tal como seu objeto, densa, e demanda aten\u00e7\u00e3o aos conceitos e nuances. A figura controversa de Land \u00e9 atualizada para os estudos midi\u00e1ticos, tornando-se primordial para a compreens\u00e3o de seu pensamento sob a perspectiva da Comunica\u00e7\u00e3o. O Exterminador do Futuro \u2013 M\u00eddia, horror e pol\u00edtica em Nick Land \u00e9, portanto, leitura indispens\u00e1vel para os pesquisadores da \u00e1rea. Refer\u00eancia SILVEIRA, Fabr\u00edcio Lopes da. O Exterminador do Futuro \u2014 M\u00eddia, horror e pol\u00edtica em Nick Land. Porto Alegre: Editora Zouk, 2025. 200p. 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