A busca pela universidade inclusiva

Texto e imagem por Filipe Silveira  (Relações Públicas) e Ludmila Carvalho (Biblioteconomia) – bolsistas do Por Dentro da UFRGS

 

No dia 17 de agosto de 2021, terça-feira, ocorreu a segunda live da capacitação “10 anos da Lei de Cotas nas Universidades Federais: construindo o futuro” com a temática “Cotas nas Universidades Federais: Pessoas com Deficiência, Transtorno do Espectro do Autismo, Superdotação e Altas Habilidades”, com mediação de Adriana Arioli. O encontro teve 3 três convidadas e contou com a apresentação cultural de Karine Rodrigues (uma das convidadas), cantando Novo Tempo de Ivan Lins e Vitor Martins.

 

 

Abrindo a conversa, Laura Ceretta, Doutora em Educação pela Universidade de São Paulo (USP) e Coordenadora do NAPNE (Núcleo de Apoio às Pessoas com Necessidades Educacionais Especiais) na Universidade Federal do Paraná (UFPR), contou como funcionam as cotas para pessoas com algum tipo de deficiência na universidade. Ela compartilhou, que a UFPR possui vaga suplementar que é independente da renda do candidato e se ele estudou em escola pública. 

 

 

Renata Cassol, Intérprete de Libras na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), comentou sobre como funcionam as cotas na Instituição. Na Universidade eles usam a Classificação Internacional de Doenças (CID) e consideram algumas doenças que podem levar o candidato a ter uma deficiência, como por exemplo, o agravamento da diabetes que em certo nível pode levar a amputação de algum membro do corpo. Contudo, explicita que ter essa doença, não configura o direito a ocupar uma vaga para pessoas com deficiência. 

 

 

Karine Rodrigues, estudante de música popular na UFRGS, falou sobre como foi a sua trajetória até entrar no curso de música. Ela contou que teve muita dificuldade para saber sobre a prova específica do curso de música popular. Karine comentou que precisou encontrar candidatos com deficiência visual de outras universidades e se basear na experiência deles referente às provas específicas de música. Nesse processo, precisou estudar musicografia braille e ressaltou a importância de ter, durante a prova, um ledor que conheça a notação musical.  

 

 

Foi debatido sobre pessoas com deficiência que fizeram o ensino médio em escolas privadas, e a importância que elas sejam incluídas em políticas de cotas, já que enfrentam barreiras de acessibilidade independentemente do tipo de escola em que estão. Destacaram que, a maioria opta por ir para uma escola de rede privada, devido a oferta de bolsas de estudos disponibilizadas a esses estudantes. Sendo assim, ocorreu um consenso entre as participantes do debate sobre as lacunas que ainda permeiam o sistema de ações afirmativas para pessoas com deficiência.  

 

 

Karine Rodrigues comentou a respeito da inserção do aluno não ser feita somente pela cota, isso porque os espaços devem ser inclusivos e as pessoas no ambiente universitário precisam estar minimamente preparadas para lidar com adversidades. Dessa forma, vemos que a vivência educacional no âmbito da universidade transpassa a burocracia das leis para nos mostrar a importância da Inclusão Social. A inclusão, precisa ser compromisso de todos, tanto de alunos como de professores, e não só uma preocupação com estrutura física. Isto é, o ambiente e as pessoas devem estar preparados para acolher esses indivíduos, com suas particularidades, não basta estarem dentro, é preciso que tenham condições de permanecer na jornada educacional.  

 

 

Transmitido através da rede social Facebook, mais especificamente na conta do DEDS-UFRGS, e disponível a partir do seguinte link  https://www.facebook.com/dedsufrgs.ufrgs/videos/4783475581665853/, o encontro teve o intuito de capacitar diversos tipos de público. Desta forma, as envolvidas trouxeram a temática ‘’Pessoas com Deficiência, Transtorno do Espectro do Autismo, Superdotação e Altas Habilidades’’ baseando-se em estudos, experiênciais profissionais e vivências pessoais.  

 

 

Tivemos a alegria de poder prestigiar este espaço de discussão, considerando a importância dessa questão, que pode ser desconsiderada por quem não a vive, mas que vem ganhando seu lugar de direito, nas discussões e conquistas.  

 

Você pode assistir a capacitação AQUI.

 

 

Dados da Transmissão até o dia 26/08/2021:

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2 Horas e 24 minutos de duração